segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Praias mortais para as tartarugas







Recebi, por e-mail, estas e outras imagens da matança desnecessária de tartarugas em Costa Rica. Os moradores da localidade, além de pegarem os ovos, matam as tartarugas, que são abondonadas aos abutres. É simplesmente incompreensível!
Encontrei esta matéria sobre o assunto na Terraamérica dando conta que na Costa Rica é permitida a coleta controlada de ovos, mas não é bem isto que parece acontecer. Também não acho que situação de miséra justifique esta prática, pois programas bem orientados de proteção a estes animais podem até gerar mais renda do que a coleta de ovos uma vez ao ano.No Brasil temos o Projeto Tamar que é um bom exemplo do que pode ser feito.
Creio que precisamos cobrar, de alguma forma, uma posição do governo de Costa Rica.
Leiam a matéria:


Milhares de quelônios ainda são sacrificados a golpes de facão e pauladas na América Latina. As sete espécies que desovam na região estão em risco de extinção.

MÉXICO., (Tierramérica).- Matar uma tartaruga marinha ou roubar seus ovos pode custar ao infrator mais de US$ 140 mil em multa e até nove anos de prisão no México, enquanto em Cuba a pena é de US$ 200 e na Costa Rica de três anos de prisão. Entretanto, esses castigos e a proteção comprometida na maioria dos países da América Latina e do Caribe não detêm o caminho das tartarugas rumo à extinção. Das oito espécies existentes no mundo, sete podem desaparecer em um futuro próximo, segundo especialistas.

Em certas praias latino-americanas ainda podem ser encontradas, a cada ano, centenas de carapaças de tartarugas mortas a golpes de facões e pauladas, além de restos de animais mortos devido à amputação das aletas para vender sua pele ou à extração de seu ventre à ponta de faca a fim de tirar seus ovos. “Cada vez menos tartarugas chegam à praia, e isso se deve às matanças e porque o governo apenas promete protegê-las, mas nada faz efetivamente”, disse ao Terramérica o pescador Manuel Abarca, que junto com uma dezena de amigos cuida, desde 1999, da chegada desses animais à praia no Estado mexicano de Guerrero, onde desovam.

Sete das oitos espécies existentes de tartarugas marinhas chegam a mais de 127 praias mexicanas para depositar seus ovos. Esse é um dos países que pune mais severamente a captura, e desde 1990 declarou total proibição à matança e extração de ovos. Entretanto, mais de dois mil exemplares são sacrificados todos os anos, segundo cálculos extra-oficiais. “Creio que são muitas mais, pois apenas nesta praia matam, fácil, 500 tartarugas por ano”, disse Abarca. Até os anos 80, a maioria dos países permitia a captura de tartarugas marinhas e seus ovos, mas na década seguinte, a evidência de que a espécie estava em declive levou os governos a determinarem a proibição e ditar leis contra essa atividade.

Das tartarugas se extrai óleo, carne, pele para fabricar sapatos e bolsas, e matéria-prima para artesanato. Além disso, os ovos são consumidos em razão de seu alto nível de proteínas e por possuir supostas propriedades afrodisíacas. As tartarugas existem no planeta há mais de cem milhões de anos, apesar de enfrentarem altos índices de mortalidade por suas características biológicas e, nos últimos tempos, pela aniquilação à qual são submetidas pela humanidade. Estudos científicos indicam que apenas entre 0,02% e 0,2% de cada dez mil filhotes de tartaruga chegam à idade adulta.

Na Costa Rica, um dos poucos países da América que ainda permite a coleta controlada de ovos, os especialistas lamentam que a situação desse animal continuem em estado de emergência, apesar de programas, controles e sanções. As leis costarriquenhas castigam com até três anos de prisão os que violam as normas de manejo destas espécies. A tartaruga-de-couro (Dermochelydae coriacea) é a que corre maior risco, pois sua população diminuiu no México, Chile e Peru, explicou ao Terramérica a bióloga Isabel Naranjo, do Programa de Recuperação de Tartarugas Marinhas da Costa Rica. “Acredita-se que se continuar este ritmo de extermínio, em dez anos pode desaparecer”, advertiu. Em 1992, chegavam à Costa Rica entre mil e 1,5 mil tartarugas-de-couro, mas no ano passado chegaram apenas 52 exemplares.

Cuba, que pede o fim da proibição mundial da venda de caparaças da tartaruga-de-pente (Eretmochelys), é praticamente o único país no mundo que informa sobre aumento da desova de tartarugas em suas praias. A ilha guarda em depósitos 7,8 toneladas de carapaças de tartarugas-de-pente, recolhidas entre 1993 e 2002. Apesar de defender o fim da proibição, Cuba mantém sob rígidos controles seu manejo, bem como o de outras espécies delicadas. Segundo a legislação, quem viola as normas de conservação de tartarugas tem de pagar multa entre US$ 15 e quase US$ 200.

Às espécies de couro e de pente somam-se as tartarugas kemp (Lepidochelys kempii), cabeçuda (Caretta caretta), pequena (Lepidochelys olivacea), verde (Chelonia mydas), preta (Chelonia agassizii) e australiana (Natator depressus).

A Venezuela também prevê multas e prisão, e desde 1996 mantém a proibição da captura de tartarugas marinhas. Entretanto, o Terramérica obteve denúncias de ambientalistas sobre a persistência do comércio ilegal da espécie. Na zona da península de Paraguaná, no noroeste venezuelano, em frente às Antilhas Holandesas, são capturados pelo menos 200 exemplares ao ano, de acordo com as denúncias. Clemente Balladares, biólogo marinho do serviço estatal Profauna, reconheceu que também sofreram redução as populações de tartarugas marinhas em seu país. “A aplicação intensa da lei está sujeita à disponibilidade de recursos, orçamento, lanchas-patrulha e efetivos de vigilância treinados”, disse ao Terramérica.

Em quase todo o continente, os governos dizem não ter fiscais suficientes para proteger as tartarugas, mas afirmam estar fazendo o necessário contra a extinção da espécie, que há milhares de anos tem nas praias da região seus locais preferidos para desovar. Os governos dão ênfase a programas de ecoturismo, educação de pescadores e redução da demanda por carne e ovos, temas que serão debatidos por mais de mil especialistas durante o congresso mundial sobre a espécie, que acontecerá entre 22 e 29 de fevereiro, na Costa Rica.

“No ano passado informamos sobre a morte de tartarugas ao governo, mas só agora nos deram atenção porque chamamos a imprensa e fizemos alarde”, afirmou o mexicano Abarca, pescador que trabalha como secretário honorário do acampamento de tartaruga San Valentin, nas costas do Estado de Guerrero. Abarca denunciou à imprensa, no início deste ano, a presença de restos de pelo menos 500 carcaças de tartarugas na vasta zona da qual cuida, junto com outros pescadores, desde 1999. No dia 19 de janeiro, quando a polícia já havia chegado para vigiar parte da praia de mais de 13 quilômetros, o pescador saiu para fazer nova inspeção e encontrou pelo menos mais 170 carapaças.

“A matança acontece todos os anos, mas muitos o fazem por necessidade, pois aqui não tem trabalho, nem turismo, nem agricultura", disse. “Quero dizer a todos que protejam este animal e que o governo não fique nas promessas e ajude as pessoas para que não tenham que pegar os ovos, e que também envie policiais para controlar os delinqüentes que fazem da tartaruga um negócio”, afirmou.

* Com as colaborações de José Eduardo Mora (Costa Rica) Dália Acosta (Cuba) e Humberto Márquez (Venezuela).

8 comentários:

  1. Completamente! Um verdadeiro absurdo!

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  2. Olá Liete

    Eu também recebi este e-mail. É uma triste situação. Hoje estou com pouco tempo, mas em breve vou preparar um post sobre as crueldades com os animais, e vou ver se consigo abarcar este assunto. Senão fica para o próximo.

    E estamos nós no Ano Internacional da Biodiversidade!

    Beijinhos

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  3. Comunidade de Ostional está autorizada a aproveitar ovos de tartaruga lora

    A colheita e venda dos ovos de tartaruga lora que realiza a Associação de Desenvolvimento Integral da Comunidade, no Refúgio Nacional de Vida Silvestre de Ostional, está regulado e é permitida pela legislação ambiental vigente, toda vez que os estudos científicos demonstram que o aproveitamento controlado e racional, não coloca em perigo a espécie.

    Assim o explica o Ministério de Ambiente, Energia e Telecomunicações (MINAET), em um comunicado emitido a propósito da informação que ultimamente vem circulando na internet e pela televisão, com fotos que mostram os moradores de Ostional durante a atividade de colheita.

    A comercialização de ovos de tartaruga lora só é permitida à Associação de Desenvolvimento de Ostional (ADIO), e devem ser empacotados em sacos fechados, com as logomarcas da organização e acompanhados das faturas correspondentes.

    Precisamente, o Refúgio Nacional de Vida Silvestre Ostional foi fundado em 1982 para proteger os lugares de postagem massiva dos ovos da tartaruga lora, os quais desde antes, eram objeto de estudo por parte da Escola de Biologia da Universidade de Costa Rica (UCR).
    É importante indicar que os resultados dos estudos da UCR, demonstram que dada à quantidade de tartarugas de colocam seus ovos ao mesmo tempo neste local, tecnicamente é viável realizar um aproveitamento controlado e não prejudicial. Também se conta com o aval das autoridades científicas nacionais e internacionais e como medida de controle a permissão para a prática só é dada à comunidade de Ostional, por meio da Associação de Desenvolvimento.

    Por sua parte a ADIO, mantém um grupo de vigilância permanente para a defesa das tartarugas e seus ninhos, em coordenação com os funcionários de MINAET. Também são realizadas atividades de proteção das crias e melhoramento do habitat.

    Assim mesmo, o aproveitamento dos ovos só pode ser feito durante dois dias e meio, a partir do momento em que se declare o início da desova, por parte do diretor do projeto e de um biólogo da UCR.

    Em conclusão, este projeto contribui com a sustentabilidade integral da área e oferece benefícios à comunidade de Ostional.

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  4. Querido anônimo,

    Grata pela participação e pela sua visão do problema, mas continuo respeitando a opinião da bióloga Isabel Naranjo, do Programa de Recuperação de Tartarugas Marinhas da Costa Rica que diz: “Acredita-se que se continuar este ritmo de extermínio, em dez anos pode desaparecer”, referindo-se às tartarugas. Como também levo em consideração a as informações dos jornalistas que advertem: Em 1992, chegavam à Costa Rica entre mil e 1,5 mil tartarugas-de-couro, mas no ano passado chegaram apenas 52 exemplares.

    Em todo caso, brevemente teremos a oportunidade de ter um diagnóstico sobre o problema, pois teremos mais de mil especialistas debatendo o assunto durante o congresso mundial sobre a espécie, que acontecerá entre 22 e 29 de fevereiro, na Costa Rica.
    Abraço, Liete.

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  5. Olá Liete,

    Também recebi o e-mail hoje e pesquisei na Internet sobre o assunto. Acho que você precisa reconsiderar e reescrever esta parte de seu Blog. É muito importante você pesquisar a fundo tudo o que publica para não correr o risco de perder a credibilidade. Seria pena, também para a causa ambiental.

    Por favor dê uma olhada no pequeno documentário neste link:
    www.olivafilms.com/olivafilmsproyectos.html

    e leia esta mensagem sobre Ostional, além do texto do anônimo:

    Igualmente, este es el mensaje que estamos enviando para aclarar la situación:

    Comprendemos tu sensibilidad e interés por la conservación, pero esto está circulando sin nuestro apoyo.

    Esta es la comunidad de Ostional en Costa Rica dentro de un Refugio de Vida Silvestre. En este refugio hay un sistema legal de recolección de huevos por parte de la comunidad (Asociación de Desarrollo de Ostional, ADIO) durante
    el fenómeno de arribada o anidación masiva de la tortuga lora Lepidochelys olivacea. Durante estas arribadas un porcentaje de los huevos se pierde naturalmente cuando llegan las últimas tortugas a excavar sus nidos sobre los nidos de las tortugas que han llegado antes. Los habitantes tienen autorización para comercializar este porcentaje de huevos que se pierde naturalmente y las fotos muestran el momento de la cosecha durante la arribada. Es uno de los ejemplos de uso sostenible del recurso, donde se realiza continuamente seguimiento de las poblaciones. Los huevos que usa la comunidad son aquellos que de todas formas se ha visto que se perderían. La utilización que se da esta fiscalizada por las autoridades, y los huevos se envían en sacos sellados con la indicación de que así es, de forma que se puedan diferenciar de quienes estén realizando uso ilegal que lleve a la sobre-explotación del recurso.


    Las fotos son reales, pero están presentadas fuera de contexto. Es un tema complicado y ampliamente discutido en foros internacionales, pero legal. El fenómeno de arribada en esta playa (creo que una de las seis que hay en el mundo) es tan impresionante como el fenómeno social de recolección de huevos de manera colectiva por la comunidad. Hay mucho para hablar de este tema, pero este mensaje es alarmista y denota falta de conocimiento del tema.

    También hacemos la aclaración pues tiene fotos de personas en este correo, quienes quedan como delincuentes cuando no lo son, la comunidad es muy cuidadosa e incluso viven sin luz por la noche (aunque tienen electricidad) en época de arribada para no afectar a las tortugas.

    Si alguno tiene mas interés en esto, con gusto podemos enviar mas información.

    M.Sc. Ana Fonseca
    Marine & Species Programme Officer
    WWF- Latin America and the Caribbean
    Tel: (+506) 2234 - 8434 ext. 101
    Fax: (+506) 2253 - 4927
    e-mail: afonseca@wwfca. org
    Webpage:
    www.panda.org/ lac/marineturtle s
    Address: Curridabat de Mc Donalds 300 m sur y 75 m este, frente a
    condominios Ana Catalina. Hay bandera blanca de WWF en entrada.
    P.O. Box: 629-2350 San Francisco de Dos Ríos, San José, Costa Rica

    Atenciosamente, Cristiano

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  6. Neste link tem também uma boa e extensa explicação sobre o e-mail e sobre o que acontece em Ostional:

    http://cachacaaraci.wordpress.com/2010/01/24/verdade-sobre-massacre-de-tartarugas-na-costa-rica/

    Cristiano

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  7. Caro crisrich,

    Aceito as suas explicações, mas ainda prefiro ficar com as informações de jornalistas como o Diego Cevallos, que escreve para o conceituado Tierramérica e da bióloga Isabel Naranjo, do Programa de Recuperação de Tartarugas Marinhas da Costa Rica. Como você vê, não tirei do nada as informações.
    Aliás, torço para que as coisas aconteçam da melhor forma possível e ainda que haja captura dos ovos, não matem as tartarugas desnecessariamente como parece ser o que acontece.
    Sim, entre os dias 22 e 29 de fevereiro terá um grande encontro sobre o tema, aí mesmo em Costa Rica, e quem sabe encontrem vias melhores de preservação.
    Grata pela participação,
    Liete.

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