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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Eco-Ar-Te para o Reencantamento do Mundo

Amigos e leitores deste blogger, confiram a obra "Eco-Ar-Te para o Reencantamento do Mundo", organizada por Michèle Sato e que tem uma pequena contribuição minha com o artigo "O cinismo do Mundo". O livro é um lançamento da editora RiMa, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT).



Especificações

360 páginas - 21x28 - Colorido - ISBN 978-85-7656-199-6

Sumário

Prefácio IX

Po-éticas da educação ambiental 2
Michèle Sato

I. POÉTICA DO TEXTO

Carta da Terra 11
Leonardo Boff

Ciência e Cultura 21
Marcos Terena

Educação Ambiental, Sociedade de Risco e o Desafio de Inovar para
Modificar Práticas Sociais 28
Pedro Roberto Jacobi

Lições da Ciência Natural: A Arte de Aprender no Ambiente e com o Ambiente 35
José Gutiérrez-Pérez

Movimento Artistas pela Natureza (MAPN) 46

Arte Popular: Trilheira para a Arte/Educação/Ambiental 52
Imara Pizzato Quadros

No Fio da Navalha 63
Luiz Antonio Ferraro Júnior

Sonhos de Eduardo 73
Gabriel Felipe Kalb; Ivo Alberto Kalb

Civilização X Barbárie 82
Wladimir Gomide

II. POÉTICA DA IMAGEM

Não Há Regras, Apenas Materiais 87
Burnell Yow

Surrealismo 94
Bernard Dumaine

Surrealismo na Veia de Magritte 100
Flávio Zanelatto; Michèle Sato

Educação Ambiental e Suas Relações com o Universo da Fotografia 108
Martha Tristão; Vitor Nogueira

Arte, Sociedade e Educação Ambiental: Um Reflexo das Organizações
Sociais, Económicas e Políticas 116
Joaquim Ramos Pinto; Manuela Galante

O Cinismo do Mundo 134
Liete Alves

III. POÉTICA DA PAISAGEM

Crônicas de Viagem 146
Isabel Carvalho

Como Era Verde o Meu Sahel 167
Aidil Borges

A Arquitetura da Floresta 177
Valionel Tomaz Pigatti

Ponte da Misarela 181
Alfredo Mendes

Representaciones Sociales, Cultura y Gestión del Agua: Algunas Notas para el Debate

Sobre Una ¿Nueva Cultura del Agua¿ en América Latina 185
Nidia Piñeyro

As Metáforas da Água e a Mediação entre Natureza e Cultura 196
Vera Lessa Catalão

IV. POÉTICA DO SOM

Madame Butterfly: De Benjamin Franklin Pinkerton a Bush ¿ O Ocidente
no Banco dos Réus 203
Luiz Augusto Passos

Música Ambiente e Ambiente Musical (em Contraponto) 225
Herman Hudson de Oliveira

V. POÉTICA DA POESIA

Sou Ave Plantada no Céu 234
Gaivota

Poética Ambiental 239
Artur Gomes

Momentos Poéticos 249
Virgínia Fulber; Eliana de Faro Valença

Haikais da Natureza 261
Jiddu Saldanha

A Poética do Cerrado ¿ Uma Antologia de Autores Que Cantaram esta
Antiga, Rica e Frágil Região Core do Brasil 266
Rômulo Pinto Andrade

Poesia Reunida 284
Pat Mousinho; Ramón Vargas; Ricardo Vicente; Michèle Sato

VI. POÉTICA DO CORPO

Um Extrato de Âmbar Que Atravessa os Séculos 298
Michèle Sato

A Arte de Educar com Bonecos na Educação Ambiental 309
Maria Neuma Clemente Galvão

Escultura e Educação Ambiental 319
Rachel Trajber

Corpo, Mito e Ancestralidade: O Legado do Viajante 325
André Sarturi

Na Voragem do Olhar: Uma Visão Mitopoética dos Elementos 334
Luciana Pessanha Pires

Viagens entre os Mundos 338
Ivan Belém; Michèle Sato

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Evolução das espécies

BIG BANG BIG BOOM - the new wall-painted animation by BLU from blu on Vimeo.


O artista italiano Blu fez este vídeo impressionante que retrata a evolução da vida na Terra. Em seu blog, ele conta que foram meses de trabalho com ajuda de amigos, além de muitos baldes de tinta. Trata-se uma animação de fotos de suas pinturas feitas em muros e outros 'equipamentos urbanos'. Não dá para descrever, só vendo. Em homenagem a 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, o trabalho único de Blu.
(OECO)

sexta-feira, 12 de março de 2010

E ganhou a máquina de guerra

Filme vencedor transforma os assassinos que dizimam culturas em heróis-santos
LUIZ BOLOGNESI, ESPECIAL PARA O ESTADO

Ao contrário do que parece à primeira vista, a polarização entre Avatar e Guerra ao Terror não traduz uma disputa entre cinema industrial e cinema independente, nem batalha entre homem e mulher. O que estava em jogo e continua é o confronto entre um filme contra a máquina de guerra e a economia que a alimenta e outro absolutamente a favor, com estratégias subliminares a serviço da velha apologia à cavalaria.

Avatar foi acusado nos Estados Unidos de ser propaganda de esquerda. E é. Por isso é interessante. No filme, repleto de clichês, os vilões são o general, o exército americano e as companhias exploradoras de minério do subsolo. Os heróis são o "povo da floresta". A certa altura, eles reúnem todos os ''clãs'' para enfrentar o invasor americano. Clãs? Invasor americano? Que passa? É difícil entender como a indústria de Hollywood conseguiu produzir um filme tão na contramão dos interesses do país e transformá-lo no filme mais visto na história do cinema. Esse fato derruba qualquer teoria conspiratória, derruba décadas de pensamento de esquerda segundo a qual a indústria de Hollywood está sempre a serviço da ideologia do fast-food e da economia que avança com mísseis, aviões e tanques. Como explicar esse fenômeno tão contraditório?

Brechas, lacunas na história. Ou como diria Foucault, a história é feita de acasos e não de uma continuidade lógica cartesiana. A necessidade do grande lucro, da grande bilheteria mundial produziu uma antítese sem precedentes chamada James Cameron. O homem de Titanic tinha carta branca. Pelas regras da cultura do "ao vencedor, as batatas", Cameron podia tudo porque era capaz de fazer explodir as bilheterias mundiais.

Mas calma lá, cara pálida, uma incoerência desse tamanho, você acredita que passaria despercebida? O general americano, vilão? As companhias americanas que extraem minério debaixo das florestas tratadas como o império das sombras? Alto lá. Devagar com o andor, mister Cameron.

Aí, alguém chegou correndo com um DVD na mão. Vocês viram esse filme da ex-mulher do Cameron? Não, ninguém viu? Então vejam. É sensacional. Ao contrário de Avatar, nesse DVD aqui o soldado americano é o herói. Aliás, mais que herói, ele é um santo que arrisca sua própria vida para salvar iraquianos inocentes. Jura? Temos esse filme aí? Sim, o pitbull americano é humanizado e glamourizado, mais que isso, ele é santificado.

Então há tempo.

Guerra ao Terror estreou no Festival de Veneza há dois anos. Por acaso eu estava lá como roteirista de Terra Vermelha, do diretor italiano Marco Bechis, e fui testemunha ocular da história. O filme da diretora Kathryn Bigelow foi absolutamente desprezado pelos jornalistas e pelo público. E seguiu assim. Indo direto ao DVD, em muitos países, sem passar pelas salas de cinema. Até ser resgatado pela indústria americana como um trunfo necessário para contestar Avatar e reverenciar a máquina de guerra e o sacrifício de tantos jovens americanos mortos e decepados em campo de batalha.

Trabalhando num projeto para o mesmo diretor italiano, que pretendia fazer um filme sobre os viciados em guerra no Iraque, eu pesquisei o assunto durante alguns meses. Tudo muito parecido com o filme de Bigelow, exceto por um detalhe. O detalhe é que os soldados americanos que se tornam dependentes da adrenalina da guerra tornam-se assassinos compulsórios e não salvadores de vidas. O sintoma dos viciados em guerra é atirar em qualquer coisa que se mexa, tratar a realidade como videogame e lidar com armas e balas de verdade como um brinquedo erótico. Se Guerra ao Terror representasse nas telas essa dimensão da realidade, seria um filme sensacional, mas não teria levado o Oscar, podem apostar.

Guerra ao Terror venceu o Oscar porque, como nos filmes de forte apache, transforma os assassinos que dizimam outras culturas em heróis santificados. A cena extremamente longa e minimalista em que os jovens soldados americanos em situação desprivilegiada combatem no deserto os iraquianos é o que, se não uma cena clássica de caubóis cercados por apaches? Sem nenhuma surpresa para filmes desse gênero, os garotos americanos vencem, matam os iraquianos sem rosto, como os caubóis faziam com os apaches no velho-oeste. A cena do garoto iraquiano morto, com uma bomba colocada dentro do corpo por impiedosos iraquianos, que literalmente matam criancinhas, tem a sutileza de um elefante numa loja de cristais. Propaganda baratíssima da máquina de guerra.

No filme de Cameron, os na"vi azuis podem ser os apaches que derrotam o general e expulsam a cavalaria americana. Mas isso é apenas uma ficção. Na vida real do Oscar, a cavalaria precisa continuar massacrando os apaches.

Luiz Bolognesi é roteirista de filmes como Bicho de Sete Cabeças e Chega de Saudade

quarta-feira, 10 de março de 2010

Derrota de “Avatar” tem repercussões indígenas


Por Gonzalo Ortiz, da IPS

Quito, 10/3/2010 – O filme “Avatar” ter sido o grande derrotado na entrega do Oscar não foi ruim apenas para seu diretor, James Cameron. Também foi um revés na luta para recuperar zonas amazônicas dos efeitos da contaminação petrolífera. Várias organizações ambientalistas, como a Rede de Ação pela Selva Tropical (Ran) e a Rede para a Defesa da Amazônia, haviam solicitado a Cameron que divulgasse para a “sua legião de fãs no mundo que, enquanto Pandora é uma ficção, o que acontece com as comunidades indígenas do Equador é mais real do que se imagina”.

No filme, o mundo de Pandora, uma lua do planeta Polifemo, se vê ameaçado pela intenção dos humanos de ali explorar um mineral vital para o fornecimento de energia à Terra. Rebecca Tarbotton, diretora-executiva da Ran, compara a história de “Avatar” com o drama da vida real dos indígenas equatorianos que lutam contra a companhia petroleira Chevron, movendo um processo multimilionário por danos ambientais.

Além de uma campanha via e-mails desde fevereiro, apoiada por blogs e declarações à imprensa, Tarbotton pediu, na manhã de domingo, que Cameron cumprisse sua promessa de usar o filme para inspirar um ativismo ambiental em massa. Mas “Avatar” perdeu nas categorias de melhor diretor e melhor filme, ganhando apenas três estatuetas em categorias menores das nove para as quais estava indicado. Por isso, Cameron não subiu ao palco nem fez discurso algum na cerimônia de entrega do Oscar, no domingo em Los Angeles.

Claro que o diretor norte-americano tinha outros pedidos também: a organização Survival International, por exemplo, pediu-lhe, por meio de nota na revista Variety, que ajudasse o povo indígena dos dongria kondh da Índia, que tenta defender sua terra contra uma empresa mineradora desse país, empenhada em extrair bauxita de sua montanha sagrada. Não quer dizer que Cameron vá chorar por não ter ganho o Oscar, pois seu filme já arrecadou US$ 2,5 bilhões, convertendo-se na maior bilheteria da história do cinema.

A derrotada foi a causa ambiental, embora o julgamento contra a Chevron continue em sua longa peregrinação pelos tribunais. E já que se fala em recordes, trata-se do maior julgamento coletivo da história contra uma multinacional: as comunidades indígenas da área onde ocorre a atividade petroleira reclamam compensação de US$ 27 bilhões. Os demandantes, cerca de 300 indígenas e colonos mestiços, acusam a Texaco, adquirida pela Chevron em 2001, de lançar no ambiente mais de 18 bilhões de galões de água contaminada e de deixar vazar cerca de 17 milhões de galões de petróleo cru ao longo de sua atividade no Equador, entre 1964 e 1990.

Essas práticas ilegais causam contaminação do solo, das águas subterrâneas e dos riachos e rios da região, o que, de acordo com os demandantes, causou câncer, defeitos congênitos e abortos nas populações indígenas. A Chevron recusou o julgamento nos tribunais equatorianos, por isso o caso foi para os Estados Unidos, mas, após exames pelos tribunais norte-americanos, estes decidiram que a jurisdição equatoriana era perfeitamente válida. As mudanças de jurisdição e as manobras legais de todo tipo fazem com que o julgamento se arraste há mais de 16 anos.

Desde meados de fevereiro, o processo está nas mãos do novo presidente do tribunal provincial da província de Sucumbíos, Leonardo Ordóñez, que substituiu o juiz Juan Núñez, acusado pela empresa de ter aceito supostos subornos. “Só o que pedimos ao doutor Ordóñez é que trabalhe segundo a lei, com transparência e imparcialidade, e não permita mais abusos da Chevron para continuar retardando o julgamento”, disse o advogado da Frente de Defesa da Amazônia, Pablo Fajardo, em um comunicado.

As manobras da empresa norte-americana incluíram, como confirmou em janeiro o ex-chanceler do Equador, Fander Falconi, tentativas de impedir a prorrogação das preferências alfandegárias nos Estados Unidos para o comércio com o Equador. Segundo Falconi, a companhia havia implementado, em 2009, “uma das gestões mais fortes e ferozes já enfrentadas pela política externa equatoriana”, para impedir a renovação destas preferências alfandegárias.

A contratação de escritórios de advocacia, o emprego de negociadores especialistas e a ação diplomática equatoriana conseguiram se contrapor à influência política e diplomática da Chevron em Washington, disse Falconi antes de deixar o cargo. As preferências alfandegárias às quais se referiu são as que Washington concede a centenas de produtos do Equador, Peru e Colômbia em compensação pela luta contra o narcotráfico. A Bolívia, outro país que era favorecido pela iniciativa, foi excluída deste esquema no ano passado. IPS/Envolverde

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Minuscule "The Ugly Snail"



Assistam a série francesa do maravilhoso mundo dos insetos.Vale a pena! A dica foi dada pela Mi Sato, na Rede Luso.Bom domingão!

sábado, 28 de novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Sensação de paz

When Mantas Dance from liquidmocean on Vimeo.



Com pouco mais de onze minutos, o vídeo acima é um verdadeiro show de imagens com o nado suave de arraias-jamanta. Elas foram captadas durante os três anos e meio em que Mark Thorpe viveu na ilha Yap, na Micronésia. Clique e confira o majestoso balé desses parentes dos tubarões.
O ECO

domingo, 8 de novembro de 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Os "inventários" de Bernard Pras






Os inventários de Bernard Pras são retratos feitos a partir de objetos e contextos os mais variados possíveis. Seu trabalho começou a ser exposto em 1998,quando ele montou retratos de amigos e pessoas celébres. Seu trabalho de bricolagem trabalha com a ilusão a partir de ângulos especiais, sombras e distanciamento da obra.Vale a pena conferir.Netse endereço tem algumas obras do autor.Não esqueça de clicar sobre elas. Algumas são surpreendentes
Confira também este endereço

Escada de Piano


A ação, feita em conjunto pela agência de publicidade DDB e pela Volkswagen, foi implantada em um metrô de Estocolmo, na Suécia. Imagine que você está descendo as escadas do metrô, como faz habitualmente todos os dias, e começa a ouvir sons de piano, tocados em ritmo que vai de acordo com os seu passos. Essa foi a proposta da agência de publicidade DDB em uma parceria com a Volkswagen. As duas empresas se reuniram para criarem um experimento chamado, *FunTheory (algo como "teoria divertida", em inglês), uma tentativa bem ambiciosa de tentar mudar os hábitos sedentários dos moradores da capital da Suécia, Estocolmo. Para isso, transformaram as escadas de uma estação de metrô em um piano, o que aumentou surpreendentemente o uso das escadas em 66%. O resultado você confere no vídeo.

sábado, 31 de outubro de 2009

AS IMAGENS DO QUOTIDIANO OU DE COMO O REALISMO É UMA FRAUDE






António Preto
Jens Astrup, “Mona Gregersen espera pelo carro”, Vårst, Himmerland, 11h05 (“Histoires d’un jour” – Maison du Danemark)/
Joel Meyerowitz, “New York City, 5th Ave. and 57th St.”, 1975
Mesmo depois de submetida, no domínio da criação artística, à avaliação crítica da sua aptidão eminentemente documental, a fotografia nunca deixou, desde o seu início, de se propor como um eficaz instrumento de medição do mundo, reclamando ainda um inquestionável valor testemunhal. As contingências físico-químicas da fotografia analógica afiançam a realidade presencial das coisas: asseguram que o que quer que figure na imagem fotográfica tenha forçosamente de ter estado diante da objectiva, garantem uma relação indicial da imagem (real) com os objectos (reais). A fotografia sustenta-se assim, isso mesmo o observam Rosalind Krauss e Susan Sontag, num compromisso inquebrantável com a realidade física, instância categórica que confere à imagem fotográfica veracidade material, objectividade crítica e factualidade histórica. Por mais representações pictóricas e documentos escritos que tenham sido produzidos sobre Cristo, a sua historicidade só seria irrefutavelmente provada – considerando este enquadramento teórico e apesar de toda a controvérsia – com o Sudário de Turim ou com o véu de Santa Verónica (do latim, “vero icon”, ou seja, “verdadeira imagem”), significativamente, padroeira dos fotógrafos.

Criticada por Baudelaire (e mais tarde por Benjamin) por não passar de uma técnica automática de reprodução mecânica da realidade, um “refúgio de todos os pintores frustrados”, menosprezada por Ingres (que, no entanto, utilizava daguerreótipos de Nadar para a execução dos seus retratos e confidenciava: “a fotografia é melhor do que o desenho, mas não é preciso dizê-lo”), reduzida à função de mero instrumento e à qualidade de produto industrial, a fotografia não conseguiria, no entanto, destacar-se inteiramente dos estereótipos pictóricos. Contrariando os receios iniciais de que a fotografia se impusesse em substituição das formas tradicionais de representação, os fotógrafos centrar-se-iam na exploração de novos recursos, principalmente químicos, e de novas técnicas de enquadramento e de iluminação, distanciando-se do realismo da fotografia primitiva, tida como “cópia do real”, para se deterem na opacidade da imagem, passando assim a privilegiar abordagens subjectivas, interpretativas e discursivas, mais ajustadas às pretensões autorais.

No sentido inverso, a fotografia participaria com a pintura (liberta das concepções académicas sobre a composição), na revolução do olhar: casual e ordinário, capaz de ver a realidade em fragmentos e de apreciar e decompor os gestos e os movimentos. Se, por um lado, a fotografia se cinge necessariamente a um referente ocular, por outro, consegue tornar visível o que escapa à visão humana. A fixação da imagem e a congelação do movimento possibilitam uma observação prolongada dos objectos, a gestão dos períodos de exposição permite a sobreposição de tempos e de imagens. A fidelidade ao referente, mas também a falha técnica, dão do mundo imagens novas e inesperadas: o poder de desocultação da fotografia revela a aura dos retratados e, nalguns casos, mesmo os fantasmas que os circundam: o mundo é um lugar de simultaneidade.

Implicada na passagem do Romantismo ao Realismo e, portanto, do “belo idealizado” ao “real objectivo”, a fotografia retrata a emergência da burguesia e do proletariado, grupos carecidos de uma imagem social, partilhando com a pintura e com a literatura o imperativo de dar visibilidade à comédia humana, ao quotidiano das classes trabalhadoras. Courbet abandona o colorismo romântico em favor do cinzentismo desassombrado da vulgaridade, Zola, naturalista, radicaliza a crueza narrativa de Balzac e legitima a veracidade objectiva de “Germinal” com a experiência de dois meses de trabalho mineiro na extracção de carvão. A fotografia, por seu turno, reveste-se, naquilo que a liga fatalmente ao existente, de uma aura de “arte total”, nas palavras de Baudelaire, “um Deus vingativo que realiza o desejo do povo”: a democratização da imagem, a participação na verdade das coisas, o direito ao reflexo.

Durante o próximo mês de Novembro decorrerá, em Paris, a 14ª edição do “Mês da fotografia”, organizada pela Maison Européenne de la Photographie. Antecipando o que será o programa do encontro, o Jeu de Paume apresenta, no espaço Concorde, a primeira grande retrospectiva do fotógrafo americano Lee Friedlander (comissariada por Peter Galassi para o MoMA de Nova Iorque) e ainda, uma exposição de Joel Meyerowitz, “Out of the Ordinary, photographies 1970-1980”, patente no Hôtel de Sully.

Repórteres do quotidiano, Friedlander e Meyerowitz retratam, embora de modos diferentes, a vida urbana na América dos anos 60 e 70, tendo, como seria de esperar, em vista uma crítica à sociedade de consumo, conduzida nos moldes mais usuais da Pop. Fortemente influenciados por “The Americans”, de Robert Frank, descobrem, nessa abordagem etnográfica, uma América heterogénea, descontínua e desarticulada, contrastante com as imagens de estabilidade produzidas por Walker Evans e Berenice Abbott nas duas décadas anteriores.

Lee Friedlander participa, em 1966, na exposição colectiva “American Social Landscape” (apresentada em Rochester) e, no ano seguinte, vê o seu trabalho integrado em “New Documents” (MoMA), exposição conjunta com Diane Arbus e Garry Winogrand que visava dar a ver uma geração de fotógrafos empenhados num olhar objectivo sobre a América. A partir desta experiência, a noção de paisagem social passará a definir a sua pesquisa fotográfica, centrada na dissolução da figura humana na complexidade do espaço urbano. A justaposição e sobreposição de reflexos, transparências e projecções origina uma multiplicação de pontos de vista e enquadramentos ao mesmo tempo que, neutralizando a profundidade de campo, conglutina indiferenciadamente no plano da imagem múltiplos fragmentos entrecortados (incluindo-se aí a presença do próprio fotógrafo) que se articulam dispersivamente, produzindo novos sentidos e reverberações, entre o anedótico e o acidental. A abordagem caleidoscópica da paisagem social é unificada num olhar reconciliador sobre a natureza e, particularmente, sobre as plantas (motivo central da fotografia mais recente de Friedlander): embora preservando a complexidade barroca do espaço urbano – agora transformada em puro formalismo – a paisagem americana, apresentada pelo autor num estado edénico, é o espaço moralizador, de todos os retornos, de toda a redenção.

Joel Meyerowitz assume, relativamente à fotografia, uma postura modernista, mais intuitiva e electiva, valorizando, à maneira de Henri Cartier-Bresson, o “instante decisivo” como epifania e síntese tanto do inesperado como do banal. O autor confessa-se atraído “pela ideia um pouco perversa de utilizar a máquina fotográfica, capaz de tudo representar, para representar quase nada”. Com Harry Callahan e William Eggleston, Meyerowitz será um dos primeiros a empreender uma pesquisa estética sistemática sobre a fotografia a cores. Contrariando a supremacia do preto e branco na fotografia artística até à década de 60, Meyerowitz interessa-se pela cor como acrescento de informação e parte integrante do que define como field photographs: amplos enquadramentos sobre a arquitectura e o espaço urbano que abrem o campo a acontecimentos múltiplos e simultâneos onde todos os pormenores são significativos.

O que liga Meyerowitz e Friedlander é o que percorre várias das exposições recentemente apresentadas em Paris, o que parece ser o denominador comum de muita da fotografia contemporânea. Na Maison du Danemark pôde ver-se, até 15 de Outubro último, a exposição “Histoires d’un jour”, selecção de 130 fotografias da Dinamarca captadas por 100 fotógrafos profissionais ao longo das 24 horas do dia 18 de Agosto de 2005. Pedia-se aos participantes da maratona-concurso que as fotografias, identificadas com a hora e o local de captação, fossem “espontâneos, sem mise en scène nem retoques” para, com essas histórias “quotidianas ou insólitas”, mas, em todo o caso, verdadeiras, obter um retrato “vivo” do dia-a-dia da Dinamarca. O resultado da experiência não passa da mera confirmação do que se entende, no norte da Europa, por um dia corrente: com a maior ligeireza possível, todos os acontecimentos registados – que vão, naturalmente, do nascimento à morte, passando pelo pequeno-almoço em família às 8 horas da manhã, o passeio à beira mar, a cerveja ao fim da tarde e o sexo à noite – são, indiferenciadamente, nivelados pelo largo crivo do quotidiano: tudo é igual a tudo e, sobretudo, igual ao que já se sabe. No sentido oposto, a exposição “Un autre monde”, selecção da 6ª edição dos encontros africanos de fotografia, Bamako 2005, patente na Bibliothèque nationale de France, pretende questionar, pelo pluralismo, assente na mudança de pontos de vista, as representações estereotipadas da africanidade. Reunindo o trabalho de quinze fotógrafos originários de nove países de África e do Oceano Índico, “representativos da criação contemporânea nesses territórios”, Simon Njami, comissário da exposição, sustenta que a alteridade não corresponde necessariamente ao que está longe, ao estrangeiro, mas ao que se esconde, no quotidiano, de um olhar menos atento. A fotografia, que deverá procurar abster-se de uma objectividade narrativa e da fixação de uma pretensa “realidade real”, incumbindo-lhe, pelo contrário, perspectivar um mundo outro, paralelo, seria pois um instrumento privilegiado para desvendar a excepcionalidade no quotidiano. O que se verifica, no entanto, é que a procura desse “outro mundo”, fatalmente pitoresco ou ocidentalizado, sucumbe aos padrões estéticos da fotografia contemporânea, reproduzindo, sem contemplações, todos os lugares-comuns do olhar do ocidente sobre África.

Apostada no conhecimento da vida, das existências comuns, e na figuração de um real tangível (sendo que todas as apelidações do real são ideológica e politicamente dirigistas, porque conclusivas), a fotografia veio ocupar o lugar da pintura de género: a celebração dos costumes – agora convertida em cientificidade documental, não isenta de uma pesada carga demagógica – apresenta-se como prova segura da historicidade do quotidiano. O quotidiano é, por definição, esse estado sem sobressalto em que nada acontece, paliativo para todas as inquietações, princípio paralisante dissuasor de todas as mudanças. É o quotidiano, e não o estado de excepção, que assegura a manutenção do poder. O olhar sobre o quotidiano é assim um olhar invariavelmente descomprometido, que se exterioriza sem problematizar: a guerra em determinados territórios, como a prosperidade noutros são, para esse olhar, evidências quase naturais. Não se confundam, porém, as imagens de uma banalidade institucionalizada com a banalização das imagens: se o mundo real não é a preto e branco nem a cores, qual será pois a verdadeira imagem do quotidiano? Não será essa imagem uma imagem impossível?
Conhecidos os problemas sociais da França contemporânea, que quotidiano se dá a ver hoje em Paris? Quais são as suas imagens?

Uma semana depois da “Nuit Blanche”, evento megalómano e populista organizado anualmente pela Câmara de Paris que pretende dar a ver (e impor), espalhando-se por todos os bairros da cidade (mesmo pelos mais desfavorecidos), a jovial arte contemporânea francesa, aproximando-a assim de um público generalizado, habitualmente afastado das práticas artísticas, a mesma Câmara de Paris pretende agora obrigar a encerrar, com força policial, a La Genérale, espaço de uma fábrica abandonada há anos no centro de Paris, ocupado como lugar de trabalho, há cerca de um ano, por mais de 100 artistas (ligados às artes plásticas, ao teatro, cinema, vídeo, etc.) que intervinham activamente, com mostras semanais, no quotidiano estético e político parisiense.
Está feito o retrato.
ArteCapital

Marisa Monte, Paulinho da Viola & Rafael Rabelo

sábado, 10 de outubro de 2009

Países lusófonos recebem projeto de artes cênicas

Profissionais brasileiros de artes cénicas vão percorrer os países lusófonos para promover uma oficina de intercâmbio teatral com o desafio de construir a história do teatro da língua portuguesa.O projecto "Oficina de Intercâmbio Teatral da Língua Portuguesa", cujas actividades pretendem integrar os povos e as culturas através das artes, foi idealizado pelos organizadores do Festival de Teatro da Língua Portuguesa (Festlip), realizado em Julho, no Rio de Janeiro.

Durante 70 dias seguidos, uma equipa de profissionais brasileiros de teatro ministrarão, de forma pioneira, oficinas itinerantes por Angola, Moçambique, Cabo Verde, Portugal, Timor-Leste, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

Segundo a idealizadora do projecto, a actriz e produtora Tânia Pires, a actividade artística é capaz de mobilizar estes países e deixar marcas na relação de integração dos povos de mesma língua e também no desenvolvimento da expressão teatral desses povos.

Com a "experiência no intercâmbio teatral através do Festlip, sabemos que o desenvolvimento humano se torna inevitável, através dessas técnicas", considera a produtora.

Para Tânia Pires, o Brasil aproxima-se de forma concreta desses países, valorizando a língua "e respeitando a diversidade dessa grande extensão geográfica que a língua portuguesa ocupa".

A equipa de profissionais é composta pela própria actriz Tânia Pires que, com carreira internacional nos palcos, vai trabalhar a técnica de montar um texto através da improvisação cénica e a produção de um espectáculo teatral.

O projecto mobiliza as Embaixadas do Brasil nos sete países contemplados. Cada módulo recebe 20 alunos e todas as oficinas são gratuitas.

Os cursos tiveram início em Moçambique e seguem no mês de Outubro em Angola, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.

Em Novembro o projecto terá continuidade na Guiné-Bissau, em Timor-Leste e o percurso se encerra em Portugal, entre 26 de Novembro a 9 de Dezembro.
Agência AngolaPress

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Haikai


Planet Earth
hurt by impacts power
moving between flowers
(mimi)


Encerro este gostoso dia de festa e alegria, ao lado de nossa querida Mi Sato, pedindo aos deuses que seu novo ano seja repleto de saúde e alegrias. Beijo enorme querida amiga.

domingo, 27 de setembro de 2009

Flores do Banksy para Mi!



Junto com as flores, brisas,cheiros,sabores e afetos para você, nossa querida educadora ambiental, Michèle Sato!