quinta-feira, 19 de março de 2015

Árvores bebem nuvens, líderes devem estar bêbados

Fabio Olmos 

24082012-serra-finaA Serra da Mantiqueira vista das proximidades do Pico do Capim Amarelo, onde deveria ter sido criado um parque nacional. Nuvens abastecem as florestas nas encostas e nascentes das bacias do Paraíba do Sul e do rio Grande. A destruição causada pelo fogo e pela pecuária é evidente nas encostas e no vale abaixo. Foto: Fabio Olmos
É o óbvio que preferimos ignorar: apesar de 75% da superfície do planeta ser recoberta por água, menos de 3% desse total é água doce e, destes, apenas 0,5% é acessível.
Árvores existem há pelo menos 385 milhões de anos, uma época em que nossos ancestrais ainda eram meio peixes e viviam em brejos rasos. Houve um longo período de inter-relação entre árvores e clima – pense na bomba biológica que retira carbono da atmosfera e o coloca em depósitos de carvão. É tentador pensar na evolução de adaptações para que árvores não apenas sobrevivam ao clima, mas também o manipulem.
Em 19 de julho de 1836, o HMS Beagle ancorou na ilha de Ascension. Um dos passageiros era Charles Darwin e esta foi uma das paradas da reta final de uma viagem ao redor do mundo que mudaria a forma como compreendemos a história da vida.
Darwin explorou por alguns dias a ilha, um bloco de cinza e rochas vulcânicas a 1.600 km da África e uns 2.300 km de Recife. Lá fica Ascension, uma base naval britânica que apoiava as patrulhas contra o tráfico de escravos (atividade em que os brasileiros estavam muito engajados), e que foi descrita como desolada e árida, com poucas plantas "amigas do deserto".
Em 1843, o botânico Joseph Hooker, membro da expedição antártica do Erebus e Terror, também fez uma escala em Ascension. Amigo de longa data de Darwin, com o qual trocou muitas ideias, em 1847 Hooker propôs um plano de engenharia ambiental para aumentar a disponibilidade de água naquele deserto.
Uma ex-ilha árida
"Desde 1850, décadas de envio de mudas por navio e trabalho duro transformaram o topo de Ascension em uma floresta onde há fontes perenes de água"
Hooker convenceu o Almirantado a plantar diferentes árvores, bambus e arbustos nas partes mais elevadas da ilha. Ali os ventos carregados de umidade vindos do mar colidem com a ilha e sobem a alturas mais frias, o que faz a umidade condensar e formar nevoeiros.
Na ausência de vegetação a água que condensa é rapidamente perdida para a evaporação e escoamento superficial. Com árvores, a água pode se infiltrar no solo. E fontes podem jorrar.
Desde 1850, décadas de envio de mudas por navio e trabalho duro transformaram o topo da Green Mountain (Montanha Verde) de Ascension em uma floresta onde há fontes perenes de água. E onde vivem até mesmo sapos, também introduzidos.
O experimento em Ascension tira proveito do fato de árvores serem superfícies de condensação perfeitas para coletar a água disponível em neblinas e nevoeiros. Na verdade, a forma de algumas espécies deve ter evoluído exatamente para isto.
Estudos mostram que a captura de neblina por árvores pode aumentar a precipitação no solo em 40 a 70%. Isto permite que florestas cresçam em partes do Chile onde praticamente não chove e sustenta as sequoias da Califórnia, cujo porte gigantesco também facilita colher a água que chega com a neblina.
Cristas florestadas
"Boa parte da água que nutre a vegetação é obtida da "precipitação fantasma" colhida pelas árvores – e não registrada por pluviômetros."
No Brasil temos as "florestas nebulares" que crescem no alto de montanhas como os "brejos" nordestinos – ilhas verdes cercadas de Caatinga --, os tepui do norte da Amazônia, e a Cadeia do Espinhaço entre Minas Gerais e Bahia. Estas florestas e os riachos que brotam delas dependem em maior ou menor grau da umidade coletada diretamente das nuvens e das chuvas resultantes da interação entre massas de ar, relevo e árvores.
Mais próximas do epicentro da atual crise hídrica, serras como a do Mar, da Mantiqueira e de Paranapiacaba têm suas cristas cobertas por florestas que bebem das nuvens. Boa parte da água que nutre a vegetação é obtida da "precipitação fantasma" colhida pelas árvores – e não registrada por pluviômetros.
Esta região abriga cabeceiras de rios como Tietê, Paraíba do Sul, Paranapanema, Grande, etc. Não é preciso pensar muito para perceber o impacto destas florestas serranas naqueles rios.
Como visto em Ascension, as árvores – outras plantas e a fauna que vive no solo - permitem que a água que seria perdida por escoamento e evaporação se infiltre no solo, formando e recarregando os reservatórios subterrâneos que alimentam fontes e nascentes. Esse processo também acontece no Cerrado.
E sempre vale lembrar que árvores têm raízes e estas retém o solo e impedem o assoreamento de rios e reservatórios. Todo mundo sabe disso, mas é impressionante como é ignorado. Uma rápida olhada via Google Earth nas margens da maior parte dos reservatórios brasileiros mostra isso.
Árvores bombadas
20032011-cristalinoA transpiração das árvores se condensa na copa da floresta em Alta Floresta (MT). Foto: Fabio Olmos
"Plantas produzem compostos orgânicos voláteis que são liberados na atmosfera. É bem conhecido que estes são núcleos de formação de gotas de chuva no ar limpo"
Há outras formas das árvores fabricarem água além da simples interação da sua arquitetura com nuvens, gotas de chuva e solos.
Plantas produzem compostos orgânicos voláteis que são liberados na atmosfera. É bem conhecido que estes são núcleos de formação de gotas de chuva no ar limpo, mas carregado de umidade, que sopra do mar para o interior da Amazônia. As árvores, literalmente, semeiam a chuva que colhem.
Plantas também transpiram. De fato, árvores de grande porte são poderosas bombas que lançam água na baixa atmosfera e 80-90% da umidade sobre os continentes é resultado da transpiração das plantas. No planeta, a quantidade de água lançada na atmosfera necessária para isso é daordem de dezenas de milhares de quilômetros cúbicos, combinada com a energia solar de muitos e muitos terawatts.
Pouco reconhecido em modelos climáticos, isso tem várias consequências.
Aterrisagem dos rios voadores
"Florestas como a amazônica, congolesa e siberiana "sugam" massas de ar carregadas de umidade para o interior do continente"
Imagine uma floresta que transpira quilômetros cúbicos de água que cai como chuva apenas para ser lançada de novo na atmosfera. Então, adicione ventos que sopram para o interior. O resultado é uma correia transportadora de água que, mostram as pesquisas, leva pelo menos o dobro de umidade para o interior do que veríamos se os ventos soprassem sobre áreas sem florestas. Aqui na América do Sul o resultado são rios voadores, que transportam quilômetros cúbicos para o interior do continente e são responsáveis por parte da chuva no sul-sudeste do Brasil e Cone Sul.
Retire as árvores e os rios voadores não decolam. Ou desaguam no lugar errado.
De onde vêm os ventos que trazem o ar carregado de umidade? Uma pista é que a umidade atmosférica sobre aquelas florestas é alta mesmo em áreas distantes do litoral, enquanto áreas desmatadas têm menos umidade conforme mais distantes do oceano.
Este paradoxo sugere um papel ativo das árvores em trazer a umidade para o interior e que a transpiração não é apenas uma reação das árvores à necessidade de realizar fotossíntese. Ela também é uma ferramenta de manipulação do clima através da chamada "bomba biológica de umidade atmosférica".
A transpiração das árvores reduz a pressão atmosférica local e afeta o padrão dos ventos. O resultado é que florestas como a amazônica, congolesa e siberiana "sugam" massas de ar carregadas de umidade para o interior do continente, enquanto geram e estabilizam os ventos que trazem as chuvas. Destruir as florestas próximas à costa – o primeiro elo na correia transportadora – pode causar secas no interior.
O aumento da transpiração das grandes árvores (que bombeiam água de reservatórios subterrâneos) durante as secas apoia o conceito da interação ativa entre árvores e clima. Isso é exatamente o contrário do esperado, e uma indicação de que as árvores estão suando vapor para colher chuvas.
Os atentos à matéria notarão que percorri o mesmo caminho aberto por Antonio Nobre, pesquisador do INPA, que detalha melhor o que tentei explicar.
Seca de água
"A perda de florestas parece estar associada a chuvas decrescentes e pior distribuídas. Não é só a cidade de São Paulo que há muito não tem garoas"
Meu ponto é que embora muito tenha se falado sobre as chuvas e a Amazônia, não se pensa muito na relação entre o clima e nosso outro grande bloco de florestas, a Mata Atlântica e a Floresta com Araucária, que ocupava o litoral e praticamente todo o sul de Goiás, o interior de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul.
Ali existiam florestas com árvores gigantescas como jequitibás e perobas-rosa que nada deixavam a desejar com relação a suas parentes amazônicas. E que certamente deveriam ser um elo na cadeia transportadora de umidade vinda do norte do continente.
A causa principal da falta de chuvas que compromete cidades e hidrelétricas nos estados de Goiás, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo é a formação de uma zona de alta pressão que forma uma redoma de ar seco. Essa zona de alta pressão desvia as frentes frias vindas da Antártica e os rios voadores e massas de ar carregados de umidade vindos da Amazônia e do Atlântico.
Será que um dos problemas não é a falta de florestas que baixariam a pressão atmosférica e semeariam nuvens para trazer as chuvas?
A perda de florestas parece estar associada a chuvas decrescentes e pior distribuídas. Não é só a cidade de São Paulo que há muito não tem garoas (e a precipitação fantasma associada).
Trocamos árvores por asfalto e concreto, pastagens e eucaliptos e elegemos administrações que acham que áreas verdes servem para populismo barato.
Campinas costumava estar no cinturão de florestas de jequitibás que cresciam sobre terra roxa. Ela e outras mostram uma nítida tendência de diminuição nas precipitações.
Não são só as mudanças climáticas, para as quais o Brasil colaborou muito queimando suas florestas. A perda de mecanismos de feedback entre o clima e as florestas provavelmente tem seu papel em tendências como a redução de chuvas e no aumento da frequência de eventos extremos.
Velhos e "novos" líderes
"A tradição consagrada de proteger florestas para ter água se perdeu e os iluminados que decidem nosso futuro hídrico parecem obcecados com soluções que envolvem mais concreto, canos, bombas e barragens."
A relação entre árvores e abastecimento de água é uma notícia velha. Imperadores moguls e chineses já proibiam o corte de florestas para preservar fontes de água e, hoje, cidades como Quito, Caracas e Nova Iorque garantem a segurança e qualidade de seus mananciais de abastecimento protegendo-os comunidades de conservação ou acordos com proprietários privados que tem o mesmo efeito prático.
Isso não só garante água limpa, mas também reduz em muito os custos com o tratamento, coisa importante para gestores responsáveis, incluindo os que desejam lucro. Mas mero detalhe quando a gestão é política. Afinal, por aqui gerações de prefeitos e governadores permitiram a ocupação de mananciais em troca de votos.
Quando o Rio de Janeiro imperial se viu às voltas com uma crise de abastecimento, D. Pedro II ordenou um projeto de restauração ambiental que produziu a Floresta da Tijuca. Aqui em São Paulo uma das áreas protegidas mais antigas é o Parque Estadual da Cantareira, originalmente conservado por ser um manancial de abastecimento. E o Parque Nacional de Brasília foi criado para conservar a primeira captação de água da cidade.
Até a Sabesp, de triste figura nesta história toda, antigamente tinha a política de proteger o entorno de reservatórios como os de Morro Grande e Ribeirão Grande, até hoje cercados de florestas, ao contrário de seus irmãos mais novos.
Itaipu, para reduzir o assoreamento de seu reservatório, tem um dos maiores programas de reflorestamento do mundo. Outras empresas como Furnas, CESP e CHESF também têm programas similares, mas o Google Earth não deixa mentir, elas estão longe de atingir um mínimo necessário. O tal "programa de recuperação" do São Francisco que o diga.
Infelizmente, a tradição consagrada de proteger florestas para ter água se perdeu e os iluminados que decidem nosso futuro hídrico parecem obcecados com soluções que envolvem mais concreto, canos, bombas e barragens. E só. Além de não ser garantia de sucesso porquê o cobertor da disponibilidade hídrica é curto, esta abordagem é limitada.
Canos não bastam. Podemos manipular os ecossistemas onde estão as bacias das quais dependem as grandes regiões metropolitanas brasileiras para aumentar nossa segurança hídrica. Podemos construir bombas biológicas, semeadores naturais de nuvens, captadores d água de neblina, infiltradores de água no solo, redutores de evaporação, amortecedores climáticos. Podemos usar ferramentas de verdadeira engenharia ambiental: é uma questão de plantar árvores.
Degradação vista de cima
"Bacias importantíssimas, como a dos formadores do Paraíba do Sul e do sistema Cantareira foram desmatadas de forma irresponsável e nas barbas de governos omissos"
Qualquer um que já voou do Rio para São Paulo ou de lá para Belo Horizonte percebeu uma região enorme coberta em boa parte por pastagens ridículas e áreas degradadas. No Vale do Paraíba e nas vertentes das serras do Mar, Mantiqueira e Espinhaço, em áreas muito destruídas, estão as cabeceiras e afluentes de alguns dos rios economicamente mais importantes do Brasil.
Bacias importantíssimas, como a dos formadores do Paraíba do Sul (olá amigos fluminenses) e do sistema Cantareira foram desmatadas de forma irresponsável e nas barbas de governos omissos. Comitês de bacias não foram eficientes (estou sendo gentil) para evitar a perda de florestas e para recuperá-las em extensão que faça diferença. Percorrer o Paraíba do Sul entre São Paulo e o Rio de Janeiro é a prova cabal.
A equação é simples. Devemos pesar se os benefícios de manter as coisas como estão, premiando quem destruiu o que não deveria, suplantam os riscos de deixar as maiores populações e economias do país sem água.
Seca de líderes
"O brasileiro tem dificuldades em aceitar a realidade mesmo quando ela dá uma bofetada na sua cara."
Já passou da hora de iniciarmos um projeto de restauração florestal em larga escala para transformar pastos, sapezais e plantações do Vale do Paraíba, Mantiqueira e Serra do Mar – e além - em florestas de verdade, com árvores de grande porte. É preciso reconstruir o que foi perdido para o ciclo do café, para o ciclo do gado, para abastecer a Companhia Siderúrgica Nacional e guseiras mineiras com carvão e, ironia, para a construção de reservatórios e ocupação de suas margens.
Para algumas bacias já sabemos o que fazer e quanto custa e há projetos iniciados. Mas ainda é pouco e desalentador ver como em São Paulo se fala mais em obras discutíveis do ponto de vista econômico e de engenharia do que em plantar chuva. Digo, árvores. Apesar de São Paulo dispor de alguns dos melhores grupos de pesquisa em restauração florestal.
A gestão da água e, por consequência, da energia, precisa mudar. O brasileiro tem dificuldades em aceitar a realidade mesmo quando ela dá uma bofetada na sua cara. Como o famoso corno apaixonado, continuamos ignorando o óbvio. Temos um desperdício inaceitável durante a distribuição, o reuso ainda é incipiente e há o freio de mão puxado quando se trata de despoluir rios e reservatórios usados como latrina por uma espécie que parece ter prazer em beber suas próprias fezes.
As demonstrações de ignorância desinibida durante a discussão do Código Florestal e, aqui em São Paulo, na votação da Lei do Desmatamento, mostram que para políticos e uma banda do agronegócio o problema não importa, nem se inviabilizar seus negócios. Os velhos hábitos falam mais alto.
Para isso, e o que me preocupa em uma situação de conflito de interesses, é preciso haver habilidade política e bom senso. Não adianta ter um coração valente e ser uma porta trancada. Também não adianta ter uma mente privilegiada e a bravura de um legume. Menos ainda ser O Cara quando seu legado é uma cleptocracia que afundou a economia e rachou o país.
guerra civil na Síria é o resultado da crise climática caindo sobre um regime político não representativo e inepto somado a uma população jovem sem perspectivas em meio a uma crise econômica.
Um país com democracia forte e economia saudável cuida bem dos seus recursos essenciais; água e democracia são importantes.
 Transcrita do site http://www.oeco.org.br/olhar-naturalista

quarta-feira, 4 de março de 2015

O mapa da conspiração no Brasil segundo o padrão da CIA, por J. Carlos de Assis



Temos em curso no Brasil uma conspiração destinada a desestabilizar o Governo Dilma sob o pretexto da luta contra a corrupção. É da mesma natureza das iniciativas para promover mudanças de regime na chamada Primavera Árabe, com a diferença de que, nesses casos, os regimes eram ditaduras estabilizadas , enquanto no nosso caso somos uma democracia vulnerável. Como não é possível estimular um golpe em favor de democracia que já existe, a desculpa é o combate à corrupção que se pretende vincular aos presidentes Lula e Dilma.
Pessoas de boa fé pensam que tal conclusão é precipitada. Eu próprio costumo rejeitar teorias conspiratórias, porém só até o ponto em que as evidências começam a falar mais alto. Vou tentar mostrar a evidência de uma conspiração em curso no Brasil usando como principal referência a principal revista de política externa dos Estados Unidos, a “Foreign Affairs”, insuspeita de antiamericanismo. Tomo como referência ensaios da edição de setembro/outubro sobre a crise na Ucrânia e sobre o golpe contra Allende no Chile há 40 anos.
Relativamente à Ucrânia, a revista diz abertamente que a crise é culpa sobretudo do ocidente, ou seja, dos Estados Unidos. Resulta da ambição da OTAN, sob liderança americana, de empurrar suas fronteiras para o Leste incorporando sucessivamente quase todos os estados da órbita da antiga União Soviética. Assim, em 1999, foram incorporadas a República Checa, a Hungria e a Polônia. Sempre sob protestos russos, em 2004 foram anexadas Bulgária, Estônia, Latvia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia. Em 2009, foi a vez de Albânia e Croácia.
Essas incorporações violaram compromissos formais estabelecidos com Gorbachev no processo de reunificação da Alemanha, para a qual foi essencial a concordância russa. A Rússia não reagiu além de protestos formais, parte porque estava ela própria internamente fragmentada, parte porque todos esses países incorporados à OTAN não fazem fronteira direta com ela, exceto os pequenos países bálticos. Em 2008, contudo, a OTAN manifestou a intenção de incorporar também as fronteiriças Geórgia e a Ucrânia, o que significava acabar de cercar a Rússia.
Nenhum líder russo aceitaria ou aceitará o cumprimento dessa ameaça no seu próprio quintal, muito menos um estrategista da estatura de Putin. Quando o presidente da Geórgia, simpatizante da entrada na OTAN, resolveu reincorporar as províncias rebeldes de Abkhazia e Ossétia do Sul, Putin reagiu imediatamente e as invadiu. Deixou claro, nesse movimento, que não aceitará a incorporação da Geórgia, um país limítrofe da Rússia, à OTAN, a não ser fragmentado. Assim como deixou claro a Bush, segundo um jornal russo, que “se a Ucrânia fosse admitida na OTAN ela cessaria de existir.”
“Foreign Affairs” faz um retrato realista do que aconteceu daí em diante na Ucrânia. No processo de criar a atmosfera “democrática” favorável à adesão à União Europeia, atalho para a entrada na OTAN, os Estados Unidos despejaram desde 1991 mais de US$ 5 milhões em instituições de formação de opinião no país, para - segundo Victoria Nulan, a secretária de Estado assistente para a Europa e a Eurásia -, criar para a Ucrânia “o futuro que ela merece”. Uma instituição especial, a National Endowment for Democracy, promoveu mais de 60 projetos para minar a estabilidade do Governo legítimo de Yanukovych, pró-russo.
O presidente dessa instituição, Carl Gershman, não deixou muita dúvida quanto ao objetivo último desse movimento. Numa entrevista ao New York Times, declarou que “a escolha da Ucrânia de integrar a Europa vai acelerar a morte da ideologia do imperialismo russo que Putin representa”. De forma ainda mais explícita, acrescentou que “os russos também enfrentam uma escolha, e Putin pode encontrar-se no lado perdedor final não no exterior do país mas dentro da própria Rússia”. Putin reagiu a esse tipo de provocação invadindo a Crimeia e promovendo o referendo para sua anexação à Rússia.
Estou transcrevendo trechos dessa longa reportagem porque sei que os brasileiros não merecem de nossa imprensa, escrita ou televisiva, um noticiário imparcial sobre o que está acontecendo na Ucrânia. Nossa grande imprensa é em relação aos Estados Unidos mais governista, em qualquer circunstância, do que a própria imprensa da elite americana. Mas o que quero acentuar é que o governo americano tem uma estratégia clara de sustentação de sua dominação no mundo e está disposto a pagar qualquer preço, sobretudo se o preço foram instituições ou vidas de outros povos, para firmar seus objetivos estratégicos.
É nesse ponto que convém examinar a situação brasileira atual. Os Estados Unidos restabeleceram a Guerra Fria e elegeram a Rússia como inimigo estratégico, já que a Rússia, ainda uma potência nuclear de primeira linha, é o único poder estratégico, junto com a China na economia, capaz de rivalizar com eles. Ora, nós estamos cometendo a audácia de nos aproximarmos da Rússia e da China no âmbito dos BRICS, criando uma alternativa de desenvolvimento no mundo, tanto do ponto de vista geoeconômico quanto geopolítico. Para quem quer levar o braço da OTAN até as planícies ucranianas, esse é um grande desafio, considerando o fato de que Brasil e África do Sul são considerados quintais relativamente bem comportados do poderio americano.
Se para eliminar o risco de uma maior aproximação com a Rússia for necessário desestabilizar o Governo brasileiro, apelando para uma inventada condescendência com a corrupção, como aconteceu na Ucrânia, os Estados Unidos não se farão de rogados. Eles tem aliados poderosos aqui dentro como leais quinta-colunas. Por algum motivo gravaram os telefones da Dilma. Já no Chile, de acordo com documentos desclassificados depois de 40 anos da deposição de Allende, verifica-se, segundo a mesma “Foreign Affairs”, que o golpe e o assassínio de Allende foram orquestrados por Washington, sob coordenação de Henry Kissinger. Começou com o assassinato do general anti-golpista Schneider, pago pela CIA, e teve durante todo o tempo da conspiração a instigação permanente do jornal “El Mercurio”, que para isso recebeu da CIA US$ 11 milhões em dinheiro de hoje. A “Veja”, como todos sabem, passa por dificuldades financeiras. Não seria o caso de se examinar quem está sustentando suas infâmias destinadas a desestabilizar o Governo brasileiro?
J. Carlos de Assis - Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEP
Fonte: http://jornalggn.com.br

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Lima alcança acordo climático mínimo e deixa quase todo o restante para Paris

Lima alcanza acuerdos climáticos mínimos y deja casi todo a París

Por Diego Arguedas Ortiz


Mientras los gobiernos de 195 países aprobaban el documento final de la COP 20, en Lima la madrugada del 14 de diciembre, los activista protestaban ya por los débiles resultados de las negociaciones climáticas, a las afueras del salón Cusco de la plenaria, donde se pactó el acuerdo. Crédito: Diego Arguedas Ortiz/IPS
Mientras los gobiernos de 195 países aprobaban el documento final de la COP 20, en Lima la madrugada del 14 de diciembre, los activista protestaban ya por los débiles resultados de las negociaciones climáticas, a las afueras del salón Cusco de la plenaria, donde se pactó el acuerdo. Crédito: Diego Arguedas Ortiz/IPS
LIMA, 14 dic 2014 (IPS) - Tras una prórroga de 25 horas, los negociadores de 195 países alcanzaron un acuerdo con un “mínimo común necesario”  de medidas para afrontar el cambio climático y postergaron las grandes decisiones sobre un nuevo tratado para la 21 Conferencia de las Partes (COP 21), que tendrá lugar en un año más en París.
Después de 13 días de debates, la COP 20 de la Convención Marco de las Naciones Unidas sobre el Cambio Climático (CMNUCC) dejo sin resolver asuntos medulares como la fiscalización de los compromisos de la reducción de emisiones de cada país, el reconocimiento de daños y pérdidas causados por las alteraciones climáticas  y los planes inmediatos, denunciaron a IPS representantes de organizaciones observadoras.
El documento aprobado, el tercero que se debatió y denominado “Llamamiento de Lima para la Acción Climática”, establece que los países presentarán antes de octubre sus compromisos nacionales de reducción de las emisiones de gases que provocan el recalentamiento global.
También “urge” a los países industrializados a “prever y movilizar soporte financiero para acciones ambiciosas de mitigación y adaptación” para las naciones afectadas por el cambio climático, “invita” a que fijen ese financiamiento junto con los compromisos de reducción. Una exhortación que atendió débilmente los requerimientos de los países más vulnerables al aumento de las temperaturas y evitó un neto naufragio. 
“Los países necesitan ahora financiamiento climático y acciones urgentes a tomar ahora, porque nuestras emisiones deben llegar a un máximo antes del 2020 y luego empezar a reducirlas si queremos mantenernos en un camino seguro”: Tasneem Essop.
Pero los observadores lamentaron que en el Llamamiento de Lima se haga poco por atender a las poblaciones más vulnerables como agricultores, comunidades costeras, indígenas, mujeres y sectores más desposeídos de las sociedades.
“Hubo una serie de intercambios entre países desarrollados y en desarrollo y el resto del texto se ha vuelto significativamente más débil en cuanto a las reglas para el próximo año y cómo lograr acción y ambición climática”, dijo a IPS el coordinador de Cambio Climático de Care International, Sven Harmeling. “Ha sido realmente desafortunado”, sentenció.
Esto afectará  las negociaciones del 2015, pues “están amontonando más presión sobre París. Los grandes temas se han postergado y no se han decidido aquí”, dijo Harmeling.
El activista rescató que haya habido acuerdo, pese a ser insuficiente. “Tenemos algo, pero hace falta saber qué tan legalmente vinculante será”, aseguró Harmeling. Si realmente hay “un espíritu de Lima” y no consensos por cansancio, se comenzará a saber en febrero en Ginebra, donde habrá el próximo encuentro climático, pronosticó.
Las naciones del Sur dieron su voto a favor del texto, cerca de la 1:30 local de la madrugada de este domingo 14, pero organizaciones como Oxfam, la Red de Acción Climática  y Amigos de la Tierra Internacional fueron muy críticos sobre el resultado. Las negociaciones de Lima “no hicieron nada para detener la catástrofe climática”, aseguró la última de estas organizaciones.
Entre el 1 y el 13 de diciembre, más de 3.000 delegados buscaron en el complejo proceso de la CMNUCC un fin último: evitar el calentamiento del planeta a niveles que atenten contra la vida en la Tierra.
El ministro peruano de Medio Ambiente, Manuel Pulgar-Vidal, presidente de la COP 20, prolongó el proceso para limar asperezas entre países industrializados, los grandes emisores de carbono, que querían menos presión financiera, y aquellos en desarrollo que buscaban menor fiscalización a sus propias reducciones.
“Aun cuando parezca que estamos en bandos opuestos, estamos de hecho en el mismo -porque solo hay un planeta-: el bando el planeta”, dijo Pulgar-Vidal al concluir la COP.
El mandato específico para Lima era establecer el borrador de un nuevo tratado climático vinculante, que debe madurar durante el 2015 hasta su firma en París. Discusiones metodológicas y grandes debates sobre financiamiento, plazos y daños y pérdidas impidieron un consenso más ambicioso.
“Los países necesitan ahora financiamiento climático y acciones urgentes a tomar ahora, porque nuestras emisiones deben llegar a un máximo antes del 2020 y luego empezar a reducirlas si queremos mantenernos en un camino seguro”, dijo a IPS la coordinadora climática del Fondo Mundial para la Naturaleza (WWF), Tasneem Essop.
La activista enfatizó que “necesitamos proteger los derechos de las comunidades impactadas por el cambio climático”. Es precisamente este desamparo de los sectores más vulnerables del planeta lo que hace aún más urgente el tomar acciones.
Sin embargo, el acuerdo de Lima tiene muy escasas referencias a los mecanismos que usarán los países para reducir emisiones entre 2015 y 2020, cuando debe comenzar a regir el nuevo tratado, en sustitución del Protocolo de Kyoto.
Esas acciones tienen que comenzar ya, dijo Essop, porque si no las medidas posteriores pueden ser inútiles. “Lo que los gobiernos parecen estar pensando es que pueden hacer todo en el futuro, después del 2020, cuando la ciencia ha sido clara que necesitamos llegar a un tope antes de eso”, aseguró a IPS.
De no hacerlo, cada año el clima extremo, la sequía y la baja producción agrícola será más dura para esas comunidades, las menos responsables del cambio climático. Essop considera que los gobiernos apuestan a negociar en París, cuando había decisiones que urgía que se adoptasen en Lima.
Entre los cabos sueltos que deberán atarse en  la capital francesa entre el 30 de noviembre y el 11 de diciembre de 2015, está cómo será el balance entre mitigación y adaptación en el nuevo acuerdo climático mundial y de dónde saldrá el financiamiento.
“Si no hubiéramos llegado a esta decisión (del Llamamiento de Lima), las cosas serían mucho más difíciles en París, pero todavía sabemos que hay muchos temas que deberán ser resueltos entre ahora y diciembre de 2015”, dijo en la plenaria final Laurent Fabius, ministro de Asuntos Exteriores de Francia. 
Este acuerdo pretende que para el 2100 la elevación de la temperatura no supere los dos grados centígrados, para poder preservar la estabilidad del planeta. En esto es fundamental reducir el uso de combustibles fósiles.
Mitigación, adaptación, daños y pérdidas se han fijado como pilares del nuevo tratado. Los dos últimos son vitales para países y poblaciones impactadas desproporcionadamente por el fenómeno, pero esta parte quedó sin fuerza en Lima.
“Es desastroso y no cumple nuestras expectativas para nada. Queríamos ver un plan claro emergiendo de Lima, que nos permitiera tener un tratado más ambicioso”, dijo Harjeet Singh,  director internacional de Cambio Climático y Resiliencia de la organización ActionAid.
“Lo que vemos es un continuo rechazo de los países desarrollados a temas que tengan que ver con adaptación y daños y pérdidas”, planteó a IPS.
Se trata de temas espinosos porque cumplirlos requiere compromisos financieros de los países ricos. El principal espacio de recepción de dinero, el Fondo Verde para el Clima, alcanzó apenas 10.200 millones este mes, una décima parte de lo que las naciones industrializadas se comprometieron a aportar.
Pero el Llamamiento de Lima sí determinó cómo serán las “contribuciones previstas y determinadas a nivel nacional” (INDC, en inglés), el formato en que se presentarán los compromisos de cada país sobre cómo reducir sus emisiones.
Sin embargo, este acuerdo se volvió débil al eliminar el mecanismo para analizar la pertinencia e idoneidad de cada compromiso, presente en previos borradores.
Para los negociadores, la suma de estas contribuciones nacionales sería suficiente para controlar el calentamiento global, pero a los observadores les preocupa que la escasa fiscalización impida un control adecuado de si se avanza en la reducción de emisiones, de la manera que el planeta requiere.
Editado por Estrella Gutiérrez
Fonte IPS

Agencia de Noticias

I


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Como o pós-consumismo floresce na Alemanha


Um dia qualquer no Facebook. Em meio a uma avalanche de selfies, fotos do Instagram com pratos de dar inveja e sequências de bebês bochechudos, um post chama a atenção: “Doação: scanner, impressora, dois computadores, monitor.” O anúncio vem acompanhado de uma imagem dos equipamentos – tudo aparentemente em perfeito estado.
Posts como esse são cada vez mais comuns entre internautas na Alemanha. Eles costumam aparecer em diversos grupos da rede social e refletem algo maior: um notável espírito de comunidade que circula no país, e que permite se obter de graça praticamente todo o básico de sobrevivência – e até um pouco mais.
Uma das comunidades de maior sucesso leva o nome genérico Free Your Stuff (FYS, literalmente: “liberte as suas coisas”), acrescido do nome da cidade onde é feita a oferta. Em Berlim, o grupo já tem mais de 19 mil membros. Lá se encontra de tudo: televisores, geladeiras, camas, sofás, celulares, leitores de e-book e até pianos.
Ou mesmo: “Acredito que ninguém quer uma porta…? Mede uns 93 por 215 cm”, dizia um post publicado na FYS Berlim. No dia seguinte, a porta já fora levada. “Estou tão surpreso quanto vocês”, comentou o ex-proprietário.
Senso de comunidade contra o desperdício
Mas nem sempre as ofertas são tão extravagantes. A brasileira Carolina Nehring, que vive em Bonn, por exemplo, já usou uma dessas comunidades para doar livros, sapatos e bolsas. E foi lá que também conseguiu uma série de coisas interessantes, como um violão, uma escrivaninha e uma bicicleta, sua maior aquisição.
017895592 40400 Como o pós consumismo floresce na Alemanha
O alemão Matthieu Classen também já doou uma bicicleta, porque estava de mudança para a Holanda e não tinha como levá-la consigo. “Isso cria um certo senso de comunidade, onde é possível doar as coisas de que não precisamos mais, em vez de alimentar uma cultura do desperdício”, defende o jovem de 21 anos.
Essa atitude coincide com a filosofia simples por trás do FYS. “O grupo é dedicado a todos nós que tendemos a acumular, acumular e a preencher espaços que poderiam ser usados para algo mais interessante do que um depósito ou um coletor de poeira”, diz uma descrição na página da comunidade.
O casal de brasileiros Karin Hueck e Fred Di Giacomo Rocha, idealizadores do projeto Glück Project, também recorreu à plataforma para se desfazer de seus pertences, ao voltarem para o Brasil após um ano de Berlim. “Foi um misto de comodidade e também de querer ajudar”, justifica Karin. Ao total, eles doaram um sofá-cama, duas araras, cabides, almofadas, ferro de passar e cobertores.
A brasileira lembra que uma das formas mais comuns de doar as coisas em Berlim era apenas deixá-las na calçada. “Todo dia, trombava com colchões, sofás, televisões e até uma geladeira em bom estado, que alguém havia deixado na rua para quem quisesse levar. Deixei a minha horta [portátil] na rua no dia em que fomos embora, e em cinco minutos alguém já havia levado para casa.”
Fenômeno em expansão
O fenômeno não é uma exclusividade alemã: já existem grupos de Free Your Stuff em cidades como Nova Iorque e Barcelona. Mas, na Alemanha, observa-se uma verdadeira febre: Berlim, Bonn, Colônia, Hamburgo, Munique, Stuttgart, Leipzig, Nurembergue, Dresden, Frankfurt, Düsseldorf… É rara a cidade alemã que não tenha o seu FYS.
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Sua noiva, a curitibana Camila Collita, também já participou do escambo, levando para casa um programa Photoshop, de edição de imagens, em troca de legumes. Guilherme só chama a atenção para a “logística do movimento”: “Quando alguém anuncia alguma coisa, você precisa ser bem rápido para responder que está interessado e também ter a disponibilidade de buscar o objeto dentro da data pedida. Já perdi alguns itens por não ter tempo ou não ter como ir buscá-los.”
Outro movimento que ganha cada vez mais adeptos no país é o Foodsharing.de, uma plataforma criada no final de 2012 para o compartilhamento de alimentos entre indivíduos. “O grande sucesso do Foodsharing levou cada vez mais pessoas a se engajarem contra o desperdício e a coletarem em mercados e lojas o excedente de alimentos para redistribuição”, explica André Piotrowski, embaixador da plataforma em Bonn.
Ele comenta que a cada ano é desperdiçado cerca de 1,3 bilhão de toneladas de alimentos ainda em bom estado, sobretudo frutas e legumes, ou seja, “de 30% a 50% da produção total de alimentos”. Só na Alemanha, em 2013 a iniciativa salvou da lata do lixo 400 mil quilos de comida. “De um punhado de ativistas no início do movimento, a plataforma hoje tem cerca de 6 mil foodsavers e mais de 600 empresas doadoras”, conta André.
Livros, caronas e outros
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Uma dessas “salvadoras” é Johanna Nolte. “Passo nos mercados duas vezes por semana para coletar legumes que não foram vendidos, sempre tudo em bom estado. Uma padaria também me liga para me avisar quando tem excesso de pão”, relata a jovem de 23 anos. “Separo uma parte para mim e depois ofereço a vizinhos e amigos. O restante, eu anuncio pelo Facebook.”
Esse senso de comunidade pode ser observado numa série de outras iniciativas pelo país. Para quem quer alimentar também o espírito, surgiram os Offene Bücherschränke (Estantes de livros abertas), uma ideia posta em prática em 2003, em Bonn, pela então estudante de arquitetura Trixy Royeck. A cidade hoje já conta com nove dessas pequenas bibliotecas livres, onde é possível deixar e pegar livros sem burocracia ou custo algum.
Já na área dos transportes, por exemplo, é possível economizar com caronas ofertadas na internet através de sites como o Mitfahrgelegenheit.de ou Blablacar.de. Quem anda de metrô pode até viajar de graça no Ticketteilen.org, que estimula usuários do transporte público de Berlim a compartilharem seus passes que dão direito a levar mais passageiros, fora dos horários de pico.
Fonte: geledes.org.br
/12/2014

domingo, 16 de novembro de 2014

Dia Nacional de Urubuzar

Replico esta matéria que pretende livrar os animais silvestres de atropelamento

UFMT participa de Dia Nacional de Urubuzar

Publicado em Notícias | 14/11/2014

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) promove amanhã (15) o Dia Nacional de Urubuzar, uma data em que instituições de todo país coordenam campanhas de conservação da vida silvestre no Brasil. A Universidade participará do evento realizando uma atividade junto ao Zoológico da UFMT, que irá das 8h30 às 12h. Na ocasião, o público será apresentado ao Sistema Urubu, aplicativo para celular que permite a qualquer cidadão contribuir com a conservação, protegendo animais silvestres de atropelamentos.
O objetivo da data é divulgar o problema do atropelamento de fauna selvagem no Brasil e mostrar que cada um de nós pode colaborar na redução desse impacto utilizando o Sistema Urubu. O aplicativo está disponível gratuitamente para Android e IOS. Para usar o sistema, ao encontrar um animal atropelado, o usuário deve tirar uma foto, que será enviada ao Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), que juntará os dados e fará uma análise dos pontos vulneráveis para estimar mudanças que reduzirão os atropelamentos na região fotografada. Estima-se que 475 milhões de animais selvagens sejam atropelados todo ano nas estradas brasileiras e a maior parte deles é de pequeno porte.
A campanha é organizada pelo CBEE, em conjunto com a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB) e o Parque das Aves em Foz do Iguaçu. Mais de 100 instituições irão realizar ações simultâneas em todo o país para divulgar o Sistema Urubu e sensibilizar o público do impacto que as mortes desses animais têm em nossa biodiversidade.
A UFMT participa da ação por meio do Instituto de Biociências (IB); Zoológico da UFMT; cursos de graduação e pós em Geografia, do Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS); com voluntários dos programas de Educação Tutorial (PET) e Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibic); dos grupos de Pesquisas em Geografia Agrária, Conservação da Biodiversidade e Pantanal (Geca) e de Pesquisas em Áreas Protegidas (Gepro) e do Núcleo de Estudos e Organização da Mulher (Neom).