sábado, 31 de dezembro de 2011

Que em 2012 nossas mãos dadas possam dar mais carinho e cuidado a este lindo planetinha e a todos os seres que nele habitam!
Um beijo amoroso





Liete Alves
http://obairroondemoro.blogspot.com/

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Cultura Animal

A revista Com Ciência deste mês é dedicada a um tema que tem merecido pouca atenção nas ciências, dado o caráter antropocêntrico da nossa civilização: nossos conterrâneos os animais. Com um mínimo de sensatez, não tem como não concordar com a lei da evolução e entender que estamos no mesmo patamar: ou seja, todos somos animais. Alguns mais, outros menos inteligentes, ou com tipos de inteligência diferenciados. A discussão sobre o que se segue, ou seja, a questão de sermos distintos ou não, em função de terem ou não cultura, merece ser conferida. À medida que os estudos avançam, a impressão que tenho é que cada vez mais chegamos perto deles, seja pelo DNA que é muito, muito próximo, ao ponto de sermos mais idênticos aos chimpanzés, do que estes a outros primatas, até a questão da linguagem, que mesmo não sendo compreensível para nós, até porque ainda pouco estudada, serve para a comunicação entre eles, e se isso não for linguagem, não sei mais o que é linguagem ou comunicação. Claro que em níveis diferenciados de complexidade e sofisticação. Mas o que importa mesmo é a urgência que temos de uma mudança paradigmática com relação a nossos queridos companheiros de jornada planetária. Boa leitura a tod@s. (Liete Alves)



Entrevistas
Eduardo Ottoni - Etólogo da USP fala do conceito de cultura em animais e daquilo que se sabe ser exclusivo dos humanos, como a linguagem e a cumulatividade da nossa cultura.

ARTIGOS

O “fazer o bem sem olhar a quem” e os limites da abordagem antropocêntrica na história das relações homem-animal
Cristiane Amaro da Silveira e Ana Elizabeth Iannini Custódio

Culturas animais
Kevin N. Laland Tradução Germana Barata

Antas dos brancos, veados grandes, onças de criação
Felipe Ferreira Vander Velden

Exercícios de zooliteratura
Maria Esther Maciel

REPORTAGENS

Seres humanos e demais animais: hora de discutir a relação

Nas diferenças e igualdades: linhas tênues separam humanos e animais

Humanos e não-humanos são iguais perante a lei?

Experimentação animal: o debate na universidade e nos laboratórios de pesquisa

Novos conhecimentos e movimentos sociais questionam os usos dos animais

Confira a Revista

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Wikileaks: governos fazem espionagem em massa de celulares e computadores


O site Wikileaks divulgou nesta quinta-feira (1) um sistema de espionagem em massa realizado por governos de diversos países em telefones celulares, computadores e também nos perfis de redes sociais de seus cidadãos. A prática, diz o documento, é adotada por ao menos 25 nações (entre elas o Brasil) por intermédio de 160 empresas de inteligência.

“Na prática, essa indústria [de espionagem] não é regulamentada. Agências de inteligências, forças militares e autoridades policiais podem, de forma silenciosa, em massa e secretamente, interceptar ligações e controlar computadores sem a ajuda ou conhecimento de empresas de telecomunicações. A localização física do usuário pode ser traçada se ele tiver um telefone celular, mesmo que o aparelho esteja em stand by”, afirma o documento do Wikileaks.

Esse vazamento foi chamado de projeto Spy Files (arquivos espiões) e, segundo o Wikileaks, mais informações serão publicadas sobre esse tipo de espionagem ainda nesta semana e também no próximo ano. O projeto fala ainda sobre a existência de muitas empresas que vendem equipamentos de espionagem em massa para agências de inteligência.

“Nos últimos dez anos, sistemas para espionagem indiscriminada em massa tornaram-se a regra. Empresas de inteligência como a VasTech vendem secretamente equipamentos que registram de forma permanente chamadas telefônicas de nações inteiras. Outras gravam a localização de cada telefone celular em uma cidade (...). Sistemas para infectar cada usuário do Facebook ou de smartphone de um grupo inteiro de pessoas estão no mercado de inteligência”, diz o documento do Wikileaks.

Brasil
O UOL Tecnologia entrou em contato com a Suntech, única empresa brasileira listada pelo site, que negou fazer interceptação de dados em massa – algo ilegal no país. Em seu site, a companhia baseada em Florianópolis define ser uma “empresa global que fornece inteligência em comunicações e soluções líderes de mercado para interceptação legal, retenção de dados e gerenciamento de rede para importantes fornecedores de serviços de comunicação e governos”.

Segundo a equipe de marketing da Suntech, só são interceptados dados de indivíduos mediante autorização judicial e isso nunca é feito em massa. A empresa brasileira acredita ter parado na lista porque – assim como as outras companhias que aparecem no mapa divulgado pelo Wikileaks – participa regularmente de um evento do setor chamado ISS (Intelligent Support Systems).

"Ditadores"
Para exemplificar como esse mercado funciona, o documento afirma que quartos com equipamentos de escuta foram encontrados neste ano, quando os ditadores do Egito e Líbia caíram – esses sistemas seriam responsáveis por monitorar os cidadãos no telefone e também na internet.

Outras companhias internacionais são citadas como desenvolvedoras de softwares que se instalam em computadores e smartphones (iPhones, Blackberries e modelos com plataformas Android) para registrar todo tipo de uso desses dispositivos, movimentos feitos por seus usuários e até mesmo os sons nos ambientes onde os aparelhos se encontram.

UOL

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Eco-Ar-Te para o Reencantamento do Mundo

Amigos e leitores deste blogger, confiram a obra "Eco-Ar-Te para o Reencantamento do Mundo", organizada por Michèle Sato e que tem uma pequena contribuição minha com o artigo "O cinismo do Mundo". O livro é um lançamento da editora RiMa, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT).



Especificações

360 páginas - 21x28 - Colorido - ISBN 978-85-7656-199-6

Sumário

Prefácio IX

Po-éticas da educação ambiental 2
Michèle Sato

I. POÉTICA DO TEXTO

Carta da Terra 11
Leonardo Boff

Ciência e Cultura 21
Marcos Terena

Educação Ambiental, Sociedade de Risco e o Desafio de Inovar para
Modificar Práticas Sociais 28
Pedro Roberto Jacobi

Lições da Ciência Natural: A Arte de Aprender no Ambiente e com o Ambiente 35
José Gutiérrez-Pérez

Movimento Artistas pela Natureza (MAPN) 46

Arte Popular: Trilheira para a Arte/Educação/Ambiental 52
Imara Pizzato Quadros

No Fio da Navalha 63
Luiz Antonio Ferraro Júnior

Sonhos de Eduardo 73
Gabriel Felipe Kalb; Ivo Alberto Kalb

Civilização X Barbárie 82
Wladimir Gomide

II. POÉTICA DA IMAGEM

Não Há Regras, Apenas Materiais 87
Burnell Yow

Surrealismo 94
Bernard Dumaine

Surrealismo na Veia de Magritte 100
Flávio Zanelatto; Michèle Sato

Educação Ambiental e Suas Relações com o Universo da Fotografia 108
Martha Tristão; Vitor Nogueira

Arte, Sociedade e Educação Ambiental: Um Reflexo das Organizações
Sociais, Económicas e Políticas 116
Joaquim Ramos Pinto; Manuela Galante

O Cinismo do Mundo 134
Liete Alves

III. POÉTICA DA PAISAGEM

Crônicas de Viagem 146
Isabel Carvalho

Como Era Verde o Meu Sahel 167
Aidil Borges

A Arquitetura da Floresta 177
Valionel Tomaz Pigatti

Ponte da Misarela 181
Alfredo Mendes

Representaciones Sociales, Cultura y Gestión del Agua: Algunas Notas para el Debate

Sobre Una ¿Nueva Cultura del Agua¿ en América Latina 185
Nidia Piñeyro

As Metáforas da Água e a Mediação entre Natureza e Cultura 196
Vera Lessa Catalão

IV. POÉTICA DO SOM

Madame Butterfly: De Benjamin Franklin Pinkerton a Bush ¿ O Ocidente
no Banco dos Réus 203
Luiz Augusto Passos

Música Ambiente e Ambiente Musical (em Contraponto) 225
Herman Hudson de Oliveira

V. POÉTICA DA POESIA

Sou Ave Plantada no Céu 234
Gaivota

Poética Ambiental 239
Artur Gomes

Momentos Poéticos 249
Virgínia Fulber; Eliana de Faro Valença

Haikais da Natureza 261
Jiddu Saldanha

A Poética do Cerrado ¿ Uma Antologia de Autores Que Cantaram esta
Antiga, Rica e Frágil Região Core do Brasil 266
Rômulo Pinto Andrade

Poesia Reunida 284
Pat Mousinho; Ramón Vargas; Ricardo Vicente; Michèle Sato

VI. POÉTICA DO CORPO

Um Extrato de Âmbar Que Atravessa os Séculos 298
Michèle Sato

A Arte de Educar com Bonecos na Educação Ambiental 309
Maria Neuma Clemente Galvão

Escultura e Educação Ambiental 319
Rachel Trajber

Corpo, Mito e Ancestralidade: O Legado do Viajante 325
André Sarturi

Na Voragem do Olhar: Uma Visão Mitopoética dos Elementos 334
Luciana Pessanha Pires

Viagens entre os Mundos 338
Ivan Belém; Michèle Sato

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Salve a Internet do Planeta

O Congresso dos EUA está debatendo uma lei que pode conferir ao país o poder de censurar a Internet do mundo inteiro -- criando uma lista negra que pode ter o YouTube, Wikileaks, por exemplo.

Sob essa nova lei, os EUA podem forçar os provedores de Internet a bloquearem qualquer website que seja suspeito de violar as leis de copyright e propriedade intelectual, ou que falhem em policiar suficientemente as atividades de seus usuários. E, por conta da maioria dos serviços de hospedagem de Internet estarem localizados nos EUA, essa lista negra poderia reprimir a web livre para todos nós.

A votação pode acontecer a qualquer dia, mas podemos ajudar a impedir isso -- alguns membros do Congresso querem preservar a liberdade de expressão e nos informaram que um clamor internacional ajudaria a aumentar a força deles lá dentro. Vamos urgentemente levantar nossas vozes de todos os cantos do mundo e criar uma petição global como nunca antes vista, apelando para que os tomadores de decisão nos EUA rejeitem esse projeto de lei e impeçam a censura da Internet. Assine agora e, em seguida, encaminhe para a maior quantidade de pessoas possível -- nossa mensagem será entregue diretamente para membros do Congresso dos EUA antes da votação crucial.

Assine a petição

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O novo faroeste caboclo do Cerrado


Índios funi-ô caminham por uma clareira no Santuário dos Pajés, aberta pela construtora Emplavi. Foto: Thiago Foresti
ambiente climatizado e formal do Prédio da Justiça Federal em Brasília não é exatamente o lugar onde os antropólogos se sentem mais à vontade. Pelo menos é o que as mãos levemente trêmulas e a voz às vezes vacilante de Jorge Eremites demonstram. Ele está diante da juíza Clara Mota dos Santos, cuja fala contundente e precisa contrasta com seu rosto jovem. Apesar de o antropólogo vestir terno preto, deixa transparecer adereços indígenas nos pulsos, pescoço e orelhas. Nas mãos carrega anotações e diários de campo, tudo escrito à caneta.

Ele está cercado de advogados de empreiteiras e representantes da Fundação Nacional do Índio, a Funai. A data: sexta-feira, 27 de outubro. Todos prestam atenção nas perguntas da juíza, que, de toga e em frente a um crucifixo gigante pendurado na parede, colhe o depoimento.

“Porque esses índios não podem realizar esses rituais em outro lugar?”, pergunta a juíza. “Excelentíssima, derrubar árvores sagradas para eles representa algo como pisar em crucifixos para nossa cultura”, responde o antropólogo.

Jorge Eremites, o depoente, é responsável por um laudo bastante controverso e combatido, no qual atesta que os 50 hectares do último quinhão de cerrado nativo do Plano Piloto do Distrito Federal é na verdade uma terra indígena, o Santuário dos Pajés.

A audiência foi resultado dos crescentes protestos de estudantes no noroeste do Plano Piloto, no Distrito Federal (DF). A região é hoje palco de uma das maiores e mais caras disputas indigenistas do país, envolvendo de um lado a Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), e do outro o índio Santixiê, que representa uma tribo com 16 indígenas da etnia funi-ô tapuia.


Construções avançam na área reivindicada pelos índios funi-ô. Foto: Thiago Foresti

Construtoras x Índios

O território reivindicado por Santxiê é hoje o metro quadrado mais caro do país. Cada lote foi negociado por cerca de 15 milhões de reais pela Terracap, empresa estatal de Brasília que negocia as terras da união. Duzentos apartamentos já foram vendidos na planta a uma média de 1,5 milhão cada.

“Alguns dos meus clientes pagaram por esses lotes à vista e agora não podem construir, isso é um absurdo. Cada dia de obra parada nos custa algo em torno de 60 mil reais”, diz Antônio Gomes, advogado das construtoras Emplavi, João Fortes e Brasal. Gomes foi presidente da Terracap na época da negociação dos terrenos com as empreiteiras. Na época ele chegou a chamar os índios funi-ô tapuia de “interesseiros” e disse que era um despropósito criar uma reserva indígena numa área tão valiosa. “Não admitimos a criação dessa reserva nem por hipóteses. Meus clientes pagaram pela terra e tem documentos que atestam essa propriedade. Nós não vamos aceitar mais interrupções nas obras. Vamos até o Supremo Tribunal Federal se for necessário”, diz o advogado em entrevista para jornalista durante o intervalo da audiência.

Em 2009 o juiz Hamilton de Sá Dantas, a pedido de uma ação civil pública, impediu a Terracap de reformatar parte do setor noroeste, defendendo ali a demarcação legal do Santuário dos Pajés. A Procuradoria da República do Distrito Federal, também solicitou à Funai a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para decidir de uma vez por todas se o local é território indígena, ou não. Essa era inclusive o condicionante 2.35 da Licença Prévia concedida pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) para o início das construções no Noroeste: resolver a questão indígena – solução que só poderia ser apontada pela Funai.

Desse modo, sem o licenciamento completo e sem a questão indígena resolvida, os lotes começaram a ser leiloados no Noroeste em 2008 pela Terracap. Só dois anos mais tarde, em 2010, a Funai publicou portaria no Diário Oficial autorizando uma diligência técnica a estudar o caso do Santuário dos Pajés. A conclusão do antropólogo Jorge Eremites foi de que os funi-ôs tapuia eram uma comunidade tradicional e terminava o laudo recomendando a criação de 50 hectares de Terra Indígena. O resultado do seu trabalho foi elogiado e defendido pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA), mas não agradou à Funai, que reprovou o laudo e solicitou estudos complementares.

Um saco de gatos chamado Funai

A sessão do dia 27 de outubro, que durou nove horas, tinha por objetivo esclarecer o laudo e o trabalho dos antropólogos, mas o que ficou mais evidente durante toda a audiência foi a falta de clareza dos processos burocráticos da Funai.

“A senhora poderia dizer por que o laudo do antropólogo Jorge foi reprovado?”, pergunta a juíza para Maria Auxiliadora, diretora de assuntos fundiários da Funai, que prestou depoimento logo após o antropólogo. “Não saberia citar, vossa excelência. Teria que consultar meu corpo técnico”, respondeu.

Os relatos demonstraram que o trabalho de campo também não foi tranquilo. Houve desentendimentos e desavenças entre integrantes da equipe e os índios: “Não escolhi minha equipe, vossa excelência, e todos os antropólogos que me foram designados já tinham uma opinião formada sobre o trabalho”. Em seu relato, Jorge contou que uma das antropólogas apareceu apenas duas tardes na aldeia. Já outro entrou em conflito com os índios por afirmar que a divindade deles era hermafrodita.

Nem mesmo o georreferenciamento da Terra Indígena ficou claro. Um topógrafo designado pela FUNAI também prestou depoimento e confundiu ainda mais os presentes que se amontoaram na mesa da juíza para tentar entender até onde iam os 50 hectares reivindicados pelos indígenas.

A sessão terminou com a leitura da decisão da desembargadora Selene Maria de Almeida, a mesma do caso Belo Monte. A decisão, na prática, autorizava as construtoras a ligarem os motores das retroescavadeiras já no dia seguinte.

Carta Capital

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Rio menos 20?

Participei de debate sobre a conferência Rio+20, na UnB. Contribui com minha visão sobre os desafios do desenvolvimento sustentável. Fui rememorando as duas décadas que nos separam da Rio-92 e recordei as discussões e tecituras de propostas para elevar o patamar de uma governança socioambiental.

Lembrei-me das lutas e conquistas brasileiras, sobretudo a partir da Constituição de 1988, e de como a Rio-92 foi fundamental para dar impulso político para a realização de muitas leis infraconstitucionais.

A Lei de Crimes Ambientais, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e muitas outras.

Mas o que deveria continuar avançando, o aprimoramento dessa governança socioambiental e das políticas estruturantes –sobretudo para a integração das variáveis socioambientais no planejamento de todas as políticas setoriais de desenvolvimento–, vemos, com um misto de perplexidade e frustação, seguir rumo totalmente contrário.

O Brasil parece caminhar de forma firme e acelerada para o retrocesso de suas políticas ambientais.

Exemplos não nos faltam: a aprovação da MP que transferiu milhões de hectares de terra na Amazônia, a inaceitável investida para destruir a principal lei ambiental do país, o Código Florestal, que confere proteção às nossas florestas e à biodiversidade.

Os abusos e atropelos em projetos como a hidrelétrica de Belo Monte, quando não são cumpridas as condicionantes da licença prévia, ao mesmo tempo que se ignora os direitos dos mais afetados com a obra, que são os povos indígenas da região. O poder de veto concedido ao Ministério de Minas e Energia e aos governadores para criação de unidades de conservação federais, resultando no fato de que, nos últimos anos, pouquíssimas unidades foram criadas, como várias tiveram suas áreas reduzidas. E ainda a aprovação no Senado de uma lei que retira o poder do Ibama de fiscalizar desmatamentos, entre outras coisas.

Se a luta em 1992 era para fortalecer políticas socioambientais, a luta da sociedade é para que a falta de visão de setores do governo e do Congresso não as destruam, como tem sido feito no apoio a medidas que enfraquecem os órgãos de fiscalização e controle.

E nos deparamos com o não cumprimento da promessa de que as contribuições da sociedade seriam incorporadas no relatório ao projeto do Código Florestal do senador Luiz Henrique (PMDB-SC).

Sem falar da pressa em função de um tempo para votar um texto ainda neste ano, independentemente de resolver os graves problemas ali embutidos. Seria apenas para evitar a pergunta inconveniente de que a conferência Rio+20, para o Brasil, pode se tornar a Rio menos 20?

* Marina Silva é pedagoga e senadora pelo PV-AC. Contato: contatomarinasilva@uol.com.br.

** Publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo e retirado do site EcoD.

(EcoD)

Estudo indica que processo de envelhecimento pode ser reversível

Cientistas franceses conseguiram recuperar a juventude de células doadas por centenários, ao reprogramá-las para o estágio de células-tronco, demonstrando que o processo de envelhecimento é reversível.

Trabalhos sobre a possibilidade de apagar as marcas do envelhecimento celular, publicados na edição desta terça-feira da revista especializada "Genes & Development", marcam uma nova etapa da medicina regenerativa com vistas a corrigir uma patologia, ressaltou Jean-Marc Lemaitre, do Inserm (Instituto de Genômica Funcional), encarregado das pesquisas.

Segundo um cientista do Inserm, outro resultado importante dos trabalhos é compreender melhor o envelhecimento e corrigir seus aspectos patológicos.

As células idosas foram reprogramadas 'in vitro' em células-tronco pluripotentes iPSC (sigla em inglês para células-tronco pluripotentes induzidas) e, com isso, recuperaram a juventude e as características das células-tronco embrionárias (hESC).

Estas células podem se diferenciar dando origem a células de todos os tipos (neurônios, células cardíacas, da pele, do fígado...) após a terapia da "juventude" aplicada pelos cientistas.

Desde 2007 os cientistas demonstraram ser capazes de reprogramar as células adultas humanas em células-tronco pluripotentes, cujas propriedades são semelhantes às das células-tronco embrionárias. Esta reprogramação a partir de células adultas evita as críticas ao uso de células-tronco extraídas de embriões.

NOVA ETAPA

Até agora, a reprogramação de células adultas tinha um limite, a senescência, última etapa do envelhecimento celular. A equipe de Jean-Marc Lemaitre acaba de superar este limite.

Os cientistas primeiro multiplicaram células da pele (fibroblastos) de um doador de 74 anos para alcançar a senescência, caracterizada pela suspensão da proliferação celular.

Em seguida, eles fizeram a reprogramação 'in vitro' destas células. Como isto não foi possível com base em quatro fatores genéticos clássicos de transcrição (OCT4, SOX2, C MYC e KLF4), eles adicionaram outros dois (NANOG e LIN28).

Graças a este novo 'coquetel' de seis ingredientes genéticos, as células senescentes reprogramadas recuperaram as características das células-tronco pluripotentes de tipo embrionário, sem conservar vestígios de seu envelhecimento anterior.

"Os marcadores de idade das células foram apagados e as células-tronco iPSC que nós obtivemos podem produzir células funcionais, de todos os tipos, com capacidade de proliferação e longevidade aumentadas", explicou Jean-Marc Lemaitre.

Os cientistas em seguida testaram com sucesso seu coquetel em células mais envelhecidas, de 92, 94, 96 até 101 anos.

"A idade das células não é definitivamente uma barreira para a reprogramação", concluíram.

Estes trabalhos abrem o caminho para o uso de células reprogramadas iPS como fonte ideal de células adultas toleradas pelo sistema imunológico para reparar órgãos ou tecidos em pacientes idosos, acrescentou o cientista.
(folha/Uol)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Matemáticos revelam rede capitalista que domina o mundo


Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global. A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça. Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.
New Scientist


Nota introdutória publicada por Ladislau Dowbor em sua página:
The Network of Global Corporate Control - S. Vitali, J. Glattfelder eS. Battistoni - Sept. 2011

Um estudo de grande importância, mostra pela primeira vez de forma tão abrangente como se estrutura o poder global das empresas transnacionais. Frente à crise mundial, este trabalho constitui uma grande ajuda, pois mostra a densidade das participações cruzadas entre as empresas, que permite que um núcleo muito pequeno (na ordem de centenas) exerça imenso controle. Por outro lado, os interesses estão tão entrelaçados que os desequilíbrios se propagam instantaneamente, representando risco sistêmico.

Fica assim claro como se propagou (efeito dominó) a crise financeira, já que a maioria destas mega-empresas está na área da intermediação financeira. A visão do poder político das ETN (Empresas Trans-Nacionais) adquire também uma base muito mais firme, ao se constatar que na cadeia de empresas que controlam empresas que por sua vez controlam outras empresas, o que todos "sentimos" ao ver os comportamentos da mega-empresas torna-se cientificamente evidente. O artigo tem 9 páginas, e 25 de anexos metodológicos. Está disponível online gratuitamente, no sistemaarxiv.org (http://arxiv.org/PS_cache/arxiv/pdf/1107/1107.5728v2.pdf)

Um excelente pequeno resumo das principais implicações pode ser encontrado no New Scientist de 22/10/2011 (e está publicado a seguir).

(*) O gráfico em forma de globo mostra as interconexões entre o grupo de 1.318 empresas transnacionais que formam o núcleo da economia mundial. O tamanho de cada ponto representa o tamanho da receita de cada uma

A rede capitalista que domina o mundo

Conforme os protestos contra o capitalismo se espalham pelo mundo, os manifestantes vão ganhando novos argumentos.

Uma análise das relações entre 43.000 empresas transnacionais concluiu que um pequeno número delas - sobretudo bancos - tem um poder desproporcionalmente elevado sobre a economia global.

A conclusão é de três pesquisadores da área de sistemas complexos do Instituto Federal de Tecnologia de Lausanne, na Suíça

Este é o primeiro estudo que vai além das ideologias e identifica empiricamente essa rede de poder global.

"A realidade é complexa demais, nós temos que ir além dos dogmas, sejam eles das teorias da conspiração ou do livre mercado," afirmou James Glattfelder, um dos autores do trabalho. "Nossa análise é baseada na realidade."

Rede de controle econômico mundial
A análise usa a mesma matemática empregada há décadas para criar modelos dos sistemas naturais e para a construção de simuladores dos mais diversos tipos. Agora ela foi usada para estudar dados corporativos disponíveis mundialmente.

O resultado é um mapa que traça a rede de controle entre as grandes empresas transnacionais em nível global.

Estudos anteriores já haviam identificado que algumas poucas empresas controlam grandes porções da economia, mas esses estudos incluíam um número limitado de empresas e não levavam em conta os controles indiretos de propriedade, não podendo, portanto, ser usados para dizer como a rede de controle econômico poderia afetar a economia mundial - tornando-a mais ou menos instável, por exemplo.

O novo estudo pode falar sobre isso com a autoridade de quem analisou uma base de dados com 37 milhões de empresas e investidores.

A análise identificou 43.060 grandes empresas transnacionais e traçou as conexões de controle acionário entre elas, construindo um modelo de poder econômico em escala mundial.

Poder econômico mundial
Refinando ainda mais os dados, o modelo final revelou um núcleo central de 1.318 grandes empresas com laços com duas ou mais outras empresas - na média, cada uma delas tem 20 conexões com outras empresas.

Mais do que isso, embora este núcleo central de poder econômico concentre apenas 20% das receitas globais de venda, as 1.318 empresas em conjunto detêm a maioria das ações das principais empresas do mundo - as chamadas blue chips nos mercados de ações.

Em outras palavras, elas detêm um controle sobre a economia real que atinge 60% de todas as vendas realizadas no mundo todo.

E isso não é tudo.

Super-entidade econômica
Quando os cientistas desfizeram o emaranhado dessa rede de propriedades cruzadas, eles identificaram uma "super-entidade" de 147 empresas intimamente inter-relacionadas que controla 40% da riqueza total daquele primeiro núcleo central de 1.318 empresas.

"Na verdade, menos de 1% das companhias controla 40% da rede inteira," diz Glattfelder.

E a maioria delas são bancos.

Os pesquisadores afirmam em seu estudo que a concentração de poder em si não é boa e nem ruim, mas essa interconexão pode ser.

Como o mundo viu durante a crise de 2008, essas redes são muito instáveis: basta que um dos nós tenha um problema sério para que o problema se propague automaticamente por toda a rede, levando consigo a economia mundial como um todo.

Eles ponderam, contudo, que essa super-entidade pode não ser o resultado de uma conspiração - 147 empresas seria um número grande demais para sustentar um conluio qualquer.

A questão real, colocam eles, é saber se esse núcleo global de poder econômico pode exercer um poder político centralizado intencionalmente.

Eles suspeitam que as empresas podem até competir entre si no mercado, mas agem em conjunto no interesse comum - e um dos maiores interesses seria resistir a mudanças na própria rede.

As 50 primeiras das 147 empresas transnacionais super conectadas

Barclays plc
Capital Group Companies Inc
FMR Corporation
AXA
State Street Corporation
JP Morgan Chase & Co
Legal & General Group plc
Vanguard Group Inc
UBS AG
Merrill Lynch & Co Inc
Wellington Management Co LLP
Deutsche Bank AG
Franklin Resources Inc
Credit Suisse Group
Walton Enterprises LLC
Bank of New York Mellon Corp
Natixis
Goldman Sachs Group Inc
T Rowe Price Group Inc
Legg Mason Inc
Morgan Stanley
Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
Northern Trust Corporation
Société Générale
Bank of America Corporation
Lloyds TSB Group plc
Invesco plc
Allianz SE 29. TIAA
Old Mutual Public Limited Company
Aviva plc
Schroders plc
Dodge & Cox
Lehman Brothers Holdings Inc*
Sun Life Financial Inc
Standard Life plc
CNCE
Nomura Holdings Inc
The Depository Trust Company
Massachusetts Mutual Life Insurance
ING Groep NV
Brandes Investment Partners LP
Unicredito Italiano SPA
Deposit Insurance Corporation of Japan
Vereniging Aegon
BNP Paribas
Affiliated Managers Group Inc
Resona Holdings Inc
Capital Group International Inc
China Petrochemical Group Company

(CartaMaior)

sábado, 15 de outubro de 2011

Que entidades sociais, ambientalistas e acadêmicas aprovaram a posição do Brasil na Rio+20? E qual é ela?


O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social encaminhou à Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e ao Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, co-presidentes da Comissão Nacional Organizadora da Rio+20, um documento chamado Acordo para o Desenvolvimento Sustentável à Comissão Nacional que organiza a Rio+20.

Segundo o CDES, ele “é o primeiro resultado efetivo da parceria do CDES com expressivo leque de entidades da sociedade civil para estabelecer posicionamento comum que possa não só auxiliar o governo brasileiro para Conferência, mas cooperar com o estabelecimento de compromisso político com o desenvolvimento sustentável”. O “expressivo leque” é formado por “70 instituições que subscreveram o documento – organizações sociais, ambientais, acadêmicas, empresariais e de trabalhadores”.

70 instituições que defendem, para o Brasil, um posicionamento totalmente baseado em duas expressões: uma já totalmente desgastada; outra, a falácia da moda. Falo, é claro, de “desenvolvimento sustentável” e de “economia verde”.

“Desenvolvimento sustentável” está presente 43 vezes nas 12 páginas do documento (em espaço 1,5), o que só é possível na medida em que é usada em quase todos os parágrafos, o que já deveria deixar claro seu amplo valor conceitual. Considerando isso, interessa mesmo é a segunda, usada de forma bem mais parcimoniosa.

Ela já está presente no segundo parágrafo da Introdução – “Entre os dias 4 e 6 de junho de 2012, o Rio de Janeiro deve atrair a atenção do mundo para o Brasil e para os temas em debate: a economia verde no contexto da erradicação da pobreza e a estrutura de governança para o desenvolvimento sustentável no âmbito das Nações Unidas” -, o que deixa explícita a centralidade que lhe é atribuída.

Na página 6, ela reaparece. Primeiro, como uma solução para os Desafios do Contexto: “A promoção de transformações no padrão de produção e consumo, investindo na transição para uma economia verde capaz de suportar o crescimento econômico com a sustentabilidade socioambiental”. Em seguida, como uma das diretrizes no item Agendas nacionais para o desenvolvimento sustentável: “Incentivar, por meio do financiamento, sistema de crédito e fiscal e ambiente regulatório favorável, a transição para a economia verde, com estrutura produtiva menos intensiva em recursos naturais não renováveis, gerando menor externalidade negativa, buscando eficiência, reutilização, reciclagem e redução do uso de matérias primas”.

Na página 9, no item Novo Padrão de Produção e Consumo, lá está ela de volta: “Envolver os produtores e consumidores para garantir o compromisso com a mudança dos padrões de produção e consumo e prever estratégias para transição para a economia verde com justiça social, fortalecendo as bases financeiras dos sistemas de investimentos e de proteção social”.

Por outro lado, se dermos uma busca no documento por palavras como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, comunidades tradicionais, iremos encontrá-las arrumadinhas numa mesma frase, na página 8, também referente às Agendas nacionais: “Implementar políticas e ações que promovam a redução das desigualdades de raça, etnias e gênero, e que possibilitem a inserção plena das comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares) no processo de desenvolvimento sustentável. Garantir proteção das terras indígenas”.

A menção à garantia de proteção às terras indígenas sugere, de imediato, uma pergunta: e as quilombolas, as extrativistas, as que sequer são citadas, como as comunidades de Fecho e Fundo de Pasto, Vazanteiros e as demais? Como não há um “etc” ou um “e outras”, parece que o douto grupo só conhecia mesmo as que citou. Mas talvez haja algo ainda pior: se somarmos a esta a frase anterior, sobre “inserção plena (…) no processo de desenvolvimento sustentável”, penso que a preocupação só pode aumentar de forma avassaladora…

E também aumenta se fizermos outras pesquisas, com palavras como transgênico, agrotóxico, contaminação, monocultura. Descobriremos que nada disso faz parte das preocupações das 70 entidades reunidas com o governo. Por outro lado, pode haver uma pseudo desculpa: a palavra saúde está lá com razoável frequência. Só que aparece comportadinha, de forma claramente burocrática, sempre de mãos dadas ou com habitação, ou com educação, com ambas ou com algo parecido.

O documento pode ser baixado clicando Acordo para o Desenvolvimento Sustentável – Rio 20 – 05.10.2011. Quanto à lista das entidades que aprovaram o Acordo, faço questão de torná-la pública aqui mesmo. É mais que razoável querermos que assumam plena responsabilidade por suas assinaturas.



Assinaram o Acordo:

· Ação Educativa
· Agência USP de Inovação – Universidade de São Paulo
· APREC Ecossistemas Costeiros
· Arko Advice Pesquisas
· Associação Brasileira da Indústria Química – ABIQUIM
· Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base – ABDIB
· Associação Brasileira de Entidades do Meio Ambiente (ABEMA)
· Associação Comercial do Rio de Janeiro – ACRJ
· Associação Nacional de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros – ANCEABRA
· Associação Nacional de Sindicatos da Micro e Pequena Indústria – ASSIMPI
· Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção – ANAMACO
· Associação Potiguar Amigos da Natureza – Aspoan
· Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC
· Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB
· Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGTB
· Central Única dos Trabalhadores – CUT
· Centro de Desenvolvimento Sustentável – CDS/UNB
· Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade – CONTRATUH
· Confederação Nacional da Indústria – CNI
· Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG
· Conselho Brasileiro de Construções Sustentáveis – CBCS
· Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável – CEBDS
· Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNS
· Construtora Norberto Odebrecht S.A.
· Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE
· DF Vasconcelos Ltda
· Empresas Trevisan
· Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP
· Federação das Indústrias do Estado do Paraná – FIEPr
· Força Sindical
· Força Sindical – Bahia
· Força Sindical – São Paulo
· Fórum Brasileiro de Mudanças do Clima COPPE/UFRJ
· Fórum Brasileiro de Mudanças do Clima – FBMC
· Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – FBOMS
· Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico – FMASE
· Fórum Mineiro de Mudanças Climáticas
· Fórum Pernambucano de Mudanças Climáticas
· Fundação Banco do Brasil
· Grupo Carfepe
· Grupo de Trabalho Amazônico – GTA
· Grupo de Trabalho Mudanças Climáticas, Pobreza e Desigualdade do FBMC
· Grupo Gerdau
· Grupo de Gestão Ambiental em Pernambuco – GAMPE
· Grupo Maubisa
· Instituto Aço Brasil
· Instituto Akatu pelo Consumo Consciente
· Instituto de Energia e Meio Ambiente
· Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura
· Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – IPAM
· Instituto Dom Helder Camara
· Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social
· Instituto Paulo Freire/SP
· Instituto Vitae Civilis – Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz
· J.Macêdo S.A. – Com. Adm. e Participações
· Núcleo de Estudos do Futuro – PUC/SP
· Organização Internacional do Trabalho – OIT – Escritório Brasil
· Rede Nacional de Mobilização Social – COEP
· Rede Nossa São Paulo
· Reserva da Biosfera da Mata Atlântica
· Sindicato dos Aposentados do Brasil
· Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região
· União Brasileira de Mulheres – UBM
· União da Industria da Cana-de-Açúcar – UNICA
· União e Solidariedade das Cooperativas e Empreendimentos de Economia Social - UNISOL
· União Geral dos Trabalhadores – UGT
· Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira – UNILAB
· Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE
· Universidade Zumbi dos Palmares

Por: Por Tania Pacheco, no site Racismo Ambiental

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Das revoltas a uma nova política


Toni Negri e Michael Hardt oferecem reflexões para superar três pilares do capitalismo: propriedade, trabalho subordinado e representação

*Prefácio à edição em castelhano de “Commonwealth — El proyecto de una revolución del común”

Por Toni Negri e Michael Hardt | Tradução: Daniela Frabasile

Os acontecimentos políticos no mundo hispânico, tanto na América do Sul quanto na Península Ibérica, estão entre os mais inspiradores e inovadores da última década. Por meio de revoltas, de insurreições, da derrubada dos governos neoliberais, da eleição de governos reformistas progressistas, dos protestos contra a política de governos supostamente progressistas e outras ações, expressou-se um espírito indignado e rebelde através de inúmeras experiências sociais e políticas.

Uma série de datas e lugares serve como imagem de lutas contínuas e prolongadas, desde o 1º de janeiro de 1994, em Chiapas, ao 8 de abril de 2000, em Cochabamba, o 19 e 20 de dezembro de 2001, em Buenos Aires, e, mais recentemente, o 15 de maio de 2011, em Puerta del Sol, Madri. Acompanhamos essas histórias, aprendemos com elas e as utilizamos como guia durante a escritura deste livro e depois de sua publicação.

Um dos argumentos de Commonwealth — El proyecto de una revolución del común, que encontra uma forte ressonância com essas lutas, identifica como fonte central do antagonismo a insuficiência das constituições republicanas modernas, particularmente de seus regimes de trabalho, propriedade e representação.

Em primeiro lugar, nossas constituições enxergam o trabalho como chave para o acesso à renda e aos direitos básicos de cidadania, uma relação que durante muito tempo funcionou mal para quem estava fora do mercado de trabalho formal, incluindo os pobres, os desempregados, as mulheres que trabalham sem salário, os imigrantes e outros. Hoje, porém, o trabalho é cada vez mais precário e inseguro, em todas suas modalidades. Naturalmente, o trabalho continua sendo a fonte da riqueza na sociedade capitalista, mas cada vez mais fora da relação com o capital e, geralmente, fora de uma relação salarial estável. Portanto, nossa constituição social continua requerendo o trabalho assalariado para possibilitar ao cidadão plenos direitos e acesso a uma sociedade na qual esse tipo de trabalho está cada vez menos disponível.

A propriedade privada é um segundo pilar fundamental das constituições republicanas, e hoje poderosos movimentos sociais refutam não apenas os regimes sociais e globais de governança neoliberal, mas também, num plano mais geral, o império da propriedade. A propriedade mantém as divisões e hierarquias sociais e gera alguns dos vínculos mais poderosos (e que frequentemente são conexões perversas) que compartilhamos com os demais em nossas sociedades. No entanto, a produção social e econômica contemporânea tem um caráter cada vez mais comum, que desafia e excede os limites da propriedade. Devido à perda de sua competência empresarial e do poder de administrar disciplina e cooperação social, a capacidade do capital em gerar lucros está diminuindo. O capital acumula cada vez mais riqueza utilizando-se, sobretudo, do rentismo organizado mediante instrumentos financeiros, através dos quais captura o valor que é produzido socialmente, e independente de seu poder. Porém, toda instância de acumulação privada reduz a potência e a produtividade do comum. Dessa forma, a propriedade privada está se convertendo não apenas em parasita, mas também em obstáculo para a produção e o bem-estar sociais.

Por último, o terceiro pilar das constituições republicanas — e objeto de um crescente antagonismo — se apoia sobre os sistemas de representação e sua falsa promessa de instituir uma governança democrática. Colocar um fim ao poder dos representantes políticos profissionais é um dos poucos lemas da tradição socialista que podemos afirmar sem restrições hoje em dia. Os políticos profissionais, junto com os chefes das corporações e a elite dos meios de comunicação, não exercem nada além da modalidade mais débil da função representativa. O problema não é tanto que os políticos sejam corruptos (ainda que, em muitos casos, isso também acontece), mas que a estrutura constitucional republicana afasta os mecanismos de tomada de decisão democrática e os desejos da multidão, isolando-os. Todo processo real de democratização deve atacar a falta de representação e as falsas pretensões de representação que estão no centro da constituição em nossas sociedades.

Contudo, reconhecer a racionalidade e a necessidade da rebeldia contra estes três eixos — e contra muitos outros que estimulam as lutas sociais contemporâneas — não é mais que o primeiro passo, o ponto de partida. O calor da indignação e a espontaneidade da revolta devem organizar-se para perdurar e construir novas formas de vida, formações sociais alternativas. Os segredos desse próximo passo são tão raros quanto elevados.

No terreno econômico, temos que descobrir novas tecnologias sociais para produzir livremente em colaboração e distribuir igualmente a riqueza compartilhada. Como nossas energias e desejos produtivos poderão crescer dentro de uma economia que não esteja baseada na propriedade privada? Como proporcionar bem-estar social e recursos sociais básicos a todos e todas numa estrutura social que não é regulada nem dominada pela propriedade estatal? Temos que construir relações de produção e intercâmbio, assim como estruturas de bem-estar social que sejam compostas pelo (e se adequem ao) comum.

Os desafios no terreno político são igualmente espinhosos. Alguns dos acontecimentos e revoltas mais inspiradores e inovadores da última década radicalizaram o pensamento e a prática democrática, organizando um espaço — como uma praça pública ocupada ou uma zona urbana — a partir de estruturas ou assembleias abertas e participativas, mantendo essas novas formas democráticas durante semanas ou meses.

De fato, a organização interna dos próprios movimentos tem sido constantemente submetida a processos de democratização, que se esforçam em criar estruturas de rede horizontais e participativas. Dessa forma, as revoltas contra o sistema político dominante, os políticos profissionais e suas estruturas ilegítimas de representação não aspiram resultar num suposto sistema representativo legítimo do passado, mas em experimentar novas formas de expressão democrática: democracia real já. Como podemos transformar a indignação e a rebelião em um processo constituinte duradouro? Como os experimentos de democracia podem se converter em poder constituinte, não apenas democratizando uma praça pública ou um bairro, mas inventando uma sociedade alternativa que seja democrática?

Essas são algumas das perguntas que investigamos e tentamos responder no livro Commonwealth — El proyecto de una revolución del común. E nos sentimos encorajados, sabendo que não somos os únicos que nos colocamos essas perguntas. De fato, esperamos que esse livro caia nas mãos daqueles que estão descontentes com a vida que nos é oferecida pela sociedade capitalista contemporânea, indignados frente às diversas injustiças, rebeldes contra os poderes de mandar e explorar, e ansiosos por uma forma de vida democrática alternativa, baseada na riqueza comum que compartilhamos.

Não temos a ilusão de sermos capazes de proporcionar as respostas. Pelo contrário: confiamos que os leitores de língua espanhola, colocando-se essas perguntas e lutando por seus desejos, inventarão novas soluções que nem somos capazes de imaginar.
Outraspalavras

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A tinta vermelha: discurso de Slavoj Žižek aos manifestantes do movimento Occupy Wall Street


Slavoj Žižek visitou a Liberty Plaza, em Nova Iorque, para falar ao acampamento de manifestantes do movimento Occupy Wall Street (Ocupe Wall Street), que vem protestando contra a crise financeira e o poder econômico norte-americano desde o início de setembro deste ano.

O filósofo nos enviou a íntegra de seu discurso para publicarmos em nosso Blog, que segue abaixo em tradução de Rogério Bettoni.

***

Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui. Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.

Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.

Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.

Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?

Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…

Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.

Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…

Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?

Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.
Boitempo

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Projeto que mapeia história das migrações humanas já analisou mais de 400 mil amostras de DNA



Estrutura de dupla hélice do DNA
De onde viemos? Pelo menos do ponto de vista geográfico, essa pergunta pode ser respondida hoje, graças à genética. Quem já desistiu da ideia de montar sua árvore genealógica pode recorrer a iniciativas como o Projeto Genográfico, que cobra US$ 100 (cerca de R$ 177, fora as despesas com o correio) para informar qual o caminho percorrido por seus mais antigos ancestrais maternos e paternos, da África até o continente onde você vive.

O projeto, uma parceria entre a National Geographic e a IBM, conquistou a marca de mais de 400 mil amostras de DNA de gente do mundo inteiro, coletadas desde 2005. A informação é de Ajay Royyuru, pesquisador da IBM que esteve no Brasil esta semana para participar de um colóquio técnico-científico promovido como parte da agenda do centenário da companhia.

“Todo mundo se interessa em saber de onde veio e com a pesquisa genética isso é possível”, comenta. Em papo com o UOL Ciência e Saúde, ele citou como exemplo a pesquisa de sua própria ancestralidade. A ausência de documentos suficientes e a adoção de seu avô paterno limitavam sua busca a duas ou mais gerações. Mas a análise do DNA permitiu ao pesquisador descobrir que ele é membro de uma antiga linhagem (um haplogrupo) batizado de “H”, predominante no sul da Índia e no Sri Lanka.

Royyury explica que mesmo a arqueologia é uma ciência limitada quando se trata de conhecer a história das migrações humanas no planeta, já que estamos falando de mais de 150 mil anos atrás. Mas unindo esforços de todos os lados, arqueólogos, linguistas, antropólogos, geógrafos e biólogos são capazes de delinear os galhos dessa árvore com raízes africanas.

Um dos maiores desafios do projeto foi envolver populações indígenas de diferentes continentes. “Muitos não quiseram participar”, lamenta. Mas a partir da coleta de saliva de grupos diversos, dezenas de estudos científicos vêm sendo publicados nesses últimos seis anos e muitos ainda serão. Todos eles vêm sendo disponibilizados para o público (veja aqui

Participação brasileira

Para Royyury, um dos grandes méritos do projeto foi não apenas trazer mais detalhes sobre a origem de certas populações, mas mostrar a relação entre elas. Ele cita como exemplo um estudo liderado pelo brasileiro Fabrício Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais, publicado no mês passado no "American Journal of Physical Anthropology".

O trabalho descreve o ancestral comum de grupos indígenas do Peru e da Bolívia, que teria vivido há 5.000 anos. Santos conta que os descendentes desse “Adão” sul-americano ocuparam os Andes de norte a sul devido à expansão da agricultura que acompanhou o período. Uma ilustração clara de como história e genética caminham juntas na compreensão do passado que une os povos.

Santos, que é o representante do projeto na América do Sul, relata que as pesquisas atrasaram no Brasil por questões burocráticas e, por isso, vão até 2014. Até agora, já foram reunidas 2.300 amostras de DNA de mais de 60 grupos. “Esperamos ter um detalhamento maior da relação do brasileiro com as populações indígenas”, promete.

Os resultados podem ser úteis para entender, também, por que tribos da Amazônia possuem línguas tão diferentes quanto o português e o chinês. “Nada foi registrado antes de os portugueses e espanhóis chegarem na América do Sul, por isso a genética vai ser importante para colocar a história no papel”, resume.

Adão e Eva

Todos nós somos uma mistura de genes dos nossos pais e de nossas mães. Para a sorte dos pesquisadores, partes do DNA são capazes de passar intactas por gerações, sofrendo mutação apenas de tempos em tempos e dando pistas sobre populações que possuem passado em comum.

O estudo da ancestralidade engloba a análise do cromossomo Y, que passa de pai para filho, e do DNA mitocondrial, que passa de mãe para filha. Como as mulheres não têm o Y, elas só podem descobrir sobre seus ancestrais paternos se pai ou irmão fizerem a análise genética.

Quem compra o kit do Projeto Genográfico recebe uma tira que deve ser esfregada na parte interna da bochecha e enviada pelo correio, de forma anônima. O dono da amostra fica com um número, que depois é usado para consultar os resultados no site do projeto.
UOL Ciência e Saúde

sábado, 8 de outubro de 2011

Ativistas do mundo todo se unem contra a crueldade animal



Confira a programação do evento no mundo todo em sua página: http://www.weeac.com/08-october-2011-event.html

Weeac - Brasil
No Brasil o movimento WEEAC™ - International (Worldwide Events to end animal cruelty)mobliza várias cidades brasileiras amanhã(8) para o protesto contra a crueldade humana contra os animais. O movimento, segundo sua página no Facebook é "Em memória dos bilhões de animais mortos anualmente pela exploração animal.
É nossa intenção, não apenas lembrá-los, como promover uma mudança de consciência global.Nossa dívida é imensa".

O movimento é uma iniciativa da World Event to End Animal Cruelty (WEEAC) - organização não governamental (ONG) situada nos Estados Unidos, com representação em processo de formalização no Brasil desde o primeiro semestre de 2011 - e contará com manifestações públicas em todo o mundo, neste mesmo dia e horário.

No Brasil, até o presente momento aderiram ao evento as seguintes capitais e cidades: Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Goiânia, Belém, Florianópolis, Recife, Vitória, Natal, Campo Grande, Salvador, Porto Alegre, Campinas (SP), Tatuí (SP), Itatiba (SP), Blumenau (SC), Garanhuns (PE), São João del-Rei (MG), Jales (SP), Mariporã (SP), Ribeirão Preto (SP) Itapetininga (SP), Sorocaba (SP) e São José do Rio Preto (SP).

No mundo, já foi aderido pela Austrália, Áustria, Bósnia e Herzegovina, Chile, Croácia, Chipre, Egito, França, Alemanha, Grécia, Índia, Israel, Líbano, Malta, Holanda, Bélgica, Nova Zelândia, Filipinas, Portugal, Romênia, África do Sul, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Estados Unidos, Canadá, Argentina e Equador.

Seguindo a padronização mundial, as atividades serão encerradas com uma vigília silenciosa à luz de velas, em memória dos bilhões de animais mortos e abusados anualmente.

Fonte:Este blog com http://www.wix.com/weeacbrasil/br#!kit ouwww.adocaobh.blogspot.com.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O mundo ocupa Wall Street




Assine a petição Aqui

Milhares de norte-americanos ocuparam sem violência a Wall Street - um epicentro do poder financeiro global e da corrupção. Eles são os últimos raios de luz em um novo movimento pela justiça social que está se espalhando rapidamente pelo mundo: de Madrid a Jerusalém e a 146 outras cidades, com outras aderindo a cada instante. Mas eles precisam de nossa ajuda para triunfarem.

Como são as famílias de trabalhadores que estão pagando a conta de uma crise financeira causada por elites corruptas, os manifestantes estão exigindo uma verdadeira democracia, justiça social e combate à corrupção. Mas eles estão sob forte pressão das autoridades e alguns meios de comunicação estão retratando-os como grupos extremistas. Se milhões de nós de todo o mundo os apoiarem, vamos aumentar a sua determinação e mostrar a mídia e aos líderes que os protestos fazem parte de um movimento massivo pela mudança.

Este ano pode ser o nosso 1968 desse século, mas para ter sucesso ele deve ser um movimento de todos os cidadãos, de todas classes sociais. Clique para participar da campanha para a democracia real - um contador gigante será erguido no centro da ocupação em Nova York mostrando ao vivo cada um de nós que assinarmos a petição e retransmitido ao vivo na página da petição.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

System of a Down (SOAD)

Vale a pena ver o show inteiro. Foram fantásticos!O vocalista Serj Tankian tem uma voz incrível e é uma pena não dar para colocar as mais de 20 múscias que tocaram. Perfeitos em tudo! Um super show!

System of a Down

Foi absolutamente arrebatador o show deles no Rock in Rio 2011 !

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Indios contra a sujeira de Brasília





Documentário narra conflito de bairro “ecologicamente correto” em Brasília e índios Fulni-ô, Tuxá e Cariri-Xocó, que resistem à invasão de suas terras pelos bilionários interesses imobiliários.



Há menos de um mês foi lançado o documentário Sagrada Terra Especulada, produzido pelo coletivo do Centro de Mídia Independente (CMI) de Brasília. O filme de 70 minutos conta a história da resistência civil não-violenta contra a construção doNordeste, aclamado pelo governo do Distrito Federal como o primeiro bairro ecologicamente correto do Brasil.



O projeto urbanístico em si pode até render elogios: pretende-se que os materiais utilizados na construção sejam todos certificados, haverá sistemas de drenagem para aumentar a infiltração da água da chuva pelo solo, a coleta de lixo se dará por sucção, ciclovias se estenderão por todas as ruas e os chuveiros elétricos estarão proibidos, assim como o uso de ar-condicionado.


O problema é que o governo quer concretizar o bairro verde em cima de onde, hoje, está uma das poucas áreas de preservação ambiental de Brasília. E, pior, onde sobrevivem os últimos remanescentes indígenas dos povos ancestrais que um dia habitaram o Planalto Central.



Onde o poder público e a especulação imobiliária querem erguer o Noroeste, atualmente se encontra a Terra Indígena do Bananal, também conhecida como Santuário dos Pajés, porque abriga o único templo dedicado à religiosidade indígena na “capital de todos os brasileiros”.


Para completar a equação, cabe lembrar que o Noroeste, cujos apartamentos estão à venda há mais de um ano, tem o metro quadrado mais caro do país. Uma quitinete naquelas paragens está sendo negociada por até 500 mil reais.



Antes de ser flagrado num dos maiores escândalos de corrupção da história do país, o ex-governador José Roberto Arruda era seu maior defensor. Paulo Octavio, seu vice naquele então, é dono da construtora que lidera o empreendimento.



Com imagens inéditas das manifestações realizadas durante todo o processo de negociação e implementação do Noroeste, das mais sutis às que geraram respostas violentas por parte do Estado, Sagrada Terra Especulada conta a história do Noroeste a partir do ponto de vista dos que resistem ao projeto: os índios Fulni-ô, Tuxá e Cariri-Xocó que resistem à invasão de suas terras pelos interesses imobiliários, e os estudantes, acadêmicos, defensores públicos e militantes da sociedade civil que enxergam na luta dos remanescentes indígenas um espelho de sua própria luta contra a sujeira e os privilégios gritantes da política brasiliense.Tadeu Breda



Outraspalavras

Morreu Wangari Maathai, Nobel da Paz de 2004



Wangari Maathai foi vítima de um câncer A queniana Wangari Maathai, Nobel da Paz em 2004 pelo seu trabalho em nome do desenvolvimento sustentável, paz e democracia, morreu este domingo aos 71 anos com câncer.


A notícia foi avançada pelo Green Belt Movement, do qual foi fundadora. “É com tristeza que a família da professora Wangari Maathai anunciou a sua morte após uma batalha longa e corajosa contra o cancro”, lê-se numa mensagem publicada no site do movimento da primeira africana a ser laureada com o Prémio Nobel da Paz. Wangari Muta Maathai destacou-se ainda na década de 70 através do combate ecológico no seu país.


O seu trabalho só foi, contudo, reconhecido em 2004 quando a Academia Nobel decidiu distingui-la pela sua “abordagem holística para o desenvolvimento duradouro, que engloba a democracia, os direitos humanos e em particular os da mulher”.


A queniana, divorciada e mãe de três filhos, foi sempre descrita como tendo uma personalidade muito forte e uma grande energia, o que lhe permitiu ser pioneira em África na luta pelo Ambiente, pelos direitos humanos e pela liberdade política. Esta bióloga de formação, foi a primeira mulher da África Central a obter o grau de doutoramento Wangari Maathai nasceu em Abril de 1940 em Nyeri, no centro do Quénia, tendo sido das poucas crianças naquela época a beneficiar do acesso à educação por insistência do seu irmão mais velho que a inscreveu numa escola católica.


Nos anos 60 conseguiu uma bolsa norte-americana que lhe permitiu estudar Biologia no Kansas, tendo depois regressado ao seu país onde foi militante do Conselho Nacional de Mulheres do Quénia na luta pelos direitos das suas concidadãs e onde incitou à plantação de árvores para satisfação das necessidades internas sem danificar mais o Ambiente.


Foi em 1977 que nasceu o seu Green Belt Movement, no âmbito do qual as comunidades locais criam viveiros e plantam árvores em terrenos públicos, zonas florestais degradadas ou em propriedades privadas. Este movimento já plantou mais de 45 milhões de árvores no Quénia para aumentar o coberto florestal do país e restaurar ecossistemas vitais.


“Como as florestas têm vindo a desaparecer, as comunidades têm vindo a sofrer de falta de água potável e de quebras nas culturas agrícolas”, explica o movimento, no seu site. Assim, o Green Belt pretende “apoiar os esforços de plantação de árvores, ajudando as mulheres e as suas famílias a satisfazer as necessidades básicas, a nível local”. Em 1987, a ideia já tinha ultrapassado as fronteiras do Quénia, através da Pan African Green Belt Network que se estende por países como a Tanzânia, Uganda, Etiópia, Zimbabwe, Lesoto.


“Não se pode proteger o Ambiente sem dar poder às pessoas, informá-las e ajudá-las a compreender que estes recursos [naturais] são delas e que elas os devem proteger”, disse Maathai, citada no site do Green Belt Movement. Maathai dirigiu, ainda, a Cruz Vermelha queniana nos anos 70 e dedicou-se igualmente a combater o regime autoritário do presidente do Quénia naquela época, Daniel Arap Moi – um percurso que fez com que tivesse tido vários incidentes com as forças de segurança e algumas passagens pela prisão. Com a eleição de Mwai Kibaki em 2002, assumiu a pasta de secretária de Estado do Ambiente entre 2003 e 2005.



Envolverde*Com informaões de Agências Internacionais.



(Ecosfera)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

CAMPANHA: MARÃIWATSÉDÉ TERRITÓRIO XAVANTE



A COIAB em parceria com o povo Xavante está organizando uma grande manifestação de apoio à Terra Indígena Marãiwatsédé, no Mato Grosso, nos dias 27, 28 e 29 de outubro de 2011, com o objetivo de chamar a atenção da sociedade nacional para o drama dos parentes Xavante.

O Governo do Mato Grosso, junto com os deputados estaduais, promoveu uma verdadeira obra anti-indígena, ilegal, contrariando a Constituição Federal, ao criarem a Lei 9.564 que tenta obrigar o povo Xavante a abandonar o seu território tradicional, para dar lugar ao criminoso esquema do latifúndio e do agronegócio, patrocinado por políticos e fazendeiros da região.

A manifestação é um momento também para nos posicionarmos contra o Grupo de Trabalho da Assembleia Legistaliva e do Governo de MT, autorizado pelo Ministro da Justiça, que prevê a reavaliação dos processos para a demarcação de Terras Indígenas no Estado, o que vai trazer ainda mais dificuldades para o reconhecimento dos nossos direitos.

Não aceitamos, queremos que o Governo Brasileiro respeite a Nação Xavante que sempre viveu em guerra pela busca e garantia dos seus direitos.

O Estado do Matogrosso foi devastado pela invasão criminosa do agronegócio e pela ambição dos seus governantes. A soja e o gado não são mais importantes que a vida do povo Xavante que há anos luta para ter o direito de viver em paz dentro do seu território.

Cacique Damião, um dos maiores nomes do povo Xavante, espera o apoio de lideranças indígenas de todo o país, para participarem desse evento que pretende interditar a BR que passa por dentro do Território Indígena.

Território não se negocia, não está à venda. Os guerreiros Xavante honram os seus antepassados que vieram para a região bem antes que qualquer um e nasceram e cresceram e estão enterrados naquele chão, porém vivos em cada árvore, em cada canto de pássaro, na cor da nossa pele, na força da nossa cultura, em cada lembrança de Marãiwatsédé.


Vamos todos e todas participar dessa grande manifestação contra a opressão do Agronegócio.
Marãiwatsédé é dos Xavante !
Saudações Indígenas,
Coordenação COIAB

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Transporte público e mobilidade são desafios para Dia Mundial sem Carro



DA AGÊNCIA BRASIL
Para cumprir as recomendações do Dia Mundial sem Carro, os brasileiros teriam que deixar 38,9 milhões de veículos na garagem se fosse hoje.
O número corresponde à quantidade de automóveis de passeio que trafegam no país, segundo dados de agosto do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).
A frota total --inclui motocicletas, caminhões, ônibus, utilitários, tratores e outros veículos-- já supera 68,5 milhões de unidades.


Passar um dia sem carro nas cidades brasileiras implica enfrentar pelo menos dois desafios: o transporte público, que não está preparado para atender à demanda com qualidade, e o planejamento nas cidades, que não privilegia a locomoção a pé ou de bicicleta.
"As pessoas precisam se locomover. E do jeito que são planejadas, nossas cidades não oferecem condições para que as pessoas não precisem usar um meio não motorizado. O trabalho, os serviços públicos, as escolas e os locais de lazer estão longe da casa das pessoas", avalia Oded Grajew, da Rede Nossa São Paulo, movimento que reúne mais de 600 organizações da sociedade civil.
A dependência do automóvel fica evidente nas estatísticas da frota do país, que mostram o aumento do transporte individual.
Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nos últimos 15 anos, a frota de automóveis cresceu 7% ao ano e a de motocicletas, 15%.
"Temos um grau de dependência do automóvel muito grande. Usar o serviço coletivo não é fácil, porque a qualidade não é boa. E também falta infraestrutura para o transporte não motorizado", pondera o professor do programa de pós-graduação em transportes da UnB (Universidade de Brasília) Paulo César Marques.
Uma pesquisa da Rede Nossa Paulo concluiu que 60% dos paulistanos estão dispostos a deixar o carro em casa e usar o transporte público, desde que o serviço seja de qualidade. "As pessoas podem continuar comprando carro. Não é esse o problema. O problema é comprar e ter que usá-lo diariamente", avalia Grajew.
Além dos problemas do transporte público e de cidades pouco sustentáveis do ponto de vista da mobilidade, há um elemento cultural da valorização do automóvel, que, segundo Grajew, pode ser chamado de "superglamourização" do carro. "É uma questão cultural. As pessoas têm vontade de ter um carro", resume Marques, na UnB.
Apesar dos desafios, a mudança para um modelo de mobilidade urbana mais sustentável --com menos carros nas ruas e mais investimentos em transporte público e meios alternativos de locomoção-- será inevitável, segundo Grajew. "Não há muitas opções. A mudança vai acontecer pelo agravamento da situação nas cidades ou pela conscientização."
Para o professor da UnB, que troca o carro pela bicicleta sempre que possível, a sociedade tem que pressionar o Poder Público para a mudança de foco dos investimentos em transporte. "A prioridade das políticas públicas têm sido o transporte individual, não o coletivo. Mas o fato de as pessoas começarem a experimentar o quanto é agradável andar a pé ou de bicicleta ajuda a desenvolver a crítica e elas passam a cobrar dos governos".

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dia Mundial sem Carro

por Karol Assunção, da Adital


Nesta quinta-feira (22), celebra-se o Dia Mundial sem Carro. A ideia é deixar o automóvel particular em casa e procurar meios alternativos para se locomover: pode ser a pé, de bicicleta, ônibus, metrô, trem ou qualquer outra forma alternativa ao carro. Cidades de várias partes do mundo já iniciaram ações de sensibilização e mobilização para a data.
Cidade do México, por exemplo, realiza atividades relacionadas ao Dia Mundial sem Carro desde o último domingo (18), quando promoveu o encontro no Monumento da Revolução para convidar a população mexicana a participar da programação da Semana Bicicultural Dia Mundial sem Carro, Cidade do México, D.F, preparada para a data.
Na manhã da quinta-feira, organizações realizarão um “Parking Day” nas ruas próximas ao Monumento ao “Ángel de la Independencia”. À noite, promoverão um “Passeio de Todos”. As atividades seguirão na sexta-feira, com conferências e mesas de debate sobre a segurança de ciclistas.
O encerramento ocorrerá no domingo (25), com o Primeiro Encontro Bicicultural por um México Melhor, o qual terá como tema: “Pedalando com inteligência, evitamos a violência”. Na Argentina, o Dia Mundial sem Carro será lembrado com passeios de bicicletas, skates e patins pelas ruas do país.
As atividades também já começaram no Brasil. Em São Paulo (SP), diversos eventos até o próximo sábado (24) chamam a atenção sobre os carros no espaço público. Na própria quinta-feira, motoristas da cidade do Rio de Janeiro (RJ) previamente cadastrados receberão R$ 10 de crédito no “Bilhete Único” para usar na passagem.
Belo Horizonte, em Minas Gerais, realizará um passeio ciclístico de 15 quilômetros para celebrar a data. Em Fortaleza, capital cearense, vereadores e ciclistas se concentrarão às 8h na Praça da Imprensa para ir até a Câmara Municipal de bicicleta. Às 9h, a Câmara da cidade sediará a abertura de uma exposição fotográfica e o lançamento da Campanha por um Trânsito gentil e sustentável.
Dia Mundial sem Carro
Iniciado em 1997, na França, o Dia Mundial sem Carro chama a população mundial a refletir sobre a mobilidade humana e os meios alternativos ao carro particular para se locomover. Assim, no dia 22 de setembro de cada ano, cidades de várias partes do mundo se mobilizam para debater sobre o assunto.
Em Bogotá, Colômbia, além do dia 22 de setembro, a cidade celebra, em fevereiro, oDia sem Carro em Bogotá. Instituída pelo Decreto 124, de 24 de fevereiro de 2000, a iniciativa restringe a circulação de veículos na capital colombiana das 6h30 às 19h30 da primeira quinta-feira do mês de fevereiro.
Com informações de agências.
* Publicado originalmente no site Adital e retorado do site Mercado Ético.

Envolverde

Quanto custa o saboroso bife amazônico



Por João Meirelles Filho e Maria José Barney GonzálezUm delicioso bife de 500 gramas de gado amazônico, produzido com sete mil gramas de dióxido de carbono e sete mil litros de água misturados com arrotos de metano, é a receita ideal da mudança climática.




BELÉM, Brasil, 19 de setembro de 2011 (Terramérica) (Tierramérica).- A indústria pecuária é um dos contribuintes mais importantes para o agravamento da mudança climática. A crescente capacidade dos consumidores leva à substituição dos cereais por carne e produtos lácteos na dieta. Esta tendência, combinada com práticas de produção insustentáveis, particularmente na Amazônia brasileira, pode levar ao colapso da selva úmida e dos serviços de equilíbrio ambiental que presta ao planeta.


O informe 2009 da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) diz que a expansão da atividade pecuária responde por 18% das emissões de gases-estufa, e do desmatamento em alguns países, enquanto gera menos de 2% do produto bruto mundial. Esta escassa contribuição ao produto mundial exige, no entanto, 26% das terras livres de gelo para pastagem e 33% das terras agrícolas para produzir o alimento consumido pelo gado.

Há uma forte pressão para duplicar a produção pecuária, que de hoje até 2050 passaria de 228 para 463 milhões de toneladas, elevando a quantidade de cabeças de gado em mais de 73%. Desde a década de 1970, o governo brasileiro fomenta a criação de gado bovino. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destina mais de US$ 10 bilhões à indústria da carne, 30% para empréstimos, 60% para aquisições (como as das firmas JBS-Friboi e Marfrig), e 10% para futuras compras.

A tradição de roçar e queimar as terras para roubar áreas para agropecuária da selva amazônica faz o planeta perder o serviço que lhe presta a biodiversidade de suas florestas. Essas práticas liberam na atmosfera enormes volumes do gás-estufa dióxido de carbono. O desmatamento amazônico representa aumento entre 5% e 6% das emissões desse gás-estufa e contribui em 75% para a vasta produção brasileira de carbono na atmosfera.

Até 2009, foram desmatados 74 milhões de hectares, 15% da Amazônia brasileira. Esta área equivale aos territórios de Alemanha, Áustria e Itália juntos e quase em sua totalidade destina-se ao pastoreio. A carne bovina é um alimento saboroso. Mas seu preço final, ainda que alto, não reflete o alarmante custo real de sua produção, já que, para obter um quilo de carne, são liberados 15 mil quilos de dióxido de carbono e exigidos 14 mil litros de água.

A carne da Amazônia é um alimento extremamente caro por seu custo ambiental, social e econômico. A produção de carne bovina amazônica tem impactos sociais, pois gera pouco emprego, e mal remunerado. Em algumas fazendas brasileiras a escravidão e o trabalho infantil ainda são uma prática normal. O traslado da produção pecuária para a Amazônia nos últimos 50 anos não registra antecedentes na história.


Se projetarmos o crescimento do gado no Brasil para os próximos 20 anos, com base no registrado entre 1994 e 2007, teremos 103,7% de bovinos amazônicos em 2030, o que pode produzir o desmatamento de 55% dessa região brasileira. Todos os fatores contradizem o compromisso brasileiro de reduzir suas emissões de gases-estufa. O desafio para os governantes é responder à demanda de carne do mercado sem afetar a igualdade social, o meio ambiente e a saúde pública.

É urgente empreender ações para transformar a cadeia de valor da produção pecuária e de carne. Devemos promover: - Políticas e regulamentações nacionais e internacionais para obter uma produção social, ambiental e economicamente sustentável; - A formalização de todas as atividades da cadeia de produção, com ênfase na região amazônica; - Sistemas de monitoramento que assegurem a implantação das políticas e regulações e contribuam para o cumprimento da lei; - Políticas sustentáveis e inclusivas que contemplem as necessidades das comunidades rurais tradicionais, camponeses e pequenos produtores, para ampliar sua capacidade de produzir de maneira mais eficiente e sustentável, e para beneficiá-los de uma participação ativa na cadeia de valor da produção pecuária e de carne e nos serviços técnicos e financeiros; - Criação de consciência em nível mundial entre os consumidores sobre o custo real da carne bovina; - Criação de consciência ambiental entre as comunidades rurais brasileiras, incluindo-as no monitoramento do impacto da produção de gado em seus meios de vida e diversificando estratégias que valorizem a selva, como a prestação de serviços ambientais e a venda de outros produtos que contribuam para manter a biodiversidade; - Maior pesquisa para garantir que os estudos sobre a cadeia de valor da indústria incluam o impacto ambiental e econômico em comunidades que sofrem exclusão; - Estratégias de melhores práticas e tecnologias mais sustentáveis a fim de tornar mais eficiente o uso dos recursos.

* João Meirelles Filho é diretor e Maria José Barney González é consultora do Instituto Peabiru, www.peabiru.org.br/index-.htm, com sede em Belém, Brasil. Direitos exclusivos IPS.
Ilustração: Claudius

domingo, 18 de setembro de 2011

Queimadas fazem bichos lotarem zoos e hospitais no interior de SP

ELIDA OLIVEIRA


Com graves queimaduras, uma loba-guará mordeu tanto os dedos para "tirar" a dor que amputou as próprias patas. Morreu dias após ser resgatada, em Ribeirão Preto.


Silva Junior/Folhapress

Já um tamanduá-bandeira queimou todas as patas ao tentar fugir do fogo. Está sob cuidados de veterinários em São José do Rio Preto.

Esses animais silvestres são dois entre as centenas de vítimas que têm sofrido com o avanço dos incêndios em canaviais, matas e florestas do interior de São Paulo.

A estiagem e o tempo seco quase sempre são os responsáveis pelo fogo, mas a colheita manual da cana, que exige a queimada, e incêndios criminosos também prejudicam a fauna.

Não há estatísticas oficiais da Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou Ibama, mas levantamento feito pela Folha em zoológicos e hospitais veterinários de oito cidades aponta ao menos 147 animais com queimaduras ou marcas de atropelamento causado ao fugirem do fogo desde junho.




Só em Ribeirão, foram 119 focos de queimadas nesse período de estiagem, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Lá, 49 animais silvestres foram levados para o Bosque Zoológico Fábio Barreto durante esses meses.

As outras cidades consultadas foram São Carlos, Franca, Jaboticabal, Piracicaba, Sorocaba, Ituverava e Bauru, além de Rio Preto.

E isso é só parte do problema, já que especialistas dizem que não há informações sobre todos os animais que morrem carbonizados.

"Ainda tem os casos dos que nem são resgatadas. Fogem feridos do fogo, mas morrem e ninguém fica sabendo", disse Karin Werther, do hospital veterinário da Unesp de Jaboticabal.


DANOS INDIRETOS

Os mais vulneráveis são os de locomoção lenta, como tatus e cobras. "Esses têm mais dificuldade para fugir", diz o zootecnista Alexandre Gouveia, de Ribeirão.

Em São Carlos, uma jiboia chegou a ser levada ao zoológico da cidade com queimaduras graves e quase sem pele. Não sobreviveu, segundo Fernando Magnani, administrador do local.

Animais de hábitos noturnos, como tamanduás, só percebem as chamas quando o fogo está perto. "Com visão reduzida, a fuga depende da sorte de correr para o lado onde não há fogo", afirmou a veterinária Antonella Jacintho, Universidade de Franca.

Necropsias feitas em animais mortos revelam mucosas de narinas, traqueias e pulmões queimados.


Veja mais
Folhaonline

sábado, 27 de agosto de 2011

Crianças da Zâmbia organizam conferência do clima para jovens


Namwiinga Malambo, 12, na conferência do clima, na Zâmbia
BRUNO MOLINERO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


"Se nós não educarmos os adultos, quem vai?", pergunta a menina Mahuvi Kavenuke, 11.

Mahuvi vive num país da África chamado Zâmbia. Ao lado de mais de 300 jovens de lá, ela participou na última semana de um encontro para discutir soluções que acabem com as
mudanças climáticas.

E parece que não querem ficar só na teoria. Para Nambela Queen Mutale, 13, a diferença entre crianças e adultos é que elas conseguem colocar em "ação" o que aprendem.

"Durante a nossa conferência, fazemos oficinas e atividades que ajudam o ambiente na prática", diz Gloria Chinoya, 13.

Durante cinco dias, elas plantaram árvores, aprenderam sobre poluição e fizeram jogos ecológicos. A ideia é levar o que aprenderam para suas escolas.

Shuko Milanzi, 11, está ansioso. "Quando chegar em casa, vou formar um grupo. Não combatemos nada sozinhos", conta.

JEITO DE CRIANÇA

Quando chegam as chuvas, a Zâmbia sofre com grandes enchentes. É normal que as escolas sejam fechadas.

Na conferência do ano passado, algumas crianças propuseram, então, fazer uma escola flutuante para solucionar o problema. E deu certo! O projeto já está em construção.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Banda Larga: um direito de todos


Mais de cem pessoas estiveram nesta segunda à noite no Sindicato dos Engenheiros para o ato da CMS e da campanha Banda Larga é um direito seu! O ato reuniu representantes de dezenas de entidades do movimento social e da sociedade civil organizada, além dos deputados federais Luiza Erundina (PSB-SP) e Ivan Valente (PSOL-SP), e de representante do deputado Newton Lima (PT-SP).

O ato aprovou um manifesto (ver abaixo), com reivindicações para o Ministério das Comunicações, e um plano de ações, que será divulgado ainda esta semana.

Entre as entidades participantes estiveram: Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), Sindicato dos Jornalistas, Sindicato dos Radialistas, Federação dos Radialistas (Fitert), Sindicato dos Bancários, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Artigo 19, Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Centro de Estudos da Mídia Independente Barão de Itararé, Ciranda, Viração, Coletivo Digital e Intervozes.

Veja o manifestono site da campanha

OAB lança na internet o Observatório da Corrupção

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, disse nesta quarta-feira (24), no lançamento do Observatório da Corrupção, que a sociedade brasileira precisa se conscientizar de que é a protagonista no combate a corrupção. “A sociedade pode transformar, sim, por meio da legitima pressão que ela exerce nos poderes públicos . E ela [sociedade] deve mobilizar-se no sentido de combater essa pandemia que é a corrupção”, disse o dirigente classista.

O Observatório da Corrupção pretende ser o canal entre a sociedade e a OAB para o envio de denúncias de casos de corrupção pela população. O objetivo, segundo Cavalcante, é fazer pressão para que o Poder Judiciário dê prioridade aos processos envolvendo malversação de recursos públicos, tráfico de infuência e outros desvios que caracterizam a corrupção, julgando e punindo com maior celeridade os envolvidos.

Na página do Observatório da Corrupção na internet , além de denunciar, o cidadão também vai poder acompanhar o andamento dos casos de corrupção noticiados pela mídia. Na próxima semana, a OAB vai divulgar no portal uma relação dos principais processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

As denúncias recebidas pela Ordem dos Advogados do Brasil serão monitoradas pela Comissão Nacional de Combate à Corrupção e os denunciantes têm a garantia do anonimato.

No lançamento do Observatório, Cavalcante informou que a OAB vai ajuizar no Supremo uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) contra os mecanismos da Lei Eleitoral que permitem o financiamento de campanha por empresas. “O embrião da corrupção reside no financiamento de campanhas eleitorais por empresas privadas,” disse Cavalcante.

(Agência Brasil)
Endereço do site: http://www.observatorio.oab.org.br/


terça-feira, 12 de julho de 2011

SBPC apela para que Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado analise novo Código Florestal

Gilberto Costa, da Agência Brasil

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) tornou público o apelo que fez ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que o projeto de lei (PL) que modifica o Código Florestal também seja apreciado na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). “Ela pode trazer equilíbrio”, disse a presidente da SBPC, a bioquímica Helena Nader, ao se referir à disputa entre ambientalistas e ruralistas.

Desde 25 de abril, a SBPC tem alertado os parlamentares e a opinião pública que a proposta contida no relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB–SP) pode ser danosa ao meio ambiente e à agricultura, porque não contempla estudos aprofundados sobre o impacto das alterações nem aproveita a tecnologia disponível para a análise. “Não incluir a CCT é fechar os olhos para os avanços que o país tem alcançado”, disse Nader, na 63ª Reunião Anual da SBPC, em Goiânia.

“A ciência pediu mais tempo”, disse o engenheiro agrônomo José Antonio Aleixo da Silva, coordenador do grupo de trabalho que elaborou o estudo da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências (ABC), que aponta a possibilidade de usar margeamento de satélite para saber a extensão das áreas de proteção permanente, por exemplo. A SBPC participou de audiências públicas sobre o novo Código Florestal, na semana passada nas comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle e de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.

Além da legislação ambiental, outro projeto em tramitação no Congresso chama a atenção da SBPC: o PL nº 220/2010, apresentado na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, que propõe o fim da exigência de pós-graduação para docentes do ensino superior. “Isso seria um retrocesso”, disse Helena Nader. O projeto já foi aprovado na Comissão de Educação do Senado e está pronto para ser votado no plenário da Casa.

Na Câmara dos Deputados, a SBPC acompanha as discussões sobre revalidação de diplomas. Na última quinta-feira, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara fez audiência pública sobre os processos de revalidação do diploma. A estimativa é que 2 mil estudantes estejam aguardando a revalidação dos títulos de pós-graduação. Helena Nader é contra qualquer medida que tire da universidades a tarefa de revalidação. “Queremos ter certeza de quem estamos formando”.