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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Asustador: brasileiro consumiu, em média, 3,7kg de agrotóxicos em 2009

Pesquisadores e movimentos sociais alertam sobre a duplicação em um ano dos índices de uso de agrotóxicos no Brasil



Pedro Carrano/Brasil de Fato

O brasileiro ingeriu, em média, 3,7 quilos de agrotóxicos em 2009. Trata-se de uma massa de cerca de 713 milhões de toneladas de produtos comercializadas no país por cerca de seis corporações transnacionais. Estas empresas controlam toda a cadeia produtiva, da semente ao agroquímico ligado a ela. Uma condição que pressiona o agricultor familiar, refém da compra do “pacote tecnológico” gerador da dependência na produção. O capital dessas companhias do ramo é maior que o produto interno bruto da maioria dos países da Organização das Nações Unidas. Só no Brasil lucraram 6,8 bilhões de dólares em 2009.

Para tanto, o país ergueu a taça de campeão mundial em uso de agrotóxicos e bateu outro recorde: duplicou o consumo em relação a 2008. Relatórios recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que vem sendo criticado pelo lobby do agronegócio, apontam que 15% dos alimentos pesquisados pelo órgão apresentaram taxa de resíduos de veneno em um nível prejudicial à saúde. Cana-de-açúcar, soja, arroz, milho, tabaco, tomate, batata, hortaliças (veja tabela) são produtos do dia-a-dia que passaram a ter alto índice de toxidade.

Agroquímico, semente, terra e mercado fazem parte da mesma cadeia produtiva sob controle dos monopólios. Larissa Parker, advogada da Terra de Direitos, aponta uma relação direta entre a concentração do mercado de sementes e de agrotóxicos. A transnacional Monsanto controla de 85 a 87% do mercado de sementes. No caso do transgênico Milho BT (da empresa estadunidense), de acordo com a advogada, o próprio cereal é desenvolvido com uma toxina contra determinado tipo de praga. Ainda assim, agricultores no Rio Grande do Sul precisaram realizar mais de duas aplicações de agrotóxicos na lavoura. Os insetos mostraram-se resistentes à substância tóxica. Na Argentina, as corporações cobram patentes apenas dos agrotóxicos e não das sementes, já que o seu uso está atrelado a elas.

Apesar de surgir como a “salvação da lavoura”, prometendo aumento de produtividade, a introdução do químico ligado à semente transgênica incentivou o aumento do uso de tóxicos. O cultivo da soja teve uma variação negativa em sua área plantada (- 2,55%) e, contraditoriamente, uma variação positiva de 31,27% no consumo de agrotóxicos, entre os anos de 2004 a 2008, como explicam os professores Fernando Ferreira Carneiro e Vicente Soares e Almeida, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB).

Além disso, produtos que foram barrados no exterior são usados em diferentes cultivos brasileiros. Entre dezenas de substâncias perigosas, o endosulfan, por exemplo, é um inseticida cancerígeno, proibido há 20 anos na União Europeia, Índia, Burkina Faso, Cabo Verde, Nigéria, Senegal e Paraguai. Mas não é proibido no Brasil, onde é muito usado na soja e no milho.

Outro exemplo de um cenário absurdo: grandes produtores de cítricos não têm usado determinada substância tóxica, não por consciência ecológica, mas porque países importadores não a aceitam. De acordo com informações da página da Anvisa “todos os citricultores que exportam suco de laranja já não utilizam mais a cihexatina, pois nenhum país importador, como Canadá, Estados Unidos, Japão e União Européia, aceita resíduos dessa substância nos alimentos”.

Cultura internalizada

O Censo Agropecuário de 2006, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informou que 56% das propriedades brasileiras usam venenos sem assistência técnica. De acordo com a mesma pesquisa, práticas alternativas, como controle biológico, queima de resíduos agrícolas e de restos de cultura, que poderiam gerar redução no uso de agrotóxicos, também são pouco utilizadas.

Adriano Resemberg, engenheiro agrônomo do departamento de fiscalização da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), analisa a questão dos agrotóxicos a partir dos seguintes eixos: o primeiro é que o uso dos agrotóxicos produz um impacto e uma alteração do bioma local. O outro é que a prática do uso de venenos é desnecessária, mas acaba sendo apontada como a única saída para o produtor. E vira uma cultura. “Muitas boas práticas agrícolas, como o manejo do solo, têm sido deixadas de lado. O uso do agrotóxico é mais fácil, diante da falta de uma saída do serviço de assistência técnica pública do Estado. O que vemos são profissionais levando pacotes [tecnológicos] e não soluções, um modelo que leva o agricultor a usar o agrotóxico e não questionar muito isso. Usar um inimigo natural não significa menos tecnologia, ao contrário”, analisa.

Brasil de Fato/Minha casa Meu mundo

terça-feira, 27 de julho de 2010

Há chumbo no seu batom?


Por Andrea Vialli*

Muitos dos leitores já devem ter assistido aos vídeos sobre sustentabilidade produzidos pela ciberativista americana Annie Leonard, que, entre outros, fez o famoso “A História das Coisas” e também o “A História da Água Engarrafada”.

Agora Annie, cujos vídeos na internet já foram vistos por mais de 10 milhões de pessoas, nos brinda com mais um de seus petardos. “A História dos Cosméticos”, lançado na semana passada, mostra a problemática que envolve a bilionária indústria de cosméticos no mundo todo: a segurança de vários dos produtos químicos utilizados nas fórmulas do shampoo nosso de cada dia, no desodorante, no batom.

Ah, o batom…o vídeo alerta para o fato de que um singelo batomzinho pode conter níveis de chumbo acima das recomendações de segurança, o que pode causar distúrbios de comportamento e até de aprendizagem. Os dados dizem respeito particularmente ao mercado americano: há três anos, a ONG Campaign for Safe Cosmetics publicou um estudo onde denunciava que de 33 grandes marcas de batom testadas, 61% apresentavam chumbo na fórmula.

Só depois de dois anos, com a pressão dos consumidores, o Food and Drug Administration (FDA), órgão americano responsável pela segurança dos alimentos, remédios e cosméticos, se pronunciou sobre o tema, publicando uma pesquisa que revelou níveis de chumbo ainda maiores aos testados pela Campaing for Safe Cosmetics em 2007. Todas as marcas testadas pelo órgão apresentavam o elemento em suas composições. Apesar disso, o FDA afirmou não considerar a substância prejudicial à saúde por não ser ingerido pelos consumidores.

A campanha continua, e o objetivo é fazer com que o FDA estabeleça um limite máximo de chumbo nos produtos de maquiagem – o pesado lobby da indústria de cosméticos, no entanto, tem travado qualquer avanço nesse sentido.

Assista o vídeo, com legendas em inglês - http://www.youtube.com/watch?v=pfq000AF1i8&feature=player_embedded
*Publicado originalmente no blog Ecotendências, editado pela autora. Para conhecer o blog acesse http://blogs.estadao.com.br/andrea-vialli/
(Envolverde/Mercado Ético)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Um sexto da humanidade consome 78% de tudo que é produzido no mundo


Instituto Akatu

O Instituto Akatu e o Worldwatch Institute (WWI), organização com sede em Washington, lançaram na manhã de quarta-feira (30/6), a versão em português do relatório “Estado do Mundo – 2010”. O documento é uma das mais importantes publicações periódicas mundiais sobre sustentabilidade.

Clique aqui para baixar o arquivo na íntegra.

Produzido pelo WWI, o “Estado do Mundo” traz anualmente um balanço com números atualizados e reflexões sobre as questões ambientais. Este ano, em parceria com a WWI, o Akatu fez a tradução do documento para o português.

Um dos dados que mais chama atenção no relatório é que ele aponta que apenas
um sexto da humanidade consome 78% de tudo que é produzido no mundo. E conclui “sem uma mudança cultural que valorize a sustentabilidade em vez do consumismo, nada poderá salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas.

Realizado no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura, em São Paulo, o lançamento do anuário contou com um debate sobre o tema foco do relatório de 2010: “Transformando Culturas – do Consumismo à Sustentabilidade”.

Participaram da discussão mediada por Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, Eduardo Athayde, diretor da WWI, Ricardo Abramovay, professor titutar da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e presidente do Conselho Acadêmico do Instituto Akatu e Lívia Barbosa, diretora de pesquisa do centro de Altos Estudos da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e membro do Conselho Acadêmico do Instituto Akatu.

Erik Assadourian, diretor da pesquisa, participou do evento por teleconferência, a partir de Washington, nos Estados Unidos.

Barbosa começou parabenizando a iniciativa do Akatu e da WWI pelo “corajoso” desafio de editar um documento que relacione o consumo à cultura. “Foi o que mais me chamou atenção no relatório, pois, os vários exemplos citados, possibilitam juntar a cultura ao cotidiano das sociedades, fazendo com que o tema sustentabilidade saia das esferas dos governos e outras entidades e chegue è mesa da nossa cozinha”.

Abramovay revelou que já usa o relatório há muitos anos. “Em minhas aulas, eu cito dados dos relatórios sobre o estado do mundo para que meus alunos – que são os futuros economistas – saibam que o mundo não é feito apenas de números e preços. Ele é composto de outros fatores importantes como as pessoas e as fontes de recursos”.

O professor também chamou atenção para o cuidado que se deve ter ao discutir o consumo. Para ele, nem sempre as elevações dos padrões do consumo, sobretudo nos países mais pobres, significam mais impactos negativos sobre o uso dos recursos. “A troca do fogão à lenha por um que funcione a gás implica em impactos ambientais menores”, exemplificou.

Mattar concluiu recomendando a leitura do documento que considera “primordial” para todos aqueles que têm alguma intenção de cooperar com a preservação do planeta. “O material impulsiona a todos os que têm acesso a ele a agirem em benefício da Terra”.

O Relatório

Segundo dados do relatório, na última década, a humanidade aumentou seu consumo de bens e serviços em 28%. Somente em 2008, foram vendidos no mundo 68 milhões de veículos, 85 milhões de refrigeradores, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones celulares.

Para produzir tantos bens, é preciso usar cada vez mais recursos naturais. Entre 1950 e 2005, a produção de metais cresceu seis vezes, o consumo de petróleo subiu oito vezes e o de gás natural, 14 vezes. Atualmente, um europeu consome em média 43 quilos em recursos naturais diariamente – enquanto um americano consome 88 quilos, mais do que o próprio peso da maior parte da população.

Além de excessivo, o consumo é desigual. Em 2006, os 65 países com maior renda,
que somam 16% da população mundial, foram responsáveis por 78% dos gastos em bens e serviços. Somente os americanos, com apenas 5% da população mundial, abocanharam uma fatia de 32% do consumo global. Se todos vivessem como os americanos, o planeta só comportaria uma população de 1,4 bilhão de pessoas. Atualmente já somos quase sete bilhões, e projetam-se nove bilhões para 2050.

A pior notícia é quem nem mesmo um padrão de consumo médio, equivalente ao de países como Tailândia ou Jordânia, seria suficiente para atender igualmente todos os habitantes do planeta. A conclusão do relatório não deixa dúvidas: sem uma mudança cultural que valorize a sustentabilidade e não o consumismo, não haverá esforços governamentais ou avanços tecnológicos capazes de salvar a humanidade dos riscos ambientais e de mudanças climáticas.

A edição do Estado do Mundo em português e o evento de lançamento são patrocinados pelo Itaú, parceiro pioneiro do Instituto Akatu.

Abaixo, algumas das conclusões do relatório:

Economia e Negócios

No âmbito da economia e negócios, uma dos aspetos fortemente recomendados pelo relatório é a “reavaliação do papel das grandes corporações”. O documento considera o poder de alcance do setor: “em 2006, as 100 maiores companhias transnacionais empregavam 15,4 milhões de pessoas com um volume de vendas de US$ 7 trilhões — o equivalente a 15% do produto mundial bruto” e conclui que “um sistema econômico sustentável dependerá de convencer as companhias, por meio de um conjunto de estratégias, de que a condução de seus negócios seja efetuada de maneira sustentável”.

No âmbito social, empresarial e pessoal, a compreensão e a adoção de práticas de sustentabilidade são limitadas. Mudar uma organização costuma ser um processo ainda mais longo do que o da mudança pessoal.

Muito se pode aprender com empresas que foram além das mudanças superficiais para abraçarem plenamente a sustentabilidade e que, assim, determinaram mudanças profundas em sua cultura organizacional. Para essas companhias, a sustentabilidade tem papel fundamental como um conjunto de valores que integram a prosperidade econômica, a gestão ambiental e a responsabilidade social, ou seja: lucro, planeta e pessoas.
Para alcançar esse nível de mudança, os líderes devem apresentar visões arrojadas e devem envolver suas organizações em discussões diversas, mais profundas, sobre o objetivo e a responsabilidade da empresa em oferecer valor verdadeiro para os clientes e a sociedade. Além disso, o engajamento de toda a empresa é essencial.

Educação

Segundo o relatório, uma pesquisa anual com alunos de primeiro ano de faculdades nos Estados Unidos investigou durante mais de 35 anos as prioridades de vida dos alunos. No transcorrer desse tempo, a importância atribuída a ter boa situação financeira aumentou de pouco mais de 40% para quase 80%, enquanto a importância atribuída à construção de uma filosofia de vida plena de sentido diminuiu de 75% para pouco mais de 45%. E “este não é um fenômeno apenas americano”, ressalta o documento.

Para romper com o padrão do consumismo, todos os aspectos da educação terão de ser pautados pela sustentabilidade. Hábitos, valores, preferências – todos são, em grande medida, formados na infância. E durante a vida, a educação pode ter um efeito transformador sobre quem aprende. Portanto, explorar essa instituição poderosa será essencial para redirecionar a humanidade para culturas de sustentabilidade.

Nenhum sistema educacional é isento de valores, pois todos ensinam e são orientados por um determinado conjunto de ideias, valores e comportamentos, quer seja o consumismo, comunismo, crenças religiosas, ou sustentabilidade

Quanto mais a sustentabilidade puder estar integrada aos sistemas escolares atuais, maior será o número de pessoas que internalizarão os ensinamentos da sustentabilidade desde a infância. Dessa forma, as ideias, valores e hábitos se tornarão “naturais”. A partir de então, a educação funcionará como ferramenta poderosa para criar sociedades sustentáveis.

Mídia

A maior parte da mídia ainda reforça o consumismo, mas existem esforços no mundo todo para que seu vasto poder e alcance seja utilizado para promover culturas sustentáveis.
Segundo o relatório, 83% das residências no mundo têm aparelhos de televisão e 21 em cada 100 pessoas têm acesso a internet. Entretanto, a maior parte da mídia ainda reforça o consumismo, apesar de existirem esforços no mundo todo para que seu vasto poder e alcance seja utilizado para promover culturas sustentáveis.

Por meio de ações publicitárias globais, o setor de água engarrafada, por exemplo, ajudou a criar a impressão de que água na garrafinha é mais saudável, mais saborosa e está mais na moda do que a boa e velha água “torneiral”, mesmo quando estudos demonstram que algumas marcas de água engarrafada são menos seguras do que água da rede e custam de 240 a 10 mil vezes mais. A indústria de água engarrafada movimenta hoje US$ 60 bilhões e vendeu 241 bilhões de litros de água em 2008, mais que o dobro da quantidade vendida em 2000.

(Instituto Akatu)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Descontaminação coletiva de lâmpadas


Academia EcoFit e Naturalis Brasil realizam, neste sábado, a Operação Papa-Lâmpadas.

Com a proposta de conscientizar a população sobre a importância do descarte ecologicamente correto das lâmpadas fluorescentes, a academia EcoFit Club, em parceria com a Naturalis Brasil, empresa especializada na descontaminação de lâmpadas fluorescentes, promoverão, no dia 03 de julho, sábado, a Operação Papa-Lâmpadas. Trata-se de uma campanha de coleta e descontaminação deste material, cujos riscos, poucos conhecem.

As lâmpadas fluorescentes são responsáveis por 70% da luz artificial utilizada no mundo. Consomem cinco vezes menos energia que uma lâmpada tradicional, e duram até 45 vezes mais. Por estas vantagens, se tornaram predominantes neste mercado. Porém, existe um outro lado, pouco abordado e do qual a maior parte dos consumidores não tem conhecimento. Para produzir a chamada luz fria, estas lâmpadas possuem em sua composição uma carga de mercúrio, um metal tóxico, cancerígeno e extremamente prejudicial à saúde e ao meio ambiente.

No Brasil são consumidas cerca de 100 milhões de lâmpadas fluorescentes por ano. Desse total, 94% são descartadas em aterros sanitários, sem nenhum tipo de tratamento, contaminando o solo e a água, além de, se rompidas, liberarem vapor de mercúrio, que será aspirado por quem as manuseia.

Diversas empresas e campanhas vêm alertando a população sobre os males causados pelo mercúrio contido em pilhas e baterias. Entretanto a presença deste metal nas lâmpadas, apesar de seu volume ser ainda maior do que nas pilhas, é pouco citada. A academia Ecofit e a Naturalis Brasil se uniram com o ideal de conscientizar a população sobre o risco que este resíduo representa e a importância do descarte correto deste material.

Com um processo licenciado pela CETESB, a Naturalis Brasil faz a descontaminação in loco, levando o Papa-Lâmpadas até o local gerador do resíduo. Este equipamento possui um duplo sistema de filtros: o pó de fósforo é retido em um filtro de celulose e o mercúrio é retido por um carvão ativado. Após a descontaminação, praticamente todos os materiais da lâmpada são reciclados.

Dia 03 de julho, das 10h às 15h, na entrada da Ecofit, uma equipe receberá lâmpadas fluorescentes de qualquer tipo ou tamanho. Além de receber o material, a equipe mostrará o processo de descontaminação e seu funcionamento. A academia sugere transportá-las embaladas em jornal, papelão ou plástico bolha para evitar possíveis acidentes.

[Campanha de Coleta e Descontaminação de Lâmpadas Fluorescentes. Dia 03 de julho (sábado), das 10h às 15h, na Ecofit Club - Rua Cerro Corá, 580, Alto de Pinheiros, São Paulo].
(Envolverde/Assessoria de Imprensa)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

No cardápio, arroz transgênico


O circo foi montado e o espetáculo da falta de transparência aconteceu. Após 14 meses na prateleira, a tentativa de derrubada do veto ao arroz transgênico voltou à pauta da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Em audiência realizada na tarde de hoje em Brasília, a comissão organizou uma mesa redonda para debater a liberação do arroz transgênico da Bayer, conhecido como LL.

A maioria dos membros da comissão contrários à liberação do transgênico questionou os convidados, em especial o representante da Embrapa, o agrônomo Ariano Martins. “Cadê a Embrapa contrária ao arroz LL no ano passado?”, questionou o membro da comissão e pesquisador da Esalq/USP, Paulo Kageyama.

Kageyama se referiu ao posicionamento do pesquisador da Embrapa Flávio Breseghello, que se mostrou contrário ao arroz da Bayer na audiência pública da CTNBio. Organizada em março do ano passado, na audiência, agricultores, empresários e cientistas disseram não à liberação do arroz transgênico.

Mesmo com a presença de cinco convidados - quatro a favor da liberação e apenas um contra - nenhuma das questões mais relevantes foi respondida, entre elas como evitar a contaminação das lavouras, a resistência das pragas e porque a Bayer fez testes apenas no Rio Grande do Sul para liberar para todo o Brasil.

Apesar do claro desequilíbrio na mesa, nenhum dos três pesquisadores e dos dois agricultores convidados a debater o assunto conseguiu provar que o arroz transgênico não irá contaminar os campos, fato dado como certo por todos.

“Ficou claro, pela maneira como a CTNBio conduziu a reunião, que a comissão quer enterrar as vozes ouvidas na audiência pública do ano passado”, afirmou Iran Magno, coordenador da Campanha de Transgênicos do Greenpeace. “A comissão carimbadora maluca está com o carimbo do arroz pronto”, concluiu Magno.

Por estarem em desacordo com uma mesa que surgiu para calar a voz da sociedade civil e tentar entuchar arroz transgênico goela abaixo dos produtores e consumidores brasileiros, 23 organizações assinam uma nota de repúdio à manobra da CTNBio.

Nota de repúdio à manobra da CTNBio

Nós, organizações não governamentais e organizações do campo abaixo assinadas, manifestamos nosso repúdio à manobra da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - CTNBio, de realizar uma mesa redonda sobre o arroz transgênico, evento LL62, da Bayer Cropscience. Tal proposta tem como único objetivo invalidar a audiência pública, com participação da sociedade civil, realizada no dia 17 de março de 2009, e privar a sociedade do debate acerca do arroz transgênico.

No processo de liberação do arroz, durante a referida audiência pública, foram tecidas críticas pela Embrapa Arroz e Feijão (apoiada pela presidência da Embrapa), por produtores representados pela Federarroz (que representa mais da metade da produção nacional de arroz), e por organizações da sociedade civil. Entendemos que o resultado final dos posicionamentos ouvidos pela CTNBio foi conclusivo em apontar que o arroz LL62 da Bayer Cropscience não trará nenhuma vantagem para o produtor, para o consumidor, para a agricultura brasileira ou para o meio ambiente.

Dessa forma, a realização de uma mesa redonda durante uma reunião de rotina da CTNBio, com convites a expositores estabelecidos sem critério, onde a sociedade civil não tem voz, e acima de tudo excluindo aqueles que levantaram questionamentos acerca do evento debatido, deixa claro o seu propósito de enterrar todos os questionamentos feitos em audiência pública. Tais questionamentos, por esse motivo, só deveriam ser respondidos em nova audiência pública, não em reunião fechada.

Por fim, a CTNBio tem invariavelmente mantido uma postura contrária à transparência e ao debate do assunto, tendo sido obrigada no passado pelo Poder Judiciário a fazer reuniões abertas e audiências públicas. Também tem negado acesso aos processos de liberação comercial, dentre eles o processo do arroz Liberty Link LL62, mantendo a sociedade afastada do debate.

Assinam a nota:

AAO - Associação de Agricultura Orgânica
ABA - Associação Brasileira de Agroecologia
AEPAC - Associação Estadual dos Pequenos Agricultores Catarinenses
AMAR - Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária
ANAC - Associação Nacional de Agricultura Camponesa
ANPA - Associação Nacional dos Pequenos Agricultores
AOPA - Associação para o Desenvolvimento da Agroecologia
APROMAC - Associação de Proteção do Meio Ambiente/PR
ARPA - Associação Riograndense de Pequenos Agricultores
AS-PTA
Centro Ecológico/Ipê-RS
CPC - Cooperativa Mista de Comercialização Camponesa
Greenpeace
IDEC - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
Luiz Carlos Pinheiro Machado - Ex-Presidente da Embrapa, Professor Catedrático aposentado da UFRGS e UFSC
MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores
MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
Rede Ecovida de Agroecologia
Rodolfo Geiser, Engenheiro Agrônomo
Serra Acima - Associação de Cultura e Educação Ambiental
Terra de Direitos - Organização de Direitos Humanos
TOXISPHERA - Associação de Saúde Ambiental
Via Campesina

(Greenpeace)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A revolução Slowfood contra as multinacionais




Com um "partido" assim, a esquerda (e não só) pode apenas sonhar. A 24 anos da primeira reunião em Serralunga d'Alba – quando foi fundada a Arcigola – o Slow Food conta com suas próprias forças, ressalta que são robustas e anuncia seu próprio programa.

"A partir de hoje a 2014 – diz o presidente nacional Roberto Burdese no VII Congresso –, o nosso primeiro objetivo deve ser um forte compromisso político". As "seções" já existem, e se chamam Convivium. São 300, presentes em quase todo o território italiano e "localmente devem ter um peso importante".

"Devemos aumentar também os inscritos, porque se um Convivium vai ao encontro de um prefeito ou de um ministro representando 100 inscritos, ele tem uma resposta. Se tiver mil, as coisas mudam". "Não devemos nos tornar um partido", diz o presidente, "porém, o papel político que o Slow Food conseguiu conquistar na sua história é bem conhecido".

A reportagem é de Jenner Meletti, publicada no jornal La Repubblica, 15-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Os números da associação já são importantes: 40.000 sócios nas 300 condutas, 4.000 voluntários, 296 "hortas no convivium" nas escolas, 177 postos de produtos tutelados... Mas o que causa inveja aos partidos históricos é um outro aspecto do ex-Arcigola: a capacidade de discutir os objetivos, de renovar a classe dirigente sem rupturas com os "pais fundadores". É a capacidade de partir dos problemas concretos para propor uma estratégia que parta do campo dos fundos de casa e chega ao outro lado do mundo.

"Sempre fizemos política – diz Carlo Petrini, o fundador e agora presidente internacional –, mas hoje somos capazes de mobilizar a poderosa estrutura italiana. Pedimos aos nossos comitês, aos nossos convivium uma capacidade de confronto e de dialética, e também de choque, com as instituições de todos os níveis. Durante muitos anos, fomos uma outra coisa: um serviço para os nossos associados. Agora, crescemos. Hoje, o Slow Food está na primeira fila para defender o agroalimentar do ataque das multinacionais, realiza o Terra Madre, combate os transgênicos, quer uma nova linha de alimento que dê aos agricultores o retorno justo... É um sujeito político que faz política, porque entendeu que é a economia local que irá mudar a realidade dessa crise entrópica. Nós não disputamos papéis institucionais, estruturas políticas ou lobbies de poder. Queremos reforçar a política local e entendemos que só consideremos isso fazendo comunidade".

O congresso recém iniciou, mas o compromisso é específico: "Faremos ouvir a nossa voz – diz o presidente Roberto Burdese – todas as vezes que sejam tocados os valores dos quais somos portadores".

O passado não é renegado. "Continuamos sendo um movimento pela proteção e pelo direito do prazer, mesmo que tenhamos sido indicados como os 'bon vivant', os ricos, aqueles que podem se permitir produtos de luxo. A ideia de prazer está mais articulada do que há 20 anos. Cultivar uma horta é um prazer, fazer compras é um prazer, trabalhar pela própria soberania alimentar é um prazer". Estar juntos para criar comunidade.

"Mas para conseguir isso é preciso cortar o cordão umbilical com o mundo falso da TV, levar os nossos amigos, os nossos vizinhos para fora das casas". Falar com eles, recuperar a memória dos saberes e dos fazeres. "Melhor tornarmo-nos sócios de um agricultor do que investir na Bolsa. Segundo a Eurostat, na Itália, nos últimos 10 anos, os lucros da agricultura caíram 36%, e o emprego, 16%. Sem reagir, comeremos só o que for produzido e vendido pelas multinacionais".

Tantas comunidades locais, em todo o mundo, que devem – anuncia Carlo Petrini – "encher os celeiros da memória e dos saberes, contra a grande carestia que está chegando: a das ideias".
IHU

domingo, 11 de abril de 2010

Food, Inc. desnuda a indústria de alimentos


Andrea Vialli*

Esteve concorrendo ao Oscar 2010 o documentário Food, Inc., que ainda não tem estréia prevista no Brasil, mas está dando o que falar lá fora. O filme de Robert Kenner, co-produzido por Eric Schlosser (de Fast Food Nation, disponível no Brasil) faz uma radiografia pesada da indústria de alimentos nos Estados Unidos, mas que cabe perfeitamente à nossa realidade, em tempos de economia globalizada.

O documentário faz uma incursão sobre os modos de produção da comida que chega às nossas mesas todos os dias, desde o modo como os animais “para fins industriais” são criados e abatidos, o excesso de uso de hormônios e antibióticos – que faz com que frangos engordem em tempo recorde – , a inserção na alimentação de variedades de soja geneticamente modificadas que resistem ao mais forte dos pesticidas, entre outros recursos utilizados pelas companhias para “aumentar a produtividade” – e que, em última instância, faz a comida ficar cada vez mais distante de sua natureza. Isso somado aos impactos à saude, como o aumento da incidência de obesidade, diabetes e contaminação por E.Coli decorrentes dessa ‘desnaturalização’ da comida.

Mas o filme aponta também caminhos, e mostra que está nas mãos do consumidor pressionar a indústria e as cadeias de supermercados por mudanças. A tão falada opção pelos orgânicos e alimentos produzidos localmente, por pequenos produtores, é apontada como um desses caminhos. Infelizmente, o preço ainda é um empecilho para muitos adotarem o orgânico como carro-chefe da alimentação. Esses dias, no supermercado, comparei o preço do frango produzido sem hormônios e antibióticos com o frango convencional. O frango livre de química custava 5 vezes mais que o convencional. Claro que, se mais consumidores buscarem essas alternativas, elas tenderão a baratear.



O trailer, em inglês, é um aperitivo do que o filme trará. Resta esperar que ele aporte logo nos cinemas brasileiros.
Mercado Ético/Estadão Sustentabilidade

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Nestlé financia destruição de floresta e põe orangotangos no rumo da extinção


As florestas tropicais da Indonésia e seus orangotangos estão precisando desesperadamente de um refresco! Participe da cyberação e peça para a Nestlé dar um tempo as florestas! clique aqui!

Na manhã do último dia 17, protestos pipocaram por toda a Europa contra a destruição das florestas que servem de habitat para orangotangos na Indonésia. O motor dessa devastação, que colocou os primatas à beira da extinção, é a conversão do uso do solo de mata virgem para o plantio de palmáceas.

A Nestlé, que sustenta essa atividade comprando óleo de palma da Indonésia para produzir chocolates como o Kit kat, foi o alvo das manifestações no continente europeu, parte de uma campanha global que o Greenpeace lança hoje contra a companhia. A Nestlé por enquanto continua jogando de ponta de lança no time das empresas que estimulam a destruição das florestas tropicias.

Além de financiar a derrubada em massa de mata na Indonésia e empurrar os orangotangos para o abismo da extinção, a Nestlé está contribuindo para agravar o aquecimento global. Florestas ajudam a regular o clima e acabar com o desmatamento, uma das maneiras mais rápidas de reduzir as emissões de Co2 na atmosfera.

Foi por isso que escritórios da Nestlé na Inglaterra, Holanda e Alemanha acabaram sendo palco de protestos por ativistas do Greenpeace, pedindo para que a empresa deixe de utilizar óleo de palma proveniente da destruição de área antes ocupada por florestas na Indonésia.



As manifestações concidiram com o lançamento de um novo relatório do Greenpeace – 'Pega com a mão na cumbuca: como o emprego de óleo de palma pela Nestlé tem um impacto devastador na floresta tropical, no clima e nos orangotangos' (em inglês) – que expõe os laços entre a Nestlé e fornecedores de óleo de palma, como a Sinar Mas, que estão ampliando suas plantações em florestas de turfa (ricas em carbono) e nas florestas tropicias da Indonésia.

Além da produção de óleo de palma, a Sinar Mas também é proprietária da Ásia celulose, a maior empresa de papel da Indonésia. A empresa também infringe a lei da Indonésia ao destruir as florestas protegidas para cultivar plantações de óleo de palma.

Como todos devem saber, a Nestlé é a maior empresa de alimentos e bebidas do mundo. O que ninguém sabia até então era que a empresa também é um grande consumidor de óleo de palma produzido às custas do desmatamento das florestas tropicais. Nos últimos três anos, a utilização anual do óleo quase duplicou, alcançando a marca de 320000 toneladas que entram em uma enorme gama de produtos, incluindo o chocolate mega popular KitKat, que não é vendido no Brasil.

"Toda vez que você der uma mordida em um KitKat, você pode estar dando uma mordida nas florestas tropicais da Indonésia, que são fundamentais para a sobrevivência dos orangotangos. A Nestlé precisa dar aos orangotangos uma pausa e parar de utilizar óleo de palma de fornecedores que estão destruindo as florestas", disse Daniela Montalto, do Greenpeace internacional.

A fornecedora da Nestlé, Sinar Mas, é responsável por considerável destruição da floresta que serve de habitat para orangotangos




O lançamento do relatório segue numerosas tentativas de convencer a Nestlé a cancelar seus contratos com a Sinar Mas. Recentemente, o Greenpeace contactou várias vezes a empresa com provas sobre as práticas da Sinar Mas, mas mesmo assim a Nestlé continua usando o óleo de palma da Indonésia em seus produtos.

Diversas empresas importantes, incluindo a Unilever e Kraft, cancelaram os contratos de óleo de palma com a Sinar Mas. A Unilever cancelou um contrato de 30 milhões de dólares no ano passado. A Kraft cancelou o seu em fevereiro. "Outras grandes empresas estão agindo, mas a Nestlé continua fechando os olhos para os piores infratores. É tempo de a Nestlé cancelar seus contratos com a Sinar Mas e parar de contribuir com a destruição das floresta tropical e de turfas," frisou Montalto.
Greenpeace Brasil

sábado, 6 de março de 2010

Em Washington/EUA, lei veta oferta de sacolas gratuitas

Desde janeiro, entrou em vigor em Washington uma lei que proíbe a distribuição gratuita de sacolas plásticas no comércio. Quem não leva sua própria bolsa pode carregar os itens na mão ou pagar US$ 0,05 por sacola.

A lei não se restringe a supermercados e inclui também livrarias, lojas de roupas e de presentes. A expectativa dos grupos ambientalistas é que ela se torne uma referência para os Estados americanos. Esse tipo de lei é a primeira no país, embora San Francisco já tenha proibido as sacolas plásticas.

Dados da Agência de Proteção Ambiental dos EUA apontam para um volume de plástico desperdiçado em 2008 de 3,96 milhões, entre bolsas, sacolas e embrulhos. Menos de 1% desse total foi reciclado.

Grandes redes de varejo nos EUA, como CVS e Target, já começaram a premiar com dinheiro ou créditos a iniciativa de consumidores que carregam suas próprias sacolas reutilizáveis.

Em Nova York, a legislação exige que os varejistas que distribuem gratuitamente sacolas plásticas façam a reciclagem do material.

Algumas redes no Estado já cobram pelo uso das sacolas. Em qualquer supermercado de médio porte de Nova York, ao lado do caixa, existem sacolas reutilizáveis disponíveis para venda.

Em Seattle, recentemente o uso de sacolas de papel e de plástico passou a ser desencorajado, com a cobrança de US$ 0,20 por sacola.

Consideradas um símbolo do desperdício no consumo, as sacolas plásticas têm sido culpadas pela poluição nos oceanos e emissão de carbono.

A onda de criação de taxas de cobrança pelo uso vem se espalhando em algumas cidades do país desde 2007. O assunto já foi discutido em Estados como Connecticut, Maryland, Massachusetts, Texas e Virgínia.
Fonte: Folha Online

Rede de supermercado vai eliminar sacolas plásticas em até 4 anos

O Grupo Carrefour banirá a utilização de sacolas plásticas em toda a sua rede de lojas no Brasil nos próximos quatro anos.

O anúncio oficial da decisão, uma das mais expressivas ações de sustentabilidade das grandes redes varejistas no país, será feito no próximo dia 15, na loja do Carrefour localizada em Piracicaba, interior de São Paulo.

O evento contará com a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Segundo o diretor de Sustentabilidade do Carrefour, Paulo Pianez, a decisão vale tanto para as sacolas plásticas entregues ao consumidor quanto para os sacos plásticos utilizados dentro das lojas (por exemplo, para acondicionar frutas ou legumes). E envolve todas as marcas do grupo (Carrefour, Atacadão e Dia%).

"Depois de diversas ações para reduzir o uso das sacolas, chegamos à conclusão de que deveríamos ser mais definitivos nessa questão, adotando uma das medidas mais radicais que o varejo pode adotar, uma vez que afeta diretamente os hábitos do consumidor: o banimento definitivo do plástico", antecipou Pianez à Folha.

"A utilização das sacolas plásticas é um tema sobre o qual nós, varejistas, somos constantemente questionados pela sociedade. E com razão, dados os impactos da destinação inadequada desse produto. Essa é uma contribuição importante", afirmou.

Para compensar possíveis impactos negativos da medida em relação aos consumidores, que no caso brasileiro utilizam de maneira intensiva as sacolas plásticas, especialmente como sacos de lixo, o Carrefour oferecerá opções para o transporte das compras, como sacolas retornáveis vendidas a preço de custo e caixas de papelão usadas nas lojas, entre outras.

Em conjunto com a Basf, a empresa também desenvolveu uma sacola plástica com capacidade para até dez quilos feita de material bioplástico 100% degradável.

Um produto que, segundo o Carrefour, é totalmente absorvido pela natureza em até 18 semanas (uma sacola plástica comum leva até 300 anos para se decompor).

O diretor acrescenta que a expectativa do Carrefour em relação aos impactos da decisão sobre os consumidores é positiva. "Nossa percepção é que o consumidor já tem maturidade suficiente para entender que ele também tem um papel a cumprir nesse sentido."

Nos últimos anos, o grupo adotou o banimento dos plásticos em diversos países nos quais opera, como França, Bélgica, Polônia e Espanha.

Para evitar que o consumidor sinta-se prejudicado ao não poder contar com as sacolas plásticas para acondicionar seu lixo doméstico, a rede varejista oferecerá ainda sacos de lixo produzidos com plástico reciclado a um custo subsidiado, além de promover fóruns e palestras com os consumidores para esclarecer o impacto ambiental das sacolas plásticas tradicionais.

Tendência - O banimento das sacolas plásticas no Carrefour é mais um capítulo na acirrada disputa entre as grandes varejistas do país por ações de sustentabilidade, que ganharam fôlego nos últimos anos.

O Walmart, por exemplo, vem apostando no engajamento de sua cadeia de fornecedores para criar produtos 100% sustentáveis.

Já o Pão de Açúcar, conhecido pelas ações de reciclagem que promove, ampliou sua rede de "lojas verdes" e também adotou uma série de procedimentos socioambientais. "Essa é uma disputa da cooperação. Quanto mais ações semelhantes, melhor para a sociedade", conclui o diretor do Instituto Akatu, Hélio Mattar. Fonte: Folha Online

sexta-feira, 5 de março de 2010

Apoio europeu ao desmatamento

A organização Wetlands International divulgou ontem o vazamento de um documento atribuído à União Européia (EU) que contraria seus supostos compromissos de lutar pelo estabelecimento de um critério sério para evitar perda de florestas tropicais para produção de biocombustíveis. Segundo o documento, a comissão demontsra apoio à conversão de florestas em lavouras para produção de óleo de dendê.

A Wetlands convocou diversas outras organizações para pressionarem ainda mais a UE para restringir seu conceito de florestas, que hoje abarca qualquer conjunto de árvores, mesmo monocultura. O representante da organização, Alexa Kaat, explica que na carta endereçada à comissão eles avisam que a ampla definição de florestas só vai acelerar o desmatamento, violando diversos artigos da Diretiva de Energias Renováveis da própria UE.
Leia o documento aqui (em inglês)
O ECO

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Guarde este nome: GoodGuide!


Goodguide, uma revolução no consumo consciente
Por Ricardo Voltolini (*)


Está a caminho uma revolução no consumo consciente.

E ela atende pelo prosaico nome de GoodGuide ou Guia do Bem em tradução livre e não autorizada. Guarde bem este nome porque provavelmente ouvirá falar muito dele nos próximos anos, antes talvez de virar notícia no Jornal Nacional. Trata-se de uma ferramenta útil para quem deseja, no momento de fazer compras, obter informações rápidas e confiáveis sobre os impactos socioambientais de um determinado produto ou marca.

Essa experiência de associação entre tecnologia e consumo responsável começou a tomar corpo recentemente nos Estados Unidos. Com um aplicativo instalado no iPhone, desses que lê códigos de barra, um consumidor norte-americano pode, enquanto passeia entre as gôndolas de um supermercado, enviar informações para um banco de dados que, em segundos, revela por exemplo, a existência de substâncias tóxicas em um produto, se houve ou não exploração de trabalhadores em sua produção ou mesmo o quanto a empresa fabricante está preocupada com a conservação do meio ambiente. Simples e prático, ajuda o consumidor mais engajado a fazer uma escolha consciente, sem grande esforço para desvendar rótulos que, quando existem, parecem elaborados para desinformar.

O GoodGuide reúne hoje dados de 75 mil produtos, que vão desde os de limpeza para casa até alimentos, cuidados pessoais e brinquedos. Com ele, é possível comparar itens similares e concorrentes, acessar um ranking com atribuição de notas e até mesmo criar uma lista de favoritos usando critérios cruzados de saúde, segurança e compromisso socioambiental. A ferramenta nasceu em 2007 de um insigth doméstico de Dara O´Rourke, professor do Departamento de Ciência Política e Gestão Ambiental Universidade de Berkeley. Antes de sair de casa para passear com a filha de cinco anos, ao ler o rótulo do protetor solar, ele teve dúvidas quanto à composição química do produto.

Pesquisando depois, descobriu a existência de uma substância tóxica potencialmente danosa á saúde humana. Ocorreu-lhe que muitos outros pais e mães também deviam ter as mesmas dúvidas em relação às matérias-primas de produtos utilizados por seus filhos. E que milhares de consumidores não têm a mais remota ideia do que contém produtos de consumo aparentemente inofensivos nem de como – e sob que condições -- as empresas o produzem.

Empreendedor, O´Rourke abriu uma organização sem fins lucrativos e buscou o apoio de cientistas, especialistas em comportamento do consumidor e profissionais de indústria. Também associou-se à Universidade da Califórnia, ao Massachusetts Institute of Technology, Google, Amazon, eBay e PayPal. O uso do GoodGuide cresce a cada dia na esteira da expansão do movimento Cultural Creatives, formado hoje por uma turma de 70 milhões de norte-americanos menos egocêntricos e mais preocupados com o outro, com a qualidade de vida e com a saúde do planeta.

Analisando sob o aspecto da evolução do consumo consciente, o GoodGuide pode fazer mais diferença do que qualquer regulação específica. Não que criar normas não seja necessário. Pelo contrário, elas funcionam como mecanismo de pressão para mudança de práticas. É que o engajamento de consumidores cidadãos, e a consequente pressão advinda disso, acabarão por mudar mais rapidamente as empresas do que eventuais sanções por descumprimento de regras que estão sendo e serão criadas para proteger consumidores. Ao tornar acessíveis informações úteis sobre impactos que, mantidas na penumbra, antes desequilibravam a relação entre quem produz e quem compra, a ferramenta naturalmente empodera o consumidor nesses tempos de crescente interesse pelas questões socioambientais e de saúde.

O GoodGuide elimina, de partida, um obstáculo importante no processo de mudança de comportamento do consumidor. Na medida em que disponibiliza instantaneamente informações úteis, possibilitando a comparação, ele preenche um vácuo deixado pela ausência de indicadores claros e compreensíveis. Mais do que isso, rompe com a chamada “inércia cognitiva”, simplificando muito o processo de tomada de decisão. Sabe-se que a mente humana, diante de muitas alternativas de produtos, do dispêndio de energia mental para avaliar as informações de rótulos/embalagens e do tempo necessário para tal tarefa, procura sempre a opção mais rápida/satisfatória, nem sempre a ideal.

Ao conferir poder ao consumidor, o GoodGuide veio para ficar nessa era de transparência radical. Bom para consumidores e empresas. Com ele, os consumidores poderão fazer do ato de consumo um instrumento de efetiva cidadania; e mais do que isso, um exercício de altruísmo em nome de um mundo melhor e mais saudável. As empresas, por sua vez, terão de mudar processos e práticas na direção da sustentabilidade se não quiserem perder sintonia (e, por tabela pontos de market share) com seus cada vez mais bem informados e exigentes clientes.

Bem-vindo seja o GoodGuide. Aviso aos navegantes brasileiros: como muitos produtos são vendidos globalmente, uma passeada pelo site GoodGuide pode ser um bom primeiro exercício para avaliar quão sustentáveis são itens que você eventualmente compra aqui no Brasil.

* Ricardo Voltolini é publisher da revista Ideia Socioambiental e diretor da consultoria Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade
(Envolverde/Idéia Socioambiental)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

De Olho na Vida

Livro sobre consumo ético tem segunda edição
Como foi feita e qual é o destino de cada coisa que consumimos todos os dias? Por que os seres humanos pouco ou nada pensam sobre isso e consomem bens naturais como se fossem infinitos? Quais as consequências de ser um Homo consumens? O que é consumo consciente e como incorporar isso, de fato, na prática diária?

Essas são questões tratadas na segunda edição do livro De olho na vida - Reflexões para um consumo ético, publicação do Instituto Harmonia na Terra. Os autores Patrícia Abuhab e Guilherme Blauth focam o consumo na educação cotidiana e na responsabilidade individual, já que o consumo irresponsável traz resultados na forma de impactos ambientais, alterações do clima, esgotamento da natureza, que atingem a todos.

O livro trata desde a extração das matérias-primas ao descarte dos produtos, por meio de diferentes olhares, como o ecológico, histórico-sociológico, ético e estético: “O consumo é um ato do cotidiano que tem profunda relação com todos os problemas que ocorrem ao nosso redor. O 'ser urbano' dificilmente passa um dia sem comprar algum item ou serviço e, de tanto comprar, se acostuma a ser somente consumidor”, refletem os autores, que trazem para a discussão do tema questões como simplicidade voluntária, economia solidária e o saber fazer. Na conclusão são apresentadas 70 ideias relacionadas com o consumo de água, energia, alimentação, eletrodomésticos, lixo, móveis e construção, limpeza e reutilização de objetos. A publicação faz parte de uma série e foi seguida do livro De olho na vida – Encontros com a ecopedagogia, de Guilherme Blauth, editado em 2008.

O livro integra o material de apoio do Projeto Ecopedagogia em Ação – Garuva, realizado pelo Núcleo de Ecopedagogia do Instituto. Parte desta edição foi distribuída gratuitamente nos cursos de ecopedagogia aos 150 professores da rede pública de Garuva, no norte de Santa Catarina, e para parceiros, bibliotecas e órgãos governamentais do município. A segunda edição do livro e esse projeto são patrocinados pela empresa Marcegaglia do Brasil.Fonte: Instituto Harmonia na Terra.