Gilberto Costa, da Agência Brasil
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) tornou público o apelo que fez ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que o projeto de lei (PL) que modifica o Código Florestal também seja apreciado na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). “Ela pode trazer equilíbrio”, disse a presidente da SBPC, a bioquímica Helena Nader, ao se referir à disputa entre ambientalistas e ruralistas.
Desde 25 de abril, a SBPC tem alertado os parlamentares e a opinião pública que a proposta contida no relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB–SP) pode ser danosa ao meio ambiente e à agricultura, porque não contempla estudos aprofundados sobre o impacto das alterações nem aproveita a tecnologia disponível para a análise. “Não incluir a CCT é fechar os olhos para os avanços que o país tem alcançado”, disse Nader, na 63ª Reunião Anual da SBPC, em Goiânia.
“A ciência pediu mais tempo”, disse o engenheiro agrônomo José Antonio Aleixo da Silva, coordenador do grupo de trabalho que elaborou o estudo da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências (ABC), que aponta a possibilidade de usar margeamento de satélite para saber a extensão das áreas de proteção permanente, por exemplo. A SBPC participou de audiências públicas sobre o novo Código Florestal, na semana passada nas comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle e de Agricultura e Reforma Agrária do Senado.
Além da legislação ambiental, outro projeto em tramitação no Congresso chama a atenção da SBPC: o PL nº 220/2010, apresentado na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, que propõe o fim da exigência de pós-graduação para docentes do ensino superior. “Isso seria um retrocesso”, disse Helena Nader. O projeto já foi aprovado na Comissão de Educação do Senado e está pronto para ser votado no plenário da Casa.
Na Câmara dos Deputados, a SBPC acompanha as discussões sobre revalidação de diplomas. Na última quinta-feira, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara fez audiência pública sobre os processos de revalidação do diploma. A estimativa é que 2 mil estudantes estejam aguardando a revalidação dos títulos de pós-graduação. Helena Nader é contra qualquer medida que tire da universidades a tarefa de revalidação. “Queremos ter certeza de quem estamos formando”.
terça-feira, 12 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Aprovação de lei em Mato Grosso fere direitos do povo Xavante
30/06/2011
A lei 9.564, de autoria do presidente da Assembleia Legislativa, José Riva
(PP), e do deputado Adalto de Freitas (PMDB) foi aprovada e publicada no
Diário Oficial do Estado do Mato Grosso no dia 27 de junho. Autorizando a
troca da Terra Indígena Marãiwatsédé por áreas do Parque Estadual do
Araguaia com a Funai, a lei vai contra os direitos do povo Xavante, ferindo,
inclusive, a Constituição Federal.
Abaixo, a nota de repúdio de diversas entidades contra essa aprovação.
*NOTA DE REPÚDIO*
No dia 27 de junho de 2011, o governo de Mato Grosso publicou no Diário
Oficial do Estado uma lei que autoriza a permuta com a Fundação Nacional do
Índio de áreas do Parque Estadual do Araguaia em troca da Terra Indígena
Marãiwatsédé, no município de Alto Boa Vista. A jogada pretende regularizar
a permanência de fazendeiros que invadiram o território tradicional do povo
Xavante, transferindo os índios para a unidade de conservação estadual e
ferindo a Constituição Federal, que deixa claro em seu artigo 231 que “as
terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os
direitos sobre elas, imprescritíveis” .
A lei 9.564, de autoria do presidente da Assembleia Legislativa, José Riva
(PP) e do deputado Adalto de Freitas (PMDB), comete deslizes técnicos
primários, como chamar o povo Xavante de “Nação Indígena Marawaitsede” ,
propondo sua saída do território tradicional com o objetivo de
“regularização fundiária aos atuais ocupantes da área da reserva”, como se
os índios, e não os fazendeiros, estivessem em situação irregular. Para
agravar ainda mais o caso, o governo coloca o parque estadual à disposição
da Funai, mas, de acordo com dados da Secretaria do Estado de Meio Ambiente
de Mato Grosso, a unidade de conservação tem hoje menos de 1% de áreas
regularizadas. Ou seja, mais de 99% do parque ainda não pertencem
efetivamente ao governo de Mato Grosso, não podendo ser negociados. Esta
medida reforça a tentativa de criação de jurisprudência estadual para
pressionar a reformulação dos procedimentos fundiários para a demarcação de
terras indígenas.
Esta ação também evidencia que o estado decidiu intervir com força na
tentativa de expulsão dos Xavante pela segunda vez em 50 anos, já que desde
outubro de 2010 uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região diz
que não cabem novos recursos ao processo e determinou a saída de todos os
ocupantes não indígenas de Marãiwatsédé.
Os movimentos sociais abaixo-assinados reiteram seu protesto contra esta lei
inconstitucional e todas as outras formas de pressão que incidem sobre o
povo Xavante para que deixem sua terra tradicional.
LEI Nº 9.564, DE 27 DE JUNHO DE 2011.
Acesse a Lei
*Sobre a Terra Indígena Marãiwatsédé*
A Terra Indígena Marãiwatsédé tem 165 mil hectares no município de Alto Boa
Vista, no nordeste de Mato Grosso, e foi homologada pela União em 1998.
Atualmente vivem em uma aldeia 700 índios, que após terem sido retirados à
força nos anos 60 pelo governo brasileiro, hoje lutam para recuperar a
soberania alimentar e territorial em uma área invadida por latifundiários
produtores de grãos e gado.
ABONG - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais
AXA - Articulação Xingu Araguaia
CBFJ - Centro Burnier Fé e Justiça
Coletivo Jovem Pelo Meio ambiente de Juína-MT
CPT - Comissão Pastoral da Terra
FASE-MT - Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional -
Regional Mato Grosso
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil
Fórum de Direitos Humanos de Mato Grosso
GPEA-UFMT - Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte
GT MS – Grupo de Trabalho de Mobilização Social
Instituto Caracol
ICV - Instituto Centro de Vida
ISA – Instituto Socioambiental
OPAN - Operação Amazônia Nativa
REMTEA - Rede Mato-grossense de Educação Ambiental
A lei 9.564, de autoria do presidente da Assembleia Legislativa, José Riva
(PP), e do deputado Adalto de Freitas (PMDB) foi aprovada e publicada no
Diário Oficial do Estado do Mato Grosso no dia 27 de junho. Autorizando a
troca da Terra Indígena Marãiwatsédé por áreas do Parque Estadual do
Araguaia com a Funai, a lei vai contra os direitos do povo Xavante, ferindo,
inclusive, a Constituição Federal.
Abaixo, a nota de repúdio de diversas entidades contra essa aprovação.
*NOTA DE REPÚDIO*
No dia 27 de junho de 2011, o governo de Mato Grosso publicou no Diário
Oficial do Estado uma lei que autoriza a permuta com a Fundação Nacional do
Índio de áreas do Parque Estadual do Araguaia em troca da Terra Indígena
Marãiwatsédé, no município de Alto Boa Vista. A jogada pretende regularizar
a permanência de fazendeiros que invadiram o território tradicional do povo
Xavante, transferindo os índios para a unidade de conservação estadual e
ferindo a Constituição Federal, que deixa claro em seu artigo 231 que “as
terras de que trata este artigo são inalienáveis e indisponíveis, e os
direitos sobre elas, imprescritíveis” .
A lei 9.564, de autoria do presidente da Assembleia Legislativa, José Riva
(PP) e do deputado Adalto de Freitas (PMDB), comete deslizes técnicos
primários, como chamar o povo Xavante de “Nação Indígena Marawaitsede” ,
propondo sua saída do território tradicional com o objetivo de
“regularização fundiária aos atuais ocupantes da área da reserva”, como se
os índios, e não os fazendeiros, estivessem em situação irregular. Para
agravar ainda mais o caso, o governo coloca o parque estadual à disposição
da Funai, mas, de acordo com dados da Secretaria do Estado de Meio Ambiente
de Mato Grosso, a unidade de conservação tem hoje menos de 1% de áreas
regularizadas. Ou seja, mais de 99% do parque ainda não pertencem
efetivamente ao governo de Mato Grosso, não podendo ser negociados. Esta
medida reforça a tentativa de criação de jurisprudência estadual para
pressionar a reformulação dos procedimentos fundiários para a demarcação de
terras indígenas.
Esta ação também evidencia que o estado decidiu intervir com força na
tentativa de expulsão dos Xavante pela segunda vez em 50 anos, já que desde
outubro de 2010 uma decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região diz
que não cabem novos recursos ao processo e determinou a saída de todos os
ocupantes não indígenas de Marãiwatsédé.
Os movimentos sociais abaixo-assinados reiteram seu protesto contra esta lei
inconstitucional e todas as outras formas de pressão que incidem sobre o
povo Xavante para que deixem sua terra tradicional.
LEI Nº 9.564, DE 27 DE JUNHO DE 2011.
Acesse a Lei
*Sobre a Terra Indígena Marãiwatsédé*
A Terra Indígena Marãiwatsédé tem 165 mil hectares no município de Alto Boa
Vista, no nordeste de Mato Grosso, e foi homologada pela União em 1998.
Atualmente vivem em uma aldeia 700 índios, que após terem sido retirados à
força nos anos 60 pelo governo brasileiro, hoje lutam para recuperar a
soberania alimentar e territorial em uma área invadida por latifundiários
produtores de grãos e gado.
ABONG - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais
AXA - Articulação Xingu Araguaia
CBFJ - Centro Burnier Fé e Justiça
Coletivo Jovem Pelo Meio ambiente de Juína-MT
CPT - Comissão Pastoral da Terra
FASE-MT - Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional -
Regional Mato Grosso
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil
Fórum de Direitos Humanos de Mato Grosso
GPEA-UFMT - Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte
GT MS – Grupo de Trabalho de Mobilização Social
Instituto Caracol
ICV - Instituto Centro de Vida
ISA – Instituto Socioambiental
OPAN - Operação Amazônia Nativa
REMTEA - Rede Mato-grossense de Educação Ambiental
sábado, 2 de julho de 2011
Mato Grosso: Comitê organiza ativismo contra agrotóxicos
Dafne Spolti

Nesta quarta-feira (29), o Comitê Permanente Estadual Contra os Agrotóxicos e Pela Vida de Mato Grosso, formado e idealizado por movimentos sociais e organizações como o Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e o Grupo de Intercâmbio em Agricultura Sustentável (Gias), fez sua primeira reunião, realizada na secretaria do MST, em Cuiabá, para organizar os futuros trabalhos em defesa da produção agrícola sem agrotóxico.
A criação do comitê é uma resposta à campanha estadual contra os agrotóxicos, lançada em junho, e à campanha nacional, que foi lançada no Dia Mundial da Saúde (7 de abril) por mais de 30 entidades da sociedade civil, como sindicatos, pastorais, organizações ambientais, e da saúde. As duas campanhas, nacional e estadual, são iniciativas da sociedade civil organizada, formada por militantes. Não são, portanto, iniciativas do poder público.
Para desenvolver os trabalhos contra os biocidas, o comitê estadual de Mato Grosso começa a se organizar nas quatro frentes da campanha nacional: construção com a sociedade; ensino e formação técnica; construção com a base da militância e agricultores, além do eixo jurídico e legislativo.
Na reunião inicial, foi definido que o comitê irá debater o assunto com a sociedade matogrossense, tanto das cidades como do campo – agricultores, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Para isso, irá se articular com militantes de municípios em todas as regiões, englobando os três biomas do estado: Colíder (Amazônia), Lucas do Rio Verde (Cerrado e Amazônia), Cáceres (Cerrado, Amazônia e Pantanal), Chapada dos Guimarães e baixada cuiabana (Cerrado), Tangará da Serra (Cerrado e Amazônia) e Rondonópolis (Cerrado). Esses municípios devem organizar comitês regionais descentralizando a campanha da capital, Cuiabá.
Entre as decisões, destacam-se ainda a organização de atividades em escolas - com estudantes e professores, que podem se capacitar e discutir o assunto com regularidade; a divulgação e a denúncia de impactos ambientais; e o apoio ao movimento estudantil, principalmente quando cobrarem maior valorização da agroecologia nas pesquisas realizadas pelas universidades e reversão do foco do agronegócio para agroecologia no ensino.
O Agrotóxico na Amazônia

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e Mato Grosso o maior consumidor do país. O estado produz metade do algodão das terras brasileiras, a planta em que há maior utilização desses venenos. De 20 a 25 litros por hectare, como explica o médico Wanderlei Pignati, professor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Esse veneno do algodão, do soja, do milho, da monocultura de Mato Grosso vai para as bacias de rios, entre elas, a Amazônica. Segundo o professor Pignati, isso causa consequências para a vida humana, animal e vegetal. Um dos principais problemas é a intoxicação crônica, ou seja, pequenas doses que são absorvidas durante um longo período. Pode causar “grande prejuízo à saúde humana e dos animais como câncer, má formação, desregulação endócrina e problemas neurológicos”, esclarece.
Acesse o portal da Campanha Nacional Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Saiba mais:
Agrotóxico: os 10 alimentos mais perigosos
O ECO
Nesta quarta-feira (29), o Comitê Permanente Estadual Contra os Agrotóxicos e Pela Vida de Mato Grosso, formado e idealizado por movimentos sociais e organizações como o Fórum Matogrossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e o Grupo de Intercâmbio em Agricultura Sustentável (Gias), fez sua primeira reunião, realizada na secretaria do MST, em Cuiabá, para organizar os futuros trabalhos em defesa da produção agrícola sem agrotóxico.
A criação do comitê é uma resposta à campanha estadual contra os agrotóxicos, lançada em junho, e à campanha nacional, que foi lançada no Dia Mundial da Saúde (7 de abril) por mais de 30 entidades da sociedade civil, como sindicatos, pastorais, organizações ambientais, e da saúde. As duas campanhas, nacional e estadual, são iniciativas da sociedade civil organizada, formada por militantes. Não são, portanto, iniciativas do poder público.
Para desenvolver os trabalhos contra os biocidas, o comitê estadual de Mato Grosso começa a se organizar nas quatro frentes da campanha nacional: construção com a sociedade; ensino e formação técnica; construção com a base da militância e agricultores, além do eixo jurídico e legislativo.
Na reunião inicial, foi definido que o comitê irá debater o assunto com a sociedade matogrossense, tanto das cidades como do campo – agricultores, indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. Para isso, irá se articular com militantes de municípios em todas as regiões, englobando os três biomas do estado: Colíder (Amazônia), Lucas do Rio Verde (Cerrado e Amazônia), Cáceres (Cerrado, Amazônia e Pantanal), Chapada dos Guimarães e baixada cuiabana (Cerrado), Tangará da Serra (Cerrado e Amazônia) e Rondonópolis (Cerrado). Esses municípios devem organizar comitês regionais descentralizando a campanha da capital, Cuiabá.
Entre as decisões, destacam-se ainda a organização de atividades em escolas - com estudantes e professores, que podem se capacitar e discutir o assunto com regularidade; a divulgação e a denúncia de impactos ambientais; e o apoio ao movimento estudantil, principalmente quando cobrarem maior valorização da agroecologia nas pesquisas realizadas pelas universidades e reversão do foco do agronegócio para agroecologia no ensino.
O Agrotóxico na Amazônia
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e Mato Grosso o maior consumidor do país. O estado produz metade do algodão das terras brasileiras, a planta em que há maior utilização desses venenos. De 20 a 25 litros por hectare, como explica o médico Wanderlei Pignati, professor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Esse veneno do algodão, do soja, do milho, da monocultura de Mato Grosso vai para as bacias de rios, entre elas, a Amazônica. Segundo o professor Pignati, isso causa consequências para a vida humana, animal e vegetal. Um dos principais problemas é a intoxicação crônica, ou seja, pequenas doses que são absorvidas durante um longo período. Pode causar “grande prejuízo à saúde humana e dos animais como câncer, má formação, desregulação endócrina e problemas neurológicos”, esclarece.
Acesse o portal da Campanha Nacional Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida
Saiba mais:
Agrotóxico: os 10 alimentos mais perigosos
O ECO
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Centrais sindicais criticam fusão entre varejistas
Temendo demissões e alta de preços, sindicalistas reagem à ação arquitetada entre governo e Pão de Acúçar
As Centrais Força Sindical, CUT e UGT criticaram a fusão entre a rede francesa de supermercados Carrefour e o Grupo Pão de Açúcar, anunciada terça-feira (28), alertando sobre eventuais demissões nas lojas, monopolização do varejo e uso de R$ 4 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na transação.
“A UGT manifesta sua contrariedade a que recursos públicos, oriundos dos trabalhadores, sejam direcionados para financiar o nascimento de um gigante monopolista de proporções nunca vistas em toda a história brasileira”, reagiu a central.
Ricardo Patah, presidente da entidade e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que representa os funcionários das duas redes, garantiu que a preocupação maior é com o trabalhador. “Como as duas empresas têm sede em São Paulo, há cargos administrativos que devem se sobrepor. Queremos a manutenção de empregos”, disse.
A Força Sindical atentou para um eventual monopólio no segmento. “A fusão pode ser o início de uma concentração predatória, que poderá gerar monopólio no setor varejista”. A entidade defende que a “concentração não pode ditar regras no mercado, com impacto negativo para os consumidores, como a administração de preços”.
O presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que a central é contra o uso de recursos do BNDES em fusões de empresas privadas. “Quem ganha com isso? Qual o beneficio para a sociedade? Essa concentração em verdadeiros monopólios não vai fazer com que os preços aos consumidores sejam cada vez mais elevados?”, questionou.
Governo
A compra das ações do Carrefour no Brasil ainda não foi acertada, já que um imbróglio acionário promete emperrar a decisão. O grupo francês Casino, sócio do Pão de Açúcar que almeja o controle majoritário a partir de 2012, pretende barrar a fusão. O Casino é o principal concorrente do grupo Carrefou na França.
O governo brasileiro defende a ideia de que com os r$ 4 bilhões que o BNDES pretende investir na fusão, o mercado varejista brasileiro teria um gigante nacional, não internacional. o líder do governo no senado Romero Jucá, afirmou que a empresa de Abílio Diniz passaria a ser um “player” internacional, caso ocorra a fusão.
No entanto, a operação de fusão daria ao pão de açúcar o controle de apenas 11% das ações do Carrefou em nível mundial.
(com agência sindical)
Brasil De Fato
As Centrais Força Sindical, CUT e UGT criticaram a fusão entre a rede francesa de supermercados Carrefour e o Grupo Pão de Açúcar, anunciada terça-feira (28), alertando sobre eventuais demissões nas lojas, monopolização do varejo e uso de R$ 4 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na transação.
“A UGT manifesta sua contrariedade a que recursos públicos, oriundos dos trabalhadores, sejam direcionados para financiar o nascimento de um gigante monopolista de proporções nunca vistas em toda a história brasileira”, reagiu a central.
Ricardo Patah, presidente da entidade e do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, que representa os funcionários das duas redes, garantiu que a preocupação maior é com o trabalhador. “Como as duas empresas têm sede em São Paulo, há cargos administrativos que devem se sobrepor. Queremos a manutenção de empregos”, disse.
A Força Sindical atentou para um eventual monopólio no segmento. “A fusão pode ser o início de uma concentração predatória, que poderá gerar monopólio no setor varejista”. A entidade defende que a “concentração não pode ditar regras no mercado, com impacto negativo para os consumidores, como a administração de preços”.
O presidente da CUT, Artur Henrique, afirmou que a central é contra o uso de recursos do BNDES em fusões de empresas privadas. “Quem ganha com isso? Qual o beneficio para a sociedade? Essa concentração em verdadeiros monopólios não vai fazer com que os preços aos consumidores sejam cada vez mais elevados?”, questionou.
Governo
A compra das ações do Carrefour no Brasil ainda não foi acertada, já que um imbróglio acionário promete emperrar a decisão. O grupo francês Casino, sócio do Pão de Açúcar que almeja o controle majoritário a partir de 2012, pretende barrar a fusão. O Casino é o principal concorrente do grupo Carrefou na França.
O governo brasileiro defende a ideia de que com os r$ 4 bilhões que o BNDES pretende investir na fusão, o mercado varejista brasileiro teria um gigante nacional, não internacional. o líder do governo no senado Romero Jucá, afirmou que a empresa de Abílio Diniz passaria a ser um “player” internacional, caso ocorra a fusão.
No entanto, a operação de fusão daria ao pão de açúcar o controle de apenas 11% das ações do Carrefou em nível mundial.
(com agência sindical)
Brasil De Fato
Onde mora a inteligência
por Rubem Alves*
Retorno ao lugar onde parei, na Escola da Ponte, em Portugal (Veja aqui, aqui e aqui). A menina que me levava me havia dito umas coisas que me espantaram por não combinarem com aquilo que eu pensava saber sobre as escolas. Foi então que me veio à cabeça a sabedoria do Riobaldo: “O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”. Sem intenção consciente, o dito do Riobaldo passou por uma transformação pedagógica e virou “a inteligência não está na saída nem na chegada, ela se dispõe para a gente é no meio da travessia”. A inteligência acontece no “estar indo”. Quando ela não está indo, ela está dormindo…
Lembrei-me dos meus anos de ginásio, a pedagogia que os professores usavam naqueles tempos, e não sei se as coisas mudaram, porque o hábito tem um poder muito grande… Pois os professores me ensinaram as coisas que estavam na chegada, mas não me contaram como foi que a travessia tinha sido feita.
O professor entrou em sala e anunciou: equação do segundo grau. Aí, ele se pôs a falar e a escrever símbolos no quadro negro. Aprendi automaticamente, sem entender, porque tinha memória boa: “x = -b + ou – raiz quadrada de b2 – 4ac sobre 2a”. Lembro-me de um colega que não havia entendido a coisa, estava perturbado com o símbolo “x” e veio me perguntar: “Afinal, qual é mesmo o valor de “x”?
Eu sabia que a fórmula para se determinar o valor de “x” não havia caído dos céus. Ela aparecera na cabeça de algum matemático que a deduzira séculos atrás depois de uma longa travessia numa jangada feita de pensamentos. O dito matemático a descobriu porque seus pensamentos estavam infelizes. “Ostra feliz não faz pérola”. O que é dor para a ostra é uma interrogação para a cabeça.
Mas por onde o pensamento matemático navegou para fazer a travessia, isso o professor não ensinou. É possível que ele não soubesse, ou que achasse que isso não importava. Para que entender a gravidez se o nenê já nasceu? O que importa é comer o bolo e não saber a receita…
Me ensinaram também as três leis dos movimentos dos planetas que Kepler descobriu, curtinhas, fáceis de guardar na memória. Mas essas três leis na minha memória em nada contribuíram para dar poder à minha inteligência. Enquanto a memória trabalhava para decorar a “chegada”, minha inteligência dormia. Nada me contaram sobre os caminhos fascinantes por onde errou o pensamento do astrônomo por dezoito anos. Uma hipótese errada atrás da outra, um caminho que não levava a lugar algum depois do outro. Por que gastar tempo com os erros da “travessia”, se se pode ir diretamente à “chegada”, conclusão? Não se percebe que, ao assim proceder, o aluno ganha uma memória musculosa e uma inteligência flácida…
Pensar é como escalar montanhas. Um alpinista recusaria o caminho rápido e seguro de chegar ao topo da montanha via helicóptero, sem sofrer e sem suar. Onde está a graça? O que ele deseja são os medos, os calafrios, os desafios da montanha, o que ele vê enquanto sobe… A arte de pensar se ensina fazendo a inteligência seguir o caminho da travessia, com todos os seus erros e enganos.
PS: Se você ficou curioso sobre a história da equação de segundo grau, consulte o Google.
* Rubem Alves é educador, escritor, psicanalista e professor emérito da Unicamp.
** Publicado originalmente no Portal Aprendiz.
Envolverde
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Altamira. Conflitos anunciados
Tensão em Altamira tende a se acentuar com a chegada de um grande número de pessoas e o êxodo de moradores que serão desalojados por Belo Monte.
JBNem mesmo a hidrelétrica de Belo Monte ensaia sair do papel, já começaram os conflitos na região de Altamira, no Pará. Previsto desde as discussões iniciais sobre o projeto, os problemas imobiliários se alastram por toda parte. Dezenas de famílias já estão desalojadas. Elas são oriundas de áreas conhecidas como baixões, que serão alagados pela usina. Outras tantas estão a caminho da cidade sob a promessa de que lá encontrão mais oportunidades de trabalho e melhor qualidade de vida.
O medo do possível alagamento e a incerteza em relação às indenizações prometidas pelo governo federal e pelo consórcio Norte Energia – responsável pela obra –, tem provocado a mudança de dezenas dessas famílias para terrenos que ficam às margens de Altamira, ou mesmo para a própria cidade, onde a especulação imobiliária e a procura por casas têm elevado de forma vertiginosa o preço dos aluguéis.
Para Éden Magalhães, secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), há uma forte pressão sobre as comunidades da periferia de Altamira. “Os moradores não sabem até hoje para onde irão quando da desocupação de suas terras. Sabem somente que a região será alagada pelo lago da usina. Nem o governo nem a Norte Energia esclarecem para onde serão deslocados.”
Em fuga dos eminentes perigos que a obra já os traz, esses moradores têm sido vítimas das mais sórdidas artimanhas. Os que ocuparam terrenos em Altamira estão, violentamente, sendo retirados dos locais, sob a alegação de que se trata de áreas particulares, ou até mesmo pertencentes à Eletronorte, como no caso das 90 famílias que foram obrigadas a desocupar um terreno, no início da semana, pela Polícia Militar.
Em outros casos, famílias estão sendo ameaçadas e até coagidas a deixarem suas propriedades. O clima na região já é tenso e tende a se agravar ainda mais com a criação de uma população de sem tetos na região, oriunda de desalojados e homens e mulheres em busca de uma vida melhor.
Mais do mesmo
A exemplo de outros empreendimentos encabeçados pelo Estado, como o Complexo do Rio Madeira, em Rondônia, e a Transposição do Rio São Francisco, no Nordeste, não se pode esperar melhor qualidade de vida, riquezas, ou desenvolvimento econômico, urbano e social. Ao contrário. Esse tipo de empreendimento tende a marginalizar os mais pobres e a propiciar o acúmulo de capital somente aos grandes empresários e latifundiários.
Em Rondônia, com as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, a população se viu crescer assustadoramente em quantidade, mas não em qualidade. Os registros de conflitos armados, uso de drogas e álcool, abuso e exploração sexual cresceram. Seguindo o mesmo ritmo, o desemprego também alcançou patamares ainda mais altos. Não há infraestrutura nem atendimento à saúde, educação e segurança eficientes e eficazes que atendam a todas as demandas da numerosa população.
Em documento entregue em maio deste ano às autoridades em Brasília, a Relatoria Nacional para o Direito Humano ao Meio Ambiente, denunciou que, além das violações trabalhistas encontradas nas obras do Complexo do Madeira, o índice de migração foi 22% maior que o previsto, os casos de estupro aumentaram em 208% e quase 200 crianças permaneceram fora da escola.
Quando da publicação do relatório, eles ainda denunciaram surtos de viroses, jornadas excessivas de trabalho e outras más condições que a obra ocasionou. Os cerca de 21 mil trabalhadores da hidrelétrica de Jirau reclamam da piora na qualidade de vida. Estão sem casas de alvenaria, longe de suas terras, onde plantaram e colhiam, e do rio, onde pescavam, além de receberem renda inferior ao que recebiam anteriormente.
Assim como Rondônia, Altamira não tem capacidade para receber o grande número de pessoas que a obra levará para a região. Os problemas ambientais, sociais e econômicos se repetirão. O maior medo então é que todas as violações de direitos humanos verificadas na obra do Complexo do Rio Madeira sejam também apontadas quando da construção de Belo Monte.
No caso da Transposição, obra polêmica, que supostamente beneficiaria a região Nordeste e semiárida do Brasil, exemplos do insucesso do projeto não faltam. A obra atinge somente 5% do território nordestino e 0,3% da população do semiárido, beneficiando os grandes agricultores e latifundiários, pois grande parte do projeto passa por essas propriedades, e não onde está o povo da região. Se concretizada, a Transposição ainda afetará todo o ecossistema ao redor do Rio São Francisco.
Polêmica maior da obra questiona ainda a quem servirá a Transposição. O projeto não resolverá o problema das populações difusas, pois a água além de abastecer as grandes fazendas, abastecerá as populações urbanas do Nordeste. O Rio São Francisco é ainda fonte de alimento e renda para diversos povos indígenas, comunidades quilombolas e pescadores tradicionais. O projeto não servirá também a eles, que já sentem os graves impactos e danos ambientais da obra.
Para Magalhães, a situação em Altamira não será diferente da vivida pela população de Rondônia e demais áreas onde existem empreendimentos do governo federal. Por isso, ele acredita que somente com a população altamirense mobilizada e conscientizada sobre os verdadeiros impactos da obra será possível barrar Belo Monte, caso contrário a situação se repetirá em diversas regiões do país.
* Publicado originalmente pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e retirado do site IHU On-Line.Envolverde
terça-feira, 28 de junho de 2011
“A geopolítica angloamericana”
Desde século XVI, EUA e Inglaterra desenvolvem, com êxito, estratégias interessadas em “dominar o mundo”. Mas para onde expandi-lo, agora?
“Venho hoje reafirmar uma das mais antigas,
uma das mais fortes alianças que o mundo já viu.
Há muito é dito que os Estados Unidos e a Grã Bretanha
compartilham de uma relação especial”
Barack Obama: “Discurso no Parlamento Britânico”, em 25/5/ 2011
Por José Luís Fiori
Existe uma idéia generalizada de que a Geopolítica é uma “ciência alemã”, quando na verdade ela não é nem uma ciência, nem muito menos alemã. Ao contrário da Geografia Política, que é uma disciplina que estuda as relações entre o espaço e a organização dos estados, a Geopolítica é um conhecimento estratégico e normativo que avalia e redesenha a própria geografia, a partir de algum projeto de poder específico, defensivo ou expansivo. O “Oriente Médio”, por exemplo, não é um fenomeno geográfico, é uma região criada e definida pela política externa inglesa do século XIX, assim como o “Grande Médio Oriente”, é um sub produto geográfico da “guerra global ao terrorismo”, do governo Bush, do início do século XXI. Por outro lado, a associação incorreta, da Geopolítica com a história da Alemanha, se deve a importância que as idéias de Friederich Ratzel (1844-1904) e Karl Haushofer (1869-1946) tiveram – direta ou indiretamente – no desenho estratégico dos desastrosos projetos expansionistas da Alemanha de Guilherme II (1888-1918) e de Adolf Hiltler (1933-1945). Apesar disto, as teorias destes dois geógrafos transcenderam sua origem alemã, e idéias costumam reaparecer nas discussões geopolíticas de países que compartilham o mesmo sentimento de cerco militar e inferioridade na hierarquia internacional. Mas a despeito disto, foi na Inglaterra e nos Estados Unidos que se formularam as teorias e estratégias geopolíticas mais bem sucedidas da história moderna.
Sir Walter Raleigh (1554-1618), conselheiro da Rainha Elizabeth I, definiu no fim do século XVI, o princípio geopolítico que orientou toda a estratégia naval da Inglaterra, até o século XIX. Segundo Raleigh, “quem tem o mar, tem o comércio do mundo, tem a riqueza do mundo; e quem tem a riqueza do mundo, tem o próprio mundo”. Muito mais tarde, quando a marinha Britânica já controlava quase todos os mares do mundo, o geógrafo inglês Halford Mackinder (1861-1947) formulou um novo princípio e uma nova teoria geopolítica, que marcaram a política externa inglesa do século XX. Segundo Mackinder, “quem controla o “coração do mundo” comanda a “ilha do mundo”, e quem controla a ilha do mundo comanda o mundo”. A “ilha do mundo seria o continente eurasiano, e o seu “coração” estaria situado – mais ou menos – entre o Mar Báltico e o Mar Negro, e entre Berlim e Moscou. Por isto, para Mackinder, a maior ameaça ao poder da Inglaterra seria que a Alemanha ou a Rússia conseguissem monopolizar o poder dentro do continente eurasiano. Uma idéia-força que moveu a Inglaterra nas duas Guerras Mundiais, e que levou Winston Churchill a propor – em 1946 — a criação da “Cortina de Ferro” que deu origem a Guerra Fria.
Do lado norte-americano, o formulador geopolítico mais importante da primeira metade do século XX, foi o Almirante Alfred Mahan (1840-1914), amigo e conselheiro do Presidente Theodor Roosevelt, desde antes da invenção da Guerra Hispano-Americano, no final do século XIX. A tese geopolítica fundamental de Mahan, sobre a “importância do poder naval na história”, não tem nenhuma originalidade. Repete Walter Raleigh, e reproduz a história da Marinha Britânica. E o mesmo acontece com as idéias de Nicholas Spykman (1893-1943), o geopolítico que mais influenciou a estratégia internacional dos EUA na segunda metade do século XX. Spykman desenvolve e muda um pouco a teoria de Mackinder, mas chega quase às mesmas conclusões e propostas estratégicas. Para conquistar e manter o poder mundial, depois da Segunda Guerra, Spykman recomenda que os EUA ocupem o “anel” que cerca a Rússia, do Báltico até a China, aliando-se com a Grã Bretanha e a França, na Europa, e com a China, na Ásia.
No cômputo final, o que diferencia a geopolítica anglo-americana é a sua pergunta fundamental: “que partes do mundo há que controlar, para dominar o mundo”. Ou seja, uma pergunta ofensiva e global, ao contrário dos países que se propõem apenas a conquista e o controle de “espaços vitais” regionais. Além disto, a Inglaterra e os EUA ganharam, e no início do século XXI, mantém sua aliança de ferro com o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia: derrotaram e cercaram a Rússia; mantém seu protetorado atômico sobre a Alemanha e o Japão; expandiram sua parceria e seu cerco preventivo da China; estão refazendo seu controle da África; e mantém a América Latina sob a supervisão da sua IVº Frota Naval. E acabam de reafirmar sua decisão de manter sua liderança geopolítica mundial.
Existe, entretanto, uma grande incógnita no horizonte geopolítico anglo-americano. Uma vez conquistado o poder global, é indispensável expandi-lo, para mantê-lo. Mas, para onde expandi-lo?
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José Luís Fiori é professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, e autor do livro “O Poder Global”, da Editora Boitempo, 2007
Outras Palavras
sábado, 25 de junho de 2011
Sustentabilidade na escola
André Trigueiro
Já reparou que, quando o assunto é educação, tudo no Brasil é urgente? Salários dignos para os professores, escolas bem aparelhadas, universalização digital, etc. Educação é um raríssimo consenso nacional e, apesar disso, a impressão que fica é a de que os avanços, embora existam, se diluem frente a tantas demandas urgentes.
Tão preocupante quanto a extensa lista de prioridades – o que deveria inspirar um grande projeto nacional apartidário e de longo prazo – é reconhecer que os debates sobre modernização dos conteúdos pedagógicos ficam invariavelmente em segundo plano. Uma escola descontextualizada de seu tempo, encapsulada nas rotinas burocráticas que apequenam sua perspectiva transformadora, está condenada ao marasmo que entorpece sua história e o seu legado. É uma escola que não consegue mobilizar professores, alunos e a comunidade ao seu redor em torno de objetivos comuns que emprestem sentido à existência da própria instituição.
Qual a função social da escola num mundo que experimenta uma crise ambiental sem precedentes na história da humanidade? Nossa capacidade de redesenhar o modelo de desenvolvimento e construir uma nova cultura baseada em valores sustentáveis depende fundamentalmente da coragem de mudar o que está aí. Que ajustes poderiam ser aplicados à grade curricular para tornar essa escola mais apta a preparar esses jovens para os imensos desafios que temos pela frente? Que novos gêneros de informação deveriam mobilizar a comunidade escolar na busca por respostas para questões pontuais sobre as quais não é mais possível negar a importância ou a urgência do enfrentamento? Como preparar essas novas gerações para um mundo que projeta um futuro difícil e extremamente desafiador em função das mudanças climáticas, escassez de água doce e limpa, produção monumental de lixo, destruição sistemática da biodiversidade, transgenia irresponsável, crescimento desordenado e caótico das cidades, entre outros fatores que geram desequilíbrio e instabilidade?
O mundo mudou e a educação deve acompanhar as mudanças em curso. Nossa espécie é responsável pelo maior nível de destruição jamais visto em nenhum outro período da história e, se somos parte do problema, devemos ser parte da solução. Mas não há solução à vista sem educação de qualidade e urgente que estabeleça novas competências, novas linhas de investigação científica, um novo entendimento sobre o modelo de desenvolvimento em que estamos inseridos e a percepção do risco iminente de colapso. Precisamos promover uma reengenharia de processos em escala global que inspire novos e importantes movimentos em rede. Isso não será possível sem as escolas.
A escola de hoje deve ser o espaço da reinvenção criativa, um laboratório de ideias que nos libertem do jugo das “verdades absolutas”, dos dogmas raivosos que insistem em retroalimentar um modelo decadente. Pobres dos alunos que passam anos na escola sem serem minimamente estimulados a participar dessa grande “concertação” em favor de um mundo melhor e mais justo. Quantos talentos adormecidos, quanto tempo e energia desperdiçados, quanta aversão acumulada ao espaço escolar justamente pelo desinteresse brutal e legítimo da garotada a algo que não lhes toca o coração, não lhes instiga positivamente o intelecto, não lhes nutre o espírito? Qual o futuro dessa escola? São cadáveres insepultos.
Uma escola que use a sustentabilidade como mote desse revirão pedagógico amplo e inovador terá como princípio ético a construção de um mundo onde tudo o que se faça, onde quer que estejamos, considere os limites dos ecossistemas, a capacidade de suporte de um planeta onde os recursos são finitos. Temos ciência, tecnologia e conhecimento para isso. Novas gerações de profissionais das mais variadas áreas serão desafiados a respeitar esse princípio sem prejuízo de sua atividade fim. Tudo isso poderia ser resumido em uma palavra: sobrevivência. A mais nobre missão das escolas no Século 21 será nos proteger de nós mesmos.
Mercado Ético
Já reparou que, quando o assunto é educação, tudo no Brasil é urgente? Salários dignos para os professores, escolas bem aparelhadas, universalização digital, etc. Educação é um raríssimo consenso nacional e, apesar disso, a impressão que fica é a de que os avanços, embora existam, se diluem frente a tantas demandas urgentes.
Tão preocupante quanto a extensa lista de prioridades – o que deveria inspirar um grande projeto nacional apartidário e de longo prazo – é reconhecer que os debates sobre modernização dos conteúdos pedagógicos ficam invariavelmente em segundo plano. Uma escola descontextualizada de seu tempo, encapsulada nas rotinas burocráticas que apequenam sua perspectiva transformadora, está condenada ao marasmo que entorpece sua história e o seu legado. É uma escola que não consegue mobilizar professores, alunos e a comunidade ao seu redor em torno de objetivos comuns que emprestem sentido à existência da própria instituição.
Qual a função social da escola num mundo que experimenta uma crise ambiental sem precedentes na história da humanidade? Nossa capacidade de redesenhar o modelo de desenvolvimento e construir uma nova cultura baseada em valores sustentáveis depende fundamentalmente da coragem de mudar o que está aí. Que ajustes poderiam ser aplicados à grade curricular para tornar essa escola mais apta a preparar esses jovens para os imensos desafios que temos pela frente? Que novos gêneros de informação deveriam mobilizar a comunidade escolar na busca por respostas para questões pontuais sobre as quais não é mais possível negar a importância ou a urgência do enfrentamento? Como preparar essas novas gerações para um mundo que projeta um futuro difícil e extremamente desafiador em função das mudanças climáticas, escassez de água doce e limpa, produção monumental de lixo, destruição sistemática da biodiversidade, transgenia irresponsável, crescimento desordenado e caótico das cidades, entre outros fatores que geram desequilíbrio e instabilidade?
O mundo mudou e a educação deve acompanhar as mudanças em curso. Nossa espécie é responsável pelo maior nível de destruição jamais visto em nenhum outro período da história e, se somos parte do problema, devemos ser parte da solução. Mas não há solução à vista sem educação de qualidade e urgente que estabeleça novas competências, novas linhas de investigação científica, um novo entendimento sobre o modelo de desenvolvimento em que estamos inseridos e a percepção do risco iminente de colapso. Precisamos promover uma reengenharia de processos em escala global que inspire novos e importantes movimentos em rede. Isso não será possível sem as escolas.
A escola de hoje deve ser o espaço da reinvenção criativa, um laboratório de ideias que nos libertem do jugo das “verdades absolutas”, dos dogmas raivosos que insistem em retroalimentar um modelo decadente. Pobres dos alunos que passam anos na escola sem serem minimamente estimulados a participar dessa grande “concertação” em favor de um mundo melhor e mais justo. Quantos talentos adormecidos, quanto tempo e energia desperdiçados, quanta aversão acumulada ao espaço escolar justamente pelo desinteresse brutal e legítimo da garotada a algo que não lhes toca o coração, não lhes instiga positivamente o intelecto, não lhes nutre o espírito? Qual o futuro dessa escola? São cadáveres insepultos.
Uma escola que use a sustentabilidade como mote desse revirão pedagógico amplo e inovador terá como princípio ético a construção de um mundo onde tudo o que se faça, onde quer que estejamos, considere os limites dos ecossistemas, a capacidade de suporte de um planeta onde os recursos são finitos. Temos ciência, tecnologia e conhecimento para isso. Novas gerações de profissionais das mais variadas áreas serão desafiados a respeitar esse princípio sem prejuízo de sua atividade fim. Tudo isso poderia ser resumido em uma palavra: sobrevivência. A mais nobre missão das escolas no Século 21 será nos proteger de nós mesmos.
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
Dilma: salve nossas florestas
Assine a petição
A Câmara dos Deputados acaba de aprovar o esvaziamento do Código Florestal brasileiro. Se não nos mobilizarmos agora, enormes extensões de nossas florestas poderão ficar vulneráveis a um devastador desmatamento.
O projeto de lei gerou revolta e protestos generalizados em todo o país. E a tensão está subindo: nas últimas semanas diversos ativistas ambientais respeitados foram assassinados, supostamente por matadores contratados por madeireiros ilegais. É essencial agir agora mesmo. Estão tentando silenciar qualquer crítica enquanto a lei está sendo discutida no Senado. Mas a presidente Dilma tem o poder de vetar as mudanças se conseguirmos persuadi-la a superar a pressão política e assumir o papel de uma verdadeira líder em questões ambientais.
Setenta e nove por cento dos brasileiros querem que Dilma vete as mudanças no Código Florestal, mas nossas vozes estão sendo desafiadas por lobbies de madeireiros. Agora, depende de todos nós nos mobilizarmos para calar esses lobbies. Vamos nos unir agora em um gigantesco apelo para dar fim aos assassinatos e à exploração ilegal de madeira e salvar nossas florestas. Assine o abaixo-assinado a seguir - ele será entregue a Dilma assim que conseguirmos 500.000 assinaturas.AVAAZ.Org
Assine a petição
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Espanha: e agora?
Após mega-manifestações em dezenas de cidades, dois articuladores do movimento dos “indignados” debatem o futuro e afirmam: “apenas começamos”
Por Josep Maria Antentas e Esther Vivas | Tradução: Antonio Martins
A indignação superou outra vez todos os cálculos, tomando maciçamente as ruas e mostrando a brecha aberta entre o mal-estar social e as políticas adotadas nas instituições. De 15 de maio a 19 de junho, acumularam-se forças e se teceram cumplicidades, não apenas no local (acampamentos e bairros), mas igualmente com amplos setores sociais que se sentiram identificados com nossa crítica rotunda à classe política e a um sistema bancário e financeiro a quem responsabilizamos pela crise atual. O lema “não somos mercadorias em mãos de políticos e banqueiros” sintetiza as duas demandas.
As e os indignados manifestaram-se sem ambiguidades, àqueles que sucumbiram aos “mercados” e que, exigindo políticas de cortes orçamentários, não as aplicaram a si mesmos. “Queremos políticos mileuristas” [gíria espanhola para quem recebe salários próximos de mil euros mensais], era uma das consignas aplaudidas com entusiasmo na manifestação. A democracia atual torna-se cada vez mais vazia de conteúdo, para uma cidadania com vontade de decisão e de controle sobre suas próprias vidas. Um voto a cada quatro anos não é suficiente para quem reivindica a política como exercício quotidiano de seus direitos, no dia a dia, e de baixo para cima.
O cerco conservador e midiático ao movimento, após a ação diante do parlamento catalão, em 15 de junho, não suportou uma indignação social coletiva que vai além dos e das acampadas. Equivoca-se quem pense que o movimento é coisa de jovens ou ativistas. Ou quem o considere em mero problema de ordem pública. Os “mesmos de sempre” agora são muitos. Dois anos e nove meses de crise pesam. O movimento expressa uma corrente profunda de mal-estar social, que finalmente emergiu e, como é de hábito, de modo imprevisto e com formas inovadoras. Não estamos diante de um fenômeno conjuntural ou passageiro. Vivemos as primeiras ondas de um novo ciclo de mobilizações, lançado pelas manifestações de 15 de maio e os acampamentos que se seguiram.
Na mesma data, as ruas tomadas de Barcelona
De 15 de maio a 19 de junho, recuperou-se a confiança na ação coletiva. Passou-se do ceticismo e resignação ao sí, se puede. As revoltas no mundo árabe, as mobilizações na Grécia e o “não pagaremos a crise” do povo islandês pesaram com força no imaginário coletivo. Deram-lhe poderoso impulso, permitindo recuperar a confiança no “nós”. A globalização das resistências, daquele movimento altermundista que já tem mais de dez anos, revive de novo, num cenário bem distinto, marcado pela crise.
Depois da jornada de 15 de junho, em que o movimento viu-se imerso numa batalha pela legitimidade, as manifestações de domingo eram um teste para mostrar solidez diante dos ataques recebidos. Tratava-se de traduzir em ação nas ruas as simpatias populares despertadas. Assim foi. O 19 de junho mostrou a ampliação do movimento, sua capacidade de mobilização de massas e sua explosiva expansão, em tempo muito curto. O crescimento, em comparação a maio, não é apenas quantitativo, mas também qualitativo, em termos de diversificação da base social e composição generacional.
E agora? Os desafios do movimento incluem reforçar seu enraizamento territorial, estimular assembleias locais e mecanismos de coordenação estáveis. Trata-se, também, de buscar laços com a classe trabalhadora, os setores em luta e o sindicalismo combativo, e manter a pressão sobre os sindicatos majoritários – desconcertados por uma mudança no panorama político e social que não previam.
E preciso conseguir vitórias concretas. Embora seja vitória parcial, o bloqueio de muitos despejos de moradores endividados aponta o caminho e soma novas energias. Visto de modo mais amplo, o movimento enfrenta o desafio de combinar seu caráter generalista, de crítica global ao atual modelo econômico e à classe política, com o fortalecimento das lutas concretas contra os cortes de serviços públicos e as políticas que procuram transferir o custo da crise para os de baixo.
O 19 de junho marcou um ponto de inflexão que encerra a primeira fase aberta com o 15 de maio e prepara a etapa seguinte, de um movimento que apenas começou.
* Josep Maria Antentas é professor de sociologia da Universidade Autônoma de Barcelona. Esther Vivas é membro do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais da Universidade Pompeu Fabra. Ambos participaram ativamente da organização dos acampamentos que ocuparam praças no Estado espanhol, entre 15 de maio e 12 de junho. Agora, ajudam a articular a luta contra banqueiros e políticos — e por uma nova democracia.
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