segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Países têm mais uma chance de preservar biodiversidade


Fabiano Ávila

A Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) foi um tratado firmado em 1992 no Rio de janeiro e que traçou uma série de metas com a intenção de conservar a biodiversidade e promover a distribuição justa e igualitária de seus recursos.

Praticamente nenhuma das 193 nações que assinaram o documento conseguiu cumprir os objetivos traçados.

Novas metas internacionais foram então firmadas em 2002 na África do Sul, com 2010 como o ano final para alcançar seus objetivos. Novamente nenhum país respeitou por completo o acordo o que resultou em outro fracasso.

“Devemos ter a coragem de olhar nos olhos de nossas crianças e admitir que falhamos, individualmente e coletivamente, para cumprir as promessas de reduzir as perdas da biodiversidade. ‘Os problemas da natureza sempre afetaram a vida humana. Hoje, infelizmente, a vida humana é o problema da natureza’ “, alertou Ahmed Djoghlaf, secretário-executivo da CDB, citando uma frase do famoso autor japonês Daisetsu Teitaro Suzuki.

O principal objetivo da COP 10 de Nagoya que começou nesta segunda-feira (18) será chegar a um consenso sobre o novo plano estratégico para a próxima década (2011-2020).

Este plano deve estabelecer metas para a conservação e uso sustentável da biodiversidade além de traçar políticas de longo prazo para 2050.

Os delegados terão ainda que buscar finalizar um protocolo de acesso e distribuição de benefícios (Access and Benefit-sharing - ABS) dos recursos genéticos do planeta.

A COP 10 também será marcada pela divulgação do relatório The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB) em sua versão integral, que irá mostrar que o impacto da perda de biodiversidade anualmente é da ordem de US$ 2 trilhões a até US$ 4,5 trilhões.

“Nós estamos destruindo as próprias fundações da vida neste planeta e mesmo assim a sociedade tem dificuldade de entender o que fazemos nessas reuniões e porque as decisões aqui realmente importam”, afirmou Achim Steiner, diretor-executivo do Programa da ONU para o Meio Ambiente.

Momento sem volta

Em maio a ONU publicou a terceira edição do o Global Biodiversity Outlook (GBO), que analisou mais de 110 estudos e diversos indicadores e mostrou, por exemplo, que a abundância de vertebrados, como mamíferos, pássaros e peixes, caiu um terço entre 1970 e 2006. O relatório também deixou claro como essas perdas e a degradação das florestas, corais, rios e outros ecossistemas já estão tendo impacto na vida das pessoas.

A ONG WWF reforçou essa mensagem na semana passada publicando o relatório “Living Planet Report”. O documento é uma das maiores auditorias já realizadas sobre a situação de quase oito mil populações de mais de 3500 espécies diferentes.

Ele contém descrições de como o atual padrão de consumo já resultou na perda de quase 60% da biodiversidade nos países mais pobres nos últimos 40 anos.

O WWF alerta que se os atuais padrões de crescimento e consumo persistirem serão necessários dois planetas Terra para suprir a demanda anual de toda a população mundial em 20 anos.

A Agência de Análise Ambiental dos Países Baixos (Netherlands Environmental Assessment Agency - PBL) também contribuiu para o debate trazendo para Nagoya o estudo “Rethinking Global Biodiversity Strategies”.

Nele, a agência mostra como o crescimento da população e do consumo irá criar uma pressão tão grande sobre os ecossistemas que as atuais políticas de proteção do meio ambiente através de reservas de conservação serão ineficientes para reduzir as perdas da biodiversidade. Por isso, tão importante que criar áreas de preservação é pensar em políticas que alterem a postura e os hábitos da população.

“Toda a vida na Terra existe graças aos benefícios da biodiversidade, como solo fértil, água potável e ar limpo. Nós agora estamos perto de um ponto crucial, se passarmos, as perdas da biodiversidade serão irreversíveis”, resumiu Ryo Matsumoto, ministro do Meio Ambiente japonês.

Para mostrar que ainda é possível reverter a situação crítica da biodiversidade, o Global Canopy Programme publicou na sexta-feira (15) o “The Litle Biodiversity Finance Book”, que apresenta análises sobre as opções de políticas e novas fontes de financiamento para auxiliar no cumprimento da meta de zerar a perda global de espécies.

Esse livro deixa claro que ainda podemos fazer muita coisa pela biodiversidade e que o tal momento sem volta pode sim ser evitado com esforços conjuntos dos diferentes fóruns de discussão.

(Instituto Carbono Brasil)

Carvão usado no Brasil incentiva desmatamento no Paraguai


Por Antônio Biondi e Marcel Gomes, do Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis

Pesquisa revela que siderúrgicas e importadoras brasileiras compram cada vez mais carvão vegetal paraguaio sem necessariamente conhecer ou fiscalizar aspectos relacionados aos impactos ambientais, trabalhistas ou sociais.

Assunção (Paraguai) - No departamento paraguaio de San Pedro, a indústria do carvão vegetal está - literalmente - a pleno vapor. Matas cortadas, fornos de pequeno e médio porte à frente das casas dos agricultores locais, caminhões carregados de carvão, madeira jogada à beira da estrada esperando para ser recolhida. Ao lado do gado no pasto, um ipê-roxo solitário é o registro da vistosa mata que um dia existiu naquela paisagem. O desmatamento em grandes áreas é substituído pelas áreas desmatadas nas pequenas propriedades, adaptando-se aos novos tempos e leis do país.

Quem vê as modestas casas de moradores da área rural com estoques de carvão armazenados no terreno pensa, de imediato, em qual seria o destino de tal produção. E, ao mesmo tempo, reflete sobre o que motiva essa cadeia produtiva do carvão no Paraguai. Seria uma decorrência da situação de pobreza dos camponeses, aos quais faltam opções? Ou uma situação estimulada pelos países vizinhos, com destaque para o Brasil?

Entre os caminhões carregados que transitam pelas rodovias da região, há os que ostentam interessante pista: desenhos de bandeiras do Paraguai, Argentina e Brasil. E uma pesquisa nas importações de produtos paraguaios por empresas brasileiras revela que siderúrgicas no Brasil importam carvão paraguaio, sem conhecer ou fiscalizar praticamente qualquer aspecto - ambiental, trabalhista ou social - referente àquela produção.

Comunidades indígenas
Se a situação dos produtores familiares é preocupante, a dos indígenas é classificada como "bastante problemática" por Nicolas Benitez, líder indígena da Coordenação Interegional dos Povos Originais (Cirpo), que representa cerca de 20 comunidades em quatro departamentos do Paraguai (Canindeyú, Caaguazú, Guayra e Itapúa). Com problemas nas áreas de educação, saúde, terra, e enfrentando a contaminação de seus recursos naturais por agrotóxicos, os indígenas convivem com um aumento crescente de problemas, inclusive arrendando terras para as empresas do agronegócio. Algo que a lei não permite, mas ocorre na prática, segundo Benitez.

Os indígenas da região vendem sua pequena produção agrícola aos carros que passam na rodovia, buscando chamar a atenção com a colocação de abóboras e mandiocas à beira da estrada. Os filhos se aglomeram no quintal das pequenas casas de barro, enquanto os pais buscam comercializar a produção, sem usar o idioma espanhol - falam só o Guarani.

Uma abóbora média sai por R$ 2. Bem próximo dali, no acostamento da estrada, uma carga de madeira aguarda para ser retirada. Parece não pertencer a ninguém, mas certamente possui um portador que deve chegar a qualquer momento (preferencialmente à noite) para recolhê-la.

Nesse contexto, fica mais fácil compreender a explicação de Ladislau Bernardo, dirigente da Federação Nacional Campesina (FNC) no departamento de Canindeyú, De acordo com ele, "muitas vezes, a produção de carvão acaba sendo a única fonte de riqueza dos camponeses". Uma situação tão dramática que, quando as autoridades cogitaram proibir a produção e comercialização do carvão vegetal na região, tiveram como resposta um levante dos camponeses e indígenas da região. Diante da revolta, as autoridades recuaram. E a produção local "continua a ir para o Brasil e para algumas indústrias no Paraguai", segundo o dirigente camponês, em entrevista concedida na rodoviária de Curuguaty, no departamento de San Pedro.

Siderúrgicas brasileiras
O Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis (CMA) apurou que parte do carvão produzido no Paraguai é, de fato, comprado por siderúrgicas brasileiras, sobretudo aquelas localizadas em Minas Gerais, para servir de matéria-prima e combustível em fornos de ferro-gusa. O material também é trazido por pequenas importadoras, que depois repassam para as próprias siderúrgicas ou para restaurantes, onde são usados em churrasqueiras.

Entre janeiro e junho de 2010, o Brasil importou 66 mil toneladas de carvão e produtos equivalentes do Paraguai, alta de 120% em relação ao mesmo período de 2009. A movimentação financeira chegou a US$ 5,3 milhões, a décima-primeira categoria de produtos em volume financeiro. De acordo com um comprador de carvão de uma siderúrgica mineira, o volume importado poderia ser até três vezes maior, não fosse a crise por que passam algumas fabricantes de ferro-gusa. Voltadas à exportação, algumas mantêm os fornos desligados desde 2008, ano de início da crise internacional.

Grandes siderúrgicas brasileiras compraram carvão vegetal no Paraguai. É o caso, por exemplo, da Gerdau, uma das maiores do mundo. Questionada sobre a exigência de parâmetros socioambientais dos fornecedores que fazem parte de sua cadeia produtiva, a empresa afirmou: "A Gerdau esclarece que realizou importações pontuais de carvão vegetal do Paraguai, seguindo rigorosamente a legislação ambiental vigente. A última importação do produto do Paraguai foi realizada em 2008 pela empresa".

O carvão também é adquirido por siderúrgicas como Mat-Prima e Valinho, ambas de Divinópolis (MG); Cisam, de Pará de Minas (MG); e Ferguminas, de Itaúna (MG). Já grande parte das pequenas importadoras ficam nos municípios de Ponta Porã (MS), que faz divisa com a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, e nos municípios de Novo Mundo (MS) e Guaíra (PR), ambos na divisa com a cidade paraguaia de Salto del Guairá.

Criada em 1993, a Mat-Prima tem capacidade de produzir 12 mil toneladas de produtos siderúrgicos por mês. A maior parte é exportada pelos portos do Rio de Janeiro (RJ) e de Vitória (ES). A empresa compra o produto paraguaio por meio de pequenas importadoras e também usa combustível brasileiro fabricado nos Estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. No caso do produto paraguaio, a Mat-Prima avalia que qualquer controle ambiental é de responsabilidade do produtor e da empresa importadora.

Também fabricante de ferro-gusa, a siderúrgica Cisam opera com carvão vegetal produzido no Brasil e no Paraguai. De acordo com um representante da empresa, o carvão é totalmente produzido com madeira oriunda de florestas plantadas, inclusive os carregamentos oriundos do Paraguai. A área de reflorestamento localizada no Paraguai foi implantada na cidade de San Juan Nepomuceno, no departamento de Caazapá, e é um empreendimento comandado por brasileiros. Já as siderúrgicas Ferguminas e Valinho estão com os fornos desligados, à espera da recuperação do mercado. Quando estão em funcionamento, as duas empresas utilizam carvão oriundo do Paraguai.

Tráfico e contrabando
Além dos problemas ambientais, sociais e trabalhistas que se escondem atrás do carvão paraguaio, traficantes de drogas e contrabandistas se valem do fluxo mercantil para introduzir produtos ilegais no Brasil. De acordo com fonte que consultada pela reportagem (cuja identidade será preservada), "o carvão é um convite para esse tipo de atividade, pois bloqueia o scanner [espécie de raio-x] utilizado na fiscalização de fronteira".

Além disso, o carvão "prejudica o olfato dos cachorros, é sujo e absorve o cheiro dos materiais". Até alguns anos atrás, o carvão paraguaio entrava quase sem impostos no Brasil. O preço era muito baixo: um caminhão carregado custava algo em torno de R$ 1 mil. Após muitos conflitos para que o preço do carvão importado fosse aumentado, a tonelada, que entrava no Brasil por cerca de US$ 20 dólares, agora está em torno de US$ 100.

José Alberto Iegas, chefe da delegacia da Polícia Federal (PF) na cidade fronteiriça de Foz do Iguaçu (PR), explica que é difícil estabelecer uma relação direta entre uma eventual carga ilegal de drogas ou contrabando com algum produtor de soja, de carvão ou de qualquer outro produto do Paraguai. "O mais comum é o dono do produto principal nem saber que a carga estava com a droga, sendo que nesses casos normalmente o motorista é cooptado pelo esquema diretamente. Mas acontece também do traficante comprar a carga e misturar, fazendo o serviço completo".

Ele acrescenta que os flagrantes desse tipo ocorrem normalmente em função de denúncias, investigações, pelo perfil da carga, ou pelo perfil da documentação. Segundo o chefe da PF, embora seja complicado de se apontar a relação direta entre o produto ilegal e algum produtor, é certo, por outro lado, que "os grandes traficantes normalmente possuem várias atividades legais para a lavagem do dinheiro da droga, do contrabando, inclusive pela compra de propriedades rurais, ou por meio de investimentos no gado".

Em Ponta Porã (MS), a assessoria de imprensa da PF afirma que flagrantes de droga e carga contrabandeada dentro dos carregamentos de carvão e de soja são comuns. Conforme a assessoria, trata-se de um subterfúgio muito usado pelos traficantes da região, sendo que em uma ocasião recente, foi encontrada uma carga de 11,7 toneladas de maconha em um caminhão de soja. De acordo com setor aduaneiro da PF em Foz do Iguaçu (PR), não é só com soja que se verifica a situação de contrabando e tráfico de drogas, mas também com o feijão, o milho, entre outros.
(Envolverde/Repórter Brasil)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Fórum SocialPanAmazônico



I Encontro dos Povos e Comunidades Atingidas e Ameaçadas por grandes projetos de infra-estrutura, nas bacias dos rios da Amazônia: Madeira, Tapajós, Tele Pires e Xingu.


Em preparação ao V Fórum Social Pan-Amazonico, vai acontecer o encontro dos 4 rios, Madeira, Teles Pires, Tapajós e Xingu. Que será debatido num dos eixos temáticos do fórum em novembro em Santarém.

Os planos de construção de hidroelétricas são decididos em Brasília e empurrados sem diálogo nas populações amazônicas. Para o governo federal e seu Ministério de Minas e Energia e Eletronorte, nós somos descartáveis, obstáculos ao crescimento econômico.

Convocamos a todos e todas para que juntos, façamos ecoar para todo o Planeta, começando pela cidade de Itaituba, que os Povos e Comunidades da Pan-Amazônia, que estão pagando com suas vidas pela chamada integração econômica forçada, promovida pela IIRSA – Iniciativa de Integração da América do Sul e o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, do governo brasileiro, é simplesmente a submissão do atual governo às metas do IIRSA, projetos estes que não promovem a “integração” dos povos e comunidades, mas ao contrário, desintegra-os, a exemplo do que está acontecendo com os povos e comunidades no Complexo Madeira, Interoceânica e Complexo Xingu, e que caso não impeçamos, pode vir a acontecer também na Bacia do Rio Tapajós/Jamanxin.

Visite a página do encontro

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Paris Hilton e Miguel Nicolelis (Ou o que somos e o que poderíamos ser)


Por Reinaldo Canto*

Um país sem educação vai além de problemas com mão de obra qualificada. Essa lacuna empobrece e fragiliza a sociedade e o país. A educação contribui para a formação de seres pensantes e cidadãos mais preparados e menos manipuláveis. A educação também colabora decisivamente para disseminar valores como respeito, conhecimento, solidariedade, tolerância e ética.

Nos últimos dias, dois fatos diametralmente opostos por sua importância e relevância, me chamaram a atenção e aqui reproduzo:

1 - O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que trabalha no Departamento de Neurobiologia da Universidade Duke, Carolina do Norte (EUA), foi um dos escolhidos para receber o Transformative R01 Award dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos. O prêmio dá direito a um financiamento para pesquisas de aproximadamente US$ 4 milhões (quase R$ 7 milhões).

Ele já havia recebido em julho o Pioneer Award, criado pela mesma instituição em 2004, pelo qual recebeu US$ 2,5 milhões (R$ 4,3 milhões aproximadamente) para dar continuidade a suas pesquisas no campo da interface cérebro-máquina. Nicolelis é o primeiro cientista no mundo a receber da instituição americana no mesmo ano o Pioneer e o Transformative R01.

Nicolelis é, além de um cientista renomado, um homem preocupado com o desenvolvimento do Brasil. Por essa razão, montou o Instituto Internacional de Neurociências de Natal, um centro de excelência em neurociência, no estado do Rio Grande do Norte. Jovens da região, graças ao empenho de Miguel Nicolelis, estudam no local e os que se destacam tem a oportunidade de trabalhar no Instituto.

2 – A socialite internacional Paris Hilton, herdeira de uma fortuna, conhecida pela gravação de um filme pornô e excessos variados, foi considerada culpada por uma corte nos Estados Unidos por porte de cocaína e ficará em liberdade condicional por um ano. Ao mesmo tempo ela é cortejada em nossas terras vem ao Brasil para gravar comerciais e ser garota-propaganda de uma grande cervejaria nacional recebendo um bom dinheiro por isso.

Esses fatos que nada tem em comum, causam reações bastante diferentes. Por essa razão, tracei cenários distintos, ou seja, o da nossa triste realidade e outro para um país ideal, no qual a educação seja vista como prioridade por todos os setores.

Cenas do país real:

Miguel Nicolelis 1

Pequenas matérias de portais de internet e notas de rodapé em páginas internas de jornais relatam a premiação de um dos maiores e mais engajados cientistas brasileiros. As revistas de celebridades não falam do assunto, pois fatos e "gente sem importância" não entram nas suas páginas.

Na noite seguinte ao recebimento do novo prêmio Nicolelis é visto em um restaurante movimentado em São Paulo com a família e um pequeno grupo de amigos comemorando o feito. Não foi interpelado por ninguém, algumas pessoas comentam em desaprovação o fato de naquele restaurante da elite paulista, aquele "desconhecido" trajar uma camiseta do Palmeiras, time do coração do cientista.

Paris Hilton 1

Tanto a condenação quanto a vinda ao país recebem grande cobertura. Fotos e imagens da musa são reproduzidas em diversas mídias, com grande destaque dos veículos de fofocas e celebridades. Paris recebe muitos convites para participar de programas de televisão, de inúmeras festas e eventos sociais. Por onde passa é cercada de fotógrafos, cinegrafistas e populares que se aglomeram reverenciando o vazio e a futilidade. Seguranças são contratados para evitar o assédio e a histeria de jovens que a vêem como um ídolo.

Num outro país, aquele ideal que mencionei, as duas personagens seriam tratadas de outra maneira:

Miguel Nicolelis 2

O cientista é capa de todos os jornais e portais de notícias brasileiros. Matérias descrevem o trabalho e esforço de Nicolelis para criar centro de excelência científica no Nordeste do país. Outras notícias falam dos projetos sociais e de formação de jovens carentes para trabalhar com ciência. A imprensa esportiva ressalta que o grande cientista é palmeirense fanático e já usou o futebol até em artigos científicos. Em entrevista coletiva Nicolelis falou dos seus projetos e na confiança que tem no futuro do país.

Nicolelis é aplaudido de pé ao entrar em restaurante da capital paulista para jantar ao lado de amigos e familiares. Mais cedo em jogo do Palmeiras, é homenageado pelos jogadores e torcedores do seu time. Antes de se iniciar a partida, aliás vencida por seu time, ouviu-se no estádio: Uhhh Nicolelis, uhhh Nicolelis.

Paris Hilton 2

A socialite vem ao Rio de Janeiro para descansar após a condenação. Apenas um jornal registra o fato, mesmo assim por acidente. É que um repórter foi ao aeroporto entrevistar Miguel Nicolelis e perdeu a viagem (o cientista teve que cancelar a sua ida ao Rio em função de outros compromissos). Por essa razão, o jornalista registra a chegada da moça numa simples notinha de rodapé.
No trajeto do aeroporto ao hotel, a jovem não é importunada. Ninguém nota a sua presença, além dos homens que tem predileção por loiras. E as revistas de fofoca e celebridades? Nesse meu país ideal, elas simplesmente não existiriam.

Bem, um país assim está bem distante de se tornar realidade, mas como faz bem sonhar!

Aos dois personagens aqui descritos fica a minha saudação:

Parabéns e muito obrigado Nicolelis!!

Paris... ahh... deixa pra lá!!

FOTO
Legenda: Miguel Nicolelis
(Envolverde/O autor)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A “comunicação pelo cuidar” é a comunicação para a sustentabilidade


Por Luiz Antônio Gaulia*, da Plurale

Para que servem os indicadores criados pela Global Reporting Initiative - GRI? Para acompanhar o desempenho organizacional em suas dimensões econômicas, sociais e ambientais que moldam o tripé da sustentabilidade.

Indicadores e suas formas de gestão são maneiras de prestar atenção e “cuidar” das relações entre diferentes dimensões. Este cuidar, numa percepção integral da vida, no meu entender, seria uma forma de comunicar.

A comunicação pelo cuidar, portanto, é uma comunicação que nos convoca para uma mudança de postura: baseada no respeito à vida. Uma ponte abrangendo a economia, o meio ambiente, os sistemas sociais, culturais, nossas emoções e afetos, nosso modo de conversar, interagir, pensar, perceber conexões essenciais e ainda, a nossa própria transcendência (espiritualidade).

Ao entenderemos a sustentabilidade como a construção do “nosso futuro comum” – como já definiu o Relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, organizado por Gro Harlem Brundtland, em 1988, compreendemos necessariamente o valor do cuidado. O saber cuidar é saber comunicar, uma vez que seria impossível cuidar sem relacionar-se, sem envolver-se. Uma vez que o cuidado requer proximidade, requer afeto e consciência em cada atitude. O cuidar é a mais bela e nobre forma de comunicação existente.

A comunicação pelo cuidar não precisa de discursos, manifestos ou publicações. Ela é uma ação comum, prática verdadeiramente sustentável a favor da “teia da Vida”, da qual falou o físico Fritjof Capra.

Numa ótica humanística essa comunicação pelo cuidado é um novo jeito de trabalhar, de conviver, de partilhar. De engajamento na construção de novos pontos de encontro entre culturas variadas, entre visões de mundo aparentemente opostas. Entre a pluralidade que pode causar estranhamento, mas que é a riqueza que permitiu a vida no planeta. Numa dinâmica comunicacional fantástica, miríade de possibilidades, articulações.

Por isso, o cuidar como base. Como primeiro degrau na direção de um amanhã onde a vida terá a preferência sobre as coisas, nunca mais sendo tratada como coisa. Onde a vida terá preferência sobre as máquinas, a produção e o crescimento a qualquer custo. Sem uma merecida atenção aos detalhes, ao pequeno, ao que parece inútil. Porque tudo que é vivo merece cuidado. Naquilo que deveria ser o olhar sem fronteiras que a sustentabilidade nos demanda. Para percebermos os nodos de uma rede de intensa relação: interdependente e intercambiante.

Dessa forma, o cuidar é a tradução, em permanente movimento, desta nova forma de ser e viver. Olhando o mundo além de si, além do imediato. Olhando o outro ser humano e os outros seres vivos, bem como os ecossistemas – nossos patrimônios coletivos, não como mercadorias ou peças soltas, fragmentadas, descartáveis e consumíveis numa voracidade veloz e agressiva. Mas com o olhar do cuidado. Através da comunicação pelo cuidar.

Do ponto de vista da política tal proposta resgataria o conceito de Democracia: pessoas ultrapassando seus interesses imediatos “sendo capazes de reconhecer os interesses dos outros e pensar o interesse do conjunto da sociedade” (citando Cristóvão Buarque). Pensar cada sociedade como inseparável do meio ambiente, buscando a preservação da vida em condições melhores do que as de hoje, como um legado às futuras gerações.
Garantir esta herança seria comunicar para as próximas gerações exatamente a importância do cuidado. Afinal, não precisamos, como escreveu o filósofo Ralph W. Emerson, “começar a aprender geologia na manhã seguinte a um terremoto”. Temos escolhas a serem feitas e a opção pela sustentabilidade é uma delas. E a comunicação para a sustentabilidade, a comunicação pelo cuidar é a construção dessa estrada, via de acesso da nossa sobrevivência.

Porque visão de longo prazo é saber que o dia de hoje carrega em si a semente do amanhã: “somente quando imaginamos o futuro como projeção de aspirações do presente é que o tempo atual passa a ser percebido como o momento de gestação do amanhã” (conforme escreveram Sandra Korman Dib e Elaine Juncken Teixeira em trabalho a respeito da ação sobre o próprio destino e o destino comum).

Fundamental, assim resgatar a relevância da palavra como cuidado. Da palavra como afeto, verdadeira energia fraterna, fazedora de laços, fortalecedora da confiança e de tolerância. Onde a comunicação, mais do simples lâmpada, é a própria luz. Trilha sobre o que antes estava invisível, esquecido, imperceptível, mal cuidado. Daí, o necessário diálogo - como escreve David Bohm, ser fundamental uma vez que “nossas relações dependem de como apresentamos os outros a nós mesmos e vice-versa. E tudo isso depende das representações coletivas.” Imaginemos então a conversa entre a humanidade como a mais ampla forma da comunicação pelo cuidado, como o encontro de “uma família que ainda não se conhece” (Theodor Zeldin).

O construir de uma biocivilização a partir de nossa própria vizinhança. Dos nossos arredores mais provincianos para o global, como pixels de uma fotografia maior. E para que tal empreitada se realize, vamos precisar “de todo mundo” como já cantou o poeta Beto Guedes, porque o “caminho entre o possível e a utopia é o espaço no qual os cidadãos do mundo podem e devem agir” (Jean Pierre Leroy).

O que já nos exige modelos educacionais capazes de “contextualizar os saberes e integralizá-los em seus conjuntos” como defende Edgard Morin. Porque o cuidar para ser sustentável requer a compreensão do todo, a percepção sistêmica de nossas ações e reações, de conseqüências aparentemente isoladas, do entendimento de contextos, leitura de cenários numa linha de tempo e de fatos que se sempre se interligam. Entre razão e emoção. Causa e consequência.

Como na questão, por exemplo, dos Direitos Humanos - outro aspecto abordado pelo modelo da GRI: “Quando alguém é injustiçado, toda a humanidade paga o preço” (segundo Francisco Gomes de Matos em “A Empresa com Alma”). Ou ainda diante de um acidente de trabalho com vítimas fatais numa obra e também diante de falhas de processos técnicos, resultando em desastres ambientais que desconhecem fronteiras políticas – como recentemente aconteceu com a explosão da plataforma de petróleo da BP no Golfo do México. E também testemunhando os incêndios gigantescos nos arredores de Moscou, na Rússia: a natureza desconhece as diretrizes traçadas pela arrogância dos homens.

* Luiz Antônio Gaulia é Jornalista, publicitário, professor da ESPM (em Comunicação & Desenvolvimento e Gestão de Crise & Assessoria de Comunicação) e da ABERJE (em Comunicação Interna como Ferramenta de Gestão). Trabalhou em projetos de comunicação para a sustentabilidade junto à empresas como Votorantim, Natura, Vale e Light entre outras.
(Envolverde/Plurale)

Novas estratégias para a defesa da biodiversidade

Fabiano Ávila, do Instituto CarbonoBrasil/PBL

O crescimento da população e do consumo irá criar uma pressão tão grande sobre os ecossistemas que as atuais políticas de proteção do meio ambiente através de reservas de conservação serão ineficientes para reduzir as perdas da biodiversidade.

Esta é a principal conclusão do estudo “Rethinking Global Biodiversity Strategies“, produzido pela Agência de Análise Ambiental dos Países Baixos (Netherlands Environmental Assessment Agency - PBL) para ser apresentado durante a próxima Conferência das Partes (COP 10) da Convenção sobre Diversidade Biológica, que será realizada em Nagoya, no Japão, entre 18 e 29 de outubro.

Segundo a PBL a única maneira de frear de forma consistente a perda da biodiversidade é fazendo uma mudança estrutural no nosso modelo de produção e consumo, mesmo que para isso sejam necessárias leis severas limitando a pesca, a expansão da pecuária e determinando a alteração do uso da terra.

O estudo alerta que já teriam sido tentadas leis pontuais em alguns setores, mas que é necessário o trabalho conjunto dos governos para que normas internacionais possam ser adotadas nos mais diversos modelos de negócios. Com isso seria possível reduzir pela metade a perda da biodiversidade projetada para 2050.

Medidas

Boa parte das propostas da PBL passa pela modernização dos métodos de produção de alimentos, com os países mais ricos ajudando os mais pobres com financiamentos e transferência de tecnologia.

Para a agência existe um grande potencial em tornar mais eficientes as lavouras ao redor do mundo, o que evitaria a destruição de milhões de hectares de matas nativas para a expansão dessa atividade. O mesmo pode ser aplicado para a pesca.

Já para a pecuária, além da modernização, o estudo aconselha campanhas para reduzir o consumo de carne. Será um desastre ambiental se o crescimento populacional for acompanhado pelas atuais taxas de consumo e a única maneira de evitar isso seria começar desde já a mobilização pela mudança dos hábitos alimentares, afirma a PBL.

Existe também grande espaço para aprimoramentos na indústria madeireira, com a aplicação de melhores técnicas de plantio e aproveitamento. A consolidação de selos e certificados de procedência será apresentada na COP 10 como uma das melhores alternativas para o setor.

Finalmente, a PBL recomenda uma maior integração com as políticas climáticas e suas potenciais ferramentas. Unir a proteção da biodiversidade com o combate ao aquecimento global será fundamental para a sociedade superar os dois desafios.

O estudo possui 172 páginas com tabelas e gráficos detalhando cada uma das possibilidades e explicando as conseqüências que sofreremos se não fizermos nada para evitar a perda das espécies.

É a biodiversidade que nos garante solos férteis, água limpa e ar de qualidade. Esses serviços são hoje nos fornecidos gratuitamente, mas se continuarmos ignorando os danos que provocamos ao meio ambiente os prejuízos econômicos e sociais serão grandes demais para sequer serem calculados.

(Instituto Carbono Brasil)

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Rede de Educação Ambiental realiza amanhã seu VI encontro

“Que a REMTEA consiga sentir o essencial com seus participantes deste VI Encontro, e exaltar mais uma oportunidade de celebrarmos, coletivamente, a esperança! Não seria isso o que realmente importa?” Com estas palavras, a professora Drª Michèle Sato encerra a apresentação do caderno de resumos do VI Encontro da Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (REMTEA), que começa amanhã e segue até sexta-feira (06 a 08), com a presença de mais de 700 participantes. A abertura oficial será no Centro Cultural da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), às 18h, com palestra de Michèle Sato e do professor Dr. Luiz Augusto Passos, ambos da UFMT.

Sendo um evento, também, acadêmico, o VI Remtea oferece a oportunidade de conhecer um pouco o que está sendo feito e produzido nos espaços escolares e comunitários, na educação escolarizada e na popular; em “Mato Grosso e para fora dele, até nos territórios longínquos onde a vista nem alcança.”, como diz Michèle. Ao todo, foram inscritos 252 trabalhos no formato resumo simples e resumo expandido, sendo que 198 foram aprovados.

O encontro é um momento altamente significativo para estudantes, pesquisadores e militantes de Educação Ambiental, uma vez que possibilita, também, o contato presencial dos mais de 300 participantes da rede, que comumente se comunicam via Internet. Embora pareça não haver muito para ser comemorado, a Remtea, segundo a professora, é um espaço de militância onde a “duras penas aprendemos a fazer mobilização social, a escrever e a assinar políticas públicas participativas”.
Em função do seu caráter agregador, o encontro da rede de Educação Ambiental vem crescendo com o desenvolvimento de eventos satélites no seu entorno. Este ano, serão três: “II Seminário de Mapeamento Social de Mato Grosso”, que reúne um número significativo de grupos sociais do território mato-grossense; o “I Encontro das Juventudes Mato-Grossenses” e o “III Encontro da Educação Ambiental Escolarizada”.

Centrado no tema “Territórios e Identidades”, o encontro da Remtea tem na sua programação três conferências alusivas a esta temática: “Territorialidades e identidades nos movimentos de resistência” com o professor Carlos Walter Porto-Gonçalves (UFF, Rio de Janeiro, RJ) e Regina Aparecida da Silva (GPEA, UFMT); “Diversidade nos Territórios”, com Diosmar Filho (INGÁ, Salvador, BA) e Gilberto Vieira dos Santos (CIMI/MT); e “Territórios identidades e temporalidades” com o professor Rogério Haesbaert (UFRJ, Rio de Janeiro, RJ) e Marcos Sorrentino (Esalq, Piracicaba, SP) .

Contam também na programação do evento mesas provocativas, painéis e eventos culturais. Confira a programação completa do
VI REMTEA

E o verde violentou as urnas!

Por Dal Marcondes, da Envolverde

Marina Silva teve 20% dos votos no Brasil. Isso significa que 20 milhões de brasileiros querem, e demonstraram isso nas urnas, que a sustentabilidade não seja mais um tema de oportunidade. Desejam que isso realmente seja incorporado a políticas públicas e de governo. Mais, estes eleitores deixaram uma mensagem clara para os dois candidatos que vão ao segundo turno: é preciso discutir o Brasil de forma mais consistente e não na base do generalismo. Todas as promessas são sobre educação, saúde, segurança etc. Temas sobre os quais há certezas. Ou seja, quem em sã consciência é contra agua encanada e esgoto tratado? Os eleitores de Marina, que vão decidir esta eleição, querem saber como será o desenvolvimento do Brasil nos próximos quatro anos. Que modelo de país o futuro governo quer e vai entregar. Uma discussão que estava descartada até este momento e que será o que realmente importa.

Bom, mas o processo eleitoral teve outras surpresas, principalmente em relação à disputa pelas duas vagas ao Senado em São Paulo. Aluízio Nunes, do PSDB, era quanse uma “carta fora do baralho” pelos dados dos institutos de pesquisa. Liderou a eleição. Ricardo Young, do PV, nunca era apontado com mais do que 2% das intenções de votos. Chegou a 4.117.634 votos, o que significa 11,20% dos votos dos paulistas. Vale perguntar como são feitas estas pesquisas, que deturpam resultados e atrapalham as campanhas mais do que bocas de urna e outras práticas que o Tribunal Eleitoral já pune como crimes. A divulgação de pesquisas erradas, que se afirmam “científicas” e com margens de erro de dois pontos para mais ou para menos influi na decisão de muitos eleitores. No entanto, de 2% para 11% não é exatamente uma “margem de erro”, mas sim incompetência na melhor das hipóteses, e má fé criminosa na pior.

O que vamos assistir agora são explicações mal ajambradas de porque se errou tanto e pedidos de desculpas aos eleitores, como se o estrago não tivesse nenhuma consequência. Em uma campanha política a possibilidade de vitória tem muitos reflexos na ação e na captação de recursos. Um candidato com 2% dos votos não estimula muitos doadores a apoiarem sua campanha. Um candidato que, no entanto, mostra sua capacidade, ou seu cacife eleitoral, pode conseguir mais apoios e, com isso, lutar para conquistar os votos que ainda necessita. Ricardo Young ultrapassou 4 milhões de votos, e poderia ter ido mais longe se tivesse recursos. Sua campanha se pautou pela austeridade e pela qualidade de suas propostas. Não teve os recursos dos quais dispuseram a maioria de seus adversários, mas mostrou que a sociedade é capaz de compreender propostas elaboradas de políticas públicas, apesar da incapacidade de diversos meios de comunicação e jornalistas em acreditar nisso.

Dilma e Serra terão de beber nas propostas de Marina, Ricardo e outros candidatos verdes se quiserem os votos destes eleitores. Não são os mesmos que votaram em Tiririca, não podem ser conquistados com promessas vagas e querem saber não apenas o que os candidatos vão fazer depois de eleitos. Principalmente querem saber COMO vão fazer. Este segundo turno fará bem ao Brasil. A política terá de ser feita de forma diferente, dialogada, negociada em termos de políticas públicas e não nos tradicionais acordos de bastidores e conchavos.

Para Marina Silva, a sustentabilidade não é mais assunto de guetos e as urnas provaram isso. E sustentabilidade pressupõe ética, transparência, governança, equilíbrio social, ambienta e econômico, além de um dos mais importantes valores dos ambientalistas, o princípio da precaução frente a arrogância do determinismo tecnicista.

(Envolverde)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A vitória do meio ambiente nestas eleições



Não poderia deixar de falar do contentamento que sinto com o resultado desta eleição para presidência, considerando o atual cenário, é claro! Os quase 20% de votos dados para Marina significa que ela está em condições de negociar uma pauta ambiental no próximo Governo. Por ironia do destino, Dilma, que afinal foi a tromba d’água que motivou a saída de Marina do Ministério do Meio Ambiente, vai ter de baixar o narizinho e pedir votos para Marina, porque sem dar a devida importância para a pauta ambiental, ela não ganha estes votos. Pelo menos não o meu! Afinal, votei na Marina porque ela representa o meio ambiente e uma política mais ética. Pelo menos este é o seu discurso e preciso apostar em alguém, embora não tenha esquecido o quanto ela cedeu ou teve que ceder no governo Lula em questões ambientais cruciais.

Tudo bem que o governo PT trouxe ganhos sociais como nunca vistos neste País, mas também fez alianças vergonhosas e é um grande aliado do agronegócio que tratora nossas florestas impiedosamente e é responsável pela maior parte das nossas emissões de carbono. Mas, ainda assim, como não temos grandes opções, sou a favor de uma aliança da Marina como o PT, desde que a agenda ambiental seja devidamente respeitada e quem sabe Marina indique ou vai para o Ministério do Meio Ambiente, desta vez conduzida por Dilma...

Resta saber se o PT vai, finalmente, esverdear um pouco e trocar o já surrado discurso desenvolvimentista por um discurso pautado em sociedades sustentáveis, com justiça e equidade social, mas também com sustentabilidade ambiental, assegurando nossa biodiversidade, segurança alimentar e muitos etceteras e tal de um discurso que é muito bom, mas que parece impossível ser alcançado a tempo...

É, não vai ser fácil engolir essa e acreditar que Dilma vai respeitar algum Ministério de Meio Ambiente. Deveria existir algum tipo de garantia para o eleitor, mas, infelizmente, não é assim que acontece. Mas sem acordo, Dilma não ganha meu voto!
Liete Alves

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Pense em quem você vai votar
Amazônia perde 210 km² de floresta em agosto


De acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em agosto foram desmatados 210 quilômetros quadrados de floresta na Amazônia Legal. A maioria (68%) da devastação ocorreu no Pará, seguido por Mato Grosso (11%), Amazonas (10%), Acre (6%) e Rondônia (5%).

A quantidade de área desflorestada nesse mês representa, segundo o instituto, uma queda de 23% em relação a agosto de 2009 quando o desmatamento somou 273 quilômetros quadrados.

O Pará foi o Estado que mais reduziu o desmatamento (-31%), seguido de Rondônia (- 24%). Por outro lado, houve aumento no desmatamento no Acre, Amazonas e Mato Grosso.

Degradação

Além do desmatamento, o SAD detectou no período 1.549 quilômetros quadrados de florestas degradadas. “Isso corresponde ao aumento expressivo de 241% em relação ao mesmo mês do ano anterior (agosto de 2009) quando a degradação florestal atingiu 455 quilômetros quadrados. Desse total, 46% ocorreu em Mato Grosso, 38% no Pará, 12% em Rondônia, 3% no Amazonas e 1% no Acre.”, diz o estudo.

Em relação às florestas degradadas, o aumento comparado ao mesmo mês de 2009 foi extremamente expressivo no Amazonas (+ 1.651%) e Acre (+ 1.029) e significativo no Pará (+ 282%), Rondônia (+ 210%) e em Mato Grosso (+ 192%).

Carbono

Segundo o instituto, a devastação detectada em agosto deste ano na Amazônia Legal comprometeu 3,4 milhões de toneladas (com margem de erro de 1,3 milhões de toneladas) de carbono. Essa quantidade de carbono afetada resulta em 12,5 milhões de toneladas de CO equivalente.

BR 163 e devastação

Em agosto de 2010, o desmatamento se concentrou de maneira mais expressiva no Pará principalmente na área de influência da BR-163 (rodovia Santarém-Cuiabá) afetando os municípios de Novo Progresso, Altamira, Trairão e Itaituba; e na Terra do Meio, atingindo os municípios de São Félix do Xingu e Altamira. Houve também desmatamento mais concentrado em Porto Velho (Rondônia) e Rio Branco (Acre).

Em relação a situação fundiária, em agosto de 2010, a maioria (54%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse.

Veja o documento na íntegra:


Boletim Transparência Florestal - Agosto de 2010


(Amazônia.org.br)