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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Nova proposta de Código Florestal pode levar até cem mil espécies à extinção

“A proposta de alteração do Código Florestal, em seus vários itens, não está circunstanciada em dados já disponíveis na ciência”, é o que reclama não apenas nosso entrevistado de hoje, o professor Ricardo Rodrigues, mas toda a comunidade científica. O atual Código Florestal é datado de 1965, e, ainda que ele precise de alterações, a nova proposta pode levar até cem mil espécies de animais à extinção. “Hoje, seria plenamente possível atender a uma produção agrícola com qualidade econômica, ecológica e ambiental dentro dos preceitos atuais da ciência”, apontou Rodrigues durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line, por telefone.

Ricardo Ribeiro Rodrigues é graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas, onde também fez mestrado e doutorado em Biologia Vegetal. Em 1999, recebeu o título de pós-doutor pela Universidade de São Paulo, onde, atualmente, é professor.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Há falta de fundamentação científica neste novo Código Florestal?

Ricardo Rodrigues – A proposta de alteração do Código Florestal, em seus vários itens, não está circunstanciada em dados já disponíveis na ciência. Esta é uma crítica que está sendo feita pela Academia Brasileira de Ciência. Foram utilizados alguns poucos trabalhos para propor as alterações em itens específicos, mas não foi realizado de forma ampla e com sustentação científica. É uma deficiência da Academia que, nestes 40 anos de existência do Código, não fez nenhuma ação organizada para sustentar cientificamente cada item. Mas existem muitos trabalhos científicos que poderiam estar servindo como base para as ações que foram propostas no que diz respeito à alteração dos vários itens do Código.

IHU On-Line – Como a vigência desse novo Código pode levar à extinção de espécies de animais?

Ricardo Rodrigues – Se este novo Código for aprovado da forma como ele está, vamos ter uma grande redução das áreas naturais no ambiente rural. E uma questão muito clara hoje é que quem faz a conservação da biodiversidade remanescente não são as unidades de conservação, mas os proprietários rurais de áreas privadas, mantendo esses fragmentos em uma qualidade adequada. Até 80% dos remanescentes naturais estão em propriedades privadas, apenas 20% estão em unidades de conservação. Para isso, precisamos de alguns instrumentos, como o Código Florestal, para que a propriedade privada cumpra este papel.

Vale salientar que isso não é feito em detrimento da produção. Dados mostram que a agricultura pode ser feita com qualidade, respeitando todas as questões contidas no Código anterior. Nós poderíamos fazer uma agricultura de qualidade e, ao mesmo tempo, cumprir as exigências anteriores, com pequenas exceções que, aí sim, precisariam de alterações. Hoje, seria plenamente possível atender a uma produção agrícola com qualidade econômica, ecológica e ambiental dentro dos preceitos atuais da ciência.

IHU On-Line – A comunidade científica brasileira foi ouvida durante a “reformulação” do Código Florestal?

Ricardo Rodrigues – Não. Foram ouvidos alguns poucos elementos da comunidade científica que, efetivamente, não respondem como a academia. A academia, de maneira organizada, ou mesmo um grande número de pesquisadores, não foram nem consultados sobre estas alterações. Houve várias tentativas de intervenção junto ao deputado Aldo Rebelo, mas foi usado apenas materiais com dados que interessavam a ele. Não teve uma ampla consulta, que resultasse em uma proposta acadêmica e sustentasse essas alterações. Não se tem um relatório científico. O que se tem hoje são vários relatórios falando do risco destas alterações.

IHU On-Line – Quais são as principais limitações deste novo Código?

Ricardo Rodrigues – Esse novo Código só resolve a vida da propriedade privada. E o mais interessante é que a própria comunidade rural está enxergando as propostas de alteração como excessivas. Não havia nenhuma restrição para as matas ciliares na propriedade rural, por exemplo, e a redução delas, na nova proposta, assustou os ruralistas, pois concordam com a importância das matas ciliares nas propriedades. A proposta de alteração do Código está atendendo a alguns poucos grupos econômicos que fizeram pressão.

IHU On-Line – De que forma o novo Código Florestal vai beneficiar setores que dependem da expansão de fronteiras de florestas?

Ricardo Rodrigues – Permitindo a abertura de novas fronteiras agrícolas sem nenhum critério ambiental. Poderão utilizar mais espaços sem a necessidade de reservar áreas para a conservação dos recursos naturais.

IHU On-Line – Quais os principais estados que serão afetados?

Ricardo Rodrigues – Todos os estados serão afetados com a possibilidade de redução de áreas para a conservação. É um código brasileiro que interfere em todas as regiões, em algumas mais e em outras menos. Todos serão afetados no sentido de aumentar a disponibilidade de área agrícola. Porém, vários estados já têm áreas agrícolas abandonadas ou de baixa produtividade que não foram incluídas nesse raciocínio. Ou seja, a proposta de alteração do novo Código Brasileiro Florestal está sustentando a manutenção de áreas agrícolas de baixo rendimento econômico dentro da política agrícola brasileira. Há áreas de pastagem construídas com baixa produtividade e que o código referenda que sejam mantidas nesta condição. Poderiam ser áreas usadas para o papel de conservação da biodiversidade, fazendo, por exemplo, restauração com florestas e substituição dessas pastagens degradadas.

IHU On-Line – Ainda há áreas para expansão da agricultura no Brasil?

Ricardo Rodrigues – Com certeza. Hoje, a agricultura brasileira tem de ser pensada, inicialmente, com maior aproveitamento possível da produtividade nas áreas agrícolas já disponíveis. Nós duplicaríamos nossa produção utilizando bem as nossas áreas já disponíveis. Se ainda assim isso não for suficiente, temos áreas de alta aptidão agrícola que poderiam ser expandidas. As áreas de menor aptidão agrícola ou com aptidão florestal devem continuar com florestas, mesmo com essências nativas, madeiras e outras de forma sustentada, mas devem continuar ocupadas com formações naturais. A grande questão é duplicar, triplicar nossa produção agrícola com técnicas, adubações e espécies adequadas, e se isso ainda não for suficiente, aí vamos pensar na expansão de novas fronteiras agrícolas.

IHU On-Line – E é necessário expandir a agricultura no país?

Ricardo Rodrigues – A vocação agrícola do país é muito clara e forte. Mas devemos expandir nossa produção com o aumento de produtividade e não com o aumento de áreas para a produção.
(IHU On-Line/Minha asa Meu mundo)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Quando a tendência vira fato

Governo anuncia queda no desmatamento da Amazônia antes de fechar análise anual. Ainda que o corte raso diminua, extração de madeira se mantém.

No fim da última semana, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira (foto), chamou a imprensa para divulgar "dados parciais" da taxa de desmatamento na Amazônia. Com números do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), ela afirmou que, entre agosto de 2009 e maio de 2010, o desmatamento na região caiu 47% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na festa propagada pelo governo, no entanto, pouca voz foi dada a quem entende de monitoramento. Dalton Valeriano, chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe, foi categórico no jornal "Folha de S.Paulo": "Afirmar que o país está desmatando menos
ainda é mera especulação".

Valeriano se refere à imprecisão do Deter em medir o tamanho das áreas devastadas. Criado em 2004 pelo Inpe, o sistema veio com o objetivo de, mensalmente, alertar os órgãos de fiscalização quando algo estivesse errado pela floresta. Usando imagens de satélite, o sensor Modis é capaz de "enxergar" cortes rasos e processos de degradação por extração de madeira, mas somente em áreas maiores que 25 hectares. As derrubadas menores que isso ficam de fora. O que não é pouca coisa. De acordo com o próprio pesquisador, hoje os desmatamentos menores representam 60% de toda a devastação.

"Quando o governo começou a usar o Deter e a mandar equipes de fiscalização para os locais que estavam sendo desmatados, os grandes desmatadores entenderam a lógica. Agora, em vez de desmatar uma extensão enorme, eles desmatam várias áreas menores, para que o Deter não pegue", explica André Muggiati, da Campanha da Amazônia do Greenpeace, acrescentando que a imprecisão também ocorre por conta das nuvens: quando o céu está coberto – o que não é incomum na região – nem todas as áreas são identificadas. "Qualquer dado que se refira à área desmatada é equivocado se for gerado por esse sistema. O Deter não foi feito para medir o tamanho do desmatamento".

Dados imprecisos

Por se tratarem de números falhos, o anúncio feito pelo MMA acaba gerando interpretações equivocadas, de que as estatísticas indicam que a agricultura e a pecuária seguem trilhas mais saudáveis, ao mesmo tempo em que a extração predatória de madeira mingua. Ledo engano.

Se o agronegócio está, aos poucos, diminuindo sua pressão sobre a floresta, não se pode falar o mesmo do setor madeireiro. Quem o diz é também o Inpe, com dados do sistema Degrad, criado há dois anos para medir, aí sim, o tamanho de áreas em processo de degradação por extração predatória de madeira.




O gráfico mostra a diferença entre os números do Deter e do Prodes. Os dados de 2010 do Deter ainda não estão completos, e o Prodes ainda não saiu.

Enquanto o desmatamento demonstra queda nos últimos anos, o Degrad mostra que a degradação na floresta seguiu o caminho inverso. Enquanto, em 2007, quase 16 mil quilômetros quadrados foram identificados em estágio de degradação, a taxa subiu para mais de 27 mil km2 no ano seguinte. Os números de 2009, que já deveriam ter ido para a rua, o MMA ainda não soltou.

Para calcular as áreas degradadas, o Inpe utiliza imagens do satélite Landsat, muito mais preciso que o usado pelo Deter. É a partir do que ele aponta que são geradas as taxas anuais de desmatamento na Amazônia. A metodologia adotada para se fazer essa análise ganhou o nome de Prodes (Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia). Muito mais refinado que o Deter, esse sistema consegue identificar desmatamentos a partir de 6,25 hectares, deixando de fora uma fatia muito menor da devastação.

Para exemplificar a diferença na precisão entre os dois sistemas, não é preciso ir muito longe. Em 2009, o Deter apontou cerca de 4 mil quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia. Pouco tempo depois, saíram os números do Prodes, que havia identificado muito mais: quase 7.500 quilômetros quadrados derrubados. Nesta terça-feira, a ONG Imazon também soltou seus números de monitoramento mensal. Contrapondo os dados do Deter, o instituto afirma que, de agosto de 2009 a junho de 2010 houve, não declínio, mas um aumento de 8% no desmatamento, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Portanto, todo cuidado é pouco na hora de falar de números, ainda mais se tratando de ano eleitoral. "Uma série de fatores levou à tendência de redução do desmatamento nos últimos anos. A moratória da soja e o compromisso público assumido pelos grandes frigoríficos de não comprar mais gado de áreas devastadas influenciaram bastante, assim como as ações de fiscalização", diz Marcio Astrini, da Campanha Amazônia do Greenpeace. "No ano passado, com crise financeira mundial, o que caiu foi a procura pelas commodities. Com menor demanda, os setores que produziam pressionando a floresta diminuíram o ritmo, e isso teve reflexo na queda do desmate."

Tendências à parte, a atenção deve ser redobrada. Julho é quando começa o período de seca e as motosserras são ligadas a todo vapor. Quantas árvores vão cair nos próximos meses, ainda não se sabe. Mas elas têm de entrar na conta antes que qualquer anúncio seja feito.
Greenpeace/Minha casa Meu mundo
Foto: José Cruz/ABr

segunda-feira, 26 de julho de 2010

TERRAMÉRICA - Bomba relógio nuclear


Por Risto Isomäki*

Os resíduos radioativos guardados atualmente debaixo da terra podem se converter em enormes arsenais atômicos dos Hitler de amanhã.

Helsinque, Finlândia, 26 de julho (Terramérica).- Depois de décadas de preparação e pesquisas, os Estados Unidos abandonaram seu plano de armazenar resíduos nucleares na montanha Yucca, no Deserto de Nevada. Por outro lado, Finlândia e Suécia levam adiante seus próprios planos e pretendem colocar seu combustível esgotado em cilindros de ferro e cobre que serão enterrados em um leito de rocha.

A empresa finlandesa Posiva está construindo um vasto sistema de covas dentro de uma formação rochosa perto do complexo de energia nuclear Olkiluoto, no Golfo de Botnia, oeste do país. A firma acredita que o sistema de covas Onkalo seja capaz de armazenar de forma segura, pelo menos por cem mil anos, o combustível nuclear usado pelos geradores da Olkiluoto.

Quando o combustível é retirado do reator, e depositado em uma pilha de esfriamento, está muito quente e tem cerca de um bilhão de vezes mais radioatividade do que o urânio natural. Depois de cem anos, o combustível nuclear é cem mil vezes mais radioativo; após mil anos, cinco mil vezes, e depois de cem mil anos apenas 200 vezes mais radioativo do que o urânio natural.

Na ocasião, as substâncias naturais existentes na crosta terrestre produzirão, para cada quilômetro quadrado, mais decomposições radioativas do que um depósito de combustível nuclear como Onkalo. Porém, há um problema mais grave, que é ignorado pelas autoridades encarregadas pelo controle nuclear, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e as empresas de energia nuclear.

Entre os resíduos radioativos, existem também cerca de 20 ou 30 quilos de plutônio para cada tonelada de combustível nuclear usado. O plutônio pode ser separado do urânio por métodos químicos, desenvolvidos no Século 20. Cada país que possui combustível nuclear usado pode fabricar uma bomba atômica simplesmente dissolvendo as barras de combustível em ácido e extraindo o plutônio.

Outro método de fazer uma bomba é enriquecer a proporção do isótopo fissionável 235 no combustível de urânio. Isto é muito mais complicado porque os diferentes isótopos não podem ser separados por meios químicos. Quando os cientistas a serviço de Adolf Hitler tentaram isso na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), só conseguiram enriquecer o conteúdo do urânio 235 de 0,7% para 1,5% em um grama de gás hexafluoreto de urânio.

Como seriam necessários 400 quilos com um conteúdo de 20% de urânio 235 para fabricar uma pequena bomba nuclear, nem mesmo se aproximaram desse objetivo. Com plutônio poderiam ter conseguido em questão de meses ou semanas. A Finlândia, por exemplo, planeja enterrar 11 mil toneladas de combustível nuclear usado, suficientes para obter dezenas de milhares de bombas atômicas como a lançada sobre Nagasaki, em um sistema de covas cuja localização exata é de domínio público.

Além disso, o plutônio se torna mais perigoso, e não menos, na medida em que passam os anos. Quando o combustível nuclear é enterrado, contém entre 65% e 70% do isótopo 239, ideal para fabricar armas nucleares. Inclusive este tipo de plutônio usado em reatores pode ser empregado para uma bomba, mas outros exóticos de plutônio (238, 240 e 241) são causadores de uma série de complicações, embora tenham uma vida média mais curta do que a do 239.

Isto significa que o plutônio em um depósito de combustível usado se torna naturalmente enriquecido, convertendo-se primeiro em plutônio apto para armas, “de grau de armamento”, e depois em plutônio de grau de reator. Finalmente, se transforma em plutônio 239 quase puro e só uma minúscula quantidade é suficiente para a primeira fase de uma arma nuclear maciça de duas ou três fases.

Os Hitler, Stalin ou Gengis Kan do futuro buscarão sem descanso os depósitos de combustível nuclear gasto, com ajuda de geólogos, antropólogos, historiadores e aparelhos como espectômetros e contadores Geiger. Ter acesso a uma câmara do tesouro como Onkalo, depois de dez mil ou cem mil anos, permitiria fabricar um enorme arsenal nuclear e asseguraria o domínio do mundo a um futuro Hitler. É este o legado que queremos deixar para as próximas gerações?

* O autor é ambientalista e premiado escritor finlandês, e seus romances foram traduzidos para vários idiomas. Direitos exclusivos IPS.

Crédito da imagem: Claudius
(Envolverde/Terramérica)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Amazônia em tempo real

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) liberou ao público dados em tempo real sobre a Amazônia, antes disponíveis apenas a pesquisadores. As informações disponibilizadas são do Projeto de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera (LBA). Ao todo são mais de 50 indicadores ambientais obtidos através de equipamentos instalados nas torres de pesquisa do projeto, localizadas em uma área de floresta primária a 50 km de Manaus.

Entre outras coisas, será possível acessar informações sobre solo, árvores, concentração de gás carbônico na área da copa das árvores e acima delas, temperatura e umidade do ar. “Essas medidas contínuas geram diversas informações científicas que permitem conhecer o comportamento da floresta, a interação dela com a atmosfera e a reação da vegetação, por exemplo, a um ano seco ou chuvoso”, afirma Antônio Manzi, gerente executivo do LBA.

Os dados, atualizados a cada dez minutos, podem ser acessados através do site
Karina Miotto/ O ECO

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Concessões florestais avançam no Brasil

Sergio Adeodato

Ao estilo de um lançamento imobiliário, o anúncio que o governo federal estampa em faixas e folhetos não poupa promessas para atrair investidores em suas florestas de domínio público: “Oportunidade de negócios no Oeste paraense; mais de 350 mil hectares para concessão; elevado potencial madeireiro; vias de escoamento pelo rio Tapajós e BR 230 (Transamazônica), garantia de suprimento sustentável; vetor de desenvolvimento e investimentos para a região”. O cenário da nova fronteira é a Floresta Nacional de Amana, na divisa do Pará com o Amazonas, onde 210 mil hectares de terras públicas estão abertos para exploração por madeireiras, mediante manejo florestal.

Lançado no mês de março em São Paulo na feira Brasil Certificado, onde o Serviço Florestal Brasileiro (FSB) dividiu espaço com estandes de empresas do setor, o edital de concessão prevê a divisão da área em cinco lotes. O investimento varia de R$ 2,8 milhões a R$ 12 milhões, com previsão de retorno entre cinco anos e meio e sete anos e meio -- tempo que pode diminuir a medida que as madeireiras beneficiam o recurso florestal e agregam valor aos produtos.

“A concessão de florestas públicas garante o acesso a terras legalizadas, sem o problema da insegurança jurídica e fundiária que hoje atrapalha os investimentos na Amazônia”, afirma Antonio Carlos Hummel, diretor geral do SFB. Para ele, é começo de uma virada de jogo, pois “tradicionalmente a região abastece a indústria madeireira com alto grau de ilegalidade e invasão de terras públicas”. Ele diz que o divisor de águas consistiu na suspensão dos planos de manejo em 2003 e no início da repressão e controle mais rígidos por parte do governo. A atividade madeireira se retraiu. "Como indicativo da nova realidade, em 2009 a produção despencou para 14 milhões de metros cúbicos, enquanto a média dos anos anteriores foi de 25 milhões”, ilustra Hummel.
Leia mais no Eco

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Operação Jurupari
Madeira ilegal no Mato Grosso

Ex-secretário do Meio Ambiente Daldegan foi preso por suspeita de facilitar plantações eucalipto em UCs (foto: Gov do Mato Grosso

Operação da Policia Federal prendeu nesta sexta-feira (21) o ex-secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, Luiz Henrique Daldegan. Além dele, outros 91 suspeitos estão sendo procurados pela Policia Federal, acusados de envolvimento em um esquema de falsificação de documentos públicos para explorar madeiras em terras indígenas e unidades de conservação, no norte do estado.

Até o final do dia, 65 pessoas tinham sido presas, entre elas, o chefe de gabinete do governador Silval Barbosa, Sílvio Cezar Correa de Araújo, e Janete Riva, mulher do presidente da Assembléia Legislativa, deputado José Riva (PP). Além das prisões, 91 mandados de busca e apreensão também foram expedidos.

Segundo o delegado da PF, Franco Perazzoni, os suspeitos foram seguidos durante cerca de dois anos. “Há provas de que o esquema funcionava desde 2008, pelo menos”, afirma. (

A investigação mostrou que a madeira roubada seria vendida em polos moveleiros da região Sul e para comerciantes dos estados da região Sudeste. Mandos de prisão foram expedidos em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Espírito Santo, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. A operação deve continuar durante o final de semana.

Entre os detidos estão empresários, servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), pessoas ligadas a políticos do Mato Grosso e engenheiros florestais – responsáveis pela elaboração de inventário florestais e planos de manejo.

A madeira era retirada do Parque Indígena do Xingu, das quatro Terras Indígenas dos Cinta-Largas (Aripuanã, Serra Morena e Roosevelt e Parque do Aripuanã) e Terra Indígena Kayabi, além do Parque Nacional do Juruena.

Segundo fontes da Policia Federal, há indícios de que lideranças indígenas facilitavam a retirada das madeiras. A Polícia Federal calcula que o esquema movimentou pelo menos R$ 900 milhões.

Os suspeitos deverão ser indiciados por furto, grilagem de terras, formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em arquivos públicos e diversos crimes ambientais.

Sistema de Informações florestais

A investigação quebrou sigilos bancários de funcionários públicos, seguiu suspeitos e monitorou o trabalho de fiscalização de funcionários da SEMA.

Também usou dados dos sistemas de informações da gestão florestal, tanto do estado de Mato Grosso, Sisflora (Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais), como também dos sistemas federais, operados pelo Ibama.

Segundo Perazzoni, esses sistemas informatizados facilitaram as investigações. “Por mais que essas ferramentas ainda estejam imperfeitas, elas trazem mais transparência para o monitoramento”, garante.

Para ele, por mais sofisticadas que sejam as manipulações dentro desses sistemas, elas sempre deixam rastro. “Tanto o Sisflora, do Mato Grosso, como os do Ibama são uma evolução”, afirma Perazzoni.

Más influências

A prisão do ex-secretário estadual de Meio Ambiente, Luiz Henrique Daldegan, foi pedida pelo Ministério Publico Federal, no Mato Grosso. O procurador, Mario Lucio Avelar, disse para o Eco, que o nome do ex-secretário foi incluído porque ele atendia a pedidos políticos para autorizar plantação de eucalipto em unidades de conservação.

“Apurei que ele revogou um plano de manejo de uma unidade de conservação só para atender a um pedido de um deputado federal, que tinha interesse de plantar eucalipto lá dentro”, afirma o procurador.

Na avaliação de Avelar, esse é um dos problemas de o Governo Federal transferir a fiscalização florestal para os estados, como aconteceu no Mato Grosso. “Essa operação mostra isso: o poder político e econômico sobre um secretario de governo encarregado da gestão florestal”, resumiu.

Avelar admite, no entanto, que – embora tenha sido inicialmente contra – a descentralização tem se mostrado positiva, uma vez que permite maior transparência para o licenciamento. Segundo ele, ela também desafogou o trabalho do Ibama, garantindo ao órgão mais mobilidade para ações de fiscalização.

Questionado sobre em qual grau a operação atingiu o ex-governador Blairo Maggi, o procurador se limitou a responder que tal avaliação é política e não cabe a ele fazê-la. “Eu apenas apuro os fatos, que falam por si só”, respondeu.

A operação foi batizada Jurupari em referência a uma lenda Tupi, segundo a qual uma entidade foi enviada pelo Sol que faz cumprir as leis. Segundo a crença, ao Jurupari não se pede perdão, não há súplica que o abrande, ele exige estrita obediência às leis.

Como funcionava o esquema

1. Um proprietário de terra no MT leva um inventário das madeiras de suas terras à SEMA.
2. Porém o inventario é frio, declara as madeiras que não existe. E muitas vezes declara até pastagem como floresta.
3. A SEMA autoriza a extração das madeiras, passiveis de serem retiradas, de acordo com o que a legisliação oferece.
4. O proprietário sai da SEMA com créditos que podem ser comercializados. Ex: Tantos m3 de Angelim, Itaúba etc.
5. O proprietario não tem essa madeira nas suas terras, mas tem o credito.
6. Vai a um madeireiro clandestino, vende os créditos.
7. Esse madeireiro, com x metros cúbicos em créditos, entra numa terra indígena, parque, ou outras UCs, corta os m3 totais do credito.
8. E vende para o Sul e Sudeste, como madeira legal

O ECO/Redação

quinta-feira, 8 de abril de 2010

AMAZÔNIA
Inpe registra 208 km² de desmatamento em dois meses

Luana Lourenço, da Agência Brasil

A Amazônia perdeu uma área de pelo menos 208,2 quilômetros quadrados (km²) nos meses de janeiro e fevereiro de 2010. Os números são do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), divulgados nesta quinta-feira (8/4) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em janeiro, foram detectados 23 km² de desmatamento e em fevereiro 185 km². Nos mesmos meses de 2009, o Inpe havia observado 222 km² e 143 km² de desmate, respectivamente. No entanto, por causa da distribuição de nuvens, o instituto evita comparações entre os períodos.

São os primeiros dados do Deter divulgados em 2010. Nos meses da estação chuvosa na Amazônia, o Inpe agrupa os alertas em uma base bimestral ou trimestral para melhorar a amostragem.

A cobertura de nuvens impediu a visualização de 69% da região em janeiro e em fevereiro 57% da Amazônia Legal ainda estavam encobertos, o que dificultou a observação dos satélites.

Mato Grosso, que tinha a maior parte do território sem nuvens, acumula o maior desmatamento no período. O Inpe registrou 143,4 km² de novas derrubadas no estado – 69% do total detectado em janeiro e fevereiro em toda a região. Em seguida aparecem Roraima, com 26,9 km² de novos desmates, e o Pará, com 17,2 km² a menos de florestas.

O desmatamento medido pelos satélites no Maranhão foi de 11,7 km²; em Rondônia, de 7,4 km²; e no Tocantins, de 1,7 km².

A medição do Deter considera as áreas que sofreram corte raso (desmate completo) e as que estão em degradação progressiva. O sistema serve de alerta para as ações de fiscalização e controle dos órgãos ambientais.
(Agência Brasil)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Garimpeiros encapuzados atuam no rio Boia, no Amazonas


Balsas foram encontradas pela expedição Vale do Javari, da Funai; garimpo nessas condições é crime ambiental
Roberto Almeida

Cinco grandes balsas de garimpo de ouro estão trabalhando a todo vapor no rio Boia, afluente do rio Jutaí, no sudoeste do Amazonas. São dragas mecanizadas, operadas por pelo menos cinco funcionários cada, que puxam o cascalho do leito do rio e jogam em esteiras, criando enormes bancos de areia e desmatando suas margens. O garimpo nessas condições é crime ambiental.

As balsas foram encontradas neste domingo, 20, pela expedição da Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari, realizada pela Funai em parceria com o Centro de Trabalho Indigenista, e acompanhada pelo jornal O Estado de S.Paulo. Cerca de 30 funcionários, não identificados, estavam encapuzados dentro das balsas. O uso do mercúrio, altamente tóxico, é comum para finalizar o processo de extração do ouro.

Os primeiros indícios da operação de balsas de garimpo no rio Boia foram encontrados a 405 quilômetros ao sul da cidade de Jutaí (AM) no dia 11 de dezembro. Bancos de areia recém-formados indicavam que o leito do rio havia sido revolvido pelas dragas. Uma primeira balsa, mais simples, foi encontrada por funcionários da Funai escondida em um igarapé.

Subindo o rio em direção à sua nascente, porém, a situação é alarmante. A cerca de 500 quilômetros de Jutaí, balsas com pelo menos 25 metros de comprimento, dois andares, equipadas com braços mecanizados estão desmatando as margens e destruindo o leito do Boia. Nenhuma das lanchas de apoio tem nome registrado, fugindo à regulamentação da Capitania dos Portos.

O estrago feito pelas balsas é visível do espaço. Imagem de satélite feita há um ano pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já mostrava a aparição dos bancos de areia. Com a constatação da expedição da Frente Etnoambiental, ficou confirmado que os bancos são subproduto do garimpo ilegal.

Até mesmo as águas do rio, escuras, mudaram de tonalidade por conta da operação das dragas. No trecho em que há garimpo, a água é marrom e carrega garrafas plásticas jogadas pelos garimpeiros.

A Marinha, a Polícia Federal e o Ibama já foram informados pelo indigenista Rieli Franciscato, chefe da expedição, do garimpo na região. As três instituições estudam realizar uma operação conjunta para a retirada das balsas, mas não há previsão de início dos trabalhos.

Para avisar

Quando funcionários da primeira balsa avistaram o barco da expedição da Funai, por volta das 15h, desligaram o equipamento. Em seguida, dois deles partiram em disparada em uma voadeira, encapuzados. Subiram o rio Boia em direção às outras balsas para avisar. Na passagem pelas demais dragas, todas estavam desligadas e todos os funcionários encapuzados.

A quinta e última balsa encontrada pela expedição estava sendo rebocada no exato momento da passagem do barco da Funai. O rebocador não tinha identificação e a balsa, com quatro funcionários também encapuzados, desceu o rio em direção à cidade de Jutaí.
Fonte: Estadão

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Absurdo:
Pará repõe floresta nativa com eucalipto


O governo do Pará, Estado líder em desmatamento, mudou as diretrizes de seu programa de recomposição de áreas destruídas na Amazônia e passou a contabilizar espécies exóticas, como eucalipto, para aumentar os números e se aproximar da meta de 1 bilhão de árvores.

Quando lançou o programa "1 Bilhão de Árvores para a Amazônia", em maio deste ano, o governo previu somente o plantio de espécies nativas. Mas 65% do reflorestamento deverá ser feito com eucalipto --planta original da Austrália--, segundo a Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente).
A Folha apurou que, se fosse mantida a condição inicial, a lentidão e o desinteresse dos produtores em se cadastrar atrasariam o cumprimento da meta até 2012, prazo estipulado pela governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT).

A preferência pelo eucalipto decorre do menor tempo de maturação --em torno de seis anos-- em relação a espécies nativas brasileiras.

A produtividade da espécie também é maior do que as outras por ter sido melhorada geneticamente no país.
O programa do Pará oferece financiamento e auxílio técnico a empresas e produtores que apresentarem projetos de reflorestamento, e também promete menos burocracia na futura concessão de licenças ambientais de exploração.

Os incentivos visam motivar produtores a fazerem o CAR (Cadastro Ambiental Rural). Os dados cadastrais permitirão ao Estado controlar o cumprimento da lei que prevê reserva legal de 80% das terras produtivas da região amazônica para manutenção de mata nativa.

A abertura para a inclusão de árvores exóticas na conta se deu em agosto. Com isso, o governo diz já ter autorizado o plantio de 222 milhões de árvores, quase um quarto
da meta.

Na conta entram projetos de empresas como a Vale, que pretende arrendar propriedades para plantar eucalipto.

Para especialistas, espécies exóticas têm desvantagens. Além de não reconstruir a biodiversidade amazônica, tendem a gerar concentração de terras (o que aumenta a disputa e a violência fundiária) e, para alguns, prejudicam o solo.

"Se o foco é mesmo o reflorestamento, o eucalipto está longe de ser o ideal, principalmente por não reproduzir a biodiversidade", diz o pesquisador Paulo Barreto, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).

Segundo Barreto, o programa "1 Bilhão de Árvores para a Amazônia" foi lançado precocemente para aproveitar uma visita do presidente Lula a Belém e isso acabou exigindo alterações posteriores.

Para o engenheiro florestal Nilton José Sousa, o eucalipto não tem características de regeneração, mas também não há provas de que seja mais nocivo que qualquer outra monocultura. "Por ser mais viável economicamente, pode ser uma saída para áreas degradadas, já que teria impacto social positivo", afirma.
Leia mais no folhaonline
(João Carlos Magalhães/Roberto Madureira/Gustavo Hennemann)
Imagem: Antônio Gaudério

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Países Amazônicos assinam "Declaração de Manaus', um novo acordo sobre o clima

O pacto criado no segundo dia do evento, estabelece metas comuns a serem defendidas pelas nações participantes

Do Portal Cultura
Com Informações de Agências de Notícias
Os nove países amazônicos assinaram nesta quinta-feira (26), um acordo, conhecido como 'Declaração de Manaus'. O pacto assinado no segundo dia da Conferência Climática realizada na capital amazonense, estabele metas comuns a serem defendidas pelas nações participantes do evento. Apesar de não impedir que os integrantes tenham suas próprias reinvindicações em Copenhague, capital da Dinamarca, sede do evento que gerou o de Manaus.

“Esse texto vai balizar nossas posições, mas longe de nós querer dizer que opinião ou posição um país pode ou não ter em Copenhague. O documento não pode ferir a soberania dos estados”, disse Lula.

Na declaração, os países participantes apoiam a meta estabelecida pela ONU, de redução global de 40% na emissão de gases do efeito estufa até 2020. No encontro que contou com apenas três dos nove presidentes convidados, Lula ressaltou a importância do evento.

"Vocês tem noção de quantas vezes os meus ministros firmam acordos mundo afora em nome do Brasil sem a presença do presidente?”, perguntou. “O documento que nós assinamos aqui tem a mesma validade que teria se estivessem todos os presidentes aqui”, afirmou Lula.

O presidente francês Nicolas Sarkozy, que participou como convidado da Guiana Francesa, por sua vez, preferiu destacar a importância da transferência de recursos para os países em desenvolvimento preservarem suas florestas.

“São necessários créditos não só no longo prazo, mas também imediatos para esses países (em desenvolvimento)”, disse. “Em Copenhague, é essencial que cheguemos a números concretos tanto de redução de emissões como de ajuda financeira aos países mais pobres”, afirmou Sarkozy que propõe a Europa destinar 20% de US$ 10 bilhões de dólares à preservação florestal até 2012.

Além disso, o presidente francês defende a taxação sobre transações financeiras para compor estas fontes de financiamento.

A 'Declaração de Manaus" reafirmou a contribuição de 0,5% a 1% do PIB dos países desenvolvidos para ações em clima por parte dos países em desenvolvimento".

Observatório do Clima lança manifesto sobre Redd


Documento assinado por representantes de ONGs, dentre elas a CI-Brasil, aborda princípios e salvaguardas relacionados à redução de emissões de gases estufa por desmatamento e degradação.

A CI-Brasil e outras ONGs parceiras integrantes do Observatório do Clima, lançaram hoje o Manifesto sobre Princípios e Salvaguardas para a Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd).O objetivo do documento é esclarecer dúvidas sobre o Redd, que é um mecanismo que possibilitará países detentores de florestas tropicais receberem compensação pela manutenção dessas florestas, contribuindo para a mitigação da mudança do clima.Segundo o documento, no caso do Brasil, o Redd pode contribuir para o estabelecimento de uma nova economia que valorize a floresta em pé.

Sobre o Observatório do Clima:
O Observatório do Clima é uma rede brasileira de articulação sobre o tema das mudanças climáticas globais estabelecida em 23 de março de 2002. Atualmente, a coordenação está a cargo de André Ferretti, da Fundação O Boticário. Além de discussões com especialistas sobre as mudanças climáticas, o Observatório promove a articulação de entidades da sociedade civil para pressionar o governo por ações contundentes pela mitigação e adaptação do Brasil em relação à mudança do clima.

Mais informações em http://www.oc.org.br
(Envolverde/Conservation International do Brasil)

Imazon: desmatamento volta a aumentar em outubro


Por Bruno Calixto, do Amazônia.org.br

Todos os Estados da Amazônia apresentaram maior devastação em outubro de 2009 do que no mesmo mês do ano passado, com exceção do Mato Grosso, que diminuiu o desmate em 17%.

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) divulgou nesta quinta-feira (26/11) os dados do desmatamento da Amazônia Legal em outubro de 2009. De acordo com o boletim Transparência Florestal, foram registrados 194 km² de desmatamento. Esse número é 90% maior do que o registrado em outubro do ano passado (102 km²).

O desmatamento acumulado entre agosto e outubro de 2009 (três primeiros meses do calendário de monitoramento do desmate) foi de 682 km², o que também representa um aumento se comparado ao mesmo período de 2008, só que menor: 30%.

O Imazon também detectou 104 km² de florestas degradas em outubro. Florestas degradadas são áreas florestais que sofreram queimadas ou destruição parcial, mas que ainda possuem florestas.

Geografia do desmatamento

O Pará continua sendo o Estado campeão de desmatamento. Considerando os três primeiros meses do calendário de desmatamento, 52% do desflorestamento foi detectado no Estado. "Em seguida aparece o Mato Grosso com 14%, seguido de perto por Rondônia com 13% e Amazonas com 12%. Esses quatro Estados contribuíram com 91% do total desmatado no período", diz o boletim.

Em termos relativos, o aumento mais expressivo ocorreu em Roraima, onde se registrou 209% de quilômetros quadrados desmatados a mais do que no mesmo período do ano passado, seguido por Acre (149%), Rondônia (119%), Amazonas (64%) e Pará (20%). O único Estado que apresentou redução na quantidade desmatada foi Mato Grosso: -17%.

Em termos de situação fundiária, a maioria dos desmatamentos ocorreu em áreas privadas ou de posse (83%); 9% do desmatamento ocorreu em Unidades de Conservação, 7% em Terras Indígenas e 4% em Assentamentos da Reforma Agrária.

Dados do SAD

Os dados do Imazon são feitos pelo Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), que monitora toda a Amazônia Legal, com exceção do Maranhão, via satélite. Não se tratam dos dados oficiais, que são monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No mês de outubro de 2009, o SAD conseguiu monitorar 83% da Amazônia, pois 13% do território estava coberto por nuvens. Segundo a avaliação dos dados, 30 km² de desmatamento detectado podem ter acontecido no mês anterior.
(Envolverde/Amazônia.org.br)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Livro: Grandes Expedições à Amazônia Brasileira



Grandes Expedições à Amazônia Brasileira é uma inédita síntese textual e iconográfica sobre uma região que combina fascínio, cobiça, esperança, devaneio e aventura. O livro, recém-lançado pela editora Metalivros, destaca-se pela quantidade e diversidade de viagens, a riqueza das narrativas e os registros materiais (são cerca de 280 imagens, entre mapas, desenhos, fotografias ou coleções). O texto do especialista João Meirelles Filho resulta de quase vinte anos de pesquisa histórica e envolvimento em iniciativas de educação, sustentabilidade ambiental e responsabilidade social na região amazônica. A obra, de 244 páginas, tem tiragem inicial de 3.000 exemplares.

O projeto, concebido pelo autor em conjunto com o editor Ronaldo Graça Couto, adota a estratégia de restringir o tema do ano de 1500 até as viagens de Rondon nos anos 1930 – visto que a partir disso a quantidade de expedições se multiplica exponencialmente em busca de riquezas, pesquisas de toda sorte ou mesmo de aventuras. “É a primeira obra a tratar do legado dessas incursões que tanto fizeram evoluir o conhecimento sobre a Amazônia localizada em território nacional”, diz Ronaldo da Graça Couto.

As 42 viagens selecionadas são apresentadas em ordem cronológica, a partir do momento em que a primeira expedição européia adentra a Amazônia. Cada capítulo está organizando em igual sequência, segundo a seguinte itemização: data da expedição; contexto histórico e cultural; líder (a biografia do líder ou dos líderes); principais colaboradores; percurso; obra (produção escrita e iconográfica); e principais contribuições. Em vista dessa organização, a primeira forma de ler a obra é simplesmente seguir a cronologia apresentada. Porém cada capítulo pode ser lido, aleatoriamente, em separado, já que trata de uma única expedição.
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Emissões aumentaram 62% em 15 anos

As emissões brasileiras de gases de efeito estufa aumentaram 62% entre 1990 e 2005. O número, apresentado nesta quinta-feira (25/11) pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, fará parte do segundo inventário nacional de emissões, que deve ser apresentado à Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.
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O total de emissões nacionais saltou de 1,4 gigatonelada para 2,2
gigatoneladas de gás carbono equivalente (a medida considera todos os gases de efeito estufa).

O inventário, que segundo Rezende, será apresentado para consulta pública no início de 2010 e concluído em dezembro, detalhará emissões dos setores de energia, processos industriais, agricultura, mudança de uso da terra e florestas - que inclui desmatamento - e tratamento de resíduos.

“Essas tabelas, os dados oficiais do governo, são praticamente essas do inventário. De agora até março, os números serão checados e verificados”, disse o ministro.
Pelos dados preliminares, todos os setores registraram crescimento das emissões. No caso do desmatamento, as emissões aumentaram 70% entre 1990 e 2005 e representam 57,5% das emissões totais do país. O segundo setor que mais contribui para o lançamento de gases de efeito estufa pelo Brasil é a agricultura, que representam 22,1% do total. Em 15 anos, as emissões do setor cresceram 41%.

O setor energético aumentou suas emissões em 68% e aumentou sua participação de 15,8% para 16,4% do total nacional. Na indústria, o aumento de emissões em 15 anos foi de 39%, mas a participação do setor para as emissões nacionais caiu de 2% para 1,7%. As emissões por tratamento de resíduos no mesmo período aumentaram 77%, passando de 2% para 2,2% do total de gases de efeito estufa emitidos pelo Brasil.

(Agência Brasil)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Emissão de peso na Amazônia


Da Amazônia foram lançadas na atmosfera uma média de 800 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano entre 1998 e 2008, apenas com desmatamento. A margem de erro é de 15%, para cima e para baixo. A taxa chega perto ao crescimento das emissões dos Estados Unidos entre 1990 e 2007 - 830 milhões de toneladas de CO2 equivalente - conforme dados das Nações Unidas (ver aqui). As emissões globais de CO2, juntando as “mudanças no uso da terra”, como desmatamento e agricultura, com a queima de combustíveis fósseis é de 32 bilhões de toneladas anuais.

Isso posiciona a contribuição do bioma entre 1,1% e 1,9% das emissões globais e representa entre 16% e 20% das emissões brasileiras de todos os setores, em 2008. As estimativas foram apresentadas hoje pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em Brasília. Pará, Mato Grosso e Rondônia, estados campeões de desmatamento neste período, são as unidades da Federação que mais contribuíram com as emissões brasileiras.

Para que o Brasil atinja sua meta de chegar em 2020 com um corte nacional de até 40% nas emissões, a contribuição anual da Amazônia deverá passar dos 800 milhões de toneladas anuais de CO2 medidas naquela década para 200 milhões de toneladas anuais. A taxa de sete mil quilômetros quadrados desmatados entre 2007 e este ano passado é importante, mas é preciso manter as derrubadas sob controle, mesmo com crescimento da economia. Anos eleitorais, como o que chega, registram picos históricos de desflorestamento.
Leia mais no ECO

domingo, 22 de novembro de 2009

Nova petição contra retirada de artigo que proibe maus-tratos a animais
Necessário assinar, pois a anterior continha erro

Manifeste-se contra o Projeto de Lei nº 4548/98, que quer retirar do artigo 32 da Lei dos Crimes Ambientais a proibição de maus-tratos aos animais domésticos ou domesticados. Se for aprovado, nenhuma atrocidade cometida contra cães, gatos, cavalos, bois e outros poderá ser punida com base na Lei de Crimes Ambientais.

Para assinar a nova petição, Clique aqui
Após clicar em "Previem Your Signature", você ainda deverá clicar em "Approve Signature"

Fundo para redução do desmatamento

Os Estados Unidos se comprometeram a doar 275 milhões de dólares para proteção de florestas tropicais. O recurso viria de programas internacionais e do orçamento americano para 2010, ainda não aprovado pelo Congresso. A promessa foi feita nesta semana diante do Príncipe Charles, que lidera uma organização de defesa das florestas tropicais e tem se mostrado cada vez mais envolvido para pressionar os países a investirem na proteção dessas áreas como uma maneira de lidar com o aquecimento do planeta. De acordo com o anúncio feito pela Embaixada americana em Londres, a maior parcela do dinheiro seria investida na bacia amazônica e no Congo.

A intenção do Prince´s Rainforests Project (PRP) é estimular a criação de um fundo que consiga apoiar uma redução drástica do desmatamento em cinco anos no mundo inteiro. E a proposta foi aceita pelos 35 integrantes de governos que formaram o grupo de trabalho da proposta, que optou por focar esforços nas causas econômicas que tornam o desmatamento mais lucrativo do que a manutenção das florestas. Mas o sucesso do plano vai depender de quanto cada governo está disposto a investir, e na reunião desta semana o próprio governo britânico foi cobrado.

A destruição das florestas tropicais são responsáveis por 12% das emissões do mundo, de acordo com estudos mais recentes. O anúncio do governo dos Estados Unidos acontece logo após a Noruega ter se comprometido a investir 250 milhões de dólares para proteger as florestas da Guiana, conforme O Eco noticiou.
O ECO

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ONGs repudiam acordo entre Carlos Minc e Reinhold Stephanes

Envolverde/ISA

Organizações da sociedade civil divulgam carta aberta ao ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, contra acordo com o Ministério da Agricultura para modificar o Código Florestal por meio de uma Medida Provisória (MP), que pode ser publicada esta semana. Segundo as 14 organizações que assinam o documento, entre os pontos que podem ser modificados com a MP estão a compensação de reservas legais em outros biomas e a recuperação com espécies exóticas.

Leia abaixo a íntegra da carta.

Mais um remendo no Código Florestal não é a solução!

Senhor Ministro,

Os esforços empreendidos por Vossa Senhoria para assegurar que o Brasil assumisse compromissos concretos de redução de emissões de gases efeito estufa são louváveis.

Do mesmo modo, a redução da taxa de desmatamento da Amazônia é um
resultado concreto que coloca o Brasil em excelentes condições de liderança no que diz respeito à Convenção de Mudanças Climáticas. Esse resultado só foi possível pelos esforços empreendidos pelo governo no sentido de fazer valer a legislação florestal.

Por essa razão nos causa imensa preocupação a noticia divulgada pela imprensa sobre um acordo feito no âmbito do Governo Federal para modificar o Código Florestal por meio de uma Medida Provisória (MP). Além de ser um meio inapropriado para tratar de um tema tão complexo e importante como a alteração da legislação florestal, o conteúdo desse acordo é inaceitável, pois quebra alguns dos pilares básicos da legislação, incluindo pontos que V. Sa. havia assegurado que jamais seriam aceitos por parte desse Ministério, como a compensação de reservas legais em locais a milhares de quilômetros da área onde deveriam estar, ou a recuperação dessas com espécies exóticas, dentre outros.
O acordo feito, se transformado em lei, irá jogar por água abaixo os esforços de recuperação ambiental em boa parte do território nacional, onde vive a maior parte da população brasileira, e permitir a ocupação desordenada de áreas ambientalmente sensíveis, o que contribuirá para a perpetuação de eventos como as enchentes e desabamentos de Santa Catarina.

Um tema de tamanha relevância para o desenvolvimento do país não pode ser decidido dessa forma, por via de MP, sem a participação aberta e transparente da sociedade. O Congresso Nacional tem discutido esse tema em diferentes fóruns, promovendo o debate com os diversos setores envolvidos, e é dessa forma que o assunto tem que ser conduzido. Uma MP publicada agora, além de atropelar as iniciativas já em curso no Congresso Nacional, nivelará por baixo a discussão, pois seu rito de aprovação impede qualquer discussão mais profunda, já que a votação acontecerá em plena virada do ano e já na corrida eleitoral, o que coloca em risco qualquer texto que seja definido agora.

Diante do exposto, requeremos a V. Exa. que cumpra com o compromisso assumido perante as ONGs e movimentos sociais desde o princípio do ano e evite que o Código Florestal seja mais uma vez remendado por meio da edição de uma MP, sobretudo para derrubar pontos centrais como a reserva legal, o uso de APPs e o tratamento diferenciado para a agricultura familiar. Por outro lado, reforçamos nosso interesse em trabalhar pela aprovação de uma nova legislação florestal que reposicione o Brasil como uma potência mundial em produção de bens e serviços ambientais.

Assinam:
Amigos da Terra - Amazônia Brasileira; Associação de Preservação do Meio Ambiente do Alto Vale do Itajaí (Apremavi); Conservação Internacional - Brasil; Greenpeace; Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá); Instituto Socioambiental (ISA); Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam);

Instituto de Estudos Socioeconomicos (Inesc); Programa da Terra/SP (Proter); Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA); SOS Mata Atlântica; The Nature Conservancy (TNC); Vitae Civilis - Instituto para o Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz; WWF - Brasil.

(Envolverde/ISA)

Polêmica
Pesquisadora é contra REDD


Bertha Becker
Árvores não são só postos de armazenamento de carbono


A geógrafa e historiadora, Bertha Becker, criticou o enfoque dado à redução de emissões de carbono nas discussões sobre o compromisso brasileiro de adotar metas contra o desmatamento. “As árvores não são só postos de armazenamento de carbono. A floresta tem mil outras possibilidades de serviço ambiental”, afirmou.

A pesquisadora falou sobre suas propostas de combate à devastação da floresta amazônica nesta segunda-feira (16/11), durante o primeiro dia do evento “Amazônia: Desafios e Perspectivas de Integração Regional”, realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Na ocasião, Bertha disse que, diante do aguçamento das pressões para a tomada de decisões sofre o futuro da Amazônia, é preciso que passemos do uso econômico da estrutura dos recursos naturais ao aproveitamento das funções dos ecossistemas. “Os serviços ambientais são exemplo dessa função diferente dos recursos naturais”, ilustrou.

A estudiosa propôs o aproveitamento sustentável da floresta e disse ser contra o mecanismo de Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação (REDD). Para ela, o sistema é falho porque mantém as florestas improdutivas e apenas contém o desmatamento, sem apresentar soluções para suas causas.

Outro questionamento da pesquisadora se refere à indefinição sobre o modo como será feito o pagamento pela conservação de florestas, sugerido pelo REDD. “Quem vai se beneficiar desses recursos? Os governadores da Amazônia, os proprietários de terra? É preciso definir quem vai receber esse dinheiro e como”.

Ela também disse que só é a favor da concessão para manejo florestal em áreas de mata aberta da floresta amazônica- vegetação de transição entre Amazônia e outros biomas. Os locais de mata densa, a pesquisadora defende que sejam mantidos intactos.

Bertha não defende, no entanto, o isolamento produtivo da floresta, mas sim, propõe como atividade econômica o extrativismo não madeireiro, que se utilize de tecnologia avançada para a transformação de matérias-primas florestais por uma cadeia completa. “Para isso, é necessário articulação da floresta com a cidade. As cidades amazônicas devem ser reagrupadas com redes de informação e centros de serviço e processamento da produção feita a partir das matérias-primas que virão da floresta”, sugeriu.

A pesquisadora chamou as cidades de sua proposta de “cidades de bioprodução, pesquisa e serviços ambientais”. E propôs que, nesses locais, a ciência tenha preocupação com o desenvolvimento de métodos para que a indústria madeireira se torne sustentável e a madeira seja, inclusive, usada como fonte de energia produzida a partir de biomassa. Ela também defendeu investimentos em turismo e criticou a dependência da Amazônia ao mercado externo.

“Não adianta construir uma logística ultramoderna na região se não for mudada nossa dependência do exterior. O agronegócio e a produção de minérios, que dominam a Amazônia, têm cadeias produtivas incompletas, que não desenvolvem a região”.
(Amazonia.org.br)
Foto:Adotejá

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pequeno Livro Vermelho do REDD

REDD+
Um guia de propostas
governamentais e nãogovernamentais
para
a redução de emissões
por desmatamento
e degradação

PREFÁCIO
Se um acordo climático pós-Kyoto não conseguir evitar o
desmatamento tropical, torna-se praticamente impossível
alcançar as metas relacionadas à mudança do clima de modo
geral. As vidas e os meios de vida de milhões de pessoas
estarão em risco, e os eventuais custos econômicos do combate
à mudança do clima serão muito maiores do que o necessário.
Por estes motivos, o próximo acordo precisa criar incentivos
significativos para remunerar os países detentores de florestas
pelos valiosos serviços climáticos prestados ao mundo.
Avanços importantes vêm sendo feitos ao longo do último ano
por aqueles que trabalham no REDD. Mas para que o REDD
se torne um sucesso, três grandes desafios persistem.
Em primeiro lugar, é necessário que um mecanismo de REDD
ofereça incentivos para todos os países detentores de florestas
– se algum grupo significativo de países for excluído, então
o desmatamento será transferido para aquelas áreas e as
emissões de gases de efeito estufa e a degradação florestal
não serão efetivamente evitadas.
Segundo, tais incentivos precisam ter a escala necessária
para resolver o problema – se forem insuficientes em termos
de valor, não conseguirão sobrepor-se às demais atividades
econômicas legítimas que impulsionam o desmatamento.
Terceiro, os cidadãos de países detentores de florestas
– especialmente aqueles que dependem da floresta para
seus meios de vida – precisam participar ativamente da
estruturação da solução. Assim como não há solução paraas mudanças climáticas sem as florestas, não há solução
para o desmatamento sem o apoio dos povos das florestas.
Graças ao trabalho de muitos membros da comunidade
REDD e outros, existem caminhos para solucionar as questões
científicas, econômicas e metodológicas pendentes. Agora
precisamos urgentemente de vontade política e de ação efetiva
para elaborar e implementar soluções em escala nacional
para responder aos desafios.
Agradeço a publicação do Pequeno Livro Vermelho do REDD
e espero que ele possa ajudar a promover o avanço do debate
sobre florestas – passando de conversas sobre o papel das
florestas no combate à mudança do clima para a ação, com
a urgência e a clareza que os povos do nosso planeta exigem.
SUA EXCELÊNCIA BHARRAT JAGDEO
Presidente da Guiana
O Livro está ao lado, na raiz da árvore!