sábado, 31 de outubro de 2009

AS IMAGENS DO QUOTIDIANO OU DE COMO O REALISMO É UMA FRAUDE






António Preto
Jens Astrup, “Mona Gregersen espera pelo carro”, Vårst, Himmerland, 11h05 (“Histoires d’un jour” – Maison du Danemark)/
Joel Meyerowitz, “New York City, 5th Ave. and 57th St.”, 1975
Mesmo depois de submetida, no domínio da criação artística, à avaliação crítica da sua aptidão eminentemente documental, a fotografia nunca deixou, desde o seu início, de se propor como um eficaz instrumento de medição do mundo, reclamando ainda um inquestionável valor testemunhal. As contingências físico-químicas da fotografia analógica afiançam a realidade presencial das coisas: asseguram que o que quer que figure na imagem fotográfica tenha forçosamente de ter estado diante da objectiva, garantem uma relação indicial da imagem (real) com os objectos (reais). A fotografia sustenta-se assim, isso mesmo o observam Rosalind Krauss e Susan Sontag, num compromisso inquebrantável com a realidade física, instância categórica que confere à imagem fotográfica veracidade material, objectividade crítica e factualidade histórica. Por mais representações pictóricas e documentos escritos que tenham sido produzidos sobre Cristo, a sua historicidade só seria irrefutavelmente provada – considerando este enquadramento teórico e apesar de toda a controvérsia – com o Sudário de Turim ou com o véu de Santa Verónica (do latim, “vero icon”, ou seja, “verdadeira imagem”), significativamente, padroeira dos fotógrafos.

Criticada por Baudelaire (e mais tarde por Benjamin) por não passar de uma técnica automática de reprodução mecânica da realidade, um “refúgio de todos os pintores frustrados”, menosprezada por Ingres (que, no entanto, utilizava daguerreótipos de Nadar para a execução dos seus retratos e confidenciava: “a fotografia é melhor do que o desenho, mas não é preciso dizê-lo”), reduzida à função de mero instrumento e à qualidade de produto industrial, a fotografia não conseguiria, no entanto, destacar-se inteiramente dos estereótipos pictóricos. Contrariando os receios iniciais de que a fotografia se impusesse em substituição das formas tradicionais de representação, os fotógrafos centrar-se-iam na exploração de novos recursos, principalmente químicos, e de novas técnicas de enquadramento e de iluminação, distanciando-se do realismo da fotografia primitiva, tida como “cópia do real”, para se deterem na opacidade da imagem, passando assim a privilegiar abordagens subjectivas, interpretativas e discursivas, mais ajustadas às pretensões autorais.

No sentido inverso, a fotografia participaria com a pintura (liberta das concepções académicas sobre a composição), na revolução do olhar: casual e ordinário, capaz de ver a realidade em fragmentos e de apreciar e decompor os gestos e os movimentos. Se, por um lado, a fotografia se cinge necessariamente a um referente ocular, por outro, consegue tornar visível o que escapa à visão humana. A fixação da imagem e a congelação do movimento possibilitam uma observação prolongada dos objectos, a gestão dos períodos de exposição permite a sobreposição de tempos e de imagens. A fidelidade ao referente, mas também a falha técnica, dão do mundo imagens novas e inesperadas: o poder de desocultação da fotografia revela a aura dos retratados e, nalguns casos, mesmo os fantasmas que os circundam: o mundo é um lugar de simultaneidade.

Implicada na passagem do Romantismo ao Realismo e, portanto, do “belo idealizado” ao “real objectivo”, a fotografia retrata a emergência da burguesia e do proletariado, grupos carecidos de uma imagem social, partilhando com a pintura e com a literatura o imperativo de dar visibilidade à comédia humana, ao quotidiano das classes trabalhadoras. Courbet abandona o colorismo romântico em favor do cinzentismo desassombrado da vulgaridade, Zola, naturalista, radicaliza a crueza narrativa de Balzac e legitima a veracidade objectiva de “Germinal” com a experiência de dois meses de trabalho mineiro na extracção de carvão. A fotografia, por seu turno, reveste-se, naquilo que a liga fatalmente ao existente, de uma aura de “arte total”, nas palavras de Baudelaire, “um Deus vingativo que realiza o desejo do povo”: a democratização da imagem, a participação na verdade das coisas, o direito ao reflexo.

Durante o próximo mês de Novembro decorrerá, em Paris, a 14ª edição do “Mês da fotografia”, organizada pela Maison Européenne de la Photographie. Antecipando o que será o programa do encontro, o Jeu de Paume apresenta, no espaço Concorde, a primeira grande retrospectiva do fotógrafo americano Lee Friedlander (comissariada por Peter Galassi para o MoMA de Nova Iorque) e ainda, uma exposição de Joel Meyerowitz, “Out of the Ordinary, photographies 1970-1980”, patente no Hôtel de Sully.

Repórteres do quotidiano, Friedlander e Meyerowitz retratam, embora de modos diferentes, a vida urbana na América dos anos 60 e 70, tendo, como seria de esperar, em vista uma crítica à sociedade de consumo, conduzida nos moldes mais usuais da Pop. Fortemente influenciados por “The Americans”, de Robert Frank, descobrem, nessa abordagem etnográfica, uma América heterogénea, descontínua e desarticulada, contrastante com as imagens de estabilidade produzidas por Walker Evans e Berenice Abbott nas duas décadas anteriores.

Lee Friedlander participa, em 1966, na exposição colectiva “American Social Landscape” (apresentada em Rochester) e, no ano seguinte, vê o seu trabalho integrado em “New Documents” (MoMA), exposição conjunta com Diane Arbus e Garry Winogrand que visava dar a ver uma geração de fotógrafos empenhados num olhar objectivo sobre a América. A partir desta experiência, a noção de paisagem social passará a definir a sua pesquisa fotográfica, centrada na dissolução da figura humana na complexidade do espaço urbano. A justaposição e sobreposição de reflexos, transparências e projecções origina uma multiplicação de pontos de vista e enquadramentos ao mesmo tempo que, neutralizando a profundidade de campo, conglutina indiferenciadamente no plano da imagem múltiplos fragmentos entrecortados (incluindo-se aí a presença do próprio fotógrafo) que se articulam dispersivamente, produzindo novos sentidos e reverberações, entre o anedótico e o acidental. A abordagem caleidoscópica da paisagem social é unificada num olhar reconciliador sobre a natureza e, particularmente, sobre as plantas (motivo central da fotografia mais recente de Friedlander): embora preservando a complexidade barroca do espaço urbano – agora transformada em puro formalismo – a paisagem americana, apresentada pelo autor num estado edénico, é o espaço moralizador, de todos os retornos, de toda a redenção.

Joel Meyerowitz assume, relativamente à fotografia, uma postura modernista, mais intuitiva e electiva, valorizando, à maneira de Henri Cartier-Bresson, o “instante decisivo” como epifania e síntese tanto do inesperado como do banal. O autor confessa-se atraído “pela ideia um pouco perversa de utilizar a máquina fotográfica, capaz de tudo representar, para representar quase nada”. Com Harry Callahan e William Eggleston, Meyerowitz será um dos primeiros a empreender uma pesquisa estética sistemática sobre a fotografia a cores. Contrariando a supremacia do preto e branco na fotografia artística até à década de 60, Meyerowitz interessa-se pela cor como acrescento de informação e parte integrante do que define como field photographs: amplos enquadramentos sobre a arquitectura e o espaço urbano que abrem o campo a acontecimentos múltiplos e simultâneos onde todos os pormenores são significativos.

O que liga Meyerowitz e Friedlander é o que percorre várias das exposições recentemente apresentadas em Paris, o que parece ser o denominador comum de muita da fotografia contemporânea. Na Maison du Danemark pôde ver-se, até 15 de Outubro último, a exposição “Histoires d’un jour”, selecção de 130 fotografias da Dinamarca captadas por 100 fotógrafos profissionais ao longo das 24 horas do dia 18 de Agosto de 2005. Pedia-se aos participantes da maratona-concurso que as fotografias, identificadas com a hora e o local de captação, fossem “espontâneos, sem mise en scène nem retoques” para, com essas histórias “quotidianas ou insólitas”, mas, em todo o caso, verdadeiras, obter um retrato “vivo” do dia-a-dia da Dinamarca. O resultado da experiência não passa da mera confirmação do que se entende, no norte da Europa, por um dia corrente: com a maior ligeireza possível, todos os acontecimentos registados – que vão, naturalmente, do nascimento à morte, passando pelo pequeno-almoço em família às 8 horas da manhã, o passeio à beira mar, a cerveja ao fim da tarde e o sexo à noite – são, indiferenciadamente, nivelados pelo largo crivo do quotidiano: tudo é igual a tudo e, sobretudo, igual ao que já se sabe. No sentido oposto, a exposição “Un autre monde”, selecção da 6ª edição dos encontros africanos de fotografia, Bamako 2005, patente na Bibliothèque nationale de France, pretende questionar, pelo pluralismo, assente na mudança de pontos de vista, as representações estereotipadas da africanidade. Reunindo o trabalho de quinze fotógrafos originários de nove países de África e do Oceano Índico, “representativos da criação contemporânea nesses territórios”, Simon Njami, comissário da exposição, sustenta que a alteridade não corresponde necessariamente ao que está longe, ao estrangeiro, mas ao que se esconde, no quotidiano, de um olhar menos atento. A fotografia, que deverá procurar abster-se de uma objectividade narrativa e da fixação de uma pretensa “realidade real”, incumbindo-lhe, pelo contrário, perspectivar um mundo outro, paralelo, seria pois um instrumento privilegiado para desvendar a excepcionalidade no quotidiano. O que se verifica, no entanto, é que a procura desse “outro mundo”, fatalmente pitoresco ou ocidentalizado, sucumbe aos padrões estéticos da fotografia contemporânea, reproduzindo, sem contemplações, todos os lugares-comuns do olhar do ocidente sobre África.

Apostada no conhecimento da vida, das existências comuns, e na figuração de um real tangível (sendo que todas as apelidações do real são ideológica e politicamente dirigistas, porque conclusivas), a fotografia veio ocupar o lugar da pintura de género: a celebração dos costumes – agora convertida em cientificidade documental, não isenta de uma pesada carga demagógica – apresenta-se como prova segura da historicidade do quotidiano. O quotidiano é, por definição, esse estado sem sobressalto em que nada acontece, paliativo para todas as inquietações, princípio paralisante dissuasor de todas as mudanças. É o quotidiano, e não o estado de excepção, que assegura a manutenção do poder. O olhar sobre o quotidiano é assim um olhar invariavelmente descomprometido, que se exterioriza sem problematizar: a guerra em determinados territórios, como a prosperidade noutros são, para esse olhar, evidências quase naturais. Não se confundam, porém, as imagens de uma banalidade institucionalizada com a banalização das imagens: se o mundo real não é a preto e branco nem a cores, qual será pois a verdadeira imagem do quotidiano? Não será essa imagem uma imagem impossível?
Conhecidos os problemas sociais da França contemporânea, que quotidiano se dá a ver hoje em Paris? Quais são as suas imagens?

Uma semana depois da “Nuit Blanche”, evento megalómano e populista organizado anualmente pela Câmara de Paris que pretende dar a ver (e impor), espalhando-se por todos os bairros da cidade (mesmo pelos mais desfavorecidos), a jovial arte contemporânea francesa, aproximando-a assim de um público generalizado, habitualmente afastado das práticas artísticas, a mesma Câmara de Paris pretende agora obrigar a encerrar, com força policial, a La Genérale, espaço de uma fábrica abandonada há anos no centro de Paris, ocupado como lugar de trabalho, há cerca de um ano, por mais de 100 artistas (ligados às artes plásticas, ao teatro, cinema, vídeo, etc.) que intervinham activamente, com mostras semanais, no quotidiano estético e político parisiense.
Está feito o retrato.
ArteCapital

Marisa Monte, Paulinho da Viola & Rafael Rabelo

Capes testa novo Portal de Periódicos

Ferramenta passou por um ano de aprimoramento. Lançamento oficial será em 11 de novembro

Na manhã desta quinta-feira, 28, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) realizou o pré-lançamento do novo Portal de Periódicos. A ferramenta passou por um ano de aprimoramento e agora está mais interativa, ágil, com acesso facilitado e conteúdo expandido, atendendo a variados perfis de pesquisadores.

O presidente da Capes, Jorge Guimarães, ressaltou o fato de os países mais desenvolvidos não possuírem um portal semelhante. "Possuem alguns com acesso de poucas instituições e para determinadas áreas, mas nada comparado ao Portal de Periódicos." Para ele, o novo instrumento mudará o conceito de biblioteca e contribuirá para o desenvolvimento de cursos de biblioteconomia.

Nova ferramenta

O portal continuará permitindo todas as buscas já existentes, no entanto, agora também estará disponível o sistema de busca integrada, que permite a pesquisa em todas as bases ao mesmo tempo. No antigo sistema era necessário procurar em cada uma separadamente.

O sistema permite várias possibilidades, entre elas, a busca por palavras-chave, títulos, autores, primeira letra do periódico e bases. Outra novidade é a possibilidade de cadastro de senha por usuário. O pesquisador poderá cadastrar seu e-mail e senha na instituição e, dentro do seu perfil, salvar as pesquisas já realizadas. "As inovações são no sentido de dar mais flexibilidade à pesquisa e mais capacidade de gestão das informações acessadas diariamente", garante o presidente da Capes, Jorge Guimarães.

A coordenadora-geral do Portal de Periódicos, Elenara de Almeida, informou que, com o novo sistema, o portal passou de 15.475 periódicos para 21.500, pois agregou novos conteúdos de acesso livre. Ela disse ainda que, em 2010, outros módulos estarão disponíveis, entre eles o de estatísticas. "Hoje, cada editor encaminha seus dados estatísticos. No ano que vem a atualização dos dados será automática", explica.

Outra melhoria apresentada pelo novo portal é o maior uso do idioma português nos menus, janelas e abas de navegação. "Este fato facilita a pesquisa por estudantes que não dominam outro idioma", diz Jorge Guimarães.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Investimento em ecossistema é chave para adaptação


Por Marcela Valente, da IPS

Buenos Aires, 30/10/2009 – Se houver investimento no manejo sustentável dos ecossistemas e se deter sua atual degradação, haverá melhorar sensível na capacidade de adaptação dos países à mudança climática, afirma um estudo apresentado ontem por duas organizações ambientalistas realizado em 16 países. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e a fundação Vida Silvestre da Argentina (FVSA) apresentaram em Buenos Aires um informe no qual afirmam que a conservação e o manejo sustentável dos ecossistemas são chaves para melhor adaptação ao aumento da temperatura do planeta.

As estimativas mais conservadoras indicam que são necessários US$ 63 bilhões ao ano para proteger os serviços ambientais que esses ecossistemas proporcionam à humanidade, avaliados em US$ 33 trilhões anuais, segundo uma pesquisa a um informe da revista norte-americana Nature. Às vésperas da 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 15), que acontecerá de 7 a 18 de dezembro em Copenhague, estas entidades não-governamentais proporão que “o manejo efetivo do meio ambiente seja um componente fundamental das estratégias de adaptação”.

Foi o que destacou o diretor-geral da FVSA, Diego Moreno, antes da apresentação do estudo “Novos Modelos para Financiamento, Desenvolvimento e Natureza. Casos de adaptação para responder aos impactos da mudança climática”, que será lançado na próxima cúpula. O informe apresenta 16 casos de adaptação nos cinco continentes, em uma área total que envolve 10% da população mundial, que hoje supera os 6,8 bilhões de pessoas.

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Dilma: a bruxa do clima. Ou: Donde fica as Mardiva?

O presidente Lullão Metralha, estou certo, não sabe onde ficam as Maldivas. Nem precisa, já que com a entronização definitiva do estilo anarfa-fashion como modelo de liderança e (des)governo, as leituras básicas como Geografia devem estar sendo abolidas nos corredores brasilienses.

Já a candidata-em-campanha Dilma Roussef, essa provavelmente sabe. Assim como sabe as conseqüências das políticas de destruição ambiental que vem implantando em Pindorama à sombra do “pudê” presidencial, a Musa dos Empreiteiros lê jornal, e deve ter visto quando o Presidente (esse sim com P maiúsculo) das Maldivas, Mohammed Nasheed, realizou uma reunião ministerial subaquática para chamar a atenção do mundo para a ameaça que as mudanças climáticas representam para os pequenos países insulares como o dele.

Se viu, Dilma não falou, e tampouco ligou. Como o resto do governo brasileiro à exceção aparente do Minc-nistro de Meio Ambiente, ela está se lixando para o que vai acontecer às Maldivas, a Palau, a Kiribati, a Vanuatu, a Dominica e a tantos outros países pequenos em desenvolvimento, e a seu tempo aos brasileiros também, quando a subida dos oceanos e as alterações climáticas causadas pelo excesso de carbono na atmosfera, fruto da histeria “desenvolvimentista” e do genocídio da floresta amazônica, causarem o desaparecimento de ilhas, cidades costeiras, colheitas, oportunidades. O que importa é o pseudo-crescimento imediato, aquele dos números inchados de PIB e outros “indicadores” de “pogreço”. Não é outro o motivo de Dilma ter determinado, abençoada pelo seu presidente-marionete, a vergonhosa falta de empenho do Brasil em dar o exemplo para a vindoura reunião de Copenhague para o estabelecimento de medidas visando mitigar (impedir já é impossível) as mudanças climáticas provocadas pela ideologia econômica insana que ela e os seus professam.

À luz do dia e sem maiores protestos da sociedade civil calada pela esmola, pela apatia e pelo compadrio político, a Musa Plastificada dos Empreiteiros mandou enterrar o sonho de Minc de que o Brasil se apresentasse em Copenhague como um país moderno e responsável. Sua Candidatescência ditou que as metas de emissão de carbono do Brasil sejam pioradas para assegurar um ou dois pontos percentuais a mais nos seus índices de falso desenvolvimento. Caberá a nosso Ministério de Relações Exteriores o triste papel de seguir defendendo posições retrógradas no que tange à gravíssima crise climática, coisa que aliás já vinha fazendo em outras oportunidades em que teve de representar esse mesmo (des)governo . Infelizmente, ainda no Século XXI há diplomatas em Pindorama que vêem fantasmas protecionistas em tudo que seja proposto no plano internacional para a proteção ambiental, e seguimos passando vergonha no mundo real, enquanto nos salões de convescotes se finge que Lulla “é o cara”.

A posição do (des)governo Lulla Roussef para o clima baseia-se no seguinte: – promover o aumento das emissões no Brasil pelo apoio oficial ao desmatamento , ajudando a acabar com o Código Florestal , facilitando a titulação de terras dos grileiros na Amazônia , ampliando por incentivos a emissão automotiva individual e deixando de incentivar energias alternativas como eólica e solar em favor daquelas que enriquecem empreiteiros como hidro e termelétricas, há anos brandindo para tanto a mentira alarmista do “apagão” ;

- Combater ativamente qualquer acordo que inclua metas de redução obrigatória para o Brasil e outros grandes poluidores (sim, porque o papinho de país pobre e coitadinho não se coaduna mais com o ufanismo grandiloqüente do Einsten de Garanhuns, não é mesmo??), condenando a indústria nacional ao atraso e à falta de empenho para a redução de seu desperdício e contaminação nos processos produtivos; e
- Buscar aliados entre os países mais retrógrados no tema para esconder-se atrás de uma posição “de grupo”.

Infelizmente para o lullismo climático, mesmo países em desenvolvimento que são grandes emissores estão se dando conta não só do pepino que é o aquecimento global, mas também das oportunidades econômicas imediatas que a transição para uma economia de baixa emissão de carbono. Índia e China, dois dos piores poluidores do planeta, acabam de anunciar um pacto comum para a redução de emissões e desenvolvimento tecnológico . Ainda que o discurso político se assemelhe superficialmente ao brasileiro, esses dois países passam da inação chorona à iniciativa, com foco evidente em beneficiar-se dos negócios que advirão dessa nova economia energética baseada em fontes alternativas.

A boçalidade climática do atual (des)governo põe por terra a pseudo-solidariedade da diplomacia brasileira com países em desenvolvimento, que se finge ser o esteio de nossa atuação internacional. O que dita Marco Aurélio “Top Top” Garcia, o grande 'aceçor internassionáu', é dar dinheiro a rodo aos bananeiros “esquerdistas” de nosso entorno, e quando muito ajudar empreiteiros nativos a ir destruir a Natureza além-fronteira, como na Guiana . Aos muitos países pequenos que serão devastados pela mudança climática nos próximos dez a vinte anos, não reservam nosso Einstein de Garanhuns e seus acólitos nem piedade, nem ajuda.

Copenhague, graças a (des)governantes como os nossos, deverá ser uma decepção para quem entende a gravidade da crise planetária. Mas assim como a truculência de Bush foi varrida do mapa em uma transição difícil, mas boa para o planeta, segue ocorrendo lá nas bandas do Império, quem sabe aqui também haja tempo para que a alternância eleitoral, varra para o lixo da História quem não sabe onde ficam as Maldivas, e também quem sabe e não se importa.Fonte:
O ECO


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Marina Silva pede empenho para sucesso da conferência do clima


Flávia Albuquerque, da Agência Brasil

A senadora Marina Silva (PV-AC) afirmou nesta quinta-feira (29/10) que não se deve “dar de bandeja” a ideia de que a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), marcada para dezembro, em Copenhague, será um fracasso, pois cada envolvido deve investir ao máximo para que o resultado seja um sucesso.

A ex-ministra do Meio Ambiente atribuiu essa expectativa negativa ao fato de, até agora, o processo preparatório não ter avançado, mas disse esperar dos líderes políticos uma atitude que permita sair de Copenhague com uma arquitetura que viabilize a contribuição dos países desenvolvidos para que se alcance a meta de 2050 e dos países em desenvolvimento, “na medida exata da da sua contribuição, que é mais da metade das emissões de CO2″.

“Se os desenvolvidos fizerem a sua parte, e nós não, não vamos fechar a conta”, afirmou a senadora, após participar do lançamento do novo produto da Serasa Experian, o sistema Conformidade Ambiental, um instrumento à disposição do mercado para apoiar o desenvolvimento sustentável.

Sobre a indicação da ministra Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, para chefiar a comitiva brasileira em Copenhague, Marina disse que o importante é levar à conferência propostas de qualidade. “A pessoa que vai liderar esse processo é escolha do presidente, mas o importante são as propostas. Que o Brasil possa ir para Copenhague comprometido com metas, não só para o desmatamento, mas também para energia, agricultura e indústria. É possível termos esse compromisso.”

Ela disse que as propostas que serão apresentadas na conferência ainda estão em discussão, mas ressaltou que o Brasil pode dar uma contribuição efetiva de cerca de 20% a 40% na redução das emissões de CO2. “Essa é a proposta que vem sendo estudada no âmbito do Ministério do Meio Ambiente. Conta com alguma resistência de alguns setores, mas o corte que será feito poderá possibilitar uma contribuição não só pelo desmatamento.”

A senadora falou também sobre a reforma tributária, reforçando a necessidade de se pensar urgentemente em meios para incentivar as tecnologias limpas, as práticas sustentáveis. “Há um custo para a mudança do modelo de desenvolvimento, e isso não acontecerá, se não tivermos os mecanismos para isso”, afirmou Marina. Segundo ela, é preciso sair das ações pontuais e ter uma ação integrada que vise à globalidade dos investimentos que precisam ser feitos.
(Agêcia Brasil)

URGENTE- Faça alguma coisa até terça-feira
Participe de ciberação contra mudança do código ambiental

É fácil, basta um e-mail!
participem do ciberativismo em defesa de nosso meio ambiente.
Precisamos enviar e-mail para todos os deputados da assembléia na tentativa de evitar a aprovaação do PL 154/2009, do Dep Edson Brun, que altera toda a legislação
ambiental.

O PL 154/2009 do Dep Edson Brun que altera toda a legislação
ambiental recebeu parecer favorável do relator Dep . Marquinho Lang. No
entanto, ainda não foi votado na Comissão de Constituição e Justiça devido a
um esvaziamento, logo, falta de quórum.

Além disso, o Dep. Fernando Záchia pediu preferência, ou seja, pede
prioridade para que o mesmo seja votado rapidamente.

Send assim, o PL pode ser votado na próxima terça, 3/11, na Comissão de
Constituição e Justiça, 9:00hs.

A única manobra protelatória é um pedido de vistas que pode adiar por apenas
uma semana no máximo a votação.

É preciso, portanto, uma pressão intensa sobre todos deputados do Parlmento
Gaúcho a partir de hoje até terça feira.

Para isto, nós da APEDeMA-RS, estamos propondo a toda a coletividade uma
nova ação via internet (cyberativismo), com o objetivo de superlotar as
caixas de correspondência dos deputados com mensagens de protesto e
indignação sobre as alterações propostas pela PL 154.

Com certeza eles vem sendo pressionados pelo representantes do agronegócio
há mais tempo.
A estratégia é seguinte:

1 – Onde diz Assunto escreva – Vote não à PL 154, pela manutenção do Código
Ambiental e pela ampliação do debate com TODA a sociedade

2 – Cole os endereços de email dos deputados –

pazeredo@al.rs.gov.br; kalil@al.rs.gov.br; cherini@al.rs.gov.br;
gilmar.sossella@al.rs.gov.br; gerson.burmann@al.rs.gov.br;
adroaldoloureiro@al.rs.gov.br; adolfo.brito@al.rs.gov.br;
frederico.antunes@al.rs.gov.br; francisco.appio@al.rs.gov.br;
jeronimo.goergen@al.rs.gov.br; joao.fischer@al.rs.gov.br;
mano.changes@al.rs.gov.br; marco.peixoto@al.rs.gov.br;
pedro.westphalen@al.rs.gov.br; silvana.covatti@al.rs.gov.br;
villaverde@al.rs.gov.br; daniel.bordignon@al.rs.gov.br;
elvino.bohngass@al.rs.gov.br; dionilso.marcon@al.rs.gov.br;
ivar.pavan@al.rs.gov.br; fabiano.pereira@al.rs.gov.br;
marisa.formolo@al.rs.gov.br; raul.pont@al.rs.gov.br;
ronaldo.zulke@al.rs.gov.br; stela.farias@al.rs.gov.br;
carlos.gomes@al.rs.gov.br; luciano.azevedo@al.rs.gov.br;
miki.breier@al.rs.gov.br; heitor.schuch@al.rs.gov.br;
alberto.oliveira@al.rs.gov.br, alceu.moreira@al.rs.gov.br,
alexandre.postal@al.rs.gov.br, alvaro.boessio@al.rs.gov.br,
edson.brum@al.rs.gov.br, gilberto.capoani@al.rs.gov.br,
fernando.zachia@al.rs.gov.br, nelson.harter@al.rs.gov.br,
sandro.boka@al.rs.gov.br, raul.carrion@al.rs.gov.br,
marquinho.lang@al.rs.gov.br, paulo.borges@al.rs.gov.br,
adilson.troca@al.rs.gov.br, coffy.rodrigues@al.rs.gov.br,
jorge.gobbi@al.rs.gov.br, mauro.sparta@al.rs.gov.br,
nelson.marchezan@al.rs.gov.br, paulo.brum@al.rs.gov.br,
pedro.pereira@al.rs.gov.br, zila.breitenbach@al.rs.gov.br,
abilio.santos@al.rs.gov.br, aloisio.classmann@al.rs.gov.br,
cassia.carpes@al.rs.gov.br, iradir.pietroski@al.rs.gov.br,
deputado.lara@al.rs.gov.br, bancada.dem@al.rs.gov.br;
bancada.pdt@al.rs.gov.br ; bancada.pp@al.rs.gov.br; bancada.pps@al.rs.gov.br;
bancada.prb@al.rs.gov.br; bancada.psb@al.rs.gov.br;
bancada.psdb@al.rs.gov.br; bancada.pt@al.rs.gov.br; bancada.ptb@al.rs.gov.br,
apedemars@gmail.com, sema@sema.rs.gov.br, gabinete.governadora@gg.gov.rs.br,

3 – No corpo de email –

A proposta do PL 154/09, de interesse do grande agronegócio, que desprotege
o meio ambiente gaúcho, precariza e flexibiliza toda a legislação, bem como
os instrumentos públicos e coletivos de acompanhamento e controle e gestão
ambiental do RS, e se coloca em desacordo com a legislação federal. Ademais,
fragilizar a legislação ambiental, no momento em que o mundo busca
alternativas para conter os impactos da crise ambiental e climática,
demonstra o grau de desconhecimento das verdadeiras demandas sociais e da
urgência do tema, por alguns parlamentares a serviço dos que lucram com a
degradação ambiental e o desrespeito a legislação que protege o ambiente e a
sociedade.
Estamos no início de mais um processo de luta pela manutenção da legislação
ambiental aqui no Rio Grande, estado pioneiro na defesa ecológica.
A sustentabilidade ambiental e econômica das comunidades espalhadas pelo
solo gaúcho está gravemente em risco.
O vizinho estado de SC contava seus mortos, vítimas dos deslizamentos,
enquanto era aprovada uma legislação ambiental mais flexível, desrespeitando
ás Áreas de Preservação Permanente (APPs), a mesma proposta do PL 154, que
desprotege o meio ambiente gaúcho.
Os povos de todo mundo clamam, aos seus governos, por um enfrentamento
eficaz da crise climática. Aqui, o Estado que serviu de referência para todo
o Brasil e América Latina pelo seu pioneirismo na temática ecológica, agora,
por interesses de pouco, estimulam-se processos de devastação.
Estamos atentos. Vamos zelar por postura ética e moral referente a tais
questões.
Pelas gerações atuais e futuras, a postura de cada um pode garantir ou não a
sustentabilidade do RS, contribuindo com a sustentabilidade de todo o
planeta.
Conclamamos que os parlamentares gaúchos votem NÃO ao PL 154, que desprotege
o meio ambiente gaúcho e que toda a coletividade acompanhe e participe dos
debates atinentes ao mesmo, pois a sustentabilidade disso e também dos
instrumentos jurídicos de proteção ambiental.
Estamos de olho nos Senhores, e vamos cobrar um postura ética e moral
referente às questões ambientais. Por nossos filhos e netos, pelas futuras
gerações.
Seu voto pode garantir a sustentabilidade ambiental de RS. Nossos votos
podem garantir a sustentabilidade de seus mandatos.

Fique atento a quem nos "representa" na CCJ
Presidente: Alceu Moreira – PMDB - alceu.moreira@al.rs.gov.br - Aquele que
diz numa gravação "tem que chover na minha horta"
Vice-Presidente: Luiz Fernando Záchia – PMDB - fernando.zachia@al.rs.gov.br

Titulares
Edsom Brum – PMDB - edson.brum@al.rs.gov.br
Elvino Bohn Gass – PT - elvino.bohngass@al.rs.gov.br
Fabiano Pereira – PT - fabiano.pereira@al.rs.gov.br
Francisco Appio – PP - francisco.appio@al.rs.gov.br
Pedro Westphalen – PP - pedro.westphalen@al.rs.gov.br
Nelson Marchezan Jr. – PSDB - nelson.marchezan@al.rs.gov.br
Adroaldo Loureiro – PDT - adroaldo.loureiro@al.rs.gov.br
Giovani Cherini – PDT - giovani.cherini@al.rs.gov.br
Iradir Pietroski – PTB - iradir.pietroski@al.rs.gov.br
Marquinho Lang – DEM - marquinho.lang@al.rs.gov.br
Luciano Azevedo – PPS – luciano.azevedo@al.rs.gov.br

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Relatório aponta razões que travam legalização da Amazônia


Relatório da rede de inteligência fundiária do governo federal revela que o programa Terra Legal, que pretende regularizar 67,4 milhões de hectares da União na Amazônia, já detectou tentativas de uso de “laranjas”, falta de estrutura e boicotes de fazendeiros e prefeitos. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

A rede é composta pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Polícia Federal, Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) e Ministério de Desenvolvimento Agrário, dentre outros órgãos, e foi criada para impedir tentativas de fraude no programa -criticado por ambientalistas por supostamente possibilitar a legalização de terras públicas griladas.

O documento sobre as dificuldades de implementação do Terra Legal avaliou o trabalho realizado nas cidades de Ulianópolis, Paragominas, Marabá e Novo Repartimento. Os quatro municípios ficam no Pará, Estado com mais casos de conflito agrário do país. As análises do relatório se referem à primeira fase do programa.

Em Ulianópolis, em apenas dois dias de acompanhamento, no mês de julho, a rede detectou uma espécie de boicote por parte do prefeito, Jonas dos Santos (PTB), e de um “consórcio” de grandes proprietários rurais. Santos, além de não ceder ônibus em número suficiente para levar colonos até o local onde ocorria o cadastramento para o programa, espalhou que os “atendimentos oferecidos não seriam prestados” de fato, segundo o relatório.

Além disso, pequenos produtores e assentados próximos às terras de alguns fazendeiros foram “avisados” pelos grandes proprietários de que não deveriam se cadastrar, sob o risco de sofrer represálias. Em Paragominas, homens de aproximadamente 20 anos apareceram dizendo ser donos de lotes recebidos de seus pais - caracterizando possível tentativa de desmembrar grandes fazendas ilegais para regularizá-las em separado. Outros levavam os documentos de suas supostas mulheres para conseguir iniciar o processo de titulação. Quando era dito a eles que retornassem com elas, não o faziam.

Para o relatório, esses são “indícios de utilização de laranjas”. Na mesma cidade, houve problemas com a própria estrutura do programa: desde “escassez de equipamentos eletrônicos”, como computadores e impressoras, até quantidade insuficiente de gente para realizar o serviço e demora no pagamento de diárias. Outro ponto que atrapalhou as ações foi a falta de apoio de funcionários do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra), segundo o relatório.

(Amazônia.org.br)

Aquecimento Global: Imprensa olha para trás

Por Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa

Para os jornalistas e outros profissionais que acompanham com maior interesse as questões relativas ao problema do aquecimento global, a leitura diária dos principais jornais do país, especialmente daqueles dirigidos ao público em geral, precisa ser um exercício de permanente condescendência ou de constante irritação.

O noticiário sobre o aquecimento global, que se tornou mais intenso após o mês de fevereiro de 2007, com a divulgação dos resultados dos estudos da comissão criada pela ONU para discutir as questões climáticas, permanece basicamente estático quase às vésperas do encontro internacional que deverá decidir sobre mudanças em políticas econômicas, modos de produção e comércio e comportamento. E, salvo raras exceções, a imprensa em geral vem tratando o tema como se fosse mais uma banalidade da pauta diária.

Lanterna na popa

As decisões que serão pactuadas em Copenhague, em dezembro, poderão afetar muitos dos temas com os quais a imprensa se preocupa prioritariamente nesses dias que se convenciona tratar de pós-crise.

Desde a questão da exploração das reservas de petróleo do pré-sal até os planos de governo dos futuros candidatos à eleição presidencial de 2010, passando pelas exigências que serão impostas à realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, e até mesmo regras comerciais globais e as negociações de commodities e do mercado futuro de moedas e produtos, praticamente tudo que hoje ocupa os jornalistas poderá ser diferente a partir das decisões que serão tomadas pelos líderes mundiais.

Também é possível que nada mude, e que os líderes globais continuem liderando suas nações na direção do futuro incerto desenhado pelos cientistas que estudam as mudanças climáticas e suas conseqüências. Mesmo esta possibilidade – e talvez ela mais ainda – deveria estar ocupando os corações e as mentes dos profissionais e donos da imprensa.

Mas a imprensa parece fascinada com o passado. Como uma lanterna na popa de uma embarcação, prefere iluminar o caminho que já foi percorrido do que clarear o que está adiante.

O estado do mundo

Existe no Brasil uma imprensa socioambiental formada basicamente por sites, blogs e newsletters na internet e um punhado de revistas que sobrevivem por mera teimosia. As grandes empresas anunciantes não costumam apoiar a chamada imprensa alternativa; muito menos as iniciativas jornalísticas que costumam desmascarar o chamado "marketing verde".

A maior parte das informações técnicas sobre questões climáticas e temas relacionados ao desenvolvimento sustentável circula nesses meios alternativos e nas redes sociais, através de grupos de debates freqüentados por especialistas. Ali se encontram as principais fontes de informação que a grande imprensa poderia consultar para informar seus leitores sobre o verdadeiro estado do mundo.

No mês que se encerra, houve uma redução no número médio de reportagens dedicadas ao tema do aquecimento global na imprensa brasileira de alcance nacional. Apenas doze ocorrências, em média, para cada grande diário, e menos de uma página por edição das revistas semanais.

Os jornais ocuparam mais espaço para a repercussão de uma frase do presidente da República sobre o papel da imprensa, na semana passada, do que para discutir os planos para a Conferência da ONU em Copenhague. Declarações de políticos foram consideradas mais importantes, ao longo do ano, do que o destino do planeta.

Enquanto isso, desenham-se as fórmulas para o mercado internacional de carbono e define-se no Congresso Nacional, com influência dominante da bancada ruralista, a futura legislação de proteção ao patrimônio natural brasileiro.

Caminho desimpedido

Daqui a alguns anos essas páginas sairão dos arquivos para a análise dos historiógrafos e outros pesquisadores. Será o registro da contribuição que a imprensa terá dado para os debates sobre o que deverá ser o século 21 para o Brasil.

Empurrado para uma posição privilegiada na linha de largada para a nova configuração das forças econômicas internacionais, o país tem a chance de demonstrar que foi capaz de encontrar a trilha do desenvolvimento e ao mesmo tempo preservar suas riquezas naturais.

Ou teremos deixado o campo livre para a transformação do cerrado e das florestas em um grande deserto.
* Comentário para o programa radiofônico do OI, 29/10/2009.
(Envolverde/Observatório da Imprensa)

Deputados que assinaram CPI contra o MST receberam dinheiro da Cutrale

Quatro deputados federais que assinaram a CPMI receberam doações da empresa que monopoliza o mercado de laranja do Brasil e acumula denúncias na Justiça.
Nilton Viana

De tempos em tempos as elites mostram suas garras contra os pobres. E pobres que se organizam para lutar por justiça, melhores condições de vida e reforma agrária entram na mira furiosa da classe dominante. Os trabalhadores rurais sem terra têm sido sistematicamente atacados. Suas organizações e todos aqueles que lutam pela democratização da terra no país tem sido permanentemente criminalizados.

No episódio mais recente, no qual famílias que ocuparam uma área pública grilada pela empresa Cutrale – maior exportadora de sucos do país – destruíram pés de laranjas, os latifundiários, a mídia e todos os seus asseclas dispararam todos os seus canhões contra os sem terra. As cenas foram repetidas a exaustão para convencer a sociedade que os sem terra são vândalos, criminosos e terroristas. Por outro lado, a mídia fez questão de esconder que, de acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a fazenda da Cutrale em Iaras (SP) é uma área pública grilada.

Imediatamente, a chamada oposição reacionária endureceu seu discurso com a criação de uma nova CPI contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e contra a atualização dos índices de produtividade rural prometida pelo governo Lula.

Mas o caso Cutrale foi apenas o mais recente pretexto das elites contrárias à reforma agrária. Desde que o governo Lula se comprometeu, em audiência com dirigentes do MST, a rever os índices de produtividade agrária, a mídia burguesa e seus jornalistas pré-pagos iniciaram sua ofensiva. A revista Veja aproveitou o caso e “requentou” informações para municiar o ataque. Logo após à audiência entre os sem terra e o governo, a Veja estampou em sua manchete: “Abrimos o cofre do M$T” com a chamada: “Como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra desvia dinheiro público e verbas estrangeiras para cometer seus crimes”. Ora, nada de novo havia para tal “reporcagem”, como bem definiu em artigo o jornalista Altamiro Borges.

O fato é que conseguiram aprovar a criação de uma nova CPI contra o MST.

Porém, assim como a mídia escondeu que a tal fazenda da Cutrale está numa terra grilada de propriedade do Estado, e que os pés de laranja foram plantados para evitar a desapropriação da área antes improdutiva, além de não informar para a sociedade que a Cutrale tem vários processos na justiça, inclusive por débitos trabalhistas; a mídia também omite da opinião pública que quatro deputados federais que assinaram o requerimento favorável à criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) contra o MST receberam doações da Cutrale, empresa que monopoliza o mercado de laranja do Brasil e acumula denúncias na Justiça.
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Quanto vale um deputado?

COP 15- Deveríamos estar aterrorizados! A humanidade está perdida!


Julio Godoy, da IPS

"Deveríamos estar aterrorizados! Se legisladores ambientalistas não crêem que uma meta ambiciosa é possível, então a humanidade está perdida", diz o parlamentar inglês Barry Gardiner

concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera deve ser limitada a 350 partes por milhão (ppm) e não a 450 ppm como se propõe, alertou o economista britânico Samuel Fankhauser diante de legisladores - muito cépticos - dos oitos países mais industrializados e de grandes economias emergentes. Fankhauser disse que o limite que indicou é a única maneira de evitar o branqueamento irreversível de corais nas áreas costeiras, com tudo o que isso implica.

Para fundamentar seu chamado, usou nova evidência científica obtida por biólogos e zoólogos marinhos da Austrália, Grã-Bretanha e Quênia, publicada no dia 29 de setembro no Marine Pollution Bulletin, a qual indica que quando a concentração de C2² na atmosfera ultrapassa as 350 ppm a maior parte de corais do mundo sofre “um colapso irreversível”. A preocupação maior tem em conta a importância central dos corais no fornecimento de recursos alimentares e ambientais a uma população de um bilhão de pessoas nos países mais pobres.

O branqueamento, produto da acidificação do mar, deixa os arrecifes expostos aos raios ultravioletas, e isso faz com que percam as algas que vivem em seu interior e das quais se nutrem, por isso morrem de fome. Também se reproduzem menos e ficam expostos às enfermidades. O chamado de Fankhauser aconteceu no fórum promovido em Copenhague no final de semana pela Organização Global de Legisladores para o Equilíbrio Ambiental (Globe) com 120 legisladores do Grupo dos oito países mais industrializados (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) além de Brasil, China, Índia, México e África do Sul, Austrália, Coréia do Sul e a anfitriã Dinamarca.

O limite de 450 ppm a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, que hoje é de 387 ppm e com tendência à alta, é a manejado nas discussões prévias à 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 15), que entre 7 e 18 de dezembro, em Copenhague, tentará chegar a novo acordo de redução de emissões a partir de 2012. Essa concentração é medida na fração constituída por número de moléculas de CO2 dividido pela quantidade das moléculas no ar, incluído esse gás, quando o valor de água é removido. Um valor medido de 0.0004 é expresso como 400 ppm.
Mercado Ético
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Líderes empresariais engajados na construção de um novo modelo econômico

No dia 8 de outubro de 2009, 320 pessoas presenciaram o nascimento um novo movimento que reúne líderes empresariais engajados para a construção coletiva de um novo modelo econômico para o Brasil baseado na economia de baixo carbono. Assim tem sido chamada a nova configuração do modo de produção e trocas da economia mundial, que tem como ingredientes eficiência e alternativas energéticas, redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE), adoção de novas tecnologias e inovação, entre outras propostas. O pano de fundo da nova economia é a mudança do clima. Ao exigir estratégias de mitigação e adaptação, a crise climática fundiu dois dos maiores desafios das empresas nas últimas décadas: a competitividade e a sustentabilidade.

Um grupo de 25 empresas pioneiras (detalhes em www.fgv.br/ces/epc) confiou ao Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas a coordenação de tão ambicioso projeto que tem por objetivo a construção das bases desse novo modelo econômico.

São empresas líderes em seus segmentos, pioneiras na elaboração de inventários de gases de efeito estufa, e que identificaram na proposta uma oportunidade de reverem seus modelos produtivos e contribuírem para a redução dos efeitos das mudanças climáticas globais.

Falamos de um modelo econômico moderno, baseado na inovação tecnológica, na pesquisa e desenvolvimento de produtos e serviços com menor emissão de gases de efeito estufa e que tem tudo para ser a nova moda mundial. Produzir para atender à demanda da humanidade e emitir menos. Essa deve ser a missão de todas as empresas!

A produção a qualquer custo é um modelo econômico fracassado! Ao longo dos últimos 30 anos, a comunidade científica acompanhou o crescimento exponencial das emissões de gases de efeito estufa e seus efeitos sobre o clima planetário. Estudos científicos publicados diariamente relacionam o incremento da temperatura global com o aumento da concentração de CO2 e demais gases estufa na atmosfera do nosso planeta.

E o que ganham esses empresários pioneiros? Eles ganham a oportunidade! A oportunidade de serem os pioneiros na identificação de riscos e oportunidades de negócios decorrentes das alterações climáticas, a oportunidade de se adaptarem mais precocemente aos efeitos ambientais previstos pelos cientistas, a oportunidade de desenvolverem produtos e serviços de acordo com a nova economia e conseguirem assim o reconhecimento público e ganhos em competitividade ... e com uma lista de oportunidades é que a competitividade associada à sustentabilidade pode ser a salvação desse visionário grupo, e também do mundo.

Os efeitos no Brasil são visíveis, infelizmente. Quer seja pela notícia da seca na Amazônia, que compromete o regime de chuvas em todo o país, quer seja pelas tempestades torrenciais e rajadas de ventos nas regiões Sul e Sudeste, os efeitos das mudanças climáticas ultrapassam a coletividade e começam a chegar ao bolso dos consumidores.

Nicholas Stern, renomado economista britânico, coordenou um dos primeiros relatórios econômicos sobre as mudanças climáticas. E anunciava, em outubro de 2006, que os efeitos das mudanças climáticas seriam catastróficos sobre a economia global. Em termos do PIB, uma ação imediata custará aos cofres mundiais de 1% a 2% de todas as riquezas produzidas no planeta enquanto uma ação somente em 2050 nos custaria cerca de 20%. E essas despesas serão investidas na garantia de suprimento de água potável à população, na recuperação de cidades atingidas por catástrofes ambientais como tempestades e tufões, na recomposição de lavouras e indústrias responsáveis pelo processamento de alimentos, entre outros.

Não se trata de uma “nova crise econômica” na qual as instituições sofreram os maiores reveses, mas sim da garantia de vida dos habitantes de um país. E a economia globalizada, mundialmente interligada, “sente” qualquer alteração rapidamente. Um exemplo: o intenso regime de chuvas na Ásia promoveu uma queda de produtividade dos cultivares de açúcar indiano. Essa poderia ser uma ótima notícia para o Brasil, um grande exportador de açúcar, se a produção de etanol não tivesse a mesma matéria-prima.

As empresas já visualizavam os efeitos das mudanças climáticas antes mesmo delas se concretizarem fisicamente, por meio de chuvas desproporcionais e atípicas. E com essa visão estratégica os maiores grupos sucroalcooleiros já acenavam para um incremento na produção de açúcar na atual safra. Como resultado, o incremento nos lucros, pois o preço do açúcar está cerca de 45% superior ao do etanol. Apesar de estarmos em meio a uma ótima safra – período no qual teríamos uma natural queda no preço do combustível decorrente do incremento na oferta –, hoje pagamos mais pelo combustível do que na última entressafra, pois a mesma cana-de-açúcar que seria utilizada para a produção do etanol foi destinada ao abastecimento do mercado mundial de açúcar. Mesmo com a elevada cotação do real frente ao dólar, as exportações de açúcar estão em alta e quem paga por isso é o consumidor que, ao abastecer o carro, paga os efeitos da crise ambiental mundial.

Eis o ponto em que eu quero chegar. O elo mais fraco de toda a cadeia é sempre o consumidor final, mesmo tendo um enorme poder para ditar tendências e escolher produtos menos agressivos ao meio ambiente e à sociedade. É ele que pagará a conta das mudanças climáticas, seja pelo aumento do custo de produtos ou serviços, seja pela criação de novos impostos sobre a emissão de carbono como propõem alguns países.

E nesse sentido, me “aposso” do discurso introdutório de Kofi Annan, secretário geral da ONU entre 1997 e 2006 e ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2001, para a regravação do hit Beds are burning, da engajada banda australiana Midnight Oil, no âmbito da campanha de ações globais para o clima (GCCA, na sigla em Inglês) e digo: Nós temos que fazer algo sobre isso. É nossa responsabilidade tornar nosso planeta um lugar melhor!

Luiz Eduardo Botelho Pires, Biólogo, Coordenador do Programa Empresas pelo Clima, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas.

Chico Mendes vai cortar na carne


Aldem Bourscheit
foto: Assessoria Pericial/SC

Membros da comunidade Pedra Branca que reivindicam terras entre os parques nacionais Aparados da Serra (RS) e Serra Geral (SC)

Instituto Chico Mendes (ICMbio) e Incra estão preparando acordos para ceder parcelas de parques nacionais e reservas biológicas a comunidades reconhecidas como quilombolas pelo governo. Seis processos somam quase um milhão de hectares e devem receber parecer favorável da Advocacia-Geral da União, em dezembro.

Esboços de “termos de compromisso” obtidos por O Eco e relatos de fontes do órgão ambiental mostram que as comunidades poderão permanecer dentro de áreas que não deveriam aceitar moradores, inclusive realizando agricultura com corte e queima de vegetação. Os acordos, em contrapartida, restringem a derrubada de matas primárias ou em regeneração e a ampliação das construções ou atividades produtivas.

Alinhado com a política oficial da demarcação de terras com base em um decreto de 2003 que permite a autodeclaração de populações como quilombolas, o ICMBio comentou que cada processo será resolvido de forma diferente. Conforme Érica Pinto, da diretoria de Unidades de Conservação de Uso Sustentável e Populações Tradicionais, manter pessoas e atividades agrícolas dentro de áreas protegidas não é incompatível com a legislação e com a finalidade de um parque nacional, por exemplo.

“Estamos negociando sobre a legitimidade e tamanho da área pleiteada pelos quilombolas, buscando soluções adequadas para a conservação das áreas e respeitando os direitos e culturas das comunidades quilombolas. Isso não é incompatível”, disse.

Segundo ela, a legislação federal reconheceria que essas comunidades podem seguir com suas atividades dentro de unidades de conservação até que sejam indenizadas ou reassentadas. “Se um parque foi criado em uma área que já era habitada, eles têm direito por lei de permanecer por lá até que sejam reassentadas ou indenizadas”, comentou.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Público deve ser convencido de ameaça climática

Por Nina Chestney

LONDRES (Reuters) - O público precisa ser convencido da ameaça da mudança climática de forma que os governos sejam pressionados a adotar políticas públicas mais rigorosas e a ampliar o pacto da Organização das Nações Unidas (ONU) em Copenhague em dezembro, afirmam especialistas.

Convencer o público de que os efeitos no longo prazo da mudança climática podem ser evitados por ação imediata deveria ser uma prioridade, disseram especialistas em psicologia numa conferência sobre a mudança climática em Londres nesta semana.

Estão agendadas apenas mais duas reuniões de ministros de mais de 190 países antes da cúpula climática de Copenhague, que ocorrerá entre 7 e 18 de dezembro, e eles ainda estão barganhando sobre o novo acordo.

"O progresso por vezes pode acontecer sem muito envolvimento público, mas a mudança climática não é um desses casos", afirmou Paul Stern, do Conselho de Pesquisa Nacional dos Estados Unidos, que assessora o governo norte-americano em questões como saúde e ciência.

Os cientistas afirmam que o aumento nos níveis de dióxido de carbono na atmosfera, por conta do incremento do uso de combustíveis fósseis, do desmatamento e dos transportes, levará não apenas a inundações, mas à disseminação de secas, da fome e de doenças, especialmente nos países pobres.

As estatísticas mostram que o interesse e a compreensão da população sobre a mudança climática diminuíram em alguns países recentemente, em parte porque a crise econômica fez o meio ambiente deixar de ser prioridade.

Menos da metade dos britânicos acredita que a mudança climática irá afetá-los durante a vida deles e menos de um quinto acha que ela terá impacto sobre seus filhos, descobriu uma pesquisa do governo da Grã-Bretanha este mês.

Uma sondagem do Pew Research Centre indicou que 57 por cento dos norte-americanos acreditam que exista evidência sólida de aquecimento global, abaixo dos 71 por cento do ano passado. Eleitores australianos não consideram mais a mudança climática a principal questão, classificando-a em sétimo lugar entre 10 possíveis metas da política externa, mostrou uma pesquisa de opinião este mês.

"A crise econômica provavelmente afastou a preocupação das pessoas com o ambiente e levou a uma maior preocupação com o interesse próprio na economia no curto prazo", afirmou Tim Kasser, professor de psicologia no Knox College, em Illinois, à Reuters num email.
Fonte: Reuters

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ômega 3 - Proteção neurológica

Ômega 3 pode ajudar a combater a epilepsia

Alex Sander Alcântara escreve para a "Agência Fapesp":

Estudos têm apontado efeitos benéficos do ômega 3 na prevenção de doenças como Alzheimer e depressão. Agora, uma pesquisa feita por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e de outras instituições indica que o ômega 3 também pode ser um forte aliado no combate à epilepsia.

Com testes experimentais feitos em ratos, os pesquisadores verificaram que esse tipo de ácido graxo é capaz de minimizar a morte de neurônios durante crises epilépticas, além de ajudar na regeneração do tecido cerebral.

O estudo, publicado na revista Epilepsy & Behavior, demonstrou que o ômega 3 aumenta a produção de proteínas que "capturam" a entrada do cálcio no neurônio e, por conta disso, ajuda a diminuir a morte das células cerebrais.

Na pesquisa, um grupo de dez ratos recebeu 85 miligramas de ômega 3 por quilo de peso durante 60 dias, enquanto foi administrada uma substância inócua a um número igual de animais, que serviu de grupo controle.

Os pesquisadores verificaram que os ratos que receberam ômega 3 apresentaram significativa preservação do tecido cerebral após a simulação de crises epilépticas, em relação aos demais.

Também foi observado que o ômega 3 desempenhou importante papel antiiflamatório, uma vez que o tecido cerebral dos animais com epilepsia apresentava anteriormente um processo inflamatório crônico.

"Temos resultados que mostram que o ômega 3 é neuroprotetor e desempenha atividade 'antiepilética'", disse o coordenador da pesquisa, Fulvio Alexandre Scorza, professor adjunto do Departamento de Neurologia/Neurocirurgia da Unifesp e chefe da disciplina de Neurologia Experimental, à Agência Fapesp.

Scorza coordenou o projeto "O papel do ômega 3 no modelo de epilepsia induzido pela pilocarpina", conduzido com apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa - Regular e concluído em agosto.

"Essa pesquisa foi muito importante por ter sido a primeira a mostrar uma ação cerebral do ômega 3 relacionada à epilepsia", disse. Os outros autores do artigo são Roberta Cysneiros (Universidade Presbiteriana Mackenzie), Vera Terra e Hélio Machado (Universidade de São Paulo, USP), Ricardo Arida, Marly de Albuquerque, Carla Scorza e Esper Cavalheiro (Unifesp).
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Ação pessoal contra aquecimento é mais eficaz do que imaginado

Carlos Albuquerque escreve para "O Globo":

Contra as transformações no clima, mudanças caseiras. Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou que pequenas ações individuais - como não deixar aparelhos em modo standby e trocar regularmente os filtros de ar do carro - são mais importantes do que se imaginava.

Segundo a pesquisa, a implementação em larga escala de tais atividades, se acompanhada por intensas campanhas de divulgação, poderia ser capaz de reduzir anualmente as emissões domésticas de CO2 nos EUA em mais de 20%.

Esse valor faria com que o país - historicamente o maior poluidor do mundo - tivesse uma diminuição total de emissões de aproximadamente 7,4% num período de dez anos. O número é superior às emissões totais de um país como a França.

Para os autores do estudo, publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS), tais ações poderiam ser adotadas em curto prazo, com a utilização de tecnologias já existentes e sem "reduções no bem-estar individual".

Com isso, as autoridades mundiais - que se reúnem em dezembro, em Copenhague, para discutir um novo acordo para substituir o Protocolo de Kioto, válido até 2012 - poderiam ganhar mais tempo para desenvolver políticas de médio e longo prazo para combater o aquecimento global.
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Conservação de Flona sob ataque da Justiça e do Congresso

Bruno Calixto, do Amazonia.org.br

Na mesma semana, a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará, recebeu dois golpes: um projeto que prevê a extinção da Flona passou na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e, caso seja aceito pela Comissão do Meio Ambiente sem nenhuma emenda, será aprovado. Outra ação negativa para a conservação da área foi o parecer favorável da Justiça a sete posseiros que criavam gado ilegalmente e foram pegos pela operação Boi Pirata, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A Operação Boi Pirata, que está na segunda fase e já interditou 35 mil hectares de terras ilegais, havia embargado a propriedade de sete ocupantes da Flona Jamanxim, que entraram na Justiça contra a ação e conseguiram liminar. As decisões assinadas pelos juízes federais José Airton Portela e Francisco Garcês Castro Júnior, de Santarém, permitem que os sete ocupantes continuem criando gado dentro da Flona.
Portela justificou a liminar argumentando que a Operação Boi Pirata violou “o princípio de livre iniciativa”. Já Castro Júnior argumentou que a operação foi “desprovida de necessária intermediação judiciária”.

O procurador da República no Pará Cláudio Henrique Cavalcante Dias contestou os argumentos. Segundo Dias, o princípio de livre iniciativa não pode suprimir outros valores constitucionais. “A ordem econômica deve respeitar alguns princípios, e entre eles o meio ambiente. Não é somente o fato de se ser assegurado a livre iniciativa que outros valores constitucionais devem ser desconsiderados”.

Dias também questionou a alegação de que a operação precisaria de intermediação da Justiça. “A administração pública é dotada de autotutela. Ela pode atuar sem precisar da intermediação do poder judiciário. E isso qualquer estudante de direito sabe”.
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Carlos Nobre: o Brasil pode liderar

Fabíola Ortiz*


O Brasil já deu uma mostra que tem condições de encontrar um caminho de sustentabilidade, defende o pesquisador Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um dos autores do quarto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPPC) das Nações Unidas. O documento do IPCC, em 2007, serviu de alerta para a possibilidade de desaparecimento de até 30% das espécies do planeta, se a temperatura global aumentar dois graus centígrados.Naquele ano, Nobre recebeu o Prêmio Nobel da Paz juntamente com o ex-vice-Presidente dos Estados Unidos Al Gore.

Depois de participar de diversas conferências do clima, Nobre destaca que o Brasil é um país que tem um papel importante a desempenhar na questão climática. O compromisso em reduzir 80% o desmatamento da Amazônia até 2020, evitando a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de CO2 (o principal gás do efeito estufa) é difícil, mas não impossível. “É uma grande redução muito necessária e é possível que o Brasil faça isso”, afirma.

“O Brasil, efetivamente, é um dos países que pode fazer algo a respeito e pode reduzir o ritmo das emissões. Nós podemos buscar uma liderança entre os países tropicais que não são poucos”, acrescenta. O Brasil pode assumir compromissos importantes na próxima reunião de clima em Copenhaguem, na Dinamarca, a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima (COP-15), marcada para 7 de dezembro. “O país quer se comprometer e deve ser um líder dos países tropicais em desenvolvimento e não apenas dos BRIC (termo referência aos países emergentes e reúne além do Brasil, Índia, Rússia e China) e do IBAS (iniciativa entre Índia, Brasil e África do Sul, para promover a cooperação Sul-Sul)”.

Segundo Carlos Nobre, o padrão brasileiro de emissão de gases de efeito estufa é muito alto, uma das maiores emissões per capita do mundo em desenvolvimento: 6,5 toneladas de CO2 per capita. Apesar de ser uma estimativa precária pela falta de um inventário preciso sobre as emissões brasileiras, estes dados já podem servir como uma referência, considera o cientista que coordena o Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe.

O Brasil é hoje o quarto maior emissor de gases de efeito estufa, dos quais 75% são provenientes das queimadas e desmatamentos, mas as emissões brasileiras ainda representam um quarto do padrão de emissão dos Estados Unidos e menos do que a média dos países europeus.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Florestas-Muito mais que depósitos de carbono


Buenos Aires, 26 de outubro (Terramérica).- As florestas e selvas do mundo são muito mais do que instrumentos para armazenar carbono e abrandar o aquecimento global, alertaram especialistas e ativistas aos governos que negociam um pacto para enfrentar a mudança climática. As florestas abrigam dois terços da diversidade biológica da Terra, proporcionam serviços vitais de fornecimento de água e alimentos, e sustentam a identidade cultural e espiritual de 1,6 bilhão de pessoas, muitas delas de povos ancestrais que devem sobreviver em seus hábitat.

Esta parece ser a principal conclusão deixada pelo XIII Congresso Florestal Mundial, realizado de 18 a 23 deste mês em Buenos Aires, com a presença de mais de quatro mil pessoas, entre acadêmicos, empresários, funcionários governamentais e de organismos multilaterais, e dirigentes de um amplo leque de organizações não governamentais.

“O XIII Congresso vê preocupado o impacto da mudança climática nas florestas e fortemente enfatiza o importante papel que têm na mitigação da mudança climática e a necessidade de as pessoas e o ecossistema se adaptarem a esse desafio”, diz um documento que será apresentado em dezembro na XV Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que acontecerá em Copenhague. Organizado pelo governo da Argentina, com patrocínio da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), o Congresso teve seu eixo principal no vínculo entre floresta e mudança climática, do qual surgiu este documento.

A questão foi tratada no Fórum de Florestas e Mudança Climática, onde foram expostas estratégias para reduzir a quantidade de gases causadores do efeito estufa oriundos do desmatamento e da degradação das áreas florestais. O acúmulo desses gases que chegam à atmosfera por diferentes atividades humanas está elevando a temperatura do planeta, segundo a ciência. Como os vegetais absorvem carbono na fotossíntese, as florestas e selvas constituem grandes depósitos deste gás, o principal entre os que provocam o efeito estufa. O corte de árvores e a redução de áreas de mata têm o efeito contrário.

Segundo a FAO, cerca de 13 milhões de hectares de florestas são cortados a cada ano no mundo, com efeitos nas emissões de gases, mas também com danos à biodiversidade e à vida de milhões de pessoas. As florestas não são apenas carbono acumulado, disse Peter Saile, do programa de política internacional de florestas da governamental Agência Alemã de Cooperação Técnica (GTZ), expondo um conceito que foi integrado no documento final. “É muito importante ter uma perspectiva mais ampla sobre os serviços ambientais das florestas e os benefícios complementares que sua preservação tem para a biodiversidade e as pessoas que ali vivem”, explicou.
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REDD é essencial para preservação, defende cientista


Paula Sheidt, do CarbonoBrasil

Citando visitas a Groelândia, onde testemunhou os efeitos do degelo sobre os índios Inuits, e ao Panamá, onde acompanhou a retirada de pessoas de ilhas por causa do aumento no nível dos mares, a cientista britânica Jane Goodall (foto) defendeu nesta segunda-feira (19/10) em Buenos Aires que a proposta de Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação (REDD) é uma oportunidade única de proteger as florestas e permitir aos povos locais que permaneçam ali, ajudando a manter sua biodiversidade.

“O REDD é extremamente poderoso, pois trará grandes somas de dinheiro diretamente não só para governos, mas para pessoas locais”, afirmou Jane, conhecida pelo seu longo trabalho junto com primatas na África, durante o XIII Congresso Mundial de Florestas.

Jane citou sua experiência na Gâmbia, onde viu o desmatamento ocorrer no entorno dos Parques de conservação por falta de outras alternativas de sobrevivência das populações que ali viviam. Somente melhorando a condição de vida dessas pessoas, destacou, será possível manter as florestas preservadas.

O mecanismo REDD, que está sendo discutido nas negociações internacionais como uma maneira de recompensar financeiramente países que reduzirem suas taxas de desmatamento, poderia ser usado para proteger florestas ainda intactas, completou. “Hoje já há ferramentas ligadas ao uso de tecnologia de GPS que permitem treinar as pessoas para monitorar as florestas”.

O Google está desenvolvendo um sistema muito simples, explicou Jane, que deve ser lançado durante a Conferência de Mudanças Climáticas das Nações Unidas, em dezembro, em Copenhague, quando também é esperado um posicionamento sobre o REDD como ferramenta para alcançar reduções de gases do efeito estufa através da conservação florestal.

Sua opinião sobre as oportunidades para os povos locais é compartilhada pelo vice-diretor da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), Willian Jackson. “Temos que perceber o potencial das florestas tropicais, não apenas como estoques de carbono, mas também por trazerem outros benefícios sociais e ambientais importantes”, afirmou.

Jackson destaca que o REDD é uma questão de escolha da sociedade e não apenas de mercado, já que seria criado com o intuito de gerar créditos compensatórios pelas emissões feitas por países desenvolvidos. E, principalmente, precisa envolver as pessoas locais. “O desenvolvimento sustentável de florestas precisa incluir todos os atores e o grande desafio é incluir as pessoas que podem ganhar ou perder com isto, como indígenas, que normalmente são os com menores condições de participar das negociações”, disse.
crédito Imagem: Black Hills State University
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Prêmio Vladimir Herzog

Acontece hoje, no Teatro Tuca, às 19h30, a entrega do 31° Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos e o 1° Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão.

Estão disponíveis na Internet as reportagens vencedoras das edições anteriores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e de Direitos Humanos.

Confira nota do Instituto Herzog sobre o evento:

Procurando estar atualizado com as questões contemporâneas da nossa sociedade, este ano temos uma nova categoria no Prêmio Vladimir Herzog: Direitos Humanos Intangíveis com o tema especial Analfabetismo Funcional que irá reconhecer matérias que mostrem uma face de desrespeito de direito fundamental do ser humano – o da educação. Sem educação não há justiça. E desta maneira também contribuímos para a missão do Instituto Vladimir Herzog


Por último, o Instituto Vladimir Herzog dá início em uma atividade inédita. Irá dar uma oportunidade única a estudantes de jornalismo de desenvolverem uma pauta dentro da missão do Instituto e realizarem a matéria custeada pelo Instituto e orientadas por um mentor. A este projeto deu-se o no de Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão – um profissional exemplar do jornalismo brasileiro que irá compartilhar seu conhecimento e paixão com esta geração que chega ao mundo das notícias.

Ciência e democracia na Amazônia

Atualmente, a Amazônia está sob três tipos de atuações humanas: daqueles que a exploram, degradando as suas propriedades naturais; daqueles que a consideram intocável e, por fim, daqueles que acreditam que é possível estabelecer uma relação socioambiental harmoniosa. Porém nada ainda evitou que milhares de hectares da floresta desapareçam em cinzas todos os dias.
Confiram esta interessante matéria de Alain Ruellan, publicada, ainda no mês de março, no Le Monde

Líder indígena reclama dos efeitos de mudança climática no Xingu

Ondas de calor jamais sentidas. Ventos acima da média. Rios cada vez menos caudalosos. Esse é o cenário atual da região do Alto Xingu, segundo o chefe indígena Raoni Txucarramãe, líder da etnia caiapó.

Conhecido ícone da causa ambientalista, o líder caiapó - que chegou a viajar para o exterior acompanhado do músico britânico Sting - foi na sexta-feira (23) o convidado de honra de um evento em Cuiabá (MT) que discutiu os impactos do aquecimento global no Centro-Oeste.

Ele falou sobre como a mudança climática afeta os índios. Com "aproximadamente 87 anos", Raoni disse que queimadas, desmatamento e grandes obras de infraestrutura previstas para a região amazônica, como a usina de Belo Monte (PA), poderão agravar os efeitos já sentidos hoje.

"O calor está intenso, os ventos são muitos mais fortes do que eram antes e o nível dos rios na seca é diferente do que era tempos atrás. Estou muito preocupado, pois estou vendo acontecer tudo o que vinha falando há tanto tempo", disse.

Segundo Raoni, não é apenas a etnia caiapó que percebe as mudanças. "Vários outros povos do Alto Xingu estão assustados com o calor e a ventania. Há muito tempo era bom, tinha muita floresta e a gente vivia tranquilo. Agora temos medo que o Xingu possa secar."

Sobre a usina de Belo Monte --que será uma das maiores do mundo-, Raoni disse que os "projetos de desenvolvimento do governo brasileiro" devem respeitar "os índios e suas terras. Por isso, fiquei indignado com o que o ministro disse."

Ele faz referência a declarações do ministro Edison Lobão (Minas e Energia), para quem o projeto da usina sofre oposição de "forças demoníacas".

"Estou preocupado com Belo Monte e acho que seria bom mesmo o rio ficar lá quieto, em seu leito e sem barragem. Temos o direito de viver em nossa terra", diz Raoni.

Percepção - A percepção de Raoni sobre o clima no Alto Xingu pode não estar diretamente relacionada a um fenômeno global, diz o engenheiro florestal Maurício Philipp, coordenador do departamento de mudanças climáticas do governo de Mato Grosso.

Alterações na cobertura vegetal da região do Xingu (norte de MT e sul do PA) poderiam explicar, por exemplo, o agravamento da estiagem. "Se há um desmatamento maior, há interferência no ciclo hidrológico. Sem a cobertura vegetal, não há retenção da água da chuva para os canais de drenagem, por exemplo", disse Philipp.

Mesmo cientistas não têm condições de diferenciar bem o que é "variabilidade natural do clima e o que pode ser atribuído à uma mudança provocada por ações antrópicas", diz.

"No caso do Xingu, acredito em alterações regionais, no microclima. Isso não descarta a possibilidade de existir algum efeito global se manifestando, mas é algo que precisa ser muito bem analisado para que se possa afirmar com segurança." Rodrigo Vargas/ Folha Online

Denúncias atribuem danos ambientais a parques eólicos no Ceará


Kamila Fernandes/UOL Notícias

As paisagens litorâneas do Ceará têm ganhado novos componentes nos últimos tempos: altas torres brancas com enormes hélices, que captam a força dos ventos para geração de energia. Considerada uma das formas mais limpas de se produzir energia elétrica em vigor no mundo, a energia eólica, porém, tem sido questionada no Estado, onde ações do Ministério Público Federal têm denunciado diversos problemas socioambientais causados na instalação dos parques eólicos.

Considerada uma das formas mais limpas de se produzir energia elétrica em vigor no mundo, a energia eólica, porém, tem sido questionada no CE

Veja esta e mais fotos no álbum
Progresso esperado com energia eólica não reflete realidade de comunidades do Ceará

Entre os problemas estão a devastação de dunas, o aterramento de lagoas, interferências em aquíferos, a destruição de casas e conflitos com comunidades de pescadores.

"Apresentam o projeto como se fosse ser feito numa praia deserta, mas não, há pessoas que vivem nesses lugares a vida toda e que agora sofrem uma interferência violentíssima", disse o promotor Paulo Henrique de Freitas Trece, de Camocim (cidade localizada a 370 km de Fortaleza). "Fora isso, estamos perdendo todas as nossas dunas. É uma situação dramática."

O Ceará hoje concentra o maior parque eólico do país, com 267,90 MW (megawatts) de energia sendo geradas pelo vento em 11 usinas já instaladas. Até o final do ano, há uma perspectiva de que sejam alcançados 518,33 MW de potência, com a inauguração de outros três grandes parques.

O último parque inaugurado é o maior do Nordeste, justamente o de Camocim (onde Trece atua), na praia Formosa. Só essa usina tem capacidade para gerar 104,1 MW de energia.

Segundo um estudo da Secretaria de Infraestrutura do Estado, com toda a capacidade instalada, o Ceará evitaria o equivalente à emissão de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono (o maior vilão do aquecimento global) por ano, quantidade que acabaria sendo lançada ao ar se toda essa energia fosse produzida de outras formas, como pelas termelétricas.

Com o primeiro leilão de energia eólica a ser realizado pelo governo, marcado para o dia 25 de novembro, a expansão do setor deverá ser ainda mais acelerada. Em todo o país, 441 projetos se inscreveram para participar da seleção comandada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), com propostas para gerar ao todo 13.341 MW de energia. Desse total, 72% são do Nordeste. O Ceará é o segundo com maior número de projetos inscritos, 118 (com proposta de captar 2.743 MW a mais de energia) - perde apenas para o Rio Grande do Norte, que tem 134 projetos (4.745 MW).Leia mais

domingo, 25 de outubro de 2009

Corujas do Brasil






A de cima é do fotográfo Mike Flaherty , que fotografou a Bubo virginianus (João Curucutu), a maior coruja do Brasil, chegando a medir 55cm.

Confira outros tipos de coruja e a Corujinha buraqueira no site Aves do Brasil

sábado, 24 de outubro de 2009

Face Your Elephant

24 de outubro - Hora de agir pelo clima

Hoje, dia 24 de outubro, várias cidades do Brasil e do mundo fizeram ações chamando atenção para a necessidade de garantir um acordo responsável e comprometido na 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que reunirá os governos mundiais em Copenhague, na Dinamarca, no período de 7 a 19 de dezembro de 2009.
Participe do abaixo-assinado Tic-Tac

América do Sul diante das mudanças climáticas



O livro pode ser baixado em formato pdf aqui


O Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo lançou o livro Public Policy, Mitigation and Adaptation to Climate Change in South America, que reúne contribuições de participantes da 3ª Conferência sobre Mudanças Globais - América do Sul, realizada em novembro de 2007 pelo Grupo de Pesquisa de Ciências Ambientais do Instituto.

A conferência teve a participação de mais de 500 pesquisadores de diversos países. Segundo o IEA, o objetivo foi explicar tanto a dinâmica do clima como as alterações que sua variação pode gerar, em especial às atividades humanas. O livro traz as exposições dos integrantes das mesas-redondas e uma seleção dentre os 120 trabalhos apresentados.

Gratuita e disponível apenas em formato digital, a obra aborda as mudanças climáticas sob quatro perspectivas: relações internacionais e políticas públicas, mitigação, adaptação e consequências aos sistemas naturais. Os editores são Pedro Leite da Silva Dias (IEA e Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP), Wagner Costa Ribeiro (IEA e Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP), João Lima Sant”Anna Neto (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp) e Jurandir Zullo Jr. (Centro de Pesquisa Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Universidade Estadual de Campinas).

(Agência FAPESP)
Ilustração:Mercado Ético

Aumenta a onda de refugiados ambientais


Lester Brown

A civilização do início do século XXI está encurralada entre o avanço dos desertos e a elevação do nível do mar. Se considerarmos a superfície de terras biologicamente produtivas habitáveis por comunidades humanas, a Terra está encolhendo. O aumento da densidade demográfica, antes causada apenas pelo crescimento da população, agora também é alimentado pelo implacável avanço dos desertos, e logo poderá ser afetado pelo aumento previsto do nível do mar. Na medida em que a extração excessiva esgota as reservas aquíferas, milhões mais se veem forçados a se reassentar em busca de água.

A expansão do deserto na África subsaariana, principalmente nos países do Sahel, causa o deslocamento de milhões de pessoas, obrigando-as a seguirem para o sul ou emigrarem para a África do norte. Já em 2006, uma conferência da Organização das Nações Unidas sobre desertificação realizada em Túnis estimou que para 2020 até 60 milhões de pessoas poderão emigrar da África subsaariana para a África setentrional e a Europa. Este fluxo está em curso há muitos anos.

Em meados de outubro de 2003, as autoridades da Itália descobriram um barco que se dirigia a esse país transportando refugiados procedentes da África. A embarcação esteve à deriva mais de duas semanas, ficou sem combustível, alimentos e água. Muitos dos passageiros morreram. No começo, os cadáveres foram jogados na água. Mas, após algum tempo, os sobreviventes ficaram sem forças para levantar os corpos. Deste modo, vivos e mortos compartilharam o bote. Um socorrista descreveu o que viu como “uma cena do inferno de Dante” Alighieri.Leia mais

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Mostra Internacional de Cinema de São Paulo disponibiliza filmes na Internet

A 33ª MOSTRA e THE AUTEURS, em iniciativa pioneira, oferecem o primeiro FESTIVAL ONLINE do mundo.

Esta é a primeira vez na história que um grande festival de cinema disponibiliza uma vasta seleção dos filmes da sua programação, e esperamos que se torne um modelo para todos os festivais promoverem o cinema internacional para além de seus públicos locais.

O acesso em streaming estará disponível para os 300 primeiros acessos, depois da primeira exibição do filme na programação da 33ª MOSTRA, no período de sua realização, na página www.theauteurs.com/saopaolo

THE AUTEURS é a maior comunidade online de filmes independentes e clássicos de todo o mundo, com filmes incluídos no acervo por cinéfilos. Fundada em 2007, é patrocinada pela Celluloid Dreams, a maior produtora de cinema independente do mundo; a Criterion Collection, maior selo internacional de DVDs de arte; e a Costa Films. É parceira exclusiva da World Cinema Foundation, fundação para a preservação de filmes presidida por Martin Scorsese. Tem escritórios em Palo Alto (EUA), Nova York, Paris e Londres.

“Mesmo as ideias mais visionárias, quando não encontram ressonância em outros e não são seguidas, acabam por morrer. É maravilhoso ver esse espírito de equipe
(com a Mostra). Estamos lançando juntos o primeiro festival online do mundo e fazendo história. O Brasil está à frente dos outros países”, afirmou Hengameh Panahi, dona da Celluloid Dreams, uma das mais importantes produtoras independentes de cinema do mundo, responsável por filmes vencedores dos grandes festivais, como Cannes 2009 (Um Profeta – Grande Prêmio do Júri 2009) e Veneza (Hana-Bi, Leão de Ouro 1997; Lebanon, Leão de Ouro 2009).

Confira os títulos e as datas de exibição online na programação da 33ª MOSTRA:

13 MINUTOS, Felipe Briso, Gilberto Topczewski (Brazil) – 24/10

A CANTORA DE TANGO, Diego Martinez Vignatti (Belgium, Argentina, France, Holland) – 28/10

À MARGEM DO LIXO, Evaldo Mocarzel (Brazil) – 25/10

A VIDA EM BLOCO, Alfredo Hueck e Carlos Caridad (Venezuela) – 25/10

AMOR EM TRÂNSITO, Lucas Blanco (Argentina) – 24/10

AQUILES E A TARTARUGA, Takeshi Kitano (Japan) – 30/10

BR3 (DOCUMENTÁRIO), Evaldo Mocarzel (Brazil) – 24/10

BR3 (FICÇÃO), Evaldo Mocarzel (Brazil) – 10/24

CORTEJANDO CONDI, Sebastian Doggart (USA, United Kingdom) – 26/10

DENTRO DA LEONERA, Nicolas Bénac e Cedric Robion (France) – 25/10

FUTEBOL BRASILEIRO, Miki Kuretani e Tatiana Vilela (Japan, Brazil) – 26/10

HUGO REI E SUA DONZELA, Franco de Peña (Poland, Venezuela) – 01/11

KALANDIA – HISTÓRIA DE UMA FRONTEIRA, Neta Efrony (Israel) – 26/10

MOMENTOS DE JERUSALÉM, vários diretores (Israel) – 27/10

NÓS QUE AINDA ESTAMOS VIVAS, Daniele Cini (Italy, Argentina) – 24/10

O CERCO, Toshi Fujiwara (Japan) - 01/11

O JOGO DO PAI, Michael Glawogger (Germany, Austria) – 28/10

O PEQUENO INDI, Marc Recha (Spain, France) – 27/10

PAPAI FOI CAÇAR PTÁRMIGA, Robert Morin (Canada) – 24/10

REIDY, BUILDING UTOPIA, Ana Maria Magalhães (Brazil) – 29/10

SIRI-ARA, Rosemberg Cariry (Brazil) – 02/11

TIKIMENTARY, Duda Leite (Brazil) – 24/10

TUDO QUE NOS CERCA, Hashiguchi Ryosuke (Japan) – 24/10

UM LUGAR AO SOL, Gabriel Mascaro (Brazil) – 28/10

VENCER, Marco Bellocchio (Italy) – 29/10

Acesse a seleção

Desmatamento chega a 36 campos de futebol por minuto

Cerca de 13 milhões de hectares de florestas são destruídas por ano no mundo, o que equivale a 36 campos de futebol por minunto, alertou o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), em um comunicado divulgado nesta quinta-feira (22), em Buenos Aires, no Congresso Florestal Mundial.

A organização ecológica lançou na reunião um desafio aos líderes mundiais: conseguir atingir a meta do 'desmatamento zero' até 2020.

"Esta meta evidencia a escala e a urgência com que devemos enfrentar estas ameaças para manter a saúde do planeta", afirmou Rodney Taylor, diretor do Programa Florestal da WWF Internacional.

O especialista explicou que o objetivo do 'desmatamento zero' não significa o cessar total do desamatamento, e sim a compensação da floresta devastada com a restauração florestal e reflorestamento de terrenos degradados.

No entanto, Taylor enfatizou que "as florestas naturais do mundo devem ser conservadas para maximizar as reduções de emissões de gases de efeito estufa e a conservação da biodiversidade".

Segundo a WWF, o ritmo de destruição florestal "gera quase 20% das emissões globais de gases de efeito estuda".

A destruição das florestas nativas é um grave problema que atinge a Argentina, em especial no centro e norte do país, pelo 'boom' do cultivo de soja, principal produto de exportação.

A Argentina tem atualmente 31 milhões de hectares de florestas nativas, o que equivale a 30% das massas florestais originais, segundo um documento apresentado no congresso, o que caracteriza, segundo os participantes, "uma verdadeira emergência florestal".

O XIII Congresso Florestal Mundial, organizado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) sob o lema "Desenvolvimento Florestal, Equilíbrio Vital", conta com a presença de 3.500 delegados de 160 países.

As conclusões do encontro serão fundamentais para as negociações da Cúpula do Clima que será realizada em Copenhague em dezembor, quando se pedirá aos países ricos que se comprometam em diminuir suas emissões de gases estufa em pelo menos 40% até 2020.

Na Dinamarca se reunirão os países responsáveis por 90% da emissão mundial de dióxido de carbono (CO2), cujo maior responsável é a queima da combustíveis fósseis, segundo a FAO. (Fonte: Yahoo!)

Reino Unido apresenta mapa sobre impacto global do aquecimento

O Governo britânico apresentou nesta quinta-feira (22) um mapa que ilustra as consequências que a mudança climática terá em nosso planeta se a meta de manter o aumento da temperatura global abaixo de 2ºC não for cumprida.

A 45 dias do início da conferência das Nações Unidas sobre o clima, que será realizada em Copenhague, os ministros de Assuntos Exteriores e de Energia e Mudança Climática, os irmãos David e Ed Miliband, respectivamente, apresentaram o panorama no Museu de Ciências Naturais de Londres, junto a John Beddington, cientista assessor do Governo.

O Reino Unido adverte que uma alta das temperaturas de mais de 2ºC terá tremendas consequências para o planeta, como fortes efeitos no fornecimento de água e na produção agrícola, um aumento do perigo de incêndios florestais e do nível do mar, além de secas.

As informações do mapa podem ser acessadas em seu site.

O panorama foi desenvolvido com informação e análises científicas do Centro Hadley do Escritório Meteorológico Britânico.

O ministro de Assuntos Exteriores britânico disse hoje que não é possível "um mundo com 4ºC a mais".

"Este mapa ilustra claramente a escala do desafio que enfrentamos hoje. A mudança climática é um problema global que necessita uma solução global e é uma solução que temos a nosso alcance", afirmou o chefe da diplomacia britânica.

"Mas para reduzir os problemas da mudança climática, todos nós, os ministros de Assuntos Exteriores, Meio Ambiente, Economia, Defesa e outras áreas do Governo e da sociedade devemos trabalhar juntos para manter o aumento da temperatura em 2ºC. Só desta maneira poderemos minimizar os enormes riscos à segurança que uma alta de 4ºC representa no mundo".

Já o ministro de Energia e Mudança Climática afirmou que o mapa evidencia a importância das negociações de dezembro em Copenhague.

"Os cientistas do Reino Unido ajudaram a ilustrar os efeitos catastróficos se o mundo fracassar em estabelecer o limite do aumento da temperatura em 2ºC", disse. (Fonte: Folha Online)

Comunidades dão exemplo no manejo florestal

Paula Scheidt, CarbonoBrasil




A proteção das florestas é um dos temas centrais em jogo nas discussões internacionais sobre um novo acordo climático mundial, porém como isto funciona na prática? Projetos de manejo florestal comunitário no Brasil e no Nepal dão bons exemplos do que pode ser feito para garantir que as matas conservem a biodiversidade local ao mesmo tempo em que gerem benefícios econômicos e sociais para pessoas.

No oeste do Pará, famílias integrantes da Cooperativa Mista Flona Tapajós Verde (Coomflora) vivem hoje da extração sustentável da madeira de uma área de 32 mil hectares, que é manejada por eles desde 2005. “Nos primeiros anos tivemos dificuldade para vender a madeira, pois compradores queriam só alguns tipos. Mas neste ano, vendemos 20 mil metros cúbicos, valendo 197 reais cada, o que nos rendeu R$ 3,9 milhões”, comemora o presidente da Coomflora, Sérgio Pimenta Vieira.

A iniciativa partiu da própria comunidade, em 1991, que começou a discutir com o governo como colocar em prática a idéia. Em 2000 começaram a desenvolver o plano de manejo. O apoio financeiro inicial do Banco de Desenvolvimento Alemão (KWF) na capacitação técnica, para derrubar as árvores sem danificar outras ao redor ou abrir estradas com menor impacto possível, foi fundamental.

“Se quiser a floresta em pé, o governo tem que assumir e oferecer a comunidade assistência técnica e apoio gratuitos”, sugere o diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Antonio Carlos Hummel. Para ele, este ainda é um gargalo importante a ser resolvido para desenvolver bons projetos, assim como o capital de giro inicial.

Hummel diz que esta experiência foi bem pensada e planejada, o que também foi uma peça-chave para o seu sucesso. Agora, a comunidade colhe os bons frutos do esforço. A Coomflora tem hoje um escritório, caminhão, 14 motoserras, energia elétrica vinda do uso de painéis solares, cinco computadores e outros bens. Muito mais que isso, os benefícios podem ser visto na qualidade de vida das famílias. “A gente vê claramente como mudou a vida das pessoas. Nós que vivemos na floresta sabemos como é importante que ela esteja sempre verde para nós e para as futuras gerações”, afirma Vieira.



Foram criadas 15 mil florestas manejadas pelas comunidades, representando 1,3 milhões de hectares ou 23% do total de Florestas. “Com isto, conseguimos transformar nossas montanhas cinzas, em montanhas verdes”, diz o chefe da Federação de Usuários de Manejo Florestal Comunitário do Nepal, Ghan Shyam Pandey.

Seguros do direito sobre as terras florestais e sobre seu papel na sua conservação, as comunidades encontraram motivação para trabalhar em conjunto. “Temos uma relação histórica com a floresta. Ela é nosso guia espiritual”, comenta Pandey.

“Se as comunidades locais não tiverem controle sobre as florestas, não funcionará”, afirma Duncan Mcqueen, do Grupo de Recursos Florestais Naturais do Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED).
Mcqueen ressalta que, nas discussões sobre mudanças climáticas o dinheiro não é o problema para iniciativas na área florestal, uma vez que ele existe na comunidade internacional. A grande questão é justamente, quem será pago para prevenir o desmatamento. Por esta razão, é preciso mostrar confiança da efetividade na proteção das matas que, como demonstram dois projetos distintos e distantes, é algo viável de ser alcançado.

(CarbonoBrasil)