Artigo de Marcelo Gleiser
"Certamente, os maias não sabiam nada sobre a fusão nuclear"
Marcelo Gleiser é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro "Criação Imperfeita". Artigo publicado na "Folha de SP":
O ataque é constante, um dilúvio de cataclismos horrendos que marcam o fim do mundo: tudo isso ocorrendo no dia 21 de dezembro de 2012 (ou será no dia 23?). Pelo mundo afora, milhões de pessoas escrevem em blogs, rezam, formam grupos e portais de "informação", acreditando que essas previsões sejam diversas do "bug do milênio" (alguém se lembra?) ou de centenas de outras profecias apocalípticas que falharam e que as pessoas têm uma incrível habilidade de esquecer.
Gostaria de contra-atacar essa onda de medos apocalípticos usando, sim, a luz da ciência e da razão. Mesmo que muitas dessas previsões sejam supostamente baseadas em ciência, a verdade é que não são. Se fossem, deveríamos levá-las a sério (o Sol, é verdade, explodirá em 5 bilhões de anos).
1) Fim do calendário maia: Deixando de lado o fato de que os maias não tinham como prever o fim do mundo, vamos examinar a "evidência" que mostra a relação entre o fim do calendário deles e o fim do mundo.
Os especialistas Linda Schele e David Freidel encontraram referências a eventos ocorrendo muito após o fim do calendário. Outros afirmam que a noção judaico-cristã de apocalipse não fazia parte da cultura maia. A fonte da profecia vem de um local no México chamado Tortuguero.
Especialistas mal conseguem decifrar os fragmentos encontrados lá: "O décimo terceiro [b'ak'tun] termina (no) 4 Ajaw, o 3º do Uniiw [3 K'ank'in]. Preto...ocorrerá. (Será) a queda (?) de Bolon Yookte" K'uh ao grande (ou vermelho?)..." Desse fragmento a uma previsão do fim do mundo baseada no profundo conhecimento cósmico dos maias é um salto vergonhoso.
2) Alinhamento galáctico: Alguns afirmam que os maias sabiam do alinhamento periódico entre o Sol, a Terra e o centro da nossa galáxia. Afirmam também que esse alinhamento causará o fim do mundo. A verdade é que esse alinhamento aproximado ocorre todo mês de dezembro. E a Terra sobrevive há mais de 4 bilhões de anos! Mesmo que todos os planetas se alinhassem -o que não ocorrerá em 2012 ou nas próximas décadas-, o efeito sobre a Terra seria desprezível.
Lembre-se de que a força da gravidade cai em proporção ao quadrado da distância. Se somarmos todas as massas dos planetas, obtemos em torno de 450 massas da Terra. O Sol, sozinho, tem uma massa 332 mil vezes maior do que a da Terra! Ou seja, a perturbação causada pelos planetas ou pelo centro galáctico é irrelevante.
3) Planeta Nibiru (ou Planeta X): Supostamente, os sumérios sabiam de um planeta que vai colidir com a Terra em 2012. Acontece que esse planeta simplesmente não existe! Se existisse, teria já sido detectado por astrônomos. Se fosse colidir com a Terra em 2012, seria visível a olho nu. Um objeto dessa magnitude causaria (pequenas) perturbações em outros planetas e asteroides facilmente detectáveis.
4) Tempestade solar: O Sol tem um ciclo de atividade de 11 anos e o próximo máximo ocorre entre 2012 e 2014. Plasma lançado da sua superfície pode atingir a Terra, causando auroras em altas latitudes. Alguns distúrbios mais violentos podem danificar satélites e causar apagões. O Sol poderia nos causar problemas sérios, mas não há previsão de que isso vá ocorrer em 2012 ou nos próximos milhões de anos.
Certamente, os maias não sabiam nada sobre a fusão nuclear.
Esse frenesi todo é irracional, promulgado por alguns setores dos meios de comunicação e oportunistas. Quem escolhe acreditar nisso está fechando os olhos para 400 anos de ciência, preferindo viver escravizado por medos que pertencem à Idade Média.
(Folha de SP/Jciência)
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quarta-feira, 24 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
Usando a internet, índios combatem desmatamento na Amazônia
Para os índios Suruí, que vivem na reserva indígena Sete de Setembro, na divisa entre os Estados de Rondônia e Acre, levar uma vida tradicional na floresta não é incongruente com as modernas tecnologias - ao contrário, uma fortalece a outra.
"Eu acho que nossa aliança com a internet é muito importante porque facilita e possibilita que a comunicação fortaleça politicamente nosso povo", diz o líder indígena Almir Surui, de 35 anos.
"O meu povo pode falar da ameaça da floresta, do desenvolvimento da floresta, da valorização cultural do povo Suruí."
Por iniciativa de Almir, a relação que os Suruí têm desenvolvido com a internet, esta "ferramenta dos brancos", é uma inovadora tentativa de fazer com que o contato reforce - ao invés de corromper - a cultura e o modo de vida nativos.
A ideia de usar a internet para valorizar sua cultura e combater o desmatamento nasceu em 2007, quando Almir teve seu primeiro contato com o Google Earth e fez o que todo mundo faz: procurou ver sua casa do satélite.
A vista aérea da reserva Sete de Setembro, um polígono verde de 248 mil hectares no centro de um entorno quase totalmente desmatado, representado em cor marrom, deixou o líder chocado.
Mas, ao mesmo tempo, ele percebeu que a mesma internet que expunha os problemas também poderia representar uma solução.
"Eu disse ao Vasco (van Roosmalen, da ONG Equipe de Conservação da Amazônia, ACT-Brasil, parceira dos indígenas em diversos projetos) que queria um encontro com o Google, e ele achava que era impossível", conta.
"Insisti e consegui uma reunião de 30 minutos. Passamos três horas, de tão interessados que eles ficaram."
Menina dos olhos - Hoje, a parceria do Google Outreach - o braço social do Google - com os Suruí é uma espécie de menina dos olhos da companhia.
Ao saber desta reportagem da BBC Brasil, a diretora mundial do projeto, Rebecca Moore, fez questão de colaborar, por meio de uma videoconferência da sede da empresa em San Francisco.
"Pelo chefe Almir, tudo", brincou Rebecca, antes do início da entrevista. Ela diz que se convenceu pela descrição "categórica e potente" que Almir fez da realidade amazônica.
"Ouvimos histórias sobre as ameaças representadas por madeireiras ilegais e mineradoras, sobre pessoas assassinadas, sobre o fato de existir inclusive uma recompensa pela cabeça do próprio Almir, por liderar seu povo e resistir às madeireiras", contou.
"Ficou claro que ele tem uma ideia muito sofisticada de como a tecnologia moderna pode ajudar os povos tradicionais a se fortalecer, fortalecer sua cultura, proteger e preservar suas terras, e preencher uma lacuna entre modos tradicionais e modernos."
Suruí online - O primeiro passo da parceria entre a gigante de internet e a associação indígena Metareilá, firmado em 2008, foi a disponibilização do chamado "mapa cultural" dos Suruí, que antes só existia em papel, no Google Earth.
Feito a partir de uma metodologia que a ACT-Brasil cedeu aos indígenas, o mapa mostra, por exemplo, os locais onde se desenrolaram batalhas históricas dos Suruí contra outras tribos ou contra as expedições não indígenas.
Em outro clique, o usuário fica sabendo que, para os Suruí, o canto do tucano pressagia as más notícias, e que as penas do animal são utilizadas por guerreiros durante a celebração do Mapimaim, em homenagem à criação do mundo.
Como parte da parceria, a empresa providenciou treinamento de informática para cerca de 20 indígenas na sede da associação Metareilá, em Cacoal, onde fica a reserva.
O gerente de produtos da empresa, Marcelo Quintella, um dos que providenciaram o treinamento na ocasião, diz que se surpreendeu com o nível de familiaridade de muitos jovens indígenas com as novas tecnologias.
"Metade nunca tinha mexido em um mouse. Mas, dos outros dez, uns cinco sabiam usar o computador - não eram usuários diários de internet, mas sabiam - e outros cinco tinham até e-mail e (perfil no) Orkut", contou.
Combate ao desmatamento
Agora, os Suruí querem embarcar no mais ambicioso objetivo da "parceria", como diz Almir, com a internet: o combate ao desmatamento da reserva Sete de Setembro, em tempo real.
Eles aguardam a chegada dos primeiros aparelhos smartphones equipados com o sistema operacional Android, da Google, que lhes permitirá tirar fotografar imagens do desmatamento em tempo real, postar na internet e enviar para o mundo e as autoridades competentes.
"Não é somente eles dizendo que existe (o desmatamento), é todo mundo vendo que existe. O poder de convencimento muda", avalia Quintella.
A aldeia de Lapetanha, a mais próxima de Cacoal, a 500 km de Porto Velho, ainda não tem internet.
Mas os dois computadores na pequena sala que funciona como ponto de cultura servem para que os jovens indígenas que estudam na escola da aldeia comecem desde cedo a se interessar pela tecnologia e pelas possibilidades de acesso à informação que ela abre.
Almir diz que os planos são ter a rede por meio de uma antena a ser instalada até o fim do ano. Isto pouparia o trabalho de ir até Cacoal para acessar a internet e facilitaria a comunicação com outras partes do mundo - essa que ele diz "fortalecer politicamente" os Suruí.
A "frase da vez" em Lapetanha é que os Suruí estão "trocando o arco-e-flecha pelo laptop" para combater o desmatamento.
Mas Almir, chefe do clã Gamebey, responsável por tratar dos assuntos ligados à guerra, à diplomacia e ao meio ambiente entre os Suruí, diz que as novas "armas" não invalidam as antigas.
"Nossos arcos e flechas estão guardados em casa, cada um tem seu arco e flecha guardado em casa. Mas, ao mesmo tempo, a gente está usando notebooks", ele diz, e para, tirando um pequeno telefone do bolso: "iPhone..."
"Hoje, essas são realmente nossas ferramentas de diálogo para construir um mundo melhor." (Fonte: G1)
"Eu acho que nossa aliança com a internet é muito importante porque facilita e possibilita que a comunicação fortaleça politicamente nosso povo", diz o líder indígena Almir Surui, de 35 anos.
"O meu povo pode falar da ameaça da floresta, do desenvolvimento da floresta, da valorização cultural do povo Suruí."
Por iniciativa de Almir, a relação que os Suruí têm desenvolvido com a internet, esta "ferramenta dos brancos", é uma inovadora tentativa de fazer com que o contato reforce - ao invés de corromper - a cultura e o modo de vida nativos.
A ideia de usar a internet para valorizar sua cultura e combater o desmatamento nasceu em 2007, quando Almir teve seu primeiro contato com o Google Earth e fez o que todo mundo faz: procurou ver sua casa do satélite.
A vista aérea da reserva Sete de Setembro, um polígono verde de 248 mil hectares no centro de um entorno quase totalmente desmatado, representado em cor marrom, deixou o líder chocado.
Mas, ao mesmo tempo, ele percebeu que a mesma internet que expunha os problemas também poderia representar uma solução.
"Eu disse ao Vasco (van Roosmalen, da ONG Equipe de Conservação da Amazônia, ACT-Brasil, parceira dos indígenas em diversos projetos) que queria um encontro com o Google, e ele achava que era impossível", conta.
"Insisti e consegui uma reunião de 30 minutos. Passamos três horas, de tão interessados que eles ficaram."
Menina dos olhos - Hoje, a parceria do Google Outreach - o braço social do Google - com os Suruí é uma espécie de menina dos olhos da companhia.
Ao saber desta reportagem da BBC Brasil, a diretora mundial do projeto, Rebecca Moore, fez questão de colaborar, por meio de uma videoconferência da sede da empresa em San Francisco.
"Pelo chefe Almir, tudo", brincou Rebecca, antes do início da entrevista. Ela diz que se convenceu pela descrição "categórica e potente" que Almir fez da realidade amazônica.
"Ouvimos histórias sobre as ameaças representadas por madeireiras ilegais e mineradoras, sobre pessoas assassinadas, sobre o fato de existir inclusive uma recompensa pela cabeça do próprio Almir, por liderar seu povo e resistir às madeireiras", contou.
"Ficou claro que ele tem uma ideia muito sofisticada de como a tecnologia moderna pode ajudar os povos tradicionais a se fortalecer, fortalecer sua cultura, proteger e preservar suas terras, e preencher uma lacuna entre modos tradicionais e modernos."
Suruí online - O primeiro passo da parceria entre a gigante de internet e a associação indígena Metareilá, firmado em 2008, foi a disponibilização do chamado "mapa cultural" dos Suruí, que antes só existia em papel, no Google Earth.
Feito a partir de uma metodologia que a ACT-Brasil cedeu aos indígenas, o mapa mostra, por exemplo, os locais onde se desenrolaram batalhas históricas dos Suruí contra outras tribos ou contra as expedições não indígenas.
Em outro clique, o usuário fica sabendo que, para os Suruí, o canto do tucano pressagia as más notícias, e que as penas do animal são utilizadas por guerreiros durante a celebração do Mapimaim, em homenagem à criação do mundo.
Como parte da parceria, a empresa providenciou treinamento de informática para cerca de 20 indígenas na sede da associação Metareilá, em Cacoal, onde fica a reserva.
O gerente de produtos da empresa, Marcelo Quintella, um dos que providenciaram o treinamento na ocasião, diz que se surpreendeu com o nível de familiaridade de muitos jovens indígenas com as novas tecnologias.
"Metade nunca tinha mexido em um mouse. Mas, dos outros dez, uns cinco sabiam usar o computador - não eram usuários diários de internet, mas sabiam - e outros cinco tinham até e-mail e (perfil no) Orkut", contou.
Combate ao desmatamento
Agora, os Suruí querem embarcar no mais ambicioso objetivo da "parceria", como diz Almir, com a internet: o combate ao desmatamento da reserva Sete de Setembro, em tempo real.
Eles aguardam a chegada dos primeiros aparelhos smartphones equipados com o sistema operacional Android, da Google, que lhes permitirá tirar fotografar imagens do desmatamento em tempo real, postar na internet e enviar para o mundo e as autoridades competentes.
"Não é somente eles dizendo que existe (o desmatamento), é todo mundo vendo que existe. O poder de convencimento muda", avalia Quintella.
A aldeia de Lapetanha, a mais próxima de Cacoal, a 500 km de Porto Velho, ainda não tem internet.
Mas os dois computadores na pequena sala que funciona como ponto de cultura servem para que os jovens indígenas que estudam na escola da aldeia comecem desde cedo a se interessar pela tecnologia e pelas possibilidades de acesso à informação que ela abre.
Almir diz que os planos são ter a rede por meio de uma antena a ser instalada até o fim do ano. Isto pouparia o trabalho de ir até Cacoal para acessar a internet e facilitaria a comunicação com outras partes do mundo - essa que ele diz "fortalecer politicamente" os Suruí.
A "frase da vez" em Lapetanha é que os Suruí estão "trocando o arco-e-flecha pelo laptop" para combater o desmatamento.
Mas Almir, chefe do clã Gamebey, responsável por tratar dos assuntos ligados à guerra, à diplomacia e ao meio ambiente entre os Suruí, diz que as novas "armas" não invalidam as antigas.
"Nossos arcos e flechas estão guardados em casa, cada um tem seu arco e flecha guardado em casa. Mas, ao mesmo tempo, a gente está usando notebooks", ele diz, e para, tirando um pequeno telefone do bolso: "iPhone..."
"Hoje, essas são realmente nossas ferramentas de diálogo para construir um mundo melhor." (Fonte: G1)
sexta-feira, 19 de março de 2010
À nossa imagem e semelhança
Planeta tem temperatura e órbita semelhantes às encontradas no Sistema Solar
Planetas existem de sobra. Cerca de 400 já foram descobertos fora do Sistema Solar. Nenhum, no entanto, tinha características semelhantes às daqueles que circundam o nosso Sol. Pois o jejum acaba de ser quebrado.
O Observatório do Sul Europeu (ESO, na sigla em inglês) anuncia nesta quinta-feira (18/3), em artigo na revista "Nature", a existência de um mundo que lembra bastante os nossos vizinhos.
A 1500 anos-luz daqui, o Corot-9B, como foi batizado, atinge temperaturas semelhantes à Terra e pode ser estudado enquanto orbita ao redor de sua estrela. É a primeira vez em que este método, considerado o mais produtivo, poderá ser usado pelos cientistas fora do Sistema Solar.
- Este é um planeta normal, de clima temperado, como dezenas de outros que já encontramos, mas, até agora, não tivemos a oportunidade de estudar essas características com profundidade. O Corot-9B será a nossa Pedra de Roseta - comemora Claire Moutou, astrônoma do ESO, referindose ao bloco que, no século XIX, permitiu a seus descobridores entender textos escritos em hieroglifos, código considerado perdido na época.
O planeta circunda sua estrela, situada na constelação Serpens, em 95 dias. Neste período, o Corot-9B gasta cerca de oito horas passando em frente àquela estrela. Trata-se do melhor momento para estudar as propriedades daquele mundo, medindo suas composições e temperatura. Estimase, aliás, que os termômetros variem entre -20 e 160 graus Celsius na superfície daquele corpo celeste.
- É o primeiro planeta fora do Sistema Solar que lembra os nossos vizinhos - explica Hans Deeg, coordenador da busca de novos mundos pelo ESO e autor do artigo publicado nesta quinta-feira. - Ele tem o tamanho de Júpiter e uma órbita similar à de Mercúrio.
Segundo Deeg, as centenas de planetas descobertos até aqui são "exóticas" - e, por isso, não propiciariam uma pesquisa detalhada.
- Ou eles são extremamente quentes, por terem órbitas curtas e estarem próximas de uma estrela central, ou estão em órbitas estranhas, que ora o aproximam, ora o mantém longe de um astro-rei. Essa variação faz com que tenham temperaturas extremas.
Havia a possibilidade de que alguns planetas já descobertos tivessem uma temperatura semelhante à Terra, mas, por falta de informações, era difícil confirmar essa suspeita.
A proposta da equipe, que conta com 60 astrônomos, é tornar o trabalho com o Corot-9B uma referência para a próxima década. A determinação da temperatura, um projeto pioneiro, será realizada com o cálculo da distância que separa o planeta de sua estrela central - e, também, com o estudo da natureza deste astro-rei.
O novo mundo poderia ser azul
O Corot-9B foi localizado pelo satélite Corot, uma missão conduzida pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais, a agência espacial francesa.
Sua existência foi confirmada por telescópios do ESO na Terra.
- Uma análise dos dados fornecidos pelo satélite nos dá o tamanho do planeta. Com informações sobre o seu terreno, descobrimos mais sobre a sua massa - revela Deeg. - Ainda não sabemos a cor do Corot-9B. É provável que tenha nuvens com água em sua atmosfera, o que o tornaria azul, mas isso depende da mistura de gases que ainda não conhecemos.
A descoberta daquele mundo, segundo cientistas envolvidos na missão, mostra que os padrões de desenvolvimento do Sistema Solar foram repetidos em outros corpos celestes.
(O Globo, 18/3)
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Planetas existem de sobra. Cerca de 400 já foram descobertos fora do Sistema Solar. Nenhum, no entanto, tinha características semelhantes às daqueles que circundam o nosso Sol. Pois o jejum acaba de ser quebrado.
O Observatório do Sul Europeu (ESO, na sigla em inglês) anuncia nesta quinta-feira (18/3), em artigo na revista "Nature", a existência de um mundo que lembra bastante os nossos vizinhos.
A 1500 anos-luz daqui, o Corot-9B, como foi batizado, atinge temperaturas semelhantes à Terra e pode ser estudado enquanto orbita ao redor de sua estrela. É a primeira vez em que este método, considerado o mais produtivo, poderá ser usado pelos cientistas fora do Sistema Solar.
- Este é um planeta normal, de clima temperado, como dezenas de outros que já encontramos, mas, até agora, não tivemos a oportunidade de estudar essas características com profundidade. O Corot-9B será a nossa Pedra de Roseta - comemora Claire Moutou, astrônoma do ESO, referindose ao bloco que, no século XIX, permitiu a seus descobridores entender textos escritos em hieroglifos, código considerado perdido na época.
O planeta circunda sua estrela, situada na constelação Serpens, em 95 dias. Neste período, o Corot-9B gasta cerca de oito horas passando em frente àquela estrela. Trata-se do melhor momento para estudar as propriedades daquele mundo, medindo suas composições e temperatura. Estimase, aliás, que os termômetros variem entre -20 e 160 graus Celsius na superfície daquele corpo celeste.
- É o primeiro planeta fora do Sistema Solar que lembra os nossos vizinhos - explica Hans Deeg, coordenador da busca de novos mundos pelo ESO e autor do artigo publicado nesta quinta-feira. - Ele tem o tamanho de Júpiter e uma órbita similar à de Mercúrio.
Segundo Deeg, as centenas de planetas descobertos até aqui são "exóticas" - e, por isso, não propiciariam uma pesquisa detalhada.
- Ou eles são extremamente quentes, por terem órbitas curtas e estarem próximas de uma estrela central, ou estão em órbitas estranhas, que ora o aproximam, ora o mantém longe de um astro-rei. Essa variação faz com que tenham temperaturas extremas.
Havia a possibilidade de que alguns planetas já descobertos tivessem uma temperatura semelhante à Terra, mas, por falta de informações, era difícil confirmar essa suspeita.
A proposta da equipe, que conta com 60 astrônomos, é tornar o trabalho com o Corot-9B uma referência para a próxima década. A determinação da temperatura, um projeto pioneiro, será realizada com o cálculo da distância que separa o planeta de sua estrela central - e, também, com o estudo da natureza deste astro-rei.
O novo mundo poderia ser azul
O Corot-9B foi localizado pelo satélite Corot, uma missão conduzida pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais, a agência espacial francesa.
Sua existência foi confirmada por telescópios do ESO na Terra.
- Uma análise dos dados fornecidos pelo satélite nos dá o tamanho do planeta. Com informações sobre o seu terreno, descobrimos mais sobre a sua massa - revela Deeg. - Ainda não sabemos a cor do Corot-9B. É provável que tenha nuvens com água em sua atmosfera, o que o tornaria azul, mas isso depende da mistura de gases que ainda não conhecemos.
A descoberta daquele mundo, segundo cientistas envolvidos na missão, mostra que os padrões de desenvolvimento do Sistema Solar foram repetidos em outros corpos celestes.
(O Globo, 18/3)
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sábado, 13 de março de 2010
Universo deselegante
Livro do cientista Marcelo Gleiser diz que a física foi iludida pela estética da simetria e tomou o caminho errado
A tentativa da física de explicar toda a natureza com um único conjunto de regras é a encarnação científica do monoteísmo. Essa é a tese que o físico Marcelo Gleiser -professor do Dartmouth College, de New Hampshire (EUA), e colunista da Folha- defende agora.
Em seu novo livro, "A Criação Imperfeita" (Ed. Record), ele explica por que acredita que fenômenos físicos em desequilíbrio revelam mais coisas sobre a origem do Universo do que as leis simétricas que sábios constroem para descrever o mundo desde a Grécia Antiga. Invertendo a máxima do poeta Vinicius de Moraes, Gleiser diz que "beleza não é fundamental" e que a elegante matemática que vem sendo usada para unificar a física não consegue ser mais do que metafísica.
O principal ataque do brasileiro é contra as teorias que tentam unir a relatividade de Einstein com a física quântica. Essa empreitada, considerada hoje o Santo Graal da ciência, uniria todas as forças da natureza (gravidade, eletromagnetismo e as forças nucleares) numa única explicação. O esforço para tal reúne desde físicos de partículas até cosmólogos.
Contudo, a chamada teoria das supercordas -a principal candidata ao cálice sagrado- existe há décadas sem conseguir propor um experimento que possa testá-la. No livro, Gleiser explica por que acha que os físicos estão apostando fichas demais numa linha de pesquisa ao assumir de antemão que há uma essência única subjacente a toda a realidade.
A criatividade na ciência, é claro, depende de uma certa liberdade de especulação, mas Gleiser nega estar tolhendo isso. Seu argumento é mais uma espécie de reverência à criatividade da natureza. Com seu talento narrativo, ele conta como gregos, renascentistas e físicos quânticos foram driblados pela realidade, uma vez após outra, sempre que acreditavam estar perto da "teoria final" capaz de explicar a essência de tudo.
"Estou voltando às raízes da ciência"
O novo livro do físico Marcelo Gleiser, 50, pode ser visto como um contraponto a um clássico da divulgação científica, "O Universo Elegante", de Brian Greene, defensor da chamada teoria das supercordas. Segundo essa linha de pesquisa, partículas elementares não são os componentes mais básicos da matéria, e sim minúsculas cordas que vibram em um universo de 11 dimensões.
Em "A Criação Imperfeita", o físico brasileiro ataca ideias por trás desse tipo de especulação, que partem do princípio de que existem simetrias ocultas por trás de uma realidade complexa. Em entrevista à Folha, Gleiser explica por que ele próprio mudou de ideia.
Leia entrevista com Gleiser:
- Por que o sr. não acredita que toda a física possa ser unificada em uma única teoria? É uma questão de limitação técnica ou o sr. acredita que não exista uma natureza única subjacente a tudo?
Existe um lado pragmático nessa pergunta, porque as informações que nós temos do mundo dependem daquilo que podemos medir. E o que podemos medir é limitado, pois nossos instrumentos têm precisão e alcance limitados. Então, sempre haverá algo sobre o mundo natural que não saberemos. Estou voltando às raízes das ciências naturais concebidas como ciências empíricas, e não metafísica.
O que eu tento dizer é que não há razão concreta empírica para a gente acreditar em uma unidade por trás de todas as coisas. Nesse livro, eu confronto a corrente dominante de pensamento na física de altas energias, que prega a busca de uma teoria unificada. Existe uma outra maneira de pensar o mundo que não é por simetrias.
É justamente o oposto: mostrar que as assimetrias é que são importantes. Isso cria toda uma nova estética da natureza.
- A desistência da busca por uma teoria final não pode soar como "derrotismo'? Que tipo de reação o sr. espera de outros físicos?
Já existe um grupo que nunca gostou dessas ideias de unificação e acha isso metafísica. Mas o pessoal da área de supercordas -como Brian Greene e Leonard Susskind, que se acham os caras mais importantes do mundo- defende isso. A Instituição Smithsonian queria fazer um debate comigo e com Greene, mas ele não topou. Também não sou dono da verdade a ponto de dizer "parem de trabalhar nas supercordas". O que digo é que, mesmo que eles cheguem a uma descrição razoável desse assunto, ela não será "a" teoria final.
- A busca de simetria em teorias tem a ver com busca de simplicidade. Porque isso é ruim?
Não tenho dúvida de que a busca por simetrias na natureza vai continuar a ser importante. Meu livro não é contra a simetria. Isso seria errado. A ideia de busca pela unificação pode continuar a funcionar e a inspirar muitas pessoas, mas é um erro transformar essa noção em dogma.
- O sr. critica o fato de as supercordas serem muito especulativas. Teorias não precisam ser especuladas antes de serem provadas?
Não estou dizendo que especulação é besteira. Pelo contrário: é preciso continuar a fazê-la. Agora, existe o perigo de você perder a noção de o que deve ou não ser feito. A ideia de supersimetria [a simetria entre partículas embutida na teoria das supercordas], por exemplo, foi proposta em 1974. Ela fez uma porção de previsões sobre alguns efeitos que poderiam ser observados em aceleradores de partículas a energias alcançáveis. Vários desses efeitos poderiam ter sido descobertos, mas não foram.
O que foi feito então? Voltaram à teoria, ajustaram alguns parâmetros, mas aí ela não poderia mais ser testada com a energia disponível nos aceleradores de partículas de então. Seria preciso esperar mais uns 15 anos. Assim, a coisa vira um ciclo.
- A tese da "navalha de Occam" diz que é preciso achar a teoria mais simples possível para descrever um fenômeno. O sr. concorda?
A navalha de Occam é válida, mas é levada a sério demais. Como você define simplicidade? Simplicidade é beleza? Aí a discussão se complica. A simplicidade às vezes tem mais a ver com facilidade de implementação, manipulação e um uso pragmático da teoria.
- O sr. argumenta que a religião monoteísta inspirou a busca pela teoria final, mas critica autores como Richard Dawkins e Daniel Dennett por ofenderem a religião. Seu livro não faz algo parecido?
Meu livro é antimonoteísta e critica a noção de que tudo vem de uma coisa só. Não escondo isso. E eu argumento que o "sobrenaturalismo" não é o caminho do conhecimento. Mas eu tenho a humildade, que Dawkins não tem, de aceitar que a ciência tem seu limite. Há questões além desse limite sobre as quais a ciência tem pouco a dizer. Se você me perguntar se eu sou ateu ou agnóstico, vou dizer que sou agnóstico.
(Rafael Garcia)
(Folha de SP/JCiência)
A tentativa da física de explicar toda a natureza com um único conjunto de regras é a encarnação científica do monoteísmo. Essa é a tese que o físico Marcelo Gleiser -professor do Dartmouth College, de New Hampshire (EUA), e colunista da Folha- defende agora.
Em seu novo livro, "A Criação Imperfeita" (Ed. Record), ele explica por que acredita que fenômenos físicos em desequilíbrio revelam mais coisas sobre a origem do Universo do que as leis simétricas que sábios constroem para descrever o mundo desde a Grécia Antiga. Invertendo a máxima do poeta Vinicius de Moraes, Gleiser diz que "beleza não é fundamental" e que a elegante matemática que vem sendo usada para unificar a física não consegue ser mais do que metafísica.
O principal ataque do brasileiro é contra as teorias que tentam unir a relatividade de Einstein com a física quântica. Essa empreitada, considerada hoje o Santo Graal da ciência, uniria todas as forças da natureza (gravidade, eletromagnetismo e as forças nucleares) numa única explicação. O esforço para tal reúne desde físicos de partículas até cosmólogos.
Contudo, a chamada teoria das supercordas -a principal candidata ao cálice sagrado- existe há décadas sem conseguir propor um experimento que possa testá-la. No livro, Gleiser explica por que acha que os físicos estão apostando fichas demais numa linha de pesquisa ao assumir de antemão que há uma essência única subjacente a toda a realidade.
A criatividade na ciência, é claro, depende de uma certa liberdade de especulação, mas Gleiser nega estar tolhendo isso. Seu argumento é mais uma espécie de reverência à criatividade da natureza. Com seu talento narrativo, ele conta como gregos, renascentistas e físicos quânticos foram driblados pela realidade, uma vez após outra, sempre que acreditavam estar perto da "teoria final" capaz de explicar a essência de tudo.
"Estou voltando às raízes da ciência"
O novo livro do físico Marcelo Gleiser, 50, pode ser visto como um contraponto a um clássico da divulgação científica, "O Universo Elegante", de Brian Greene, defensor da chamada teoria das supercordas. Segundo essa linha de pesquisa, partículas elementares não são os componentes mais básicos da matéria, e sim minúsculas cordas que vibram em um universo de 11 dimensões.
Em "A Criação Imperfeita", o físico brasileiro ataca ideias por trás desse tipo de especulação, que partem do princípio de que existem simetrias ocultas por trás de uma realidade complexa. Em entrevista à Folha, Gleiser explica por que ele próprio mudou de ideia.
Leia entrevista com Gleiser:
- Por que o sr. não acredita que toda a física possa ser unificada em uma única teoria? É uma questão de limitação técnica ou o sr. acredita que não exista uma natureza única subjacente a tudo?
Existe um lado pragmático nessa pergunta, porque as informações que nós temos do mundo dependem daquilo que podemos medir. E o que podemos medir é limitado, pois nossos instrumentos têm precisão e alcance limitados. Então, sempre haverá algo sobre o mundo natural que não saberemos. Estou voltando às raízes das ciências naturais concebidas como ciências empíricas, e não metafísica.
O que eu tento dizer é que não há razão concreta empírica para a gente acreditar em uma unidade por trás de todas as coisas. Nesse livro, eu confronto a corrente dominante de pensamento na física de altas energias, que prega a busca de uma teoria unificada. Existe uma outra maneira de pensar o mundo que não é por simetrias.
É justamente o oposto: mostrar que as assimetrias é que são importantes. Isso cria toda uma nova estética da natureza.
- A desistência da busca por uma teoria final não pode soar como "derrotismo'? Que tipo de reação o sr. espera de outros físicos?
Já existe um grupo que nunca gostou dessas ideias de unificação e acha isso metafísica. Mas o pessoal da área de supercordas -como Brian Greene e Leonard Susskind, que se acham os caras mais importantes do mundo- defende isso. A Instituição Smithsonian queria fazer um debate comigo e com Greene, mas ele não topou. Também não sou dono da verdade a ponto de dizer "parem de trabalhar nas supercordas". O que digo é que, mesmo que eles cheguem a uma descrição razoável desse assunto, ela não será "a" teoria final.
- A busca de simetria em teorias tem a ver com busca de simplicidade. Porque isso é ruim?
Não tenho dúvida de que a busca por simetrias na natureza vai continuar a ser importante. Meu livro não é contra a simetria. Isso seria errado. A ideia de busca pela unificação pode continuar a funcionar e a inspirar muitas pessoas, mas é um erro transformar essa noção em dogma.
- O sr. critica o fato de as supercordas serem muito especulativas. Teorias não precisam ser especuladas antes de serem provadas?
Não estou dizendo que especulação é besteira. Pelo contrário: é preciso continuar a fazê-la. Agora, existe o perigo de você perder a noção de o que deve ou não ser feito. A ideia de supersimetria [a simetria entre partículas embutida na teoria das supercordas], por exemplo, foi proposta em 1974. Ela fez uma porção de previsões sobre alguns efeitos que poderiam ser observados em aceleradores de partículas a energias alcançáveis. Vários desses efeitos poderiam ter sido descobertos, mas não foram.
O que foi feito então? Voltaram à teoria, ajustaram alguns parâmetros, mas aí ela não poderia mais ser testada com a energia disponível nos aceleradores de partículas de então. Seria preciso esperar mais uns 15 anos. Assim, a coisa vira um ciclo.
- A tese da "navalha de Occam" diz que é preciso achar a teoria mais simples possível para descrever um fenômeno. O sr. concorda?
A navalha de Occam é válida, mas é levada a sério demais. Como você define simplicidade? Simplicidade é beleza? Aí a discussão se complica. A simplicidade às vezes tem mais a ver com facilidade de implementação, manipulação e um uso pragmático da teoria.
- O sr. argumenta que a religião monoteísta inspirou a busca pela teoria final, mas critica autores como Richard Dawkins e Daniel Dennett por ofenderem a religião. Seu livro não faz algo parecido?
Meu livro é antimonoteísta e critica a noção de que tudo vem de uma coisa só. Não escondo isso. E eu argumento que o "sobrenaturalismo" não é o caminho do conhecimento. Mas eu tenho a humildade, que Dawkins não tem, de aceitar que a ciência tem seu limite. Há questões além desse limite sobre as quais a ciência tem pouco a dizer. Se você me perguntar se eu sou ateu ou agnóstico, vou dizer que sou agnóstico.
(Rafael Garcia)
(Folha de SP/JCiência)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Aprendizagem forma sinapses

Agência FAPESP – Novas conexões entre neurônios começam a se formar logo após o aprendizado de uma nova tarefa, indica estudo publicado no domingo (29/11) no site da revista Nature.
A pesquisa envolveu observações detalhadas do processo de alteração nas ligações nervosas em animais que ocorre no cérebro durante a aprendizagem motora.
Os pesquisadores estudaram camundongos que foram condicionados a se deslocar por uma passagem em uma gaiola para alcançar sementes. Foi observado um rápido crescimento das sinapses, as estruturas que formam conexões entre neurônios no córtex motor, a parte do cérebro que controla os movimentos musculares.
“Verificamos uma formação robusta e quase imediata de sinapses, menos de uma hora após o início do condicionamento”, disse o coordenador da pesquisa Yi Zuo, professor da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, nos Estados Unidos.
O grupo de Zuo observou a formação de estruturas chamadas espinhas dendríticas que crescem em neurônios piramidais (grandes células que ligam as camadas do cérebro) no córtex motor.
As espinhas dendríticas formam sinapses com outras células nervosas. Nessas sinapses, os neurônios piramidais recebem sinais de outras regiões do cérebro envolvidas na memória motora e nos movimentos dos músculos. Os cientistas verificaram que o crescimento de novas espinhas dendríticas foi seguido pela eliminação seletiva de espinhas pré-existentes, de forma que a densidade geral das espinhas retornou ao nível original.
“Trata-se de um processo de remodelagem por meio do qual as sinapses que se formam durante o aprendizado se consolidam, enquanto outras se perdem. A aprendizagem motora imprime uma marca permanente no cérebro. Quando aprendemos a andar de bicicleta, por exemplo, uma vez que a memória motora é formada, não esquecemos o que foi aprendido. O mesmo ocorre quando um camundongo aprende uma nova habilidade motora: o animal aprende como fazer e não esquece mais”, explicou Zuo.
Comprender a base da formação de memórias de longo prazo é um desafio importante para a neurociência, com implicações no desenvolvimento de terapias que possam auxiliar pacientes na recuperação de habilidades perdidas em acidentes ou em derrames.
“Iniciamos nosso estudo com o objetivo de entender melhor os processos que ocorrem após um acidente vascular cerebral, quando os pacientes têm que reaprender a fazer determinadas atividades. Queremos descobrir se há algo que podemos fazer para acelerar o processo de recuperação”, disse Zuo.
O artigo Rapid formation and selective stabilization of synapses for enduring motor memories, de Yi Zuo e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Buraco de ozônio retém frio na Antártida
Descoberta explica por que continente austral sofre menos os efeitos do aquecimento anormal da Terra do que o Ártico
Eduardo Geraque e Reinaldo José Lopes escrevem para a "Folha de SP":
O temido buraco de ozônio na atmosfera acima da Antártida funciona, paradoxalmente, como um escudo do continente gelado contra o aquecimento que assola o planeta. É só por isso que as terras antárticas ainda não esquentaram tanto quanto o resto do globo, mostra um relatório divulgado nesta terça-feira (1/12).
A descoberta ajuda a entender porque, às portas do verão na Antártida, os mais de 50 ocupantes atuais da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira no continente, passaram 48 horas confinados entre a manhã de domingo e de terça-feira. A equipe teve de se abrigar de ventos com mais de 100 km/h e sensação térmica de 20º C negativos.
Há, portanto, um dilema: conforme o rombo na camada de ozônio for se fechando, o que deve acontecer completamente até o fim deste século, é provável que o aumento das temperaturas finalmente atinja o coração da Antártida, dizem os cientistas do Scar (Comitê Científico de Pesquisa Antártica), responsáveis pelo novo relatório (www.scar.org).
"Nos próximos anos, o gelo marinho vai diminuir. Ele está aumentando no momento, mas não será mais assim quando o buraco de ozônio fechar -de fato, vamos perder um terço do gelo marinho", declarou o diretor-executivo do Scar, Colin Summerhayes, à agência internacional de notícias Reuters.
O relatório divulgado na terça-feira (1/12), que reuniu dados gerados por mais de cem cientistas de oito países, chama a descoberta dessa blindagem do buraco de ozônio de "extraordinária".
Para Jefferson Simões, glaciologista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o trabalho consolida os dados sobre as alterações que o aquecimento já traz para a Antártida.
"Faz todo o sentido afirmar que o buraco de ozônio está mesmo protegendo o continente antártico", diz Luciano Marani, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) responsável pelas medições da camada de ozônio na estação brasileira.
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Eduardo Geraque e Reinaldo José Lopes escrevem para a "Folha de SP":
O temido buraco de ozônio na atmosfera acima da Antártida funciona, paradoxalmente, como um escudo do continente gelado contra o aquecimento que assola o planeta. É só por isso que as terras antárticas ainda não esquentaram tanto quanto o resto do globo, mostra um relatório divulgado nesta terça-feira (1/12).
A descoberta ajuda a entender porque, às portas do verão na Antártida, os mais de 50 ocupantes atuais da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira no continente, passaram 48 horas confinados entre a manhã de domingo e de terça-feira. A equipe teve de se abrigar de ventos com mais de 100 km/h e sensação térmica de 20º C negativos.
Há, portanto, um dilema: conforme o rombo na camada de ozônio for se fechando, o que deve acontecer completamente até o fim deste século, é provável que o aumento das temperaturas finalmente atinja o coração da Antártida, dizem os cientistas do Scar (Comitê Científico de Pesquisa Antártica), responsáveis pelo novo relatório (www.scar.org).
"Nos próximos anos, o gelo marinho vai diminuir. Ele está aumentando no momento, mas não será mais assim quando o buraco de ozônio fechar -de fato, vamos perder um terço do gelo marinho", declarou o diretor-executivo do Scar, Colin Summerhayes, à agência internacional de notícias Reuters.
O relatório divulgado na terça-feira (1/12), que reuniu dados gerados por mais de cem cientistas de oito países, chama a descoberta dessa blindagem do buraco de ozônio de "extraordinária".
Para Jefferson Simões, glaciologista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o trabalho consolida os dados sobre as alterações que o aquecimento já traz para a Antártida.
"Faz todo o sentido afirmar que o buraco de ozônio está mesmo protegendo o continente antártico", diz Luciano Marani, pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) responsável pelas medições da camada de ozônio na estação brasileira.
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Pesquisador propõe rede de pesquisa independente
"Dessa forma, os recursos serão solicitados individualmente ao Edital Universal, às agências de fomento estaduais, às Universidades e às fontes de fomento internacionais"
Leia mensagem de Luiz G. Gawryszewski, professor do Departamento de Neurobiologia e do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da Universidade Federal Fluminense (UFF):
"Em Busca do Universal
Estou propondo constituir uma rede de pesquisa baseada no interesse mútuo e coletivo de pesquisadores que não se sentem adequadamente representados na forma de fomento à pesquisa e à tecnologia no Brasil de hoje. O principal objetivo desta rede seria fortalecer o Edital Universal do CNPq e permitir interações intensas e eficientes.
Desta forma, os recursos serão solicitados individualmente ao Edital Universal, às agências de fomento estaduais, às Universidades e às fontes de fomento internacionais.
Poderemos chamá-la Rede Autofinanciável, Rede Autopoiética e/ou Rede Caótica.
Por que autofinanciável? Porque os recursos serão solicitados individualmente ao Edital Universal, às agências de fomento estaduais, às Universidades e às fontes de fomento internacionais, não se excluindo a formação de grupos de pesquisadores que serão estruturados e desfeitos com total livre-arbítrio dos seus membros.
Por que autopoiética? Porque expressa a essência das formulações teóricas e práticas dos membros da rede que construirão uma estrutura plástica e prazerosa que não dependerá das políticas governamentais (variáveis) para chegar ao seu objetivo principal (uma homeostasia que garanta uma continuidade ao progresso da ciência brasileira).
Por que caótica? Porque a infidelidade criativa será a tônica nas nossas atividades. Os grupos terão total liberdade para se constituirem e se desfazerem.JCiencia
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Leia mensagem de Luiz G. Gawryszewski, professor do Departamento de Neurobiologia e do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da Universidade Federal Fluminense (UFF):
"Em Busca do Universal
Estou propondo constituir uma rede de pesquisa baseada no interesse mútuo e coletivo de pesquisadores que não se sentem adequadamente representados na forma de fomento à pesquisa e à tecnologia no Brasil de hoje. O principal objetivo desta rede seria fortalecer o Edital Universal do CNPq e permitir interações intensas e eficientes.
Desta forma, os recursos serão solicitados individualmente ao Edital Universal, às agências de fomento estaduais, às Universidades e às fontes de fomento internacionais.
Poderemos chamá-la Rede Autofinanciável, Rede Autopoiética e/ou Rede Caótica.
Por que autofinanciável? Porque os recursos serão solicitados individualmente ao Edital Universal, às agências de fomento estaduais, às Universidades e às fontes de fomento internacionais, não se excluindo a formação de grupos de pesquisadores que serão estruturados e desfeitos com total livre-arbítrio dos seus membros.
Por que autopoiética? Porque expressa a essência das formulações teóricas e práticas dos membros da rede que construirão uma estrutura plástica e prazerosa que não dependerá das políticas governamentais (variáveis) para chegar ao seu objetivo principal (uma homeostasia que garanta uma continuidade ao progresso da ciência brasileira).
Por que caótica? Porque a infidelidade criativa será a tônica nas nossas atividades. Os grupos terão total liberdade para se constituirem e se desfazerem.JCiencia
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Ciência como nunca se viu

Em Fortaleza, atividades de experimentação, interatividade, arte e cultura estão popularizando os conhecimentos científicos e tecnológicos.
Nas atividades desenvolvidas pela Seara da Ciência, espaço de divulgação científica e tecnológica da Universidade Federal do Ceará (UFC), conceitos que antes só se aprendia dentro da classe saem do papel e vão parar nas mãos dos visitantes, seja em forma de exposições, pesquisas em laboratórios e cursos regulares, ou na preparação de trabalhos para feiras de ciência, apresentações de teatro e shows científicos.
Para entender um pouco mais sobre a iniciativa, o Mercado Ético conversou por e-mail com o conselheiro da Seara, José Evangelista de Carvalho Moreira, que também é professor de Física do Centro de Ciências e doutor em Física da UFC.
Leia a entrevista no Mercado Ético
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Boaventura
De Copenhague a Yasuní
Por Boaventura de Sousa Santos
Buenos Aires, Página 12, 19.11.2009
Como ya se preveía, la próxima Conferencia de la ONU sobre Cambio Climático --que se celebrará en Copenhague del 7 al 18 de diciembre-- será un fracaso que los políticos intentarán disimular apelando a expresiones como "acuerdo político" o "un paso importante en la dirección correcta". El fracaso reside en que, contra los compromisos asumidos en las reuniones anteriores, en Copenhague no se aprobarán topes jurídicamente vinculantes para reducir las emisiones de los gases que provocan el calentamiento global, cuyo peligro para la supervivencia del planeta ya ha sido suficientemente demostrado como para que el principio precautorio deba ser aplicado. La decisión fue tomada en la reciente Cumbre de Cooperación Asia-Pacífico y, otra vez, fue dictada por la política interior de los Estados Unidos: en lucha por la reforma del sistema de salud, el presidente Obama no quiere asumir compromisos al margen del Congreso norteamericano, y no puede o no quiere involucrarlo en una decisión que implique medidas hostiles al fuerte lobby del sector de las energías no renovables. De esta manera, los ciudadanos del mundo asistirán nuevamente el desolador espectáculo de políticos irresponsables y de intereses económicos demasiado poderosos para ser sometidos al control democrático. Y así será hasta que se convenzan de que está en sus manos construir formas democráticas más fuertes, capaces de impedir la irresponsabilidad de los políticos y el despotismo económico.
Sin embargo, la reunión de Copenhague no será totalmente en vano. Su preparación permitió que se conocieran mejor movimientos e iniciativas de las organizaciones sociales y los Estados, que revelaron una nueva conciencia ambiental global y otras oportunidades de innovación política. Una de las propuestas más audaces e innovadoras es la Iniciativa ITT de Ecuador, presentada por primera vez en 2007 por el entonces ministro de Energía y Minas, el gran intelectual y activista Alberto Acosta, más tarde presidente de la Asamblea Constituyente. Se trata de un ejercicio de corresponsabilidad internacional que apunta a una nueva relación entre países desarrollados y países menos desarrollados, y también a un nuevo modelo de desarrollo, el modelo de pos-petrolífero. Ecuador es un país pobre a pesar de (o a causa de) que es rico en petróleo y su economía depende en gran medida de la exportación de petróleo: el producto petrolífero constituye el 22 por ciento del PIB y el 63 por ciento de las exportaciones. En la Amazonia, la destrucción humana y ambiental causada por este modelo económico es verdaderamente chocante. Como resultado directo de la explotación petrolera de Texaco (luego Chevron) entre 1960 y 1990, desaparecieron por completo dos pueblos amazónicos, Tetetes y Sansahauris. La iniciativa ecuatoriana pretende romper con el pasado y propone lo siguiente. El Estado ecuatoriano se compromete a dejar en el subsuelo reservas de petróleo estimadas en 850 millones de barriles en tres pozos -Ishpingo, Tambococha y Tiputini (de ahí el acrónimo ITT)- del parque nacional amazónico Yasuní, si los países más desarrollados compensan a Ecuador con la mitad de los ingresos que dejaría de tener como resultado de esa decisión. Los cálculos indican que la explotación generaría, a lo largo de trece años, ingresos por 4 a 5 mil millones de euros y liberaría en la atmósfera 410 millones de toneladas de dióxido de carbono. Esto no ocurrirá si Ecuador es compensado con cerca de 2 mil millones de euros mediante un compromiso doble. Ese dinero se destinará a inversiones ambientalmente adecuadas: energías renovables, reforestación, etc.; el dinero se recibiria bajo la forma de certificados de garantía, un crédito que deberia ser devuelto a los países "donantes", con intereses, si Ecuador explota el petróleo, una hipótesis poco probable dada la doble pérdida que implicaría para el país (la pérdida del dinero recibido y la ausencia de ingresos petroleros durante varios años, entre la decisión de volver a explotar y la primera exportación).
A diferencia del Protocolo de Kyoto, esta propuesta no pretende crear un mercado de carbono, sino evitar que éste sea emitido. No se limita, por tanto, a apelar a la diversificación de las fuentes energéticas; sugiere la necesidad de reducir la demanda de energía, cualesquiera sean sus fuentes, lo que implica un cambio en el estilo de vida que, sobretodo, será difícil en los países más desarrollados. Para ser eficaz, la propuesta debería ser parte de otro modelo de desarrollo y ser adoptada por otros países productores de petróleo. El sustento de la propuesta es la nueva Constitución de Ecuador, una de las más progresistas del mundo, que, a partir de las cosmovisiones y las prácticas indígenas de lo que llaman "buen vivir" (Sumak kawsay) -basadas en una relación armoniosa entre los seres humanos y no humanos, incluyendo lo que en la cultura occidental se conoce como la naturaleza-, propone una concepción nueva y revolucionaria de desarrollo, centrada en los derechos de la naturaleza. Este concepción debe interpretarse como una contribución indígena para el mundo entero, pues gana adeptos en sectores cada vez más amplios de la ciudadanía y los movimientos sociales, a medida que se va volviendo evidente que la degradación ambiental y la depredación de los recursos naturales, además de insostenibles y socialmente injustas, conducen al suicidio colectivo.
¿Utopía? La verdad es que Alemania ya se comprometió a entregar a Ecuador 50 millones de euros por año durante los trece años en que el petróleo podría ser explotado. Un buen comienzo.
* Doctor en Sociología del Derecho, profesor de la Universidad de Coimbra (Portugal) y de la Universidad de Wisconsin (EE.UU.).
Buenos Aires, Página 12, 19.11.2009
Como ya se preveía, la próxima Conferencia de la ONU sobre Cambio Climático --que se celebrará en Copenhague del 7 al 18 de diciembre-- será un fracaso que los políticos intentarán disimular apelando a expresiones como "acuerdo político" o "un paso importante en la dirección correcta". El fracaso reside en que, contra los compromisos asumidos en las reuniones anteriores, en Copenhague no se aprobarán topes jurídicamente vinculantes para reducir las emisiones de los gases que provocan el calentamiento global, cuyo peligro para la supervivencia del planeta ya ha sido suficientemente demostrado como para que el principio precautorio deba ser aplicado. La decisión fue tomada en la reciente Cumbre de Cooperación Asia-Pacífico y, otra vez, fue dictada por la política interior de los Estados Unidos: en lucha por la reforma del sistema de salud, el presidente Obama no quiere asumir compromisos al margen del Congreso norteamericano, y no puede o no quiere involucrarlo en una decisión que implique medidas hostiles al fuerte lobby del sector de las energías no renovables. De esta manera, los ciudadanos del mundo asistirán nuevamente el desolador espectáculo de políticos irresponsables y de intereses económicos demasiado poderosos para ser sometidos al control democrático. Y así será hasta que se convenzan de que está en sus manos construir formas democráticas más fuertes, capaces de impedir la irresponsabilidad de los políticos y el despotismo económico.
Sin embargo, la reunión de Copenhague no será totalmente en vano. Su preparación permitió que se conocieran mejor movimientos e iniciativas de las organizaciones sociales y los Estados, que revelaron una nueva conciencia ambiental global y otras oportunidades de innovación política. Una de las propuestas más audaces e innovadoras es la Iniciativa ITT de Ecuador, presentada por primera vez en 2007 por el entonces ministro de Energía y Minas, el gran intelectual y activista Alberto Acosta, más tarde presidente de la Asamblea Constituyente. Se trata de un ejercicio de corresponsabilidad internacional que apunta a una nueva relación entre países desarrollados y países menos desarrollados, y también a un nuevo modelo de desarrollo, el modelo de pos-petrolífero. Ecuador es un país pobre a pesar de (o a causa de) que es rico en petróleo y su economía depende en gran medida de la exportación de petróleo: el producto petrolífero constituye el 22 por ciento del PIB y el 63 por ciento de las exportaciones. En la Amazonia, la destrucción humana y ambiental causada por este modelo económico es verdaderamente chocante. Como resultado directo de la explotación petrolera de Texaco (luego Chevron) entre 1960 y 1990, desaparecieron por completo dos pueblos amazónicos, Tetetes y Sansahauris. La iniciativa ecuatoriana pretende romper con el pasado y propone lo siguiente. El Estado ecuatoriano se compromete a dejar en el subsuelo reservas de petróleo estimadas en 850 millones de barriles en tres pozos -Ishpingo, Tambococha y Tiputini (de ahí el acrónimo ITT)- del parque nacional amazónico Yasuní, si los países más desarrollados compensan a Ecuador con la mitad de los ingresos que dejaría de tener como resultado de esa decisión. Los cálculos indican que la explotación generaría, a lo largo de trece años, ingresos por 4 a 5 mil millones de euros y liberaría en la atmósfera 410 millones de toneladas de dióxido de carbono. Esto no ocurrirá si Ecuador es compensado con cerca de 2 mil millones de euros mediante un compromiso doble. Ese dinero se destinará a inversiones ambientalmente adecuadas: energías renovables, reforestación, etc.; el dinero se recibiria bajo la forma de certificados de garantía, un crédito que deberia ser devuelto a los países "donantes", con intereses, si Ecuador explota el petróleo, una hipótesis poco probable dada la doble pérdida que implicaría para el país (la pérdida del dinero recibido y la ausencia de ingresos petroleros durante varios años, entre la decisión de volver a explotar y la primera exportación).
A diferencia del Protocolo de Kyoto, esta propuesta no pretende crear un mercado de carbono, sino evitar que éste sea emitido. No se limita, por tanto, a apelar a la diversificación de las fuentes energéticas; sugiere la necesidad de reducir la demanda de energía, cualesquiera sean sus fuentes, lo que implica un cambio en el estilo de vida que, sobretodo, será difícil en los países más desarrollados. Para ser eficaz, la propuesta debería ser parte de otro modelo de desarrollo y ser adoptada por otros países productores de petróleo. El sustento de la propuesta es la nueva Constitución de Ecuador, una de las más progresistas del mundo, que, a partir de las cosmovisiones y las prácticas indígenas de lo que llaman "buen vivir" (Sumak kawsay) -basadas en una relación armoniosa entre los seres humanos y no humanos, incluyendo lo que en la cultura occidental se conoce como la naturaleza-, propone una concepción nueva y revolucionaria de desarrollo, centrada en los derechos de la naturaleza. Este concepción debe interpretarse como una contribución indígena para el mundo entero, pues gana adeptos en sectores cada vez más amplios de la ciudadanía y los movimientos sociales, a medida que se va volviendo evidente que la degradación ambiental y la depredación de los recursos naturales, además de insostenibles y socialmente injustas, conducen al suicidio colectivo.
¿Utopía? La verdad es que Alemania ya se comprometió a entregar a Ecuador 50 millones de euros por año durante los trece años en que el petróleo podría ser explotado. Un buen comienzo.
* Doctor en Sociología del Derecho, profesor de la Universidad de Coimbra (Portugal) y de la Universidad de Wisconsin (EE.UU.).
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Darwin, 150 anos depois
Se o genoma é uma receita de bolo e os genes, seus ingredientes, a diferença entre homem e macaco pode não ser mais do que uma cereja evolutiva
Herton Escobar escreve para "O Estado de SP":
A evolução da ciência nos últimos 150 anos, desde a publicação de "A Origem das Espécies", permitiu comprovar e detalhar muitas das teorias propostas por Charles Darwin, mas ainda não conseguiu elucidar uma das questões mais inquietantes que derivam de sua obra: O que nos faz humanos? Se homens e chimpanzés pertencem a uma mesma família, como podem ser tão diferentes?
Parte da resposta é que não somos tão diferentes assim. Pesquisas genéticas realizadas nos últimos anos revelam que humanos e chimpanzés são ainda mais próximos do que Darwin poderia imaginar. Quando os genomas das duas espécies são colocados lado a lado, a sequência das letras de seu DNA é praticamente idêntica: quase 99% de semelhança.
Se o genoma é uma receita de bolo e os genes, seus ingredientes, a diferença entre homem e macaco pode não ser mais do que uma cereja evolutiva. Nem ratos e camundongos são tão parecidos (91% de similaridade). É a prova de que Darwin, mesmo sem saber nada de genética - porque não existia genética na sua época-, estava certo em pendurar o homem na árvore genealógica dos primatas.
Ao mesmo tempo que ajudam a responder, porém, as informações genômicas acrescentam um novo grau de complexidade à questão. Se homens e chimpanzés são quase idênticos "por dentro", geneticamente, como podem ser tão diferentes "por fora", em sua anatomia, comportamento e capacidade cognitiva?
O que há de tão especial no 1% que diferencia as duas espécies? Quais foram as mutações essenciais que permitiram ao Homo sapiens desenvolver a destreza e a inteligência necessárias para construir cidades, escrever livros e questionar sua própria evolução?
A resposta completa parece estar pulverizada pelo genoma. A maioria dos cientistas já desistiu de encontrar um ou dois genes "mágicos" da natureza humana - algo como um "gene da inteligência" ou um "gene do bipedalismo".
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Herton Escobar escreve para "O Estado de SP":
A evolução da ciência nos últimos 150 anos, desde a publicação de "A Origem das Espécies", permitiu comprovar e detalhar muitas das teorias propostas por Charles Darwin, mas ainda não conseguiu elucidar uma das questões mais inquietantes que derivam de sua obra: O que nos faz humanos? Se homens e chimpanzés pertencem a uma mesma família, como podem ser tão diferentes?
Parte da resposta é que não somos tão diferentes assim. Pesquisas genéticas realizadas nos últimos anos revelam que humanos e chimpanzés são ainda mais próximos do que Darwin poderia imaginar. Quando os genomas das duas espécies são colocados lado a lado, a sequência das letras de seu DNA é praticamente idêntica: quase 99% de semelhança.
Se o genoma é uma receita de bolo e os genes, seus ingredientes, a diferença entre homem e macaco pode não ser mais do que uma cereja evolutiva. Nem ratos e camundongos são tão parecidos (91% de similaridade). É a prova de que Darwin, mesmo sem saber nada de genética - porque não existia genética na sua época-, estava certo em pendurar o homem na árvore genealógica dos primatas.
Ao mesmo tempo que ajudam a responder, porém, as informações genômicas acrescentam um novo grau de complexidade à questão. Se homens e chimpanzés são quase idênticos "por dentro", geneticamente, como podem ser tão diferentes "por fora", em sua anatomia, comportamento e capacidade cognitiva?
O que há de tão especial no 1% que diferencia as duas espécies? Quais foram as mutações essenciais que permitiram ao Homo sapiens desenvolver a destreza e a inteligência necessárias para construir cidades, escrever livros e questionar sua própria evolução?
A resposta completa parece estar pulverizada pelo genoma. A maioria dos cientistas já desistiu de encontrar um ou dois genes "mágicos" da natureza humana - algo como um "gene da inteligência" ou um "gene do bipedalismo".
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Favelas são ecológicas
Stewart Brand pode ser chamado de agitador intelectual. Seu primeiro grande sucesso foi criar na década de 60 o Whole Earth Catalog (Catálogo de Toda a Terra), uma publicação de contracultura que listava produtos e tecnologias direcionados ao estilo hippie autosuficiente. Steve Jobs, fundador da Apple, chamou a publicação de precursora da internet. Está por trás também da Global Business Network e a The Long Now Foundation, duas entidades direcionadas a pensar estratégias para resolver os problemas de um mundo em rápida mudança.
Sua última realização é o livro Whole Earth Discipline: an ecopragmatist manifesto (algo como Ciência da Terra como um todo: um manifesto ecopragmático). Nele, Brand prega as vantagens da urbanização e preza as favelas como a porta de saída para os pobres do campo, que vivem da agricultura de subsistência. O vídeo da TED Talks é imperdível pelas imagens e pela defesa franca e politicamente incorretas de ideias para salvar o meio ambiente como energia nuclear, transgênicos e reengenharia do clima.
Eis aqui bom trecho de uma entrevista recente de Brand para a revista Wired:
"As cidades tiram as pessoas da agricultura de subsistência, a qual é ecologicamente devastadora, e também desativam a bomba populacional. Nas vilas, as mulheres passam o tempo laborando no campo, sem pagamento, ou tendo um monte de crianças. Quando as mulheres se mudam para as cidades, a melhor opção é ter menos filhos e dar a eles alguma educação, alguma oportunidade econômica. As mulheres se tornam importantes, criaturas poderosas nas favelas. Com frequência, são elas que lideram as organizações comunitárias, além de serem consideradas as mais confiáveis devedoras dos programas de micro empréstimos.Outros links no ECO
Sua última realização é o livro Whole Earth Discipline: an ecopragmatist manifesto (algo como Ciência da Terra como um todo: um manifesto ecopragmático). Nele, Brand prega as vantagens da urbanização e preza as favelas como a porta de saída para os pobres do campo, que vivem da agricultura de subsistência. O vídeo da TED Talks é imperdível pelas imagens e pela defesa franca e politicamente incorretas de ideias para salvar o meio ambiente como energia nuclear, transgênicos e reengenharia do clima.
Eis aqui bom trecho de uma entrevista recente de Brand para a revista Wired:
"As cidades tiram as pessoas da agricultura de subsistência, a qual é ecologicamente devastadora, e também desativam a bomba populacional. Nas vilas, as mulheres passam o tempo laborando no campo, sem pagamento, ou tendo um monte de crianças. Quando as mulheres se mudam para as cidades, a melhor opção é ter menos filhos e dar a eles alguma educação, alguma oportunidade econômica. As mulheres se tornam importantes, criaturas poderosas nas favelas. Com frequência, são elas que lideram as organizações comunitárias, além de serem consideradas as mais confiáveis devedoras dos programas de micro empréstimos.Outros links no ECO
domingo, 8 de novembro de 2009
Rachadura gigante em deserto na África pode criar novo oceano
Uma fenda aberta em 2005 em um deserto na Etiópia é considerada por alguns geólogos o berço de um “novo oceano”. A rachadura, com 56 quilômetros de extensão e 6 metros de largura, é objeto da curiosidade intelectual de um consórcio de pesquisadores britânicos, americanos e etíopes, que mantêm um site com o diário das investigações. Tudo começou quando o Vulcão Dabbahu, no terminal norte da fissura, entrou em erupção. O magma passou a fluir pela fenda, em um processo chamado intrusão, ampliando-a.
Agora, um estudo publicado na “Geophysical Research Letters” conclui que os processos envolvidos na criação da fissura, no Deserto de Afar, são quase idênticos aos que ocorrem no fundo dos oceanos. “O principal neste estudo é entender se o que está ocorrendo na Etiópia é similar ao que está acontecendo no fundo do oceano, onde é quase impossível irmos”, afirma Cindy Ebinger, da Universidade de Rochester, uma das autoras da pesquisa. “A resposta é ‘sim’, é um processo análogo.” (Fonte: G1)
Agora, um estudo publicado na “Geophysical Research Letters” conclui que os processos envolvidos na criação da fissura, no Deserto de Afar, são quase idênticos aos que ocorrem no fundo dos oceanos. “O principal neste estudo é entender se o que está ocorrendo na Etiópia é similar ao que está acontecendo no fundo do oceano, onde é quase impossível irmos”, afirma Cindy Ebinger, da Universidade de Rochester, uma das autoras da pesquisa. “A resposta é ‘sim’, é um processo análogo.” (Fonte: G1)
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Bolívia passa a integrar a rede SciELO
A Bolívia é o 16º país a integrar a rede SciELO, com a publicação on-line em acesso aberto de uma coleção formada por periódicos nacionais selecionados
O país vizinho faz parte da Rede SciELO desde setembro. A expectativa é que a SciELO Bolívia contribua decisivamente para aumentar a visibilidade e o acesso à produção científica e técnica publicada na Bolívia. Seguindo a política de desenvolvimento da rede SciELO, a coleção foi aprovada inicialmente para ingresso na condição probatória, denominada "coleção em desenvolvimento", com vistas à sua futura certificação quando todos os requisitos SciELO forem cumpridos.
O ingresso da Bolívia na rede SciELO vinha sendo promovido nos últimos anos por meio da articulação, intercâmbio de informação e cooperação técnica envolvendo a participação de várias instituições bolivianas relacionadas com a pesquisa e a comunicação científica, com destaque para o Ministério de Ciência e Tecnologia da Bolívia, os editores científicos e suas instituições e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por meio da sua Representação na Bolívia, e do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS).
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O país vizinho faz parte da Rede SciELO desde setembro. A expectativa é que a SciELO Bolívia contribua decisivamente para aumentar a visibilidade e o acesso à produção científica e técnica publicada na Bolívia. Seguindo a política de desenvolvimento da rede SciELO, a coleção foi aprovada inicialmente para ingresso na condição probatória, denominada "coleção em desenvolvimento", com vistas à sua futura certificação quando todos os requisitos SciELO forem cumpridos.
O ingresso da Bolívia na rede SciELO vinha sendo promovido nos últimos anos por meio da articulação, intercâmbio de informação e cooperação técnica envolvendo a participação de várias instituições bolivianas relacionadas com a pesquisa e a comunicação científica, com destaque para o Ministério de Ciência e Tecnologia da Bolívia, os editores científicos e suas instituições e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por meio da sua Representação na Bolívia, e do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS).
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Cientistas criam sistema capaz de 'ler' funcionamento de célula
Cientistas criam sistema capaz de 'ler' funcionamento de célula
Estudo permite monitorar células com genoma desconhecido e permite de identificar enzimas terapêuticas
EFE
MADRI - equipe de pesquisadores espanhóis desenvolveu um sistema bioquímico capaz de monitorar a atividade de milhares de genes e enzimas simultaneamente, um dispositivo que poderá ser útil para o diagnóstico e o tratamento de doenças como o câncer.
Estrutura que cria proteínas na célula leva o Nobel de Química
Cientistas dos EUA anunciam criação de ribossomo sintético
Cientistas conseguem sucesso em transplante de DNA de óvulos
A partir da síntese de mais de mil moléculas, o dispositivo fornece uma visão em tempo real do metabolismo de qualquer célula ou organismo vivo e consegue estabelecer o atlas metabólico e diferenciar, por meio do "código de barras" metabólico, cada amostra analisada.
Publicada na revista Science, a pesquisa elaborada ao longo de cinco anos foi coordenada pelo cientista do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) Manuel Ferrer, em colaboração com cientistas do Centro Nacional de Biotecnologia e a Universidade de Oviedo, na Espanha, além dos laboratórios da Alemanha, Itália e Reino Unido.
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Estudo permite monitorar células com genoma desconhecido e permite de identificar enzimas terapêuticas
EFE
MADRI - equipe de pesquisadores espanhóis desenvolveu um sistema bioquímico capaz de monitorar a atividade de milhares de genes e enzimas simultaneamente, um dispositivo que poderá ser útil para o diagnóstico e o tratamento de doenças como o câncer.
Estrutura que cria proteínas na célula leva o Nobel de Química
Cientistas dos EUA anunciam criação de ribossomo sintético
Cientistas conseguem sucesso em transplante de DNA de óvulos
A partir da síntese de mais de mil moléculas, o dispositivo fornece uma visão em tempo real do metabolismo de qualquer célula ou organismo vivo e consegue estabelecer o atlas metabólico e diferenciar, por meio do "código de barras" metabólico, cada amostra analisada.
Publicada na revista Science, a pesquisa elaborada ao longo de cinco anos foi coordenada pelo cientista do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) Manuel Ferrer, em colaboração com cientistas do Centro Nacional de Biotecnologia e a Universidade de Oviedo, na Espanha, além dos laboratórios da Alemanha, Itália e Reino Unido.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
Doutorado no Brasil - Evolução ou não em certas áreas prioritárias do conhecimento, artigo de Renato Janine Ribeiro
"Entre uma decisão política de priorizar uma área e um aumento significativo da formação de doutores na mesma transcorram cerca de dez anos"
Renato Janine Ribeiro é professor de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor de Avaliação da Capes. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail":
Fui convidado pelo Center for Innovation and Research in Graduate Education (Cirge) - um centro da Universidade de Washington com o qual colaboro e no qual já publiquei, voltado para o estudo de novas formas de doutorado - a responder a um questionário sobre algumas áreas que eles reputam essenciais para o mundo. Eram tecnologia da informação (TI), saúde, aquecimento global e sustentabilidade. Como vai o doutorado nessas áreas, no Brasil?
Como estas áreas não correspondem exatamente às da Capes, tive de fazer um trabalho por aproximação. O resultado pode interessar, não só a quem frequenta essas áreas, mas a quem deseja ter uma visão de como evoluíram ou involuíram alguns campos do conhecimento, estes anos.
Como operei por proximidade, utilizei as áreas de Ecologia e Interdisciplinar para tratar tanto do aquecimento global quanto da sustentabilidade - embora a segunda área cubra muitos outros assuntos. Ciência da Computação foi a porta para considerar a TI, enquanto Medicina e Saúde Coletiva foram escolhidas, confesso que com certa arbitrariedade, para cobrir o que está mais central no desenvolvimento da saúde.Leia mais no JC.
Renato Janine Ribeiro é professor de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo (USP) e ex-diretor de Avaliação da Capes. Artigo enviado pelo autor ao "JC e-mail":
Fui convidado pelo Center for Innovation and Research in Graduate Education (Cirge) - um centro da Universidade de Washington com o qual colaboro e no qual já publiquei, voltado para o estudo de novas formas de doutorado - a responder a um questionário sobre algumas áreas que eles reputam essenciais para o mundo. Eram tecnologia da informação (TI), saúde, aquecimento global e sustentabilidade. Como vai o doutorado nessas áreas, no Brasil?
Como estas áreas não correspondem exatamente às da Capes, tive de fazer um trabalho por aproximação. O resultado pode interessar, não só a quem frequenta essas áreas, mas a quem deseja ter uma visão de como evoluíram ou involuíram alguns campos do conhecimento, estes anos.
Como operei por proximidade, utilizei as áreas de Ecologia e Interdisciplinar para tratar tanto do aquecimento global quanto da sustentabilidade - embora a segunda área cubra muitos outros assuntos. Ciência da Computação foi a porta para considerar a TI, enquanto Medicina e Saúde Coletiva foram escolhidas, confesso que com certa arbitrariedade, para cobrir o que está mais central no desenvolvimento da saúde.Leia mais no JC.
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