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domingo, 8 de setembro de 2013


Por Rita de Sousa
Esta maravilha geográfica se esconde no Parque Nacional Natural da Macarena, na Serra da Macarena, na Colômbia. É o fabuloso Caño Cristales, também chamado de “rio das cinco cores”, “rio que vem do paraíso” e, com boa dose de razão, “o mais belo rio do mundo”. É longo, com 100 quilômetros de extensão, e, com seus apenas 20 metros de largura, fica multicolorido durante cinco meses.
No restante do ano, o Caño Cristales é igual a um rio comum, com um leito de rochas coberta por musgos verdes e uma corrente azulada, mas entre as  estações de chuva, entre dezembro e fevereiro, e seca, que começa em julho, fica lindo como um jardim, com mil cores sob as águas.
Declarado Patrimônio Biológico da Humanidade, oferece uma gama surpreendente de cores devido à presença de uma enormidade de plantas aquáticas e algas que se desenvolvem com a luz do sol, em cores que variam entre vermelho, preto, amarelo, azul e verde.
A turbulência da água provoca redemoinhos que desgastam as rochas, criando pequenos lagos circulares. Desde 2009 está aberto a visitas guiadas, mas a maior parte do caminho só pode ser feita a pé.

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Coluna do Ricardo Setti

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ambiente-América Latina: O copo meio vazio

Por Emilio Godoy, da IPS

Os países latino-americanos avançaram em acesso a água potável e saneamento, mas não frearam a emissão de gases contaminantes nem o desmatamento, segundo relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) divulgado esta semana. “Devemos pôr um preço adequado ao meio ambiente. O gasto público é baixo na região, equivalente a pouco menos de 1% do produto interno bruto, e não é abordado eficientemente na política pública”, disse à IPS Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal, na apresentação do informe.

No informe “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: Avanços na Sustentabilidade Ambiental do Desenvolvimento na América Latina e no Caribe”, a Cepal avalia o cumprimento das metas contidas no sétimo desses objetivos, adotados pela comunidade internacional em 2000. Essas oito metas propõem reduzir pela metade a pobreza extrema e a fome, dar ensino primário universal, promover a igualdade de gênero, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater o vírus da aids e outras doenças, garantir a sustentabilidade ambiental e fomentar uma aliança mundial para o desenvolvimento.

Os países que integram a Organização das Nações Unidas devem alcançar estes objetivos antes de 2015, a partir dos níveis registrados em 1990. As metas específicas do sétimo objetivo são adotar os princípios do desenvolvimento sustentável nas políticas nacionais, reverter a perda de recursos naturais, reduzir a deterioração da biodiversidade, conseguir acesso a água potável e saneamento, e melhorar a vida dos moradores de favelas, definidos como locais não aptos para o hábitat humano. “Houve avanço na proteção da camada de ozônio, no acesso a água potável e saneamento, mas é preciso reduzir o desmatamento, aumentar o uso de energias alternativas e promover a adaptação à mudança climática”, disse à IPS a mexicana Mara Murillo, diretora regional interina do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), também presente na apresentação do informe da Cepal.

Este documento, que teve apoio de uma dezena de agências do Sistema das Nações Unidas, destaca que a região aumentou em 120% a proporção de áreas naturais protegidas e reduziu em 85% o uso de substâncias que empobrecem a camada de ozônio estratosférico, que protege a vida dos raios solares nocivos. A debilidade dessa cobertura permite a passagem dessas radiações, que podem causar alterações genéticas nos seres vivos, bem como câncer e doenças degenerativas e oculares nas pessoas. Também houve aumento de 10% no serviço de água potável e de 17% em drenagens.

Ao mesmo tempo, diminuiu em 31% a proporção de população urbana que mora em favelas, embora 100 milhões de pessoas ainda vivam em condições inaceitáveis. Cerca de 21% da área total da América Latina tem status de área natural protegida. Na região, são 102 reservas de biosfera – áreas representativas dos diferentes ecossistemas do planeta –, repartidas em 19 nações. Mas isso não impediu que “seu patrimônio biológico seja ameaçado pela perda de hábitat”, especialmente nas zonas de alta montanha, terras secas tropicais, ecossistemas desérticos, florestas nebulosas e mangues tropicais, segundo o informe, que não apresenta um prognóstico dizendo se a região cumprirá as metas.

A América Latina e o Caribe abrigam cerca de 40% das espécies animais e vegetais do mundo e contêm aproximadamente 40% das variedades de florestas tropicais e 36% das florestas industriais e cultivadas. A região perdeu cerca de 69 milhões de hectares – quase 7%, o dobro da média anual – de superfície florestal entre 1990 e 2005, segundo a Cepal. A situação mais grave é na Mesoamérica, que compreende desde o centro do México até o Panamá, com retrocesso de 10%.

Brasil e México são os países com maior grau de desmatamento e, ao mesmo tempo, os que emitem mais gases contaminantes na atmosfera. Na região, essas emissões cresceram 41% entre 1990 e 2005, com a América do Sul como cenário do maior crescimento: 55,7%. O documento é divulgado após intensas secas no México, na América Central e no norte da América do Sul, além de ondas de calor nesta região, bem como severas inundações no centro do México, Peru e Bolívia, e de intensas chuvas também na Argentina, Brasil e Uruguai. “A perda de florestas é um problema relacionado com os níveis de pobreza. Se queremos proteção para esses recursos, vamos conseguir com processos de desenvolvimento social”, afirmou o ministro mexicano do Meio Ambiente e Recursos Naturais, Juan Elvira.

O combate ao desmatamento é um dos temas centrais das negociações para um novo tratado ambiental internacional, que poderia ser definido no México no final de novembro, na 16ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (COP-16), depois do fracasso da Dinamarca, em dezembro do ano passado. “Os atrasos confirmam que o modelo de desenvolvimento não conseguiu superar o problema da pobreza e da exclusão social da região, nem conseguiu deter o processo de deterioração ambiental”, disse Bárcena. Por isto, exortou pela “adoção de uma visão proativa” e que se avance para um crescimento econômico “com uso menos intensivo do carbono”.

Elvira mencionou os benefícios do esquema de pagamento por serviços ambientais, nos quais os moradores de uma floresta a aproveitam de forma sustentável e recebem do Estado um beneficio econômico. No México, 1,2 milhão de hectares estão sob a modalidade de pagamento por serviços ambientais, enquanto a meta para 2012 é contar com 25 milhões de hectares de ecossistemas protegidos dessa forma. “A região possui um terço da biomassa florestal e dois terços da biomassa florestal tropical do mundo, de maneira que conta com um grande potencial para contribuir com os esforços globais de mitigação da mudança climática por meio dos serviços de captação de dióxido de carbono que as florestas proporcionam”, diz o informe. Um novo tratado ambiental porá preço ao desmatamento, segundo Bárcena.

A apresentação do texto coincidiu com a reunião de dois dias, na capital mexicana, do Mecanismo de Coordenação Regional para a América Latina e o Caribe do Sistema das Nações Unidas para discutir os ODM, a mudança climática, a situação política da região e a contribuição da ONU para a cooperação regional. Esse mecanismo surgiu em 1998 e é coordenado pelas comissões regionais das Nações Unidas e presidido pela subsecretaria-geral do fórum mundial. IPS/Envolverde
(IPS/Envolverde)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Haiti: teste para a Humanidade

Por Leonado Boff*

O desastre que se abateu sobre o Haiti, arrasando Porto Príncipe e matando milhares de pessoas e privando o povo das estruturas mínimas para a sobrevivência, representa um teste para a humanidade. Segundo os prognósticos dos que acompanham sistematicamente o estado da Terra, não demorará muito e seremos confrontados com vários Haitis, com milhões e milhões de refugiados climáticos, provocados por eventos extremos que poderão ocasionar uma verdadeira devastação ecológica e dizimar incontáveis vidas humanas. O Haiti pode ser um sinal do anjo exterminador que passa, sinistro, ceifando vidas.É neste contexto que duas virtudes, ligadas à essência do humano deverão ganhar especial relevância: a hospitalidade e a solidariedade.

A hospitalidade, já o viu o filósofo Kant, é um direito e um dever de todos, pois todos somos habitantes, melhor, filhos e filhas da mesma Terra. Temos o direito de circular por ela, de receber e de oferecer hospitalidade. Estarão as nações dispostas a atender a este direito básico àquelas multidões que já não poderão viver em suas regiões superaquecidas, sem água e sem colheitas? O instinto de sobrevivência não respeita os limites dos Estados-Nações. Os bárbaros de outrora derrubaram impérios e os novos “bárbaros” de hoje não farão outra coisa, caso não sejam exterminados pelos ecofacistas que usurparam a Terra para si. Paro por aqui porque os cenários prováveis e não impossíveis são dantescos.A segunda virtude é a solidariedade. Ela é inerente à essência social do ser humano. Já os clássicos do estudo da solidariedade como Renouvier, Durkheim, Bourgeois e Sorel enfatizaram o fato de que uma sociedade não existe sem a solidariedade de uns para com os outros. Ela supõe uma consciência coletiva e o sentimento de pertença entre todos. Todos aceitam naturalmente viver juntos para juntos realizarem a política que é a busca comum do bem comum.

Devemos submeter à crítica o conceito da modernidade que parte da absoluta autonomia do sujeito na solidão de sua liberdade. Diz-se: cada um deve fazer o seu sem precisar dos outros. Para os seres humanos assim solitários poderem viver juntos precisam, de fato, de um contrato social, excogitado por Rousseau, Locke e Kant. Mas esse individualismo é ilusório e falso. Há que se reconhecer o fato real e irrenunciável de que o ser humano é sempre um ser de relação, um-ser-com-os-outros, sempre enredado numa trama de conexões de toda ordem. Nunca está só. O contrato social não funda a sociedade, mas apenas a ordena juridicamente.

Ademais, a solidariedade possui um transfundo cosmológico. Todos os seres, desde os topquarks e especialmente os organismos vivos são seres de relação e ninguém vive fora da rede de interretro-conexões. Por isso, todos os seres são reciprocamente solidários. Um ajuda o outro a sobreviver - é o sentido da biodiversidade - e não necessariamente são vítimas da seleção natural. Ao nível humano, ao invés da seleção natural, por causa da solidariedade, interpomos o cuidado, especialmente para com mais vulneráveis. Assim não sucumbem aos interesses excludentes de grupos ou de um tipo de cultura feroz que coloca a ambição acima da vida e da dignidade.

Chegamos a um ponto da história no qual todos nos descobrimos entrelaçados na única geosociedade. Sem a solidariedade de todos com todos e também com a Mãe Terra não haverá futuro para ninguém. As desgraças de um povo são nossas desgraças, suas lágrimas são nossas lágrimas, seus avanços são nossos avanços. Seus sonhos são nossos sonhos.

Bem dizia Che Gevara: “A solidariedade é a ternura dos povos”. Essa ternura, temos que exercê-la para com nossos irmãos e irmãs do Haiti que estão agonizando.

Leonardo Boff é autor de “Hospitalidade: direito e dever de todos”.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Entre o desejo e o realismo


Por Daniela Estrada e Raúl Pierri
Copenhague, 7 de dezembro (Terramérica).- A América Latina chega a Copenhague com a intenção de que o Norte rico pague sua dívida assumindo como obrigação a redução de gases contaminantes e a provisão de recursos para o Sul em desenvolvimento. Porém, diante dos riscos de um fracasso desta estratégia, não descarta aceitar pelo menos compromissos políticos. O propósito latino-americano é que na capital dinamarquesa seja adotado um acordo legalmente vinculante, mas a região rechaça a ideia de somar-se a um eventual pacto político que estabeleça reduções voluntárias de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento do planeta.

Tudo será decidido na 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15), que acontece entre os dias 7 e 18 deste mês, na capital da Dinamarca. Na “cúpula do clima” deveria ser adotado um novo regime de redução de emissões para depois de 2012, quando vence o primeiro período de compromissos do Protocolo de Kyoto, único instrumento internacional contra este problema ambiental. Em vigor desde 2005, o Protocolo não estabelece reduções obrigatórias de gases estufa para os países em desenvolvimento.

A América Latina em seu conjunto é responsável por 5% das emissões de dióxido de carbono, um dos principais gases causadores do aquecimento global, mas é uma das regiões mais vulneráveis à mudança climática. A região já experimenta secas, inundações, derretimento de geleiras, aumento de temperatura, novas pragas agrícolas e enfermidades, como detalha o Primeiro Informe Regional sobre Mudança Climática, publicado em novembro pelo Terramérica, elaborado com base em consultas feitas com 23 especialistas latino-americanos.

“Todas as nações da América Latina e do Caribe, incluído o Chile, buscam um acordo vinculante”, disse ao Terramérica o diretor-executivo da Comissão Nacional do Meio Ambiente do Chile, Álvaro Sapag, que integra a delegação desse país na reunião de Copenhague. “No estado atual da discussão, pesando que estes acordos devem ser construídos por consenso, provavelmente não sairemos da capital dinamarquesa com um texto juridicamente vinculante que possa ser assinado pelos chefes de Estado”, acrescentou.

O ministro do Meio Ambiente do México, Juan Elvira, compartilha dessa percepção. “Iremos por um acordo legal, com metas muito bem definidas, mas não descartamos como última linha de negociação um acordo político”, disse ao Terramérica. “Não perco as esperanças, mas não é um assunto fácil”, disse Sapag, que espera, em último caso, “um acordo político forte, que permita em um curto período afinar os detalhes para ter outro juridicamente vinculante”, possivelmente na COP-16, em dezembro de 2010, no México.

As esperanças mundiais, de que em Copenhague seja adotado um firme e ambicioso acordo, se reacenderam quando China e Estados Unidos, os dois maiores poluidores, anunciaram reduções voluntárias de gases estufa até 2020, tomando por referência os níveis de 2005. Segundo a leitura do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, a decisão do Brasil de diminuir voluntariamente entre 36,1% e 38,9% suas emissões de gases estufa até 2020, em boa parte detendo o desmatamento da Amazônia, mobilizou as nações que “resistiam a apresentar números”.

Vários países latino-americanos adiantaram que na COP-15 serão mantidas as posturas do Grupo dos 77 mais China (G-77), integrado por 130 nações em desenvolvimento. O G-77 insiste na primazia do princípio das “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, consagrada na Convenção e no Protocolo, e que implica em deixar o maior peso da mitigação para os países ricos, principais emissores de gases estufa na era industrial. Além disso, este grupo negociador exige do Norte que contribua financeiramente e com tecnologia para que as nações pobres possam enfrentar os perniciosos efeitos da mudança climática e buscar formas de desenvolvimento que emitam menos gases estufa. Mas a posição da América Latina não é monolítica.Leia mais
Envolverde/Terramérica
Foto: Mauricio Ramos/IPS

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Guarani, língua oficial do Mercosul

Julia Nassif

Foi confirmado no último mês em reunião dos presidentes do Mercosul que o guarani deve formar parte dos idiomas oficiais do bloco, junto com o espanhol e o português.

Em 1991, quando foi formado o bloco econômico, as línguas oficiais seriam as que representavam os países presentes. No mesmo ano o guarani foi decretado por Paraguai como língua oficial do país, ao lado do espanhol.

Em 2002 o Censo Nacional de Paraguai declarava a população com 50% de guaranis falantes e 25% de falantes bilíngües (guarani y espanhol). Com esses dados e a presença dos guaranis nos demais territórios do Mercosul fizeram com que os movimentos, a população e os políticos, buscassem soluções para a igualitária participação da comunidade do bloco.

Desde então vem sendo estudada a incorporação do guarani à oficialização junto ao Mercosul. E muito tempo depois, em 2006, por decisão do Conselho de Mercado Comum, foi informado oficialmente por o Mercosul, a intenção real de incorporar a língua.

A origem histórica dos quatro países do bloco, Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai têm em comum o guarani. É dizer, a Nação Guarani, antes da entrada dos espanhóis e portugueses, já estavam por todo o território que abarca os quatro países e mais uns tantos.

Nomes como Paraguai, Uruguai, Japeju e Itamaraty, entre diversos outros utilizados nos quatros países tem origem guarani e a língua, originária do território, diferentemente do português e espanhol, agora recebeu a oficialização.

Hoje nos quatro países existem importantes territórios guaranis, importantes para a cultura atual de todos os países. Seja a cultura adaptada dos colonizadores ou para a manutenção da cultura original da terra, ambas responsáveis pelas características atuais das sociedades do Mercosul.
Cultura e Mercado

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Bolívia passa a integrar a rede SciELO

A Bolívia é o 16º país a integrar a rede SciELO, com a publicação on-line em acesso aberto de uma coleção formada por periódicos nacionais selecionados

O país vizinho faz parte da Rede SciELO desde setembro. A expectativa é que a SciELO Bolívia contribua decisivamente para aumentar a visibilidade e o acesso à produção científica e técnica publicada na Bolívia. Seguindo a política de desenvolvimento da rede SciELO, a coleção foi aprovada inicialmente para ingresso na condição probatória, denominada "coleção em desenvolvimento", com vistas à sua futura certificação quando todos os requisitos SciELO forem cumpridos.

O ingresso da Bolívia na rede SciELO vinha sendo promovido nos últimos anos por meio da articulação, intercâmbio de informação e cooperação técnica envolvendo a participação de várias instituições bolivianas relacionadas com a pesquisa e a comunicação científica, com destaque para o Ministério de Ciência e Tecnologia da Bolívia, os editores científicos e suas instituições e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por meio da sua Representação na Bolívia, e do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS).
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

“As veias da América Latina ainda seguem abertas"


Com cabeça de senador romano e consciência de tribuno da plebe, Eduardo Galeano sempre tem presente uma frase de José Martí: “Todas as glórias do mundo cabem em um grão de milho”. Ele diz isso porque, na semana passada, deram-lhe, em Madri, a Medalha de Ouro do Círculo de Belas Artes. “É uma alegria, claro. Não pratico falsa humildade, mas também não me esqueço de Martí e digo a mim mesmo: ei, tranquilo, devagar pelas pedras”. No dia seguinte, além disso, recebeu um prêmio da ONG Save the Children.

Confira a reportagem de Javier Rodríguez Marcos, publicada no jornal espanhol El País e reproduzida pelo Mercado Ético, 06-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

"América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo"


Em entrevista ao La Jornada, Noam Chomsky fala sobre a América Latina, definindo-a como uma das únicas regiões do mundo onde há uma resistência real ao poder do império. "Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo", diz Chomsky.
A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo, diz Noam Chomsky. Há aqui uma resistência real ao império; não existem muitas regiões das quais se possa dizer o mesmo. Entrevistado pelo La Jornada, um dos intelectuais dissidentes mais relevantes de nossos tempos assinala que a esperança e a mudança anunciada por Barack Obama é uma ilusão, já que são as instituições e não os indivíduos que determinam o rumo da política. Em última instância, o que Obama representa, para Chomsky, é um giro da extrema direita rumo ao centro da política tradicional dos Estados Unidos.

Presente no México para celebrar os 25 anos de La Jornada, o autor de mais de cem livros, lingüista, crítico antiimperialista, analista do papel desempenhado pelos meios de comunicação na fabricação do consenso, explica como a guerra às drogas iniciou nos EUA como parte de uma ofensiva conservadora contra a revolução cultural e a oposição à invasão do Vietnã. Apresentamos a seguir a íntegra das declarações de Chomsky ao La Jornada:

A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo. Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo.

O Brasil é um exemplo interessante. No princípio dos anos 60, os programas de (João) Goulart não eram tão diferentes dos de Lula. Naquele caso, o governo de Kennedy organizou um golpe de Estado militar. Assim, o estado de segurança nacional se propagou por toda a região como uma praga. Hoje em dia, Lula é o cara bom, ao qual procuram tratar bem, em reação aos governos mais militantes na região. Nos EUA, não se publicam os comentários favoráveis de Lula a Chavez ou a Evo Morales. Eles silenciados porque não são o modelo.

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