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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Serra, Dilma, Marina e Plínio sofrem de insensibilidade ambiental



Carlos Tautz divide em três grupos os candidatos: pragmáticos, duvidosos e sem propostas.

A menos de dois meses das eleições presidenciais, nenhum dos quatro principias candidatos (Dilma, Serra, Marina e Plínio) expressam compreensão ou sequer apreço pelos graves problemas ambientais que o Brasil precisa enfrentar. Problemas, aliás, que extrapolam os limites da “questão ambiental” e dizem respeito mesmo ao coração do modelo de desenvolvimento brasileiro. Todos e todas nobres candidatas e candidatos, quando sem saída, optam pelas expressões idiomáticas pobres de conteúdo e ricas em possibilidade de virarem noticia.

De mudanças climáticas a uma política nacional de economia de energia, passando pelo desenvolvimento de uma plano global de utilização sustentável dos recursos hídricos (que seria uma precondição ao país que aspira a ser produtor mundial da commodity álcool combustível), tudo de importante para um prometo de Brasil é desconsiderado. De olho na campanha, limitam-se a discutir ações de curto prazo que não projetam qualquer futuro para esta nação de 190 milhões de pessoas. Pior para o Brasil (ou seja, nós).

No campeonato da insensibilidade ambiental, candidatas e candidatos podem ser divididos em três grupos. No bloco dos pragmáticos estão Dilma (PT-PMDB) e Serra (PSDB-DEM), preconizando uma impossibilidade física: crescimento econômico sem fim, embora (como Marina) afirmem ser possível compatibilizar respeito ambiental e desenvolvimento.

O segundo bloco é o de Marina (PV), que escapa de emitir posições claras. Diz, apenas, que, eleita, manterá as “conquistas” dos últimos 16 anos: câmbio fixo, independência do Banco Central e superávit fiscal, na linha dos famosos ambientalistas Pedro Malan, Armínio Fraga e Henrique Meirelles.

O último bloco é o dos sem proposta. Integrado por Plínio (PSOL), que segue a tradição ideológica da esquerda e se relaciona com o ecologismo da mesma forma utilitária e não estratégica como o faz a esquerda também no campo da comunicação e da cultura.

Dilma evita comentar os efeitos da eventual entrada em vigor da proposta de novo Código Florestal (elaborada por um deputado de sua atual base congressual). A ser aprovada na forma como tramita agora na Câmara, o novo Código provocaria o aumento exponencial das emissões de gases causadores das mudanças no clima. Sequer menciona a possibilidade de fazer um balanço de emissões de seus carros-chefes, o PAC, e seus megaprojetos impactantes do meio ambiente.

Serra, por sua vez, é enfático. Garantiu ao Jornal Nacional ser “muito ambientalista”, e mais nada diz a respeito. Em coral com Dilma e Marina, entoa o mantra de que “é possível conciliar desenvolvimento econômico com proteção ambiental”, mas sempre escapole de abordar temas centrais, como o zoneamento econômico ecológico de todo o território nacional e o apoio do Estado brasileiro aos maiores desmatadores.

Marina reitera figuras retóricas vazias de conteúdo como “desenvolvimento sustentável” (expressão com mais de 300 significados reconhecidos pela ONU) e faz uma campanha fashion. Segue os moderninhos ambientais que propõem uma “economia de baixo carbono”, mas esquece que a economia brasileira é intensiva no uso de combustíveis fósseis ricos em… carbono! Registre-se a coerência histórica de continuar a ser contra a energia atômica.

A vontade como franco atirador, Plínio aborda questões chaves do desenvolvimento nacional, como o limite da terra, mas não escapa dos limites ideológicos da sua matriz, esquerda tradicional, e passa longe de encarar questões como a matriz energética ou o papel do Brasil na arena internacional como eterna plataforma de exportação de commodities.

OK, a opinião de candidatos e candidatas é pouco clara, mas tudo bem: não é preciso ter pressa. Afinal, nosso planeta nos proverá infinitamente de recursos, não é mesmo?
Opinião e Notícias

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Comércio: O Sul na vanguarda


Por Gustavo Capdevila, da IPS
Genebra, 01/12/2009 – O perfil que se destaca na sétima conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio que acontece esta semana é a ofensiva uniforme lançada em duas frentes pelas nações em desenvolvimento, na defesa de seus interesses comerciais ameaçados pelos países ricos. Em um movimento coordenado, cerca de 110 nações do Sul reclamaram uma conclusão acelerada da Rodada de Doha com o requisito de cumprir os objetivos fixados em novembro de 2001, quando essas negociações foram iniciadas na capital do Qatar.

Em outra avançada mais atrevida, cerca de 20 países em desenvolvimento acordará amanhã uma ampliação do acordo de intercâmbios Sul-Sul, que leva o nome de Sistema Global de Preferências Comerciais entre Países em Desenvolvimento (SGPC), criado em 1976 que reúne, entre outros países, Argélia, Cuba, Egito, Índia, Malásia, Marrocos, Nigéria, Paquistão, Sri Lanka, Vietnã e Zimbábue. Também participam as nações integrantes do Mercosul (Mercado Comum do Sul), bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

No novo acordo os países do SGPC se comprometem a reduzir as tarifas alfandegárias do comércio comum em 20%, sobre um total de 70% das linhas tarifarias. As listas de produtos deverão ficar prontas em junho de 2010 e dois anos mais tarde espera-se aprofundar a abertura comercial do bloco com novas reduções. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, confirmou que a Rodada de Doha e o SGPC são duas frentes de ação comercial para as nações do Sul. Embora “existam coisas que somente em Doha podem ser resolvidas”, disse à IPS.

A negociação de Doha tem caráter multilateral porque inclui os 153 Estados, ricos e pobres, que integram a OMC. Por outro lado, o SGPC é um acordo plurilateral, com uma gama muito reduzida de setores comerciais concertados e sem um tribunal para resolver as diferenças. Entretanto, Amorim se mostrou mais confiante em um “avanço melhor com o GSPC”. De todo modo, isso não diminui a necessidade de continuar trabalhando em Doha, disse o chanceler em referência a essas negociações que transcorreram todo 2009 sem nenhum progresso. “Não podemos por todos os ovos na mesma cesta”, brincou.
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(Envolverde/IPS)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Grupo gay pede retratação de Puccinelli

TIAGO DÉCIMO - Agencia Estado

SALVADOR - O Grupo Gay da Bahia (GGB) resolveu enviar ao governador do Mato Grosso do Sul (MS), André Puccinelli (PMDB), uma carta de repúdio por suas declarações. Ontem, em uma reunião com empresários, Puccinelli ofendeu o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, com palavras de baixo calão.

"Vamos mandar uma carta de protesto para o gabinete dele amanhã, na qual sugerimos que ele promova ações contra o preconceito em seu Estado", diz o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira. "Seria a única forma de ele se redimir dessa ''pisada de bola'' gigantesca."

Para Cerqueira, as declarações do governador expuseram a homofobia presente em boa parte da população brasileira. "Chamar alguém de veado é o procedimento mais comum quando se quer agredir o outro", afirma. "Os homossexuais são agredidos e mortos brutalmente por causa de exemplos como esse. O governador não teve a compostura que se espera de um chefe de Estado, personalidades como ele deveriam ser responsáveis por dar o exemplo."

O GGB elabora, anualmente, um estudo no qual lista os assassinatos por homofobia no Brasil. No ano passado, segundo o grupo, foram 190 mortes - ante 122 em 2007. "O número é maior, já que baseamos o estudo em pesquisas que nós mesmos fazemos, uma vez que as Secretarias de Segurança não distinguem esse tipo de crime", diz Cerqueira. "Não é exagero dizer que um homossexual é assassinado brutalmente no Brasil por dia. Por isso exigimos que o governador promova ações, em especial nas áreas de educação e saúde, em seu Estado."