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domingo, 15 de setembro de 2013

Internet levará à distopia ou a uma cultura mais forte, diz fundador do WikiLeaks

Entre a prisão domiciliar e o asilo na embaixada do Equador, Julian Assange, 42, está confinado há dois anos e nove meses no Reino Unido.

Mas o fundador e editor-chefe do WikiLeaks (site conhecido por publicar documentos sigilosos) não se lamenta, em entrevista por telefone à Folha. Lista o que tem de importante para fazer, como editar novo vazamento e manter o apoio a Edward Snowden, ex-analista da CIA que revelou a espionagem em curso do governo dos EUA.

Fundador do WikiLeaks participa de debate por videoconferência em SP

Participa nesta quarta, por vídeo, de um debate sobre vigilância digital no Centro Cultural São Paulo. Deve falar de Além de Snowden, dele próprio e dos colegas Glenn Greenwald e Laura Poitras, acrescenta um nome à lista dos exilados da "distopia": Sarah Harrison, jornalista do WikiLeaks que não pode mais voltar ao Reino Unido.

Ele critica Dilma Rousseff por negar o asilo que o WikiLeaks pediu para Snowden. "Sob Lula, o Ministério das Relações Exteriores era bastante independente. Não ter [concedido asilo] sugere que a posição da presidente é fraca." A seguir, leia alguns trechos da entrevista.

Leon Neal - 6.dez.12/AFP
Assange na embaixada do Equador em Londres
Assange na embaixada do Equador em Londres

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Folha - O livro soa premonitório quando foca o acesso do governo dos EUA às comunicações latino-americanas, através de fibra ótica. Snowden, depois, comprovou o acesso no Brasil.

Julian Assange - Estudo a Agência Nacional de Segurança [dos EUA] há 20 anos. A imagem foi composta de vazamentos, telegramas, inquéritos do Congresso, testemunhos de ex-funcionários. Uma imagem complexa, que precisava ler milhares de coisas. O importante das revelações de Snowden é que alguns documentos tornaram isso claro para as pessoas.

Quando começou sua relação com Snowden? Foi através de Laura Poitras? Ou antes?

Não podemos falar desses contatos, por razões legais. Mas é interessante falar por que não podemos falar. É porque os EUA se engajaram na expansão de seu regime legal para outros países. Estão envolvidos em 67 territórios diferentes, alegando crimes.

Quando é que um governo controla outro país? Quando ele controla o uso da força de coerção. No caso do WikiLeaks, o governo aplica a Lei de Espionagem de 1917 contra jornalistas fora dos EUA.

Chelsea Manning, militar americana acusada de vazar dados sigilosos para o WikiLeaks, acaba de ser absolvida de "ajudar o inimigo", um veredito que o sr. saudou como "vitória tática". Isso também tira parte da ameaça que estava sobre o WikiLeaks?

É uma situação muito séria. Manning foi condenada por cinco acusações de espionagem. A única alegação é de que passou informação para uma organização de mídia, mas mesmo assim foi condenada por espionagem. O governo Obama processou mais casos envolvendo "whistle-blowers" [vazadores] do que todos os anteriores juntos, voltando até o século 19.

Qual é a situação, agora?

A maior investigação jamais feita de um publisher, o WikiLeaks, prossegue nos EUA. Recebi asilo do Equador. Snowden recebeu asilo, com nossa assistência, na Rússia. Laura Poitras, a documentarista de Nova York associada com Snowden e conosco, está em autoexílio na Alemanha. Greenwald, do "Guardian", está em auto-exílio no Brasil e não pode ir com segurança para os EUA.

E uma de nossas jornalistas, Sarah Harrison, que viajou com Snowden a Moscou e auxiliou o processo formal de asilo, agora está em auto-exílio, porque nossos advogados instruíram que seria perigoso voltar ao Reino Unido. É resultado da detenção de David Miranda [namorado brasileiro de Greenwald].

O Ocidente anglo-saxão está em colapso no que concerne ao Estado de Direito. Os institutos do asilo e do exílio estão se tornando importantes novamente. Seria importante ver o Brasil apoiá-los.

Mas o Brasil recusou o pedido de asilo de Snowden.

É muito decepcionante. Mostra a realidade das relações Brasil-EUA, infelizmente. Se você ler os telegramas diplomáticos do WikiLeaks sobre o Brasil, verá que sob Lula o Ministério das Relações Exteriores era bastante independente. É um sinal preocupante sobre a independência brasileira. O Brasil, no que concerne a América Latina, é forte o bastante para fazê-lo [conceder o asilo]. Que não tenha feito sugere que a posição da presidente Dilma é fraca, e ela deveria adotar ações para demonstrar essa força.

Greenwald afirma que o Brasil é o maior alvo dos EUA.

A estatística de um dos programas da NSA mostra que os EUA interceptam mais sobre o Brasil do que sobre qualquer outro país latino-americano, pelo tamanho econômico, número de empresas americanas, contratos de equipamento, petróleo.

Que conselho o sr. daria à presidente Dilma e à Petrobras? Adotarem criptografia, como escreve em "Cypherpunks"?

Sim, eles precisam abraçar criptografia. O problema de comprar equipamento de criptografia para a Petrobras ou a presidente é: você pode confiar no fornecedor? Os EUA são especializados em se infiltrar no chip dos equipamentos criptográficos. O que o país precisa é conseguir o talento brasileiro para suas próprias agências de criptografia, para que desenvolvam tecnologia que seja confiável.

Reprodução
Assange livre', pede grafite no Largo da Batata, em SP
'Assange livre', pede grafite no Largo da Batata, em SP

Greenwald ouviu o mesmo questionamento que o sr., de que não seria jornalista.

Nós previmos isso, assim que saiu a primeira publicação de Glenn, "em 12 horas, espere os ataques, eles vão tentar de tudo". E foi o que fizeram, vasculhando sua personalidade, negócios passados. Os ataques são previsíveis e enfadonhos. Mais revoltante é ver jornalistas americanos tomando parte.

O sr. está em reclusão há quase três anos. Vê alguma brecha nos governos britânico e sueco para que isso termine?

A minha prioridade é que o governo dos EUA abriu investigação contra o WikiLeaks. Na semana passada, entramos com ações na Alemanha e na Suíça. Lenta, mas seguramente, nós estamos saindo da defesa para o ataque.

Como é o seu cotidiano na embaixada? Pode tomar sol? Enfrentou depressão?

Eu refleti sobre essa situação algumas vezes. Mas nós temos publicações históricas chegando, temos uma dezena de processos judiciais, temos nossas responsabilidades em relação a Snowden e protegendo nossas outras pessoas. Isso tudo é tão engajador que, felizmente, não há muito tempo para pensar na minha própria situação.

Tem um filme entrando em cartaz, "O Quinto Poder". Como é a sensação de estar encarcerado e se tornar personagem de Hollywood?

Houve um anterior, "Australia: Underground", um bom filme. Também uma peça sobre Manning, grande peça, do País de Gales. Mas os documentários e filmes hollywoodianos têm um viés. Nesse filme a que você se referiu os atores nos apoiam, mas o roteiro, infelizmente, não.

Tem também o documentário de Poitras [para 2013].

O documentário de Laura será importante, sobre o que está acontecendo com o Ocidente à deriva para um estado de vigilância transnacional. Um dos aspectos é que a NSA e outras não são agências sombrias controlando tudo. É uma distopia pós-moderna em formação onde o sigilo é tão compartimentado e o sistema é tão bizantino que indivíduo nenhum entende. Você tem grandes organizações ao lado de milhares de contratadas. E elas formam um atoleiro, capaz de expandir influência. É difícil achar analogia precisa. É menos xadrez e mais horda mongol.

Seu livro cita uma trajetória alternativa mais positiva.

Há uma tendência importante na direção contrária. O que estamos vendo, com o fracasso da intenção de erguer um ataque à Síria, com as revelações, é o desenvolvimento de um novo corpo político internacional, de um novo consenso, de um novo "demos" [povo como unidade política].

Se a internet, por um lado, ampliou imensamente o poder dos Estados Unidos como Estado, por outro também produziu uma nova sociedade. É um tempo muito interessante, porque ou vamos derivar para essa distopia ou para esta nova cultura internacional fortalecida, que vai fornecer uma força prática e política de equilíbrio.
CYPHERPUNKS - LIBERDADE E O FUTURO DA INTERNET
AUTOR
Julian Assange (com Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann)
TRADUÇÃO Cristina Yamagami
EDITORA Boitempo
QUANTO R$ 29 (168 págs.)
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada

sábado, 17 de agosto de 2013

Novas tecnologias e culturas tradicionais



Entrevista com Carlos Frederico Marés de Souza Filho
 IHU-Online

entrevistasFacilmente absorvidas pelas culturas, as tecnologias nem sempre promovem alterações internas negativas, diz Carlos Marés à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por telefone. Formado em Ciências Jurídicas, com especialização em direito dos povos indígenas, ele acentua que as novas tecnologias, a exemplo do celular, da internet “entram naturalmente nas culturas indígenas como uma nova forma de conhecimento”. Segundo ele, “alguns anos atrás se dizia que os grupos indígenas iriam perder a sua identidade por causa das tecnologias, mas hoje está cada vez mais claro que isso não é verdade. Ao contrário, estamos vendo que as comunidades estão se coletivizando. É curioso que, via tecnologia, estão criando novas comunidades virtuais”. E acrescenta: “Um grupo indígena só perde sua qualificação de indígena quando perde a sua característica comunitária. Se essa tecnologia leva a uma perda da identidade comunitária, ela destrói a cultura. Do contrário, não”.

A dificuldade na relação entre tecnologias e culturas tradicionais está, segundo ele, atrelada à apropriação que a ciência e a indústria fazem dos conhecimentos tradicionais para desenvolver novos produtos e lucrar com eles. “Os índios não se opõem à expansão do conhecimento, mas ao fato de que uma empresa pegue esse conhecimento e o transforme em uma propriedade privada individual, que cobra dos outros pelo uso, enquanto eles não cobram. Trata-se, portanto, de uma questão interna do capitalismo”, assinala.

Carlos Marés estará no Instituto Humanitas Unisinos - IHU na próxima quinta-feira, 15-08-2013, ministrando duas palestras sobre os temas abordados na entrevista: A territorialidade Guarani e o reconhecimento de seus direitos, às 17h30, e O impacto das novas tecnologias nas sociedades tradicionais, às 19h30, a qual faz parte da programação do II Seminário - XIV Simpósio Internacional IHU – Revoluções tecnocientíficas, culturas, indivíduos e sociedades.

Marés é graduado, mestre e doutor em Ciências Jurídicas pela Universidade Federal do Paraná - UFPR. É procurador do Estado do Paraná desde 1981. Integra o Programa de mestrado e doutorado da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, onde é professor titular de Direito Agrário e Socioambiental. Foi presidente da Fundação Nacional do Índio - FUNAI, Procurador Geral do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, e diretor do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul. É sócio fundador do Instituto Socioambiental-ISA.
Confira a entrevista:

IHU On-Line - Como a cultura indígena dialoga com as novas tecnologias?
Carlos Frederico Marés de Souza Filho – É impossível falar de "cultura indígena"; só no Brasil são mais de duzentas se considerarmos cada povo uma cultura. Pode-se dizer que cada povo reage de forma diferente a diferentes manifestações da tecnologia moderna. Entretanto, o diálogo sempre é possível e, embora haja admiração pelo desconhecido, há uma curiosidade de como fazer as coisas da tecnologia.

Conta André Villas Boas que, sendo professor de crianças numa aldeia Xavante, foi questionado pelos mais velhos quando iria ensinar os meninos a fazer avião. Essa é uma diferença fundamental em alguns povos. Todos, praticamente, sabem fazer tudo, sempre há diferenças de habilidades, mas o saber fazer é comum, muito diferente da atual tecnologia baseada na divisão hermética do trabalho, em que cada um sabe apenas o pedacinho do todo.

Curiosamente esta cultura do pedacinho promove um individualismo interno muito grande, que diferencia essencialmente a chamada civilização das culturas coletivistas da América. Porém nem todas as culturas americanas são absolutamente coletivistas, há divisões de trabalho, em geral por grupos de pessoa.

IHU On-Line - Como as novas tecnologias impactam as sociedades tradicionais? Na sua avaliação, a introdução de determinadas tecnologias contribuem para a destruição da cultura tradicional indígena?
Carlos Frederico Marés de Souza Filho – Não é de todo correto pensar que as tecnologias do século XXI, eletrônicas, digitais ou químicas, sejam mais impactantes do algumas mais antigas, como, por exemplo, o machado e o facão de ferro ou aço nas sociedades tradicionais que não as conheciam. Basta imaginar o que é fazer uma casa sem um bom facão ou machado, utilizando apenas instrumentos de pedra, por mais polida que seja. Estes instrumentos diminuem consideravelmente o tempo necessário para a produção de bens de uso e consumo, como alimentação, vestuário e moradia, sobrando mais tempo para as atividades lúdicas, assim como aumenta a capacidade humana de modificação da natureza. Essas tecnologias são facilmente absorvidas pelas comunidades e promovem alterações internas não necessariamente negativas.

Se pensarmos em tecnologias mais sofisticadas, como telefonia celular, por exemplo, é muito interessante, gera muita curiosidade, mas não altera necessariamente o sistema produtivo da comunidade. Os maiores impactos, portanto, são aqueles que alteram a maneira como a comunidade produz ou pode produzir seus bens de consumo e uso. O encontro de duas culturas, porém, é sempre impactante. Algumas vezes a arrogância não permite que um veja as soluções do outro, foi o que aconteceu com espanhóis que entraram em contato com a muito desenvolvida cultura andina. A tecnologia de construção andina, chamada Inca, aproveitava a energia solar de tal forma que refrescava as quentes regiões baixas e mantinha o calor nas casas nas altitudes, assim como aproveitava as áreas geladas para conservar alimentos. Toda essa tecnologia foi desprezada pelos espanhóis e somente agora está sendo recuperada como tecnologia sem impacto negativa ao meio ambiente.

IHU On-Line - O senhor menciona casos em que a indústria química se utiliza de conhecimentos indígenas para desenvolver novos produtos. Como acontece esse processo?
Carlos Frederico Marés de Souza Filho – A indústria química, especialmente a farmacêutica e a de cosmética, têm se utilizado de conhecimentos tradicionais para desenvolver produtos. Até metade do século XX, a indústria desprezava esse tipo de conhecimento, porque achava que tinha capacidade de descobrir novos produtos sozinha, uma vez que o o escaneamento da natureza estava conhecido. Da metade do século XX em diante, a indústria começa a ver que alguns conhecimentos tradicionais são fontes preciosas de elementos químicos capazes de fazer transformações, curas, melhoras estéticas etc.

Houve, portanto, a partir de então, uma pirataria desse tipo de conhecimento, não somente em relação ao conhecimento dos indígenas brasileiros, mas também das comunidades que vivem na Índia, na china, na Indonésia. Os cientistas passaram a verificar, através do conhecimento tradicional, para que são utilizadas determinadas plantas, animais, ou frutos da natureza, com um sentido curativo. A ciência toma para si esses conhecimentos. Um deles é o curare, um produto natural que relaxa os músculos, e que alguns índios da Amazônia utilizavam para o envenenamento dos animais, que adormeciam quando atingidos pelas flechas embebidas de curare. A ciência utilizou o curare e nunca atribuiu aos índios o conhecimento.

A partir da metade do século XX, a ciência começou a ter uma direção voltada para o patenteamento do conhecimento individual, o qual passa a ser dominado pelo cientista ou pela empresa que financiou o descobrimento de tal conhecimento. O fundamento do processo de patente e a individualização do conhecimento começam a abrir um leque amplo entre o produtor do novo bem (remédio, cosmético), em relação ao conhecimento tradicional que é coletivo. Como há uma monetarização desse conhecimento através da patente, há um “roubo” muito maior de bens que poderiam ser voltados à comunidade mundial.

Para os indígenas, alguns conhecimentos são sagrados, voltados apenas a alguns iniciados, como os pajés. O manejo de alguns elementos da natureza só pode, portanto, ser feito por eles, porque foi transferido de geração para geração. Então, a abertura desse conhecimento para todo mundo significa uma violação ao sagrado e algumas culturas se sentiam absolutamente incomodadas com a interferência cientifica. Outros conhecimentos, no entanto, não eram sagrados, a exemplo do curare. Quando o conhecimento é geral, a cultura não se sente lesada por outros usarem. Então, as reações são muito diversas.

IHU On-Line – Como é possível que esse conhecimento tradicional dialogue com a tecnologia para que seja expandido?
Carlos Frederico Marés de Souza Filho – A utilização de determinados conhecimentos não é considerada um roubo, porque são conhecimentos da humanidade. Essa ideia está presente nas comunidades indígenas. O problema reside no fato de que esse conhecimento é individualizado, patenteado e a própria população que detinha o conhecimento anteriormente, não pode utilizá-lo, porque ele se transformou num bem mercantil que deve seguir regras especificas, entre elas, a de que somente um fabricante pode comercializar. O problema é quando se exclusivisa o conhecimento. Enquanto o conhecimento é coletivo e coletivizado, não há problema. Este surge justamente quando ele passa a ser apropriado por um, e negado a outros, a não ser por pagamento.

Os índios não se opõem à expansão do conhecimento, mas ao fato de que uma empresa pegue esse conhecimento e o transforme em uma propriedade privada individual, que cobra dos outros pelo uso, enquanto eles não cobram. Trata-se, portanto, de uma questão interna do capitalismo. Como resolver essa questão? As empresas detentoras da patente argumentam que investiram para descobrir determinado conhecimento – para descobrir que os índios sabiam -, e podem ressarci-los. Por outro lado, os índios dizem que o conhecimento não deve ficar na mão de uma pessoa que lucre com ele.
A solução óbvia que nos ocorre é que as empresas paguem um valor para os indígenas e, a partir dessa ideia, surge na legislação a repartição de benefícios. Mas essa repartição não basta, porque os índios não querem receber nada, e aí fica uma discussão maluca.

Surge, então, uma compreensão de que quem detém o conhecimento tem de saber o que fazer com ele. Nessa ideia há duas visões que estão vinculadas: o conhecimento prévio e, portanto, a aceitação da comunidade de que ele será usado para determinados fins e, segundo, a distribuição dos benefícios.

O mais difícil nessa relação é obter o conhecimento prévio e informado, porque os pesquisadores e as empresas ocidentais alegam que não podem dizer o que querem com determinado conhecimento, porque se disserem sem ter uma patente, outro pode roubar esse conhecimento. Como o mercado está se apropriando de um conhecimento que está fora do mercado, o próprio mercado não pode saber o que está acontecendo, porque quem patenteia primeiro é o dono do conhecimento. Por isso, normalmente o conhecimento prévio não é informado. Essa é uma relação difícil e tem dificultado as relações entre os conhecimentos tradicionais e as tecnologias.

IHU On-Line - Quais são as tecnologias utilizadas pelas comunidades indígenas? Como eles compreendem o uso da tecnologia para divulgar sua cultura?
Carlos Frederico Marés de Souza Filho – Como estamos tratando de seres humanos com iguais capacidades e diferentes informações, temos de dizer, em primeiro lugar, que todos são capazes de aprender tudo. Nesse caso, o ocidente aprende menos os conhecimentos dos índios do que o contrário. Nem eu nem você somos capazes de produzir um telefone celular, portanto, o compramos pronto na loja. Então, a nossa ignorância acerca desse objeto é absoluta, e aprendemos a utilizá-lo.
O mesmo acontece com as comunidades indígenas. Num primeiro momento podem não saber para que determinada tecnologia serve, e depois que descobrem que ela pode ser útil para se comunicarem com outros, aderem. Quem não quer ter um celular para se comunicar com os outros? Então, essas tecnologias entram naturalmente nas culturas como uma nova forma de conhecimento. Isso altera as comunidades, sim, porque todo novo conhecimento altera uma cultura, mas os impactos variam de acordo com a cultura no sentido de que às vezes há uma ânsia por conhecimento e novas tecnologias, enquanto em outra cultura há um distanciamento.

O impacto mais destrutivo numa cultura ocorre quando o grupo indígena se individualiza ou descoletiviza da sociedade. Um grupo indígena só perde sua qualificação de indígena quando perde a sua característica comunitária. Se essa tecnologia leva a uma perda da identidade comunitária, ela destrói a cultura. Do contrário, não. A cultura agrega mais um conhecimento sem destruir a sua identidade. Alguns anos atrás se dizia que os grupos indígenas iriam perder a sua identidade por causa das tecnologias, mas hoje está cada vez mais claro que isso não é verdade. Ao contrário, estamos vendo que as comunidades estão se coletivizando. É curioso que, via tecnologia, estão criando novas comunidades virtuais.

IHU On-Line - Como tem ocorrido o processo de inclusão digital nas comunidades indígenas brasileiras?
Carlos Frederico Marés de Souza Filho – Em geral no Sul há uma inclusão digital especialmente dos kaingangs. Se você chega numa aldeia kaingang, tem sinal e um telefone celular. Na região amazônica a situação é mais complicada, inclusive porque tem áreas muito grandes que não são sanadas por um ou dois pontos de acesso a telefone. Às vezes as comunidades têm acesso, mas não têm aparelhos para utilizar.

IHU On-Line – Qual é a situação dos guarani em torno da territorialidade e seus direitos?
Carlos Frederico Marés de Souza Filho – A grande novidade da história é a visibilidade da reclamação guarani. Eles estão em contato com a sociedade colonial há mais de 500 anos, têm uma cultura muito densa e sempre tiveram a ideia de que a terra é um bem que nunca irá acabar, por isso todos podem utilizá-la. Contudo, essa ideia, no século XX, foi ultrapassada, porque vemos hoje uma carência de terra no mundo. A partir da segunda metade do século XX, os guarani passaram a ficar enclausurados em pequenos pedaços de terras e inclusive usaram terras dos kaingangs, mas acabaram ficando sem território.

Além disso, eles sempre foram tratados pelos brasileiros como paraguaios, e esse estigma foi destruindo seus territórios. Nos últimos 20 anos há um retorno dos guarani pela busca de seus territórios. Os guarani sempre foram invisíveis e agora que passaram a reivindicar seus direitos, passaram a ser visíveis. Essa disputa pela terra tende a ser violenta, mas é preciso deixar claro que eles não estão praticando violência, e sim sofrendo. Eles estão reagindo, como sempre reagiram.
Reproduzido de Plurale.
  

quarta-feira, 31 de março de 2010

Tecnologia Suja
Carvão alimenta boa parte da "nuvem" da internet, diz Greenpeace

Sendo a Internet um meio poderoso de comunicação, e nós usuários dessas redes de relacionamento, creio que não será difícil orquestrarmos uma ação de repúdio ou boicote a estas empresas poluidoras, como forma de pressão para que operem com tecnologias mais limpas.Minha casa Meu mundo.

A "nuvem" de dados que está se tornando o coração da internet cria uma nuvem muito real de poluição, com a construção de centrais de processamento de dados por empresas como Facebook e Apple, cuja energia tem por base a queima do carvão, afirma um relatório do Greenpeace divulgado nesta terça-feira (30).

Uma nova instalação do Facebook utilizará energia de uma geradora cujo principal combustível é o carvão, enquanto a Apple, que lançará o iPad em 3 de abril, está construindo uma central de armazenagem de dados em uma região da Carolina do Norte (EUA) que tem eletricidade gerada por carvão, afirmou a organização ambiental no estudo.

"A última coisa de que precisamos é de mais infraestrutura em nuvem construída em locais onde isso represente alta na demanda por energia suja acionada a carvão", conclui o Greenpeace, cujo argumento é o de que as empresas da web deveriam ser mais cuidadosas quanto aos locais em que constroem suas centrais de dados e deveriam intensificar a pressão em Washington por energia mais limpa.

O crescente volume de filmes domésticos, fotos e dados de negócios superou a capacidade dos computadores pessoais e mesmo das centrais médias de processamento de dados empresariais, o que estimula a criação de imensas centrais de servidores equipadas com dezenas de milhares de máquinas especializadas, que formam a "nuvem".

O relatório surge em meio a um novo debate norte-americano sobre criar ou não limites ou outras medidas que reduzam o uso de combustíveis com teor pesado de carbono, como o carvão, a fim de limitar alterações no clima.

Apple, Facebook, Microsoft, Yahoo! e Google: todas operam ao menos algumas centrais de processamento de dados para as quais é necessário uso intensivo de energia gerada pela queima de carvão, informa o Greenpeace.

As empresas se recusaram a oferecer detalhes sobre suas centrais de processamento de dados, mas todas elas disseram que levam em conta as questões ambientais em suas decisões de negócios; a maioria também declarou estar promovendo medidas agressivas de eficiência energética.

Se consideradas como um país, centros de processamento de dados e telecomunicações globais ficariam em quinto lugar em consumo de energia no mundo em 2007, atrás dos Estados Unidos, China, Rússia e Japão, afirma o relatório do Greenpeace.

O grupo baseou suas descobertas em uma série de dados, incluindo estudo federal norte-americano de 2005 e uma pesquisa de 2008 realizada por Climate Group and the Global e-Sustainability Initiative, que o Greenpeace atualizou em parte com informações da Agência de Proteção Ambiental dos EUA. (Fonte: Folha Online)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Fundação Telefônica torna global o portal EducaRede


Trata-se de iniciativa inovadora e pioneira pela integração educativa entre nações ibero-americanas. Internautas irão dispor de um conteúdo ampliado e trocar experiências com usuários do portal em outros países.

O EducaRede, portal educativo da Fundação Telefônica voltado para a inovação tecnológica na educação, passa a ser global. O anúncio foi feito em Madri, pelo vice-presidente executivo da instituição na Espanha, Javier Nadal, durante a realização do V Congresso Internacional EducaRede. Com isso, o conteúdo dos portais dos oito países que desenvolvem o programa será unificado, resultando em uma ampliação de perspectiva para seus usuários e em uma iniciativa inovadora.

O EducaRede, cujo objetivo é contribuir para a melhoria da qualidade da educação por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação, é desenvolvido na Espanha, Brasil, Argentina, Chile, Peru, Venezuela, Colômbia e México. No país, foi criado há sete anos e tem atraído um número cada vez maior de educadores, pais e alunos para a interatividade educativa na internet. Na Espanha, o portal existe há 10 anos. Até aqui, o EducaRede era considerado um projeto internacional, que combinava filosofia global com atuação local, composto de portais individualizados por país.

No Brasil, são aproximadamente 200 mil cadastrados e é registrada uma média anual de 2,3 milhões de visitas. No mundo todo, o EducaRede possuía, em 2008, mais de 32 milhões de participantes e aproximadamente 267 mil pessoas registradas em 79 comunidades virtuais que desenvolvem ações de natureza colaborativa. A criação e o desenvolvimento da nova plataforma foi um processo que tomou aproximadamente dois anos, envolvendo estudos, testes e debates entre todos os países envolvidos.

O novo portal unificará a ação das equipes do EducaRede em todo o mundo, dando acesso a conteúdos, ferramentas e serviços, ao mesmo tempo, globais e personalizados. Para o presidente da Fundação Telefônica no Brasil, Sérgio Mindlin, o portal global permitirá uma troca intensa de experiências no âmbito da ibero-américa: “O portal será mais dinâmico e moderno e propiciará uma ampliação extraordinária de visão, uma oportunidade única de integração ibero-americana, já que a realidade de cada país participante será compartilhada, sem que se percam as especificidades locais”, afirma.

Como vai funcionar

Para os usuários brasileiros, a URL do portal continuará a mesma, ou seja, www.educarede.org.br. Até o dia 15 de dezembro, o internauta ainda irá visualizar a homepage do Brasil, onde haverá indicações e links para o conteúdo do portal global. Já a partir dessa data, o usuário passará a entrar diretamente no portal global. Quando o internauta fizer o acesso, será identificado pelo IP, e a home do novo portal se abrirá para o usuário brasileiro em Português.

Os conteúdos dos portais de cada país serão preservados, mas sofrerão uma reclassificação, gerando assim a formatação de um novo menu. Desta forma, a seção “Turbine sua aula”, por exemplo, ficará dentro do ícone “Práticas”. Para localizar as seções, o internauta terá o recurso da busca por palavra-chave ou através do mapa do site. Algumas funções estarão em período de adaptação, mas a previsão é de que toda a migração seja concluída até março. O portal será bilíngüe, com conteúdos traduzidos para o Espanhol e para o Português. O usuário do Brasil – único país com o idioma Português – disporá de uma ferramenta de tradução automática para blogs, chats e fóruns

“O EducaRede continuará sendo um portal para professores, pais e alunos e terá um caráter ainda mais forte no eixo da inovação pedagógica e tecnológica”, antecipa Mindlin. Segundo ele, abre-se a possibilidade, a partir de agora, do desenvolvimento de projetos globais e multipaíses, além das iniciativas locais.

Aliás, alguns dos projetos já em andamento no Brasil passarão a ter caráter global, como acontecerá com a comunidade “Minha Terra”. Neste caso, o aluno brasileiro terá a oportunidade de conhecer não apenas a realidade regional brasileira, mas a de outros países também. O contrário também ocorrerá, ou seja, projetos argentinos ou chilenos, por exemplo, poderão ser desenvolvidos no Brasil. “Propiciar a integração de todas essas iniciativas é um grande avanço e quem ganha com isso são os próprios usuários”, enfatiza o executivo.

Sobre a Fundação Telefônica
Criada em 1999 com o objetivo de coordenar o investimento social do Grupo Telefônica no Brasil, a Fundação Telefônica completa 10 anos de atuação no País. Nesse período, mais de 500 mil pessoas foram beneficiadas direta ou indiretamente com os projetos de desenvolvimento social, que têm como eixos centrais a consolidação dos direitos das crianças e dos adolescentes e a melhoria da qualidade da educação pública. Hoje, seus principais programas são o Pró-Menino e o EducaRede. A Fundação Telefônica mantém ainda os programas Arte & Tecnologia e Voluntários Telefônica.
(Envolverde/Fundação Telefonica)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Emissões aumentaram 62% em 15 anos

As emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram 62% entre 1990 e 2005. O número, apresentado nesta quinta-feira (25/11) pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, fará parte do segundo inventário nacional de emissões, que deve ser apresentado à Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
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O total de emissões nacionais saltou de 1,4 gigatonelada para 2,2
gigatoneladas de gás carbono equivalente (a medida considera todos os gases de efeito estufa).

O inventário, que segundo Rezende, será apresentado para consulta pública no início de 2010 e concluído em dezembro, detalhará emissões dos setores de energia, processos industriais, agricultura, mudança de uso da terra e florestas - que inclui desmatamento - e tratamento de resíduos.

“Essas tabelas, os dados oficiais do governo, são praticamente essas do inventário. De agora até março, os números serão checados e verificados”, disse o ministro.
Pelos dados preliminares, todos os setores registraram crescimento das emissões. No caso do desmatamento, as emissões aumentaram 70% entre 1990 e 2005 e representam 57,5% das emissões totais do país. O segundo setor que mais contribui para o lançamento de gases de efeito estufa pelo Brasil é a agricultura, que representam 22,1% do total. Em 15 anos, as emissões do setor cresceram 41%.

O setor energético aumentou suas emissões em 68% e aumentou sua participação de 15,8% para 16,4% do total nacional. Na indústria, o aumento de emissões em 15 anos foi de 39%, mas a participação do setor para as emissões nacionais caiu de 2% para 1,7%. As emissões por tratamento de resíduos no mesmo período aumentaram 77%, passando de 2% para 2,2% do total de gases de efeito estufa emitidos pelo Brasil.

(Agência Brasil)

Divulgação científica e responsabilidade

1º Foro Iberoamericano de Divulgação e Comunicação Científica termina nesta quarta-feira, dia 25, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Fábio Reynol escreve para a "Agência Fapesp":

A informação científica não deve servir para ameaçar ou para agradar o cidadão, antes de tudo deve torná-lo responsável pela ciência que seu país produz. A afirmação, de Miguel Angel Quintanilla, diretor do Instituto de Estudos da Ciência e da Tecnologia (Ecyt, na sigla em espanhol) da Universidade de Salamanca, Espanha, foi feita no 1º Foro Iberoamericano de Divulgação e Comunicação Científica, realizado de 23 a 25 de novembro na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Quintanilla apresentou os dois principais modelos teóricos utilizados para estudar a divulgação científica, "Déficit Cognitivo" e "Contextual", e por fim mostrou a sua proposta batizada de "Perspectiva Cívica" por se basear nos princípios de cidadania.

O modelo de Déficit Cognitivo pressupõe uma sociedade dividida entre especialistas e leigos. Os primeiros detêm o conhecimento científico e os demais necessitam dessa informação especial. Segundo Quintanilla, trata-se de um modelo pragmático que preconiza que a sociedade deve conhecer a ciência a fim de apoiá-la.
Leia mais

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

USP cria Licenciatura em Educomunicação

Projeto da Escola de Comunicações e Artes destinado à criação de uma Licenciatura em Educomunicação acaba de ser aprovado pelo Conselho Universitário da USP, em sua sessão de 17 de novembro de 2009. A proposta apresentada pelo Departamento de Comunicações e Artes – CCA - obteve 67 indicações num colegiado composto por 86 votantes.

A Licenciatura destina-se a preparar profissionais para atender demandas provenientes do campo da educação formal (magistério) bem como daprática social que prevê o uso das tecnologias da informação e das linguagens da comunicação das artes em projetos voltados para a comunicação educativa.

O profissional a ser formado encontrará espaço de atuação na docência, especialmente nos cursos profissionalizantes de nível médio voltados para a comunicação e as tecnologias da informação. Terá atuação, ainda, no desenvolvimento de projetos destinados a qualificar a expressão comunicativa da comunidade escolar, fazendo uso das linguagens da comunicação, das artes, assim como das tecnologias da informação, tanto no ensino básico quanto no superior. No caso, o educomunicador agirá como um assessor a serviço das secretarias de comunicação, das diretorias de ensino e das próprias escolas.

A presença do educomunicador já é visível em escolas de redes públicas, bem como em projetos de organizações não governamentais que, na área do terceiro setor, empregam a mídia em programas educativos. O novo curso pretende potencializar as ações destes profissionais, assim como as práticas dos que, nos meios de comunicação, especialmente jornais, emissoras de rádio e de TV, se dedicam à comunicação educativa.

A iniciativa foi precedida, ao longo das últimas duas décadas, por pesquisas de mestrado e doutorado sobre a inter-relação Comunicação/Educação em programas de Pós-Graduação da USP, especialmente na ECA e na Faculdade de Educação. Por sua vez, o conceito da Educomunicação vem sendo aplicado, especialmente na última década, à ação profissional na interface entre os dois campos através de uma série de experiências de formação em serviço, em todo o país, mediante projetos de extensão, tanto presenciais quanto a distância, implementados por docentes e núcleos de pesquisa vinculados ao Departamento de Comunicações e Artes da ECA.

O novo curso, com 2.800 horas e duração de quatro anos, será oferecido no período noturno, a partir de fevereiro de 2011. Uma equipe multidisciplinar de 19 professores doutores, especialistas em teorias, linguagens e gestão da comunicação, educação, teoria e crítica das artes e tecnologias da informação assumirá as disciplinas e a direção do novo programa. De acordo com o Prof. Ismar de Oliveira Soares, Chefe do CCA-USP, a aprovação do novo curso é uma vitória de um esforço coletivo de uma equipe de pesquisadores e docentes da ECA – muitos dos quais aposentados, que identificaram o potencial da ECA para o atendimento das demandas que a sociedade da informação está colocando para o ensino da comunicação e da educação no mundo contemporâneo.
NCE/USP

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Bolívia passa a integrar a rede SciELO

A Bolívia é o 16º país a integrar a rede SciELO, com a publicação on-line em acesso aberto de uma coleção formada por periódicos nacionais selecionados

O país vizinho faz parte da Rede SciELO desde setembro. A expectativa é que a SciELO Bolívia contribua decisivamente para aumentar a visibilidade e o acesso à produção científica e técnica publicada na Bolívia. Seguindo a política de desenvolvimento da rede SciELO, a coleção foi aprovada inicialmente para ingresso na condição probatória, denominada "coleção em desenvolvimento", com vistas à sua futura certificação quando todos os requisitos SciELO forem cumpridos.

O ingresso da Bolívia na rede SciELO vinha sendo promovido nos últimos anos por meio da articulação, intercâmbio de informação e cooperação técnica envolvendo a participação de várias instituições bolivianas relacionadas com a pesquisa e a comunicação científica, com destaque para o Ministério de Ciência e Tecnologia da Bolívia, os editores científicos e suas instituições e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), por meio da sua Representação na Bolívia, e do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME/OPAS/OMS).
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Dúvida: a internet é reacionária ou progressista?

Leonardo Sakamoto

Considerando que a internet é apenas um espaço, um meio, nenhuma das duas opções, e que as pessoas que utilizam esse meio é que adotam posturas, não saberia afirmar se hoje, no Brasil, a maior parte das pessoas que navegam se inclinam mais para um lado ou para o outro. Mas, se não é possível dizer que a internet é isso ou aquilo, aqui no blog boa parte dos comentários são extremamente conservadores – do meu ponto de vista, é claro. Pincei algumas declarações recorrentes por aqui e teci algumas considerações.

Com exceção daqueles que pecam pela extrema falta de bom senso e por isso são deletados, todos os comentários postados são mantidos. Posso discordar veementemente do que diz o meu leitor, mas ele tem o direito de dizer e a internet é um espaço aberto para isso mesmo. Por isso, vocês vão ter que me engolir nessa.

“Tá com dó de criança de rua/morador de rua/usuário de drogas? Leva para casa.”
A sistemática ausência do Estado e a mais sistemática ação de determinados grupos ditos liberais de reduzir a importância da ação estatal ajudou a espalhar cada vez mais aberrações como essa. A discussão sai do âmbito das políticas públicas, que deveriam existir para dar apoio a determinadas populações fragilizadas, e passou para o espaço privado. Ou seja, sou eu que tenho que pegar cada pessoa pelo braço e dar comida em casa. Pois o Estado tem que se preocupar com coisas mais importantes, como auxiliar grandes corporações. Por outro lado, o comentário é recheado de rancor, como se a pessoa desejasse ver uma punição contra esses deslocados. “Por que tenho que me encaixar na sociedade e eles não?”, deve perguntar o missivista. Daí para a desumanização e queimar índios na rua é um passo.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Rio de Janeiro discute software livre

De 15 a 17 de setembro, a Capital Fluminense recebe mais uma edição do Fórum de Tecnologia em Software Livre, com o objetivo de disseminar plataformas livres e padrões abertos.

O Fórum de Tecnologia em Software Livre é um evento itinerante, que já foi realizado com sucesso em diversas cidades do país. Esta é uma iniciativa do Serpro para integrar instituições públicas, empresas, comunidades e universidades para o debate consciente sobre o uso e filosofia do software livre.

Os três dias de evento são marcados pelo caráter técnico das palestras e mini-cursos. Da programação destacam-se os temas de Ecosistema Ruby on Rails, Creative Commons, Zen of Python, Framework Demoiselle, entre outros. Confira todas as palestras e mini-cursos.

As palestras serão transmitidas pela Internet, através do serviço Assiste - Videostreaming Livre do Serpro. Acesse: http://streaming.serpro.gov.br/ftsl-rjo/ e acompanhe as atividades.
As inscrições para o Fórum são gratuitas, inscreva-se no sítio: http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/riodejaneiro.
Loyanne Salles (Serpro - Brasília, 4 de setembro de 2009)

Confira também a matéria "Presidente Lula reafirma opção do governo pelo software livre"