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quarta-feira, 31 de março de 2010

Uma solução por três dólares


Sanjay Suri, da IPS

Uma reunião de alto nível na capital britânica examinará esta semana como arrecadar US$ 100 bilhões para financiar esforços contra a mudança climática. Enquanto isso, em Washington, será discutido como fabricar fogões por US$ 3 em todo o mundo. O segundo encontro é muito mais ambicioso do que se imagina, e pode trazer simultaneamente benefícios à saúde. Pretende distribuir mais de 500 milhões de fogões não poluentes. A organização Ashden Awards for Sustainable Energy, com sede na Grã-Bretanha, premia iniciativas no campo das energias alternativas e faz campanha pela distribuição de fogões limpos em todo o mundo.

“Lutar contra a mudança climática e melhorar a saúde dos mais pobres do mundo, em geral, são vistas como prioridades que competem entre si”, diz um informe do Ashden Awards. “Porém, algumas tecnologias cumprem as duas tarefas ao mesmo tempo”. Por exemplo, os fogões que não contaminam o ar. “Em quase metade dos lares do mundo, cerca de três bilhões, os alimentos são cozidos sobre fogo ou em fogões que utilizam madeira, esterco, carvão, palha, cascas e carvão vegetal”, indica o informe divulgado no dia 28, em Londres.

“Os níveis de contaminação gerados pela fumaça e por gases como o monóxido de carbono (emitidos por esses fogões) são, em geral, centenas de vezes maiores do que os tolerados nas ruas ou em uma fábrica”, acrescenta o documento. “Cerca de 1,6 milhão de pessoas morrem por ano como resultado disto, incluindo um milhão de menores de cinco anos, em sua maioria vítimas de pneumonia infantil”, alerta o informe. Conseguir 500 milhões de fogões que não poluem para estes lares pode representar substancial melhoria deste problema. Mas esta é uma grande quantidade, e não está claro como obter.

“Essa é a principal questão que a reunião da Fundação das Nações Unidas e da Fundação Shell, em Washington, deverá tratar para que possamos ter algumas estratégias detalhadas”, disse à IPS a diretora técnica do Ashden Awards, Anne Wheldon. Os fogões limpos de fato existem, e a custo muito baixo. “Por exemplo, no Camboja os fabricantes tradicionais foram capacitados para produzir uma versão melhorada, que é vendida por apenas US$ 3″, disse Wheldon. “Também começamos a ver uma produção em escala industrial que pode ajudar a baratear o custo dos fogões disponíveis de forma mais rápida e em nível global”, acrescentou.

“Um fogão bastante básico, fabricado pela Shengzhou Stove Manufacturer, custa US$ 3,50, enquanto outros modelos estão entre US$ 8 e US$ 12. A Envirofit também começou a fabricar em massa”, disse Wheldon. Na China, existe uma produção em grande escala. Aproximadamente 180 milhões de fogões melhorados foram introduzidos, entre 1983 e 1995, e são utilizados pela maioria da população, diz o informe de Ashden. Além disso, recentemente Pequim renovou seus esforços para fornecer uma nova geração de fogões mais eficientes. Estes avanços são possíveis em qualquer parte do mundo, assegurou Wheldon. “Se forem produzidos fogões que as pessoas realmente queiram usar, é muito provável conseguir cem mil, e há uma ampla gama de formas de fazer isto bem feito e em diferentes circunstâncias”, acrescentou.

Como exemplos, citou um programa liderado pelo governo na Eritréia, outro dirigido por organizações não governamentais em Bangladesh e outro que melhora a produção comercial existente no Camboja. “Esses programas provavelmente poderiam crescer”, disse Wheldon. Os cálculos de Ashden sugerem que um programa mundial para fabricar 500 milhões de fogões melhorados poderia salvar centenas de milhares de vidas por ano, e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões de gases-estufa equivalentes a um bilhão de toneladas de dióxido de carbono por ano. “Esses investimentos deveriam atrair grandes somas no mercado de carbono”, diz o informe.

“Calculamos que cada fogão melhorado possa manter fora da atmosfera uma tonelada de dióxido de carbono por apenas US$ 3, o que é um negócio muito bom em um mercado no qual as compensações por emissões de carbono podem ser vendidas entre US$ 20 e US$ 30 a tonelada”, acrescenta. O mercado de carbono poderia financiar fogões limpos de várias formas, disse Wheldon. Por exemplo, “subsidiando diretamente um programa governamental ou não governamental que forneça fogões a baixo custo, ou de graça, como o programa da Eritréia. E também “subsidiando de forma direta as vendas comerciais ou apoiando uma organização que coordene os produtores independentes e assuma a responsabilidade pelo controle de qualidade”,

Desde 2001, 18 projetos com fogões limpos na África, América Latina e Ásia ganharam prêmios Ashden. A maioria desses programas cresceu e se desenvolveu, diz o informe. IPS/Envolverde

terça-feira, 23 de março de 2010

Município bahiano recebe prêmio da ONU por Programa de Coleta Seletiva



Como não poderia deixar de ser, publico uma notícia que muito me honra: a minha cidade natal, Caculé (Ba), é exemplo na coleta seletiva, motivo pelo qual recebe o Prêmio ODM Brasil, como forma de reconhecido do Governo Federal e das Nações Unidas.

Solenidade de premiação será transmitida ao vivo pelo site www.odmbrasil.org.br

No dia 24 de março, a coordenação do Prêmio ODM Brasil, composto pela Secretaria-geral da Presidência da República, pelo Programa das Nações Unidas e pelo Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade, vai realizar a solenidade de premiação da 3ª edição do Prêmio, momento em que a Prefeitura de Caculé será reconhecida pelo Programa da Coleta Seletiva de Materiais Recicláveis. O evento será a partir das 16h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF) e será transmitido ao vivo pelo site www.odmbrasil.org.br
.

A Coleta Seletiva de Caculé é uma das práticas vencedoras por contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, demonstrando o comprometimento do Governo Municipal e de toda população com o desenvolvimento sustentável. O Prêmio ODM Brasil é um reconhecimento que orgulha Caculé e a Cooperativa Catando a Vida, um programa sócio-ambiental, que gera renda para muitas famílias e contribui com a preservação do meio ambiente.
ODM Brasil

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Chaminés livres do dióxido de carbono


Por Fabiana Frayssinet*


Belo Horizonte, 9 de novembro (Terramérica).- Cientistas brasileiros desenvolveram uma técnica para absorver moléculas de dióxido de carbono de origem industrial antes que esse gás chegue à atmosfera. O segredo está em esferas de cerâmica de meio centímetro de diâmetro. A técnica de baixo custo foi concebida por uma equipe do Departamento de Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os inventores explicaram ao Terramérica que este método supera as técnicas atuais que capturam carbono na forma gasosa, uma das substâncias que está provocando o aquecimento do planeta.

As esferas neutralizam o carbono antes que se dissipe no ar e ainda o transformam em insumo para outros usos industriais. Instaladas nas chaminés, as pequenas esferas, feitas de um material poroso e branco especialmente formulado, absorvem o dióxido de carbono resultante de processos industriais, evitando que entre em contato com a atmosfera, disse ao Terramérica um dos inventores, o professor de química Geraldo Magela Lima, da UFMG. A tecnologia pode ser aplicada em siderúrgicas, fábricas de cimento, centrais termelétricas, ou em indústrias de menor porte, como padarias, que também funcionam queimando combustíveis fósseis.

A absorção do gás ocorre por meio de um processo químico. Ao entrar em contato com o material das esferas, ocorre uma interação por reação química a altas temperaturas, descreveu outro dos pesquisadores, Jadson Belchior. “A absorção não é instantânea. Ocorre em função do tempo e da temperatura. São duas grandes variáveis que podemos controlar: uma emissão mais rápida com temperaturas mais altas ou uma emissão mais lenta com temperaturas menores”, acrescentou.

Belchior destacou que, ao contrário de outras técnicas para capturar gases de efeito estufa, esta absorve o dióxido de carbono antes que ele seja liberado na atmosfera. “No nosso caso, estamos prevenindo a emissão. No caso da tecnologia desenvolvida para capturar o gás que já está na atmosfera, é uma correção porque o gás já foi liberado” e já houve a contaminação, acrescentou Belchior.

Os processos para absorver gases de efeito estufa, responsáveis pela mudança climática, estão baseados, em sua maioria, na premissa de que uma atividade contaminante pode compensar ao menos parcialmente seu dano em uma etapa posterior e inclusive em qualquer outro lugar do planeta. É aí que reside a novidade desta técnica, que inverte o caminho, ao impedir que a contaminação aconteça e, portanto, compromete as empresas desde o início de sua atividade produtiva.
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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Uma ilha muito além da fantasia


Por Julio Godoy*

Tranebjerg, Dinamarca, 2 de novembro (Terramérica).- Na ilha dinamarquesa de Samsø, exemplo excepcional de autossuficiência energética, até o leite de vaca ajuda a reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. Samsø, com apenas 114 quilômetros quadrados habitados por pouco mais de quatro mil pessoas, fica na Baía de Kattegat, no Mar do Norte, cerca de 120 quilômetros a oeste de Copenhague. Sua merecida reputação se deve ao fato de gerar toda a energia que consome por meio de turbinas eólicas e painéis solares.

Desde que, em 1997, Samsø ganhou uma competição nacional para ser comunidade-protótipo no uso de fontes de energia renováveis, os samsingers – como se chamam seus habitantes – revolucionaram todos os aspectos de sua vida cotidiana para contribuir com a eficiência ambiental. Esta busca é tal que até mesmo a produção de leite de vaca é parte do sistema de aproveitamento energético. No momento da ordenha, o leite tem temperatura de aproximadamente 38 graus e deve ser esfriado imediatamente até três graus. Alguns produtores de Samsø acoplaram ao tanque coletor um mecanismo de transferência de temperatura para impedir que esse calor se dissipe no ar, o que permite usá-lo na calefação de suas casas.

Apesar de toda a engenhosidade, os pecuaristas ainda não encontraram solução para o metano e outros gases de efeito estufa gerados pela digestão bovina. Mas estudam o sistema aplicado em uma fazenda modelo da península de Jutlandia, que recicla os gases e dejetos da criação de porcos, que são usados como fonte de energia e fertilizante para cultivar tomates. Apesar de a transferência de calor do leite de vaca para a calefação doméstica ser um componente marginal do sistema de geração energética da comunidade de Samsø, ela ilustra os esforços da ilha para melhorar seu equilíbrio com a natureza.

A parte principal do sistema são 11 turbinas de vento, que geram uma média de 28 mil megawatts anuais, suficientes para fornecer eletricidade a toda a comunidade, alimentar todo o serviço de transporte coletivo da ilha e inclusive gerar excedente de 10% para vender a outras regiões dinamarquesas. Os benefícios econômicos dessa venda são reinvestidos no sistema local de energia renovável. Isso não significa que os samsingers tenham aposentado os automóveis e outros meios de transporte tradicionais. Por exemplo, as três barcas que fazem a ligação da ilha com terra firme consomem nove mil litros de petróleo por dia. Mesmo assim, Samsø vende mais energia limpa ao continente do que compra na forma de combustíveis fósseis.

A comunidade está disposta a experimentar os veículos elétricos. “As distâncias aqui são muito curtas, inferiores a 50 quilômetros”, disse ao Terramérica Søren Hermansen, diretor da Academia de Energia da ilha e pioneiro da revolução ambiental local. “Se a bateria de um automóvel elétrico pode acumular energia para, digamos, 120 quilômetros, então se converte em um acumulador, que nos permitiria não vender nossa energia limpa e utilizá-la aqui”, afirmou. Os agricultores adaptaram os motores de tratores e outros veículos para que consumam etanol ou outros combustíveis destilados da vegetação nativa, como a colza.
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domingo, 11 de outubro de 2009

Saco é um Saco



Recusar ou diminuir o consumo de sacos e sacolas plásticas, adotar uma sacola retornável ou outra alternativa são ações típicas do consumidor consciente. Reduzir o consumo de sacolas plásticas é só o começo de uma sociedade mais sustentável.


Leia também: Plásticos são maior parte do lixo no mar, diz ONU

No embalo da campanha - Saco é um Saco -, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) lança o Dia do Consumidor Consciente - 15 de outubro - e propõe um desafio: - Um dia sem sacola plástica. A exemplo do que aconteceu no Dia Sem Carro, a ideia da ação é despertar a consciência ambiental nos consumidores e incentivá-los a recusar as sacolas plásticas em suas compras nesta data, adotando uma sacola retornável ou outra alternativa.


A campanha Saco é um Saco é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente que quer chamar a atenção do cidadão brasileiro para o enorme impacto ambiental de um hábito aparentemente inofensivo: pegar sacos e sacolas plásticas.

Os sacos e sacolas plásticas são produzidos a partir do petróleo ou gás natural, dois tipos de recursos não-renováveis. O impacto das sacolinhas começa aí: como consumimos sacolinhas aos bilhões em todo o mundo, e sendo elas descartáveis, a pressão por esses recursos naturais não para de aumentar. Depois de extraído, o petróleo passa pelo refino, que consome água e energia e emite gases de efeito estufa e efluentes.

Quando chegam ao consumidor, depois de servirem para o transporte das compras, a maior parte das sacolinhas é reutilizada para acondicionar o lixo - mas, como são de graça e muitas vezes de baixa qualidade, aquelas que rasgam ou são desnecessárias, seguem para o lixo, sequer sendo separadas para a reciclagem. E os recursos naturais utilizados em sua fabricação são desperdiçados, sobrando apenas um resíduo que demora séculos para se degradar para a natureza dar conta.

Muitos sacos e sacolinhas saem voando, outras são jogadas de qualquer maneira pela cidade. Essas sacolinhas desgarradas vão ajudar a entupir bueiros, ou se agarrar à fios de alta tensão, árvores, arbustos, ou acabarão boiando em corpos d’água e chegando aos oceanos. Nas cidades, as sacolas plásticas descartadas incorretamente agravam as enchentes e empoçam água das chuvas, podendo tornar-se focos de doenças, além de enfeiar o lugar onde moramos. Na natureza, podem ser ingeridas por animais, que sufocam ou engasgam ao confundí-las com alimentos.

Os problemas ambientais das sacolinhas plásticas são muitos, por que elas são muitas - são bilhões todos os anos! - e está em nossas mãos diminuir esse impacto. Basta dizer “Não, obrigado” quando oferecerem uma. Basta adotar uma sacola retornável ou outra alternativa. Basta olhar com outros olhos para nossas ações cotidianas.

A campanha Saco é um Saco quer a adesão de todos os brasileiros neste desafio. O consumo consciente é a resposta na qual o Ministério do Meio Ambiente aposta para diminuir o impacto ambiental coletivo dos sacos e sacolinhas plásticas, e sua participação é fundamental para isso. Leia mais
Fonte: MMA
Foto:Pense ECO

sábado, 3 de outubro de 2009

Como o desenvolvimento sustentável funciona na prática

Paula Scheidt, do CarbonoBrasil

Respeitando as características da região Amazônia, é possível alinhar modelos de desenvolvimento que integrem as questões ambientais e, ao mesmo tempo, gerem renda, defende a engenheira florestal Mariana Nogueira Pavan, do Programa Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (IDESAM).

Mariana integra a equipe técnica responsável pelo primeiro projeto de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD) brasileiro, o Projeto Juma, que também foi o primeiro do mundo a receber a nota máxima (Status Ouro) do padrão CCB - Climate, Community and Biodiversity, para projetos de carbono.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Participe da contagem nacional das aves

Que tal ajudar os estudiosos das aves nacionais a entenderem os hábitos migratórios, o tamanho das populações e as ameaças sofridas pelas espécies aladas? Você pode fazer isso participando da terceira edição da Contagem Nacional das Aves, que ocorrerá por todo o país entre os dias 03 e 12 de outubro. O método não poderia ser mais simples: basta fazer o download da listagem de aves nacionais aqui em O Eco, junto com o formulário e sair observando os pássaros que cruzam os nossos céus.

Os participantesdevem escolher um ou mais locais no período de observação. Pode ser na cidade, em parques, trilhas, onde quiserem. O formulário preenchido deve ser enviado para o email contagemdasaves@gmail.com, contendo dados como nome do observador, local, cidade e estado da observação, a quantidade de horas despendidas, e os nomes científicos e comuns das aves.

Dúvidas podem ser direcionadas ao email contagemdasaves@gmail.com.

E se você fotografar as aves observadas, mande sua foto para O Eco. É uma oportunidade de ter seu trabalho publicado num dos mais conceituados veículos de jornalismo ambiental do Brasil.

Veja mais

Vídeo com Sting em defesa da Amazônia


A iniciativa do Príncipe de Gales para salvar as florestas tropicais ganhou apoios de peso. Em vídeo estrelado por Sting e sua canção "Message in Bottle", diversas celebridades, entre elas o rei Pelé e o ator britânico Stephen Fry, expressam seu apoio ao projeto de Charles. Veja o vídeo abaixo (em inglês).
(O ECO)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Fios que transformam vidas



Em Goiás, o talento de moradoras de quatro Municípios tem transformado sobras de algodão em arte. O trabalho - oportunidade para melhorar a renda das famílias vulneráveis - faz parte das iniciativas desenvolvidas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

São centenas de quilos de algodão que iriam para o lixo. Mas, graças a um grupo de tecelãs, as sobras do produto que caem à beira das estradas durante o transporte na época da colheita estão mudando a vida de cerca de 150 mulheres, nos Municípios goianos de Ipameri, Orizona, Silvânia e Vianópolis. Elas resgataram a cultura da tecelagem da região e produzem diversos tipos de bolsas, inclusive para participantes de eventos. “Aqui, cada uma que faz põe a sua ideia, né?”, diz a lavradora Maria de Lourdes Alves e Silva, 62 anos, que enxergou no desperdício uma oportunidade para aumentar a renda familiar.

O trabalho faz parte das iniciativas desenvolvidas pelo Mutirão Nacional pela Superação da Miséria e da Fome, setor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Segundo a coordenadora da Regional Centro-Oeste do Mutirão, irmã Ines Oliveira, o algodão é “catado” (em referência á expressão “fazer a cata” utilizada pelas mulheres) com anuência do proprietário das terras. “Elas estão mostrando que a solidariedade constroi”, avalia a freira. “Aqui não há investimento algum, precisa-se apenas de criatividade, boa vontade, e as pessoas querem fazer”, continua. Para melhorar a condição de trabalho da chamada Rede - formada pelas cidades envolvidas - e buscar recursos, o grupo pretende criar uma associação.

Em Vianópolis (GO), distante 92 quilômetros de Goiânia, na comunidade Santa Rita, as tecedeiras reúnem-se na “taperinha velha” de Maria Alexandrina Marques Neto, 63 anos. “No início, eu não queria, mas as minhas filhas me convenceram”, relata a tecelã, que se livrou de uma depressão profunda ao retomar a atividade de tecer, que já desenvolvia antes da doença. Dona Maria e as colegas trabalham em um espaço improvisado atrás da casa. Ali, forma-se uma espécie de linha de montagem. Desde o produto in natura ao resultado final, tudo é aproveitado - até as sementes de algodão, que servem para ração animal.

Saber fazer

Quem não sabe tecer, aprende essa arte nas oficinas produtivas, onde as mais experientes repassam o conhecimento para as que estão chegando. O algodão é recolhido entre os meses de maio e agosto e estocado. Recentemente, os artigos passaram a ganhar bordados feitos pelas companheiras de Caraíba, outro Município vizinho que está se integrando ao projeto.

Em junho deste ano, a Rede produziu 200 bolsas para um encontro da CNBB, em Brasília (DF), e 180 para a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o que rendeu R$ 5,8 mil, posteriormente distribuídos entre as tecedeiras e costureiras. “Algumas ficaram até 2h da madrugada para cumprir o compromisso assumido”, recorda irmã Ines. E as encomendas não param.
Foto:Raquel Flores, do MDS

(Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Fundos de pasto e a sobrevivência de comunidades


Cabras e ovelhas criadas em áreas coletivas asseguram o sustento de grupos tradicionais da Caatinga. Mas a dificuldade de reconhecimento fundiário oficial e a falta de políticas públicas adequadas ameaçam o futuro das famílias

Texto e fotos: André Campos*

É cada vez maior a popularização das cisternas no sertão nordestino, solução simples e barata para captar a água da chuva. O sanfoneiro divide espaço com as guitarras de "forró eletrônico" - ou "forró de plástico", na definição dos mais puristas. Usado há séculos como meio de transporte oficial do sertanejo, o jegue é substituído pela infinidade de motos. Não é difícil encontrar animais abandonados perambulando pelas estradas.

Muita coisa mudou e continua mudando na região árida. Determinados modos de vida, entretanto, resistem bravamente. Em meio à secura que dificulta a agricultura, o pastoreio segue como base da subsistência de muita gente. Comunidades que, unidas por laços de compadrio e parentesco, usufruem de áreas sem cercamento de forma compartilhada. Esses pedaços de terra atrás das roças das famílias são chamados de "fundos de pasto".

Nos "fundos de pasto", os animais se alimentam da própria vegetação nativa. São alguns bovinos e ovelhas, mas principalmente cabras e bodes. A resistência às estiagens e a adaptação alimentar aos produtos da Caatinga fazem deles os preferidos. Cotidianamente, são soltos pela manhã e recolhidos ao curral no fim do dia, quando um sino amarrado no pescoço de alguns deles - cuja tonalidade específica cada dono sabe reconhecer - ajuda na tarefa de localizar o rebanho. Cortes ou marcações a ferro quente nas orelhas também diferenciam os bichos de cada um. "Dizemos sempre que não somos nós que criamos o bode, mas que é o bode que cria a gente", brinca Maria Izete Lopes, moradora da comunidade de fundo de pasto de Boa Vista, em Campo Alegre de Lourdes (BA). "Fazemos tão pouco por ele, e ele nos dá tanto de volta..."
Leia mais desta excelente reportagem na RepórterBrasil.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ciclistas espalham árvores na cidade de São Paulo



ANA PAULA BONI
da Revista da Folha

Com capacete e luvas, Lilia Diniz, 29, ajuda a apertar uma tira de corda em volta de uma enxada na bicicleta de Anderson Leal, 34. Depois, ele equilibra uma muda de árvore, uma palmeira juçara, de cerca de um metro na garupa da bicicleta dela.

São 8h30 de um domingo e eles estão no parque Ibirapuera, à espera de outras pessoas, que também vão carregar plantas, instrumentos e sacos com mais de 10 kg de terra.

Nenhum deles, no entanto, é funcionário do parque. Todos fazem parte de um grupo chamado Pedal Verde, que une o prazer da pedalada ao de preservar o ambiente. No último domingo de cada mês, desde março deste ano, eles saem de bicicleta pela cidade com a missão de plantar mudas em praças, canteiros e ruas carentes de verde.Leia mais

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

AMANHÃ DEIXE SEU CARRO EM CASA

A edição deste ano do Dia Mundial Sem Carro, comemorado no dia 22 de setembro, será marcada por debates, protestos e diversas manifestações de rua, que vão ocorrer a partir do dia 17. As ações estão sendo organizadas por um coletivo, proposto pelo Movimento Nossa São Paulo e formado por dezenas de organizações (entre elas, Akatu, Campanha Tic Tac, Coletivo Ecologia Urbana, SOS Mata Atlântica, Respira São Paulo, Sesc e Transporte Ativo) e centenas de pessoas que já se engajaram na campanha. Qualquer cidadão pode participar das atividades propostas. Leia mais
Mesmo debaixo de chuva nossa campanha de mobilização pelo clima continua.

Para o Greenpeace, "A semana foi agitada (e molhada em muitas capitais brasileiras), foram vacas passeando pelo centro de algumas cidades com placas alertando a população sobre o desmatamento - o maior vilão das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. Logo depois tivemos nossos homens solares - vestidos de placas com painéis iluminados - informando aos passantes das principais capitais sobre a importância do uso das energias renováveis para nossa luta contra o aquecimento global".

O Greenpeace levou seus ativistas e voluntários às ruas para aplicar uma multa divertida nos motoristas sozinhos e com carros muito poluentes. Todos acabaram entrando no clima.Leia mais

ASSINE
Manifesto global contra o amianto.

É fácil e rápido:
Click aqui



Está circulando em nível internacional o "Manifesto para uma proibição global sobre o amianto 'Relembrar os mortos e lutar pela vida'", que está disponível no site da Faculdade de Medicina de Buenos Aires em http://www.fmed.uba.ar/depto/toxico1/manifiesto.html em 6 línguas, inclusive o português, a qual solicitamos sua importante adesão.

O material produzido pelo INCA com o apoio da ABREA sobre o mesotelioma já está disponível no site

domingo, 20 de setembro de 2009

Comemore o dia 21 plantando uma árvore-basta um click


clickarvore é um programa de reflorestamento com espécies nativas da Mata Atlântica pela Internet. Cada click corresponde ao plantio de uma árvore, custeado por empresas patrocinadoras, e agora também pela própria sociedade civil através de uma nova ferramenta de e-commerce.Conheça o clickarvore

Cientistas assinam manifesto pedindo redução de emissões de gases de efeito estufa

Quarenta cientistas especializados em mudanças climáticas assinaram um manifesto, divulgado nesta quinta-feira (17), pedindo aos países desenvolvidos que reduzam suas emissões de gases de efeito estufa em 40%, até 2020, para que o aumento da temperatura do planeta se mantenha abaixo de 2 graus Celsius (°C). Seis dos cientistas que assinaram o documento são brasileiros.



De acordo com a Rede WWF, uma das organizações que apoiam o manifesto, a média dos níveis de aquecimento global, desde 1990, é de 0,76°C. O documento informa que evidências científicas indicam que um aumento de temperatura para 2 °C trará consequências graves para o planeta, principalmente para os países mais pobres.



Segundo a entidade, os eventos climáticos extremos como ciclones, enchentes e secas podem ficar cada vez mais fortes e mais frequentes, sendo que esses países seriam os mais afetados por não terem recursos financeiros e tecnológicos disponíveis para enfrentar os desastres provocados por esses eventos.



Para a WWF, os países desenvolvidos, além de reduzir suas emissões, deveriam contribuir com cerca de US$ 160 bilhões por ano para ajudar a financiar ações de adaptação, transferência de tecnologia e redução de emissões nos países em desenvolvimento.



Entre os seis cientistas brasileiros que se manifestaram, cinco são autores do 4º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), sendo eles: Carlos Afonso Nobre, José Antonio Marengo, Paulo Artaxo, Roberto Schaeffer e Suzana Kahn Ribeiro. O presidente do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luis Pinguelli Rosa, também assinou o documento.

(Agência Brasil, 18/9)

sábado, 19 de setembro de 2009

A posse responsável reflete no comportamento do animal

(Foto: Nina e Sá são animais que resgatei da rua)



Com a proximidade de 4 de outubro, Dia Nacional de Adotar um Animal, é importante ressaltar que a adoção deve ser realizada de maneira responsável.

A presença do dono é muito importante para que o animal se sinta feliz, caso contrário , se ficar muito tempo sózinho e preso , poderá sofrer depressão.

A solidão poderá ocasionar uma alteração de comportamento, denominada ansiedade da separação. Alguns proprietários de cães e gatos desconhecem a razão porque o animal está defecando em locais impróprios, escavando, mordendo objetos, rasgando roupas, arranhando móveis, uivando, com anorexia ou hipertividade , e isto se deve a falta de atenção necessária.

O animal , às vezes, acaba até sendo punido pelos estragos causados, como se ele fosse culpado , quando a culpa é do proprietário, que não está conseguindo compreender sua carência afetiva.
Leia o restante da matéria com dicas importantes sobre comportamento animal clicando aqui

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Participe da rede social do Dia Mundial Sem Carro


PROGRAMAÇÃO DO DIA MUNDIAL SEM CARRO

A edição deste ano do Dia Mundial Sem Carro, comemorado no dia 22 de setembro, será marcada por debates, protestos e diversas manifestações de rua, que vão ocorrer a partir do dia 17. As ações estão sendo organizadas por um coletivo, proposto pelo Movimento Nossa São Paulo e formado por dezenas de organizações (entre elas, Akatu, Campanha Tic Tac, Coletivo Ecologia Urbana, SOS Mata Atlântica, Respira São Paulo, Sesc e Transporte Ativo) e centenas de pessoas que já se engajaram na campanha. Qualquer cidadão pode participar das atividades propostas. Leia mais

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sequestro de carbono chega à agricultura

Com técnicas como o plantio direto, agricultores podem retirar gás carbônico da atmosfera e até lucrar com a venda de crédito de carbono

Andrea Vialli/ (O Estado de SP, 16/9)

O manejo correto do solo na agricultura pode ajudar o setor de agronegócio a sequestrar carbono da atmosfera e reverter a imagem de que a atividade traz danos ao ambiente e aumenta o aquecimento global. Práticas agrícolas como o plantio direto, a rotação de culturas e a agricultura de precisão podem em breve credenciar o setor a vender créditos de carbono no mercado internacional.

"Os atuais 26 milhões de hectares de culturas que utilizam o plantio direto em todo o País são responsáveis pelo sequestro de pelo menos 13 milhões de toneladas de CO2 ao ano", afirma Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, professor do Departamento de Ciência do Solo da Esalq-USP e pesquisador das áreas de bioenergia e mudanças climáticas. Ele explica que o sistema de plantio direto, onde palha e resíduos vegetais são deixados no solo, ajuda a reter grande quantidade de gases estufa, como o carbono e o metano, na terra.Leia mais

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nota Verde
MMA e Ibama classificam carros por emissão de CO2 e poluentes.


O cidadão passa a contar com dois instrumentos para conhecer as emissões de gás carbônico e de outros poluentes por carros de passeios: a Nota Verde e o indicador de CO2 que o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama lançam hoje.

Por enquanto, os dados disponíveis referem-se a modelos produzidos em 2008 e podem ser acessados pelos sites do : Ministérioou do Ibama. Brevemente, as mesmas informações sobre emissões dos carros fabricados em 2009 também serão divulgadas.

A Nota Verde, criada pelo Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores – Proconve/Ibama, varia numa escala de 0 a 10. Quanto maior a nota de um carro, menor o seu índice de emissão de monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio.

Já com o indicador de CO2, o consumidor obterá informações sobre emissão de gás carbônico por quilômetro rodado pelo carro. A escala vai de 5 a 10, com uma casa decimal de precisão. Aquele que emitir menos CO2 receberá nota 10. Leia mais

Prêmio Uma Boa Iniciativa

Danielle Jordan / AmbienteBrasil
A iniciativa da Fundação Animal Livre faz parte de uma série de ações que tem como objetivo despertar a conscientização sobre os direitos dos animais. A Fundação incentiva a adoção dos animais abandonados e promove a partir deste mês o prêmio "Uma Boa Iniciativa Mobiliza".

Serão selecionadas as cinco melhores ações, que receberão apoio financeiro para realização de esterilização de um total de 100 animais a serem indicados, além de terem o trabalho divulgado no Portal Animal Livre. As inscrições podem ser feitas até o dia 31 de março de 2010.

Segundo a organizadora e presidente da Fundação, Vininha F.Carvalho, os participantes devem enviar um texto com até 5 mil caracteres relatando a experiência, com fotos. Ela ressalta a importância do acompanhamento depois da adoção dos animais. “Não basta doar o animal, é preciso acompanhar se foi efetivo”, disse à AmbienteBrasil.

A análise dos inscritos deve ser concluída até 30 de agosto de 2010, quando serão anunciadas as iniciativas vencedoras.

No dia 4, do próximo mês será comemorado o Dia Nacional de Adotar um Animal. “O objetivo desta data, é permitir que as pessoas se envolvam com a causa dos animais, mantendo um contato próximo com os problemas mais viáveis de serem solucionados”, afirma a presidente.